segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Dica de Filme - Tommy

Dica de Filme - Tommy

título original: (Tommy)

lançamento: 1975 (Inglaterra)
direção: Ken Russell
atores: Oliver Reed, Ann-Margret, Roger Daltrey, Elton John.
duração: 111 min
gênero: Musical

Sinopse - Durante a 2ª Guerra Mundial o capitão Walker (Robert Powell), um piloto, é dado como morto, mas quando ele retorna encontra Nora (Ann-Magret), sua mulher, com Frank (Oliver Reed), seu amante. Walker é morto por Frank e, ao presenciar o assassinato de seu pai, Tommy (Roger Daltrey) recebe a ordem de Nora e Frank de nada dizer acerca do ocorrido. Assim ele se torna uma criança cega, surda e muda, mas seu problema é de natureza psicológica. Com o tempo torna-se um campeão de fliperama e, mais tarde, ídolo pop.

A Memória e o Recordar


Já tivemos em outro momento, oportunidade de discutir sobre a importância da memória dentro dos processos mentais. Nessa ocasião foi possível perceber como os conteúdos da memória influenciam na capacidade da mente em funcionar de maneira saudável. Entendemos que uma mente que funciona predominantemente apoiada no conteúdo da memória, dificilmente pode ter uma visão clara da realidade. O funcionamento mental fundamentado essencialmente na memória tem grande dificuldade no reconhecimento do ambiente externo (onde se encontra o outro) e consequentemente acaba ocorrendo num empobrecimento dos referenciais quanto ao mundo interno (emoções e elementos psíquicos).

Com esse texto gostaria de expandir a ideia da memória e suas funções e também trazer o conceito de recordação em suas ocorrências no funcionamento mental. A tentativa nesse texto presente, é o de percebermos a diferença entre estes dois termos. A memória e o recordar se encontram na mesma categoria gramatical, muitas vezes com sentido idêntico. Apesar disso, certa distinção parece útil, na medida em que o funcionamento da mente está fortemente vinculado aos conteúdos da memória de uma forma e de maneira diversa se relaciona com à capacidade de recordar.

A memória
deusa grega 
Mnemosine
Qualquer que seja a maneira cuidadosa de analise ou pensamento sobre qualquer que seja o conceito importante, deve perpassar pela origem semântica do termo, ou seja, a origem do vocábulo ou ainda, a compreensão da demanda pela qual foi criado. A palavra memória é de origem grega e está relacionado à deusa Mnemosine, que junto de Zeus teve nove filhas; as chamadas Musas. Mnemosine á a deusa da história e da arte, é a protetora contra a ameaça do esquecimento. Pelo vértice mitológico já é possível perceber onde a memória se faz útil. Ela vem como defesa contra a iminência de se esquecer ou de ser esquecido. Quero propor que somos forçados a nos lembrar por medo de esquecer. Poderíamos dizer que se “temos” algo na memória sempre tememos perde-lo. É caracteristica do ‘ter’, o medo de perder. Então reza-se para ser protegido pela deusa Mnemosine. Sob esse ponto de vista revela-se certa fragilidade no dado armazenado na memória. Aquilo que se tem na memória é vulnerável ao ponto de estar sujeito aos caprichos dos habitantes do Olimpo.
John Lock (1632 – 1704)
John Lock (1632 – 1704), filósofo empirista inglês, propoe em seus “Ensaios Sobre o Entendimento Humano” (1690), que a memória seria como um armazem de ideias. Pela perspectiva de Lock, armazenamos os dados sensoriais num departamento mental chamado memória. Em nossas experiências, vamos recolhendo sensações no contacto com o mundo externo e isso vai ficando registrado como dados de memória. No entanto, conteúdos da memória devem ser formatados de acordo com certos critérios. Normas que permitam certa organização de algo que se buscará acessar em momento oportuno. Essa organização deve existir a favor da utilização desse dado armazenado. Quando necessário for a busca por esse elemento da memória, isso deve ser viavel e feito de maneira mais prática possível. Certa padronização de ideias em nome de facilitar o acesso e resgate dos dado de realidade armazenado.
Logo, dados da memória não podem ser questionados, ao contrario, devem ser saturados, acabados e devidamente padronizados. Ainda na perspectiva de Lock, nesse ‘armazem de ideias’, emoções não são bem vindas.

Emoções sempre colocam a organização em risco. Emoções ameaçam padrões definidos. Assim, conteúdos da memória, não devem guardar caracteristicas de transformação (Bion, 1965). Devem estar de certa forma cristalizados para que possam se manter nos compartimentos da memoria. Como invariantes, devem se encontrar cristalizados em forma de certezas ou ‘verdades’, classificadas e ordenadas. Isso define o que poderíamos chamar de boa memória.


Wilfred Bion (1897-1979)
Wilfred Bion (1897-1979), importante psicanálista indiano, naturalizado inglês já havia nos alertado para certo ponto de vista, quando propõe em sua obra publicada no Brasil em 1991, com o nome de “As Transformações, a mudança do aprender para o crescer”, sobre os conteúdos invariantes em contra ponto com as transformações dentro daquilo que é psíquico. Ideias que partem das propostas filosóficas feitas por Immanuel Kant (1724 – 1804) em suas críticas as razões; pura e prática e que Bion expande para o âmbito psicológico. As transformações e os invariantes se articulam no desenvolvimento mental. Bion usa do modelo artístico e propõe que quando um pintor vislumbra uma paisagem e trasfoma essa paisagem num quadro, alguns elementos permanecem inalterados. Invariantes são aspectos que se mantém inalterados nesse processo de transformação. O questionamento (proposta para a transformação) quando ocorre na memória (que conta com sua inalterancia por ser invariante) é percebido como falha. A falha na memória é justamente um questionamento quanto ao valor ou ordem daquilo que se deseja lembrar. Logo, a emoção interfere diretamente no resgate do dado na memória.
Lembro-me de um paciente que inundado de culpa, amiúde tentava buscar na memória situações vividas com seu pai, já falecido. Tentativas que pudessem justificar a imagem idealizada do pai que tentava manter. Isso revela certa caracteristica importante dos conteúdos da memória. Fazem parte de uma classe especial de impressão sensorial do real, que na medida em que se distancia da próxima confirmação na realidade, tende a se desintegrar. A memória exige certa frequência na constatação da existência no nível do real sensório, ou seja, na constatação pelos órgãos do sentido. A impossibilidade de certa frequência nessa ordem de constatação, as emoções (elemento básico da saúde mental) vão gradualmente dificultando a definição dos dados armazenados na memória. Poderíamos propor que a frequência na confirmação do dado é necessária para que não se ‘perca na memória’.


O recordar


Já o conceito do recordar me parece ser uma construção que reúne qualidades mais nobres do que poderia reunir a memória. Talvez parta do mesmo princípio, já que a conotação de trazer o fato passado para o presente é coincidente em ambos os termos. Apesar disso, a recordação guarda certas características que estão ausentes no conceito de memória. Recordar é uma unidade verbal que agrupa três vocábulos e que logo nesse encontro verbal já revelam certa capacidade sublime do funcionamento mental. Na palavra “re-cor-dar”, encontramos o prefixo ‘re’ que denota a repetição, ou algo que se reproduz, ‘cor’ refere-se à palavra coração, derivada do grego e também do latim cordis. Ambas têm origem na palavra kurd do sânscrito, que significa saltar, e finalmente ‘dar’, que nos sugere doação.


A partir dessa definição semântica, podemos perceber que o termo recordar vem repleto de afeto, quando nos diz sobre certa obra de dar novamente ao coração. Logo, o recordar é uma espécie da memória afetiva. É talvez, amar aquilo do qual se lembra. Estar vinculado afetivamente com o fato passado. A recordação não é um simples armazenamento nos compartimentos da memória, mas a capacidade de reviver a fato passado trazendo para o presente e até o imortalizando. Nessa ordem a capacidade de recordar deve contar com a formação de símbolos e se mantém sempre conforme disposição para simbolização. Importante nos lembrarmos que ser capaz de simbolizar coincide com ser capaz de tolerar a falta. Recordar carece admitir e ser capaz de viver a perda. Isso implica na possibilidade de acreditar na ‘coisa’, mesmo sem podermos confirmar sua existência pelos órgãos dos sentidos. Através de certa experiência afetiva com a realidade, passa a ser possível desapega se do real concreto ou material. Assim, podemos arriscar uma frase que se não utilizada de maneira cautelosa, pode se tornar banal: “só o amor liberta”. Mas, liberta do que? Liberta da urgência e recorrência compulsiva da confirmação no real sensório, onde se não se pode ver, não existe. No recordar é permitido intuir e a intuição está desvinculada do ver, do tocar, do cheirar...

Antoine-Jean 
de Saint-Exupéry
(1900 - 1944)
Na medida em que foi possível, através da dedicação a analise, que o paciente referido à cima, diminuísse a culpa quanto a seu pai e assim não necessitasse com tanta freqüência solicitá-lo através da busca em sua memória, pode-se fazer as pazes com a figura interna do pai. Em certo estagio de sua analise, me contou que numa manhã acordara com uma sensação muito boa, através da recordação de uma simples fala, mesmo que rara, mas afetuosa de seu pai.

Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry filho do conde e condessa de Foscolombe (1900 - 1944) foi escritor, ilustrador e piloto da Segunda Guerra Mundial. Saint-Exupéry nos presenteou com a obra “O Pequeno Príncipe”, publicado originalmente em 1943. Esse livro é a terceira obra literária mais traduzida no mundo, publicado em mais de 160 línguas ou dialetos, sendo a primeira a Bíblia e a segunda o livro o peregrino. Nesse livro a raposa se despede do principezinho dizendo a ele: "Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." (Saint-Exupéry – 1943, p. 74)


A recordação é sinal de que certa experiência emocional foi bem sucedida, enquanto a memória não passa de dados registrados e armazenados sobre uma realidade que ficou no passado e que pouco se confirma no hoje. Não seria nem um absurdo propormos então que, a recordação é estar ligado ao passado pelo amor (sinal de gratidão), enquanto a memória é mantida pelo medo de errar ou a culpa por ter errado (gerador de inveja). A habilidade com a memória pode fazer do sujeito uma pessoa muito inteligente, mas a sabedoria só ocorre naquele que cultiva boas recordações.



Bion, Wilfred R. 1965 As Transformações, a mudança do aprender para o crescer Rio de Janeiro: Imago Ed.
Saint-Exupéry, A 1963 O Pequeno Príncipe, Rio de Janeiro: AGIR Ed.






Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor








Fone: 17-30113866

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Agora a regra é a do ficar


Observando os modelos de ligação afetiva, ou em outras palavras, a forma como nos ligamos às pessoas e coisas, é que podemos perceber e avaliar aquilo que chamamos de funcionamento mental. Partiremos desse referencial tendo como pressuposto que o próprio ser humano só pode “ser humano” no contato com outro humano. De outra forma, sempre duvidará de sua própria humanidade. Quero propor com isso que, efetivar ou exercer sua humanidade só se realizará quando em contato com outro ser humano. Um ser ausente de Eros, aquele que nos liga ao outro e ao mundo, não pode estar integrado quanto ao “ser” ou sua existência, muito menos quanto a sua própria humanidade. A psicanálise nos instrui que o que é voltado para o interior do sujeito, não pode ser acessível ao outro, a não ser que seja interpretado (que o outro diga como ele percebe). Mas para isso também carecerá de Eros ( o deus do amor) para humanizar-se. Porém, até que o faça percorrerá longo caminho. E assim como na linguagem poética; o outro pode estar bem perto fisicamente, porém muito distante do coração.
Assim como em cada nova etapa histórica o sujeito pós-moderno, que nasce a partir dos anos 50, trás com ele alguns novos conceitos que em forma de slogans sociais, servem na orientação da massa. O ser humano necessita destes referenciais que se resumem em breves falas e se expandem em comportamentos, escolhas e chegam até a forma de amar. Utiliza-se disso sempre na falta ou nas falhas de sua individualidade ou na duvida sobre sua identidade. Busca suas referencias em sua contemporaneidade e isso surge na forma de moda ou tendências sociais. Usa disso na medida em que se sente inseguro quanto a si mesmo. Normas formais e informais úteis na decodificação do existir. Quanto menos se vê fortalecido em si mesmo, mais faz uso deste recurso de massa. Como num cardume de sardinhas que, juntas transformam-se em um enorme e poderoso peixe no olhar do inimigo. Dessa mesma forma o ser humano age e revelam assim suas escolhas, ou mesmo sua incapacidade de escolher.
Junto com a criação da bomba atômica e a descoberta do genoma, criam-se novos modelos de escolha afetiva e de ligação amorosa na dita sociedade pós-moderna. A repressão sexual construída pelo homem moderno é demolida pelo slogan “amor livre” criado pelo pós-modernismo. Cria-se um pensamento revolucionário. Um movimento com a bandeira do “Paz e Amor”, tem o afeto aberto como ícone nessa sociedade denominada “Flower Power”. Sobre tudo a partir dos anos 60, renuncia-se a escolha da família paternalista, para que a reivindicação da responsabilidade do si mesmo na escolha do par amoroso seja satisfeita. A criação de métodos anticonceptivos mais eficazes, como a pílula, foi de grande influencia nessa transformação de modelo afetivo. O casamento armado pelos pais, por conveniências familiares é renunciado. É então permitindo ao sujeito ampla liberdade na escolha que ganha o novo título de namoro. Descritivamente se trata de certo modelo de relacionamento que inclui um período de reconhecimento e avaliação entre as partes do casal, até que se optasse por estarem juntos (ou não) em um compromisso “legal” ou formalizando. Só então, segundo as normas sociais inicia-se a família no modelo pós-moderno. Revela-se um projeto de vida onde a independência pronuncia-se sobre qualquer que fosse a percepção de resquício de dependência, assim sentir-se alienado seria veementemente passivo de ser evitado.
Dentro desse modelo de pensamento, sinais de dependência revelariam um sujeito fraco. Como que um tipo de passividade conformista, totalmente incoerente com uma sociedade revolucionária que se conduziria pela bandeira da liberdade do amor.
Entretanto, percebemos que gradualmente o namoro foi sendo substituído por um novo modelo de aproximação. O modelo afetivo denominado namoro agora num formato mais breve, ganha o título de ‘ficar’. O ficar chega acompanhado pela ‘balada’, ambiente propício para se ‘ficar’. A balada é caracterizada por festas com musica eletrônica, casas noturnas e micaretas de carnaval temporão, onde o culto ao ficar é mencionado em letras como: “Já beijei um já beijei dois já beijei três, Hoje eu já beijei e vou beijar mais uma vez” (musica de João Maurício e Bastola e Tiago Quadros, gravada pela banda Cheiro de Amor).
Contudo, a balada não tem muito significado se não associada ao consumo de álcool e energéticos a base de cafeína combinadas com aminoácidos. Não deve ser muito ampla uma pesquisa que possa revelar a impossibilidade da promoção de uma balada onde não se consuma álcool. Em muitos casos existe o consumo de outras drogas como certas combinações de anfetaminas que se transforma em influencias cruciais na incapacitação do julgamento da realidade e desta forma estimulando a superficialidade do contato com aquilo que existe fora do eu, justamente o ‘ficar’. O beijo que seria símbolo do amor pós-moderno, agora passa a ser o troféu na superficialidade do encontro denominado ‘ficar’. Troféu desligado de noções como qualidade, mas fica condicionado segundo a quantidade de sujeitos beijados numa só noite de balada. A amplitude de possibilidade de escolha cresce muito mais com esse novo modelo, porém o que antes se pronunciava em forma de angústia por sentir-se preso a alguém que não pudera ter a chance de escolher, agora se revela como uma superficialidade no encontro, que trás certa inabilidade no reconhecimento mais profundo do objetivo assim como do objeto amoroso. Ou seja, o sujeito se perde no meio das suas próprias escolhas, num sentimento de enorme solidão.
O que se originou de uma luta por liberdade ou independência agora se pronuncia como medo extremo da profundidade nas relações. Isso já que esse modelo de experiência poderia proporcionar um ambiente propício para se reviver situações de dependência.
Nesse culto ao mito de Narciso, me parece que o grande prejuízo se encontra no lado mais frágil. Tudo estaria muito tranqüilo se essa geração fosse a ultima das gerações e até parece que a degradação da natureza aponta para essa direção. Boatos recorrentes de catástrofes em massa e fim do mundo são fantasias acalentadoras dessa tendência narcisista de que “nada continuará depois que eu morrer”. Entretanto, na realidade, a vida continua. O sujeito contemporâneo reivindicou e conquistou sua independência, mas quem cuidará dos bebês que necessitam se sentirem dependentes?

Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodiasmartino@hotmail.com
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domingo, 23 de janeiro de 2011

Dica de filme - Perfume - A História de um Assassino

Perfume - A História de um Assassino
título original: (The Story of a Murderer)

lançamento: 2006 (França, Alemanha, Espanha)
direção:Tom Tykwer
atores:Ben Whishaw, Alvaro Roque, Franck Lefeuvre, Birgit Minichmayr.
duração: 147 min
gênero: Ficção


Sinopse



Paris, 1738. Jean-Baptiste Grenouille (Ben Whishaw) nasceu em um mercado de peixe, onde sua mãe (Birgit Minichmayr) trabalhava como vendedora. Ela o tinha abandonado, mas o choro de Jean-Baptiste faz com que seja descoberto pelos presentes na feira. Isto também faz com que sua mãe seja presa e condenada à morte. Entregue aos cuidados da Madame Gaillard (Sian Thomas), que explora crianças órfãs, Jean-Baptiste cresce e logo descobre que possui um dom incomum: ele é capaz de diferenciar os mais diversos odores à sua volta. Intrigado, Jean-Baptiste logo demonstra vontade de conhecer todos os odores existentes, conseguindo diferenciá-los mesmo que estejam longe do local em que está. Já adulto, ele torna-se aprendiz na perfumaria de Giuseppe Baldini (Dustin Hoffman), que passa por um período de pouca clientela. Logo Jean-Baptiste supera Baldini e, criando novos perfumes, revitaliza a perfumaria. Jean-Baptiste cada vez mais se interessa em manter o odor de forma permanente, o que faz com que busque meios que possibilitem que seu sonho se torne realidade. Só que, em suas experiências, ele passa a tentar capturar o odor dos próprios seres humanos.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Crítica as razões

Crítica as razões
Renato dias Martino

Se pudermos incluir dentre essas perspectivas de estudo do saber, as ideias de Immanuel Kant (1724 – 1804), o vértice das 'possibilidades' passa a ser o instrumento principal na busca pelo conhecimento. O ponto de partida da filosofia de Kant é justamente o problema do conhecimento, e a ciência, tal como existe.
Esse importante filósofo alemão propõe duas categoria básicas de conhecimento, o conhecimento a priore e o conhecimento a posteriori. Para esse importante pensador, o conhecimento a priori não depende da experiência, sendo assim, algo transmitido teoricamente. Esse padrão de conhecimento segue um modelo de saber acumulativo, que baseado em um um fato registrada na memória e que foi percebida pelos orgãos dos sentidos. Então pode ser transmitido a outrem, como verdade.
No extremo oposto, estaria o conhecimento a posteriori, ou como Kant o denominava em alguns casos, o saber sintético. Nesse molde de saber estaria aquele conhecimento que seria resultam da experiência e, por isso, implicaria aspectos privados e incertos. Segundo esse modelo proposto por Kant, o conhecimento é vínculo, ou relacionamento entre o sujeito e o objeto do conhecimento.
Para Kant, são necessários os dois modelos de conhecimento e isso coincide com a nomeação (a priori ) da experiência (a posteriori). A partir dessa proposta de pensamento, não se pode conhecer as coisas "em si", mas apenas o que podemos obter através da experiência com ela. Isso equivale dizer que aquilo que chamamos de coisa, é apenas aquilo que pudemos conhecer do objeto, e nunca a coisa “em si”.

Entretanto, é uma forma menos ecessivel e seleta do saber, pois é uma maneira de pensar que torna o sujeito responsável pelo saber. Certa pedagogia regida por esses moldes propostos por Kant, talvez fosse aquela calcada na priorização das possibilidades em se qualificar o sujeito para a experiência. Isso, para Kant, representaria a retirada do sujeito de sua menoridade, posição onde se encontra dependente do saber do outro. O ‘por si mesmo’ é a bandeira do saber kantiano, e seria talvez a única forma de ensino que poderia receber o titulo de real.

Qualquer outra tentativa de conhecimento, colocaria o sujeito dependente da experiência do outro, invalidando grande parte do vínculo com a própria realidade do objeto do conhecimento. Não é muito difícil chegarmos a uma concepção onde uma verdade contada não pode ser comparada a uma verdade vivida. Segundo a proposta de Kant, fora da experiência não pode haver o real aprendizado.

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Prof. Renato Dias Martino
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sábado, 8 de janeiro de 2011

Dica de Filme - The Wall

The Wall
Reino Unido

1982 • cor • 95 min

O filme trata da construção de um muro metafórico, que se trata de isolamento e alienação.


Produção e Direção Alan Parker
Produção Alan Marshall
Roteiro Roger Waters
Elenco original - Bob Geldof, Christine Hargreaves, Eleanor David, Alex McAvoy, Bob Hoskins, Michael Ensign

Gênero - Musical, Idioma original - Inglês

Música Robert Erzin - Pink Floyd
Diretor de arte Brian Morris
Figurino Penny Rose
Cinematografia Peter Biziou
Edição Gerry Hambling
Estúdio Metro-Goldwyn-Mayer
IMDb: (inglês) (português)
Projeto Cinema • Portal Cinema

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ainda Sobre a Palavra

       Não me parece radicalismo ou loucura, propor que não estamos numa época que poderíamos chamar de “valorização da palavra”. Ao contrario, penso eu, que preocupados com a simplicidade da palavra, nem cheguemos até ela. Esse instrumento chamado palavra é talvez a forma mais breve de definição do objeto. Onde no formato de símbolo básico, a ‘coisa’ vira um nome. A partir daí abrem-se oportunidades de expansão da palavra em direção a conceituação. O conceito apura a relação com aquilo que se quer dizer através da palavra. Traz mais dados sobre isso que se deseja expressar com a palavra. Mas, para se chegar ao conceito deve-se ter passado pela palavra. Um dia, cada conceito que utilizamos hoje em nossas vidas, foi uma simples palavra. Entretanto, se a evolução da ideia para por ai, algo curioso acontece.


Se até aqui, estamos de acordo e se realmente podes dizer que a palavra é uma ponte entre a ‘coisa’ e o conceito, então experimentamos nessa etapa do caminho, algo em formato de preconceito. Aquilo que antecede a formação conceitual. Logo, a incapacidade de atravessar essa ponte é o que gera o preconceito rígido e intransponível. Sabe-se muito pouco da ‘coisa’ e já se impõem como verdade absoluta, o que se imagina saber.


Apesar disso, pensando no desenvolvimento da ideia, a partir do conceito podemos expandir o pensamento e experimentarmos a intuição. A partir da capacidade de intuir, ai sim a palavra começa a ser dispensável. Como se já houvesse contribuído o suficiente ela pode ser abandonada, isso na presença da intuição. Vamos desvalorizar juntos a palavra, más depois de estarmos seguros do que ela quis dizer.
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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

E se fosse assim?

E se fosse assim?
Renato Dias Martino


E se a dor fosse só tua e se tua morte fosse mesmo o fim?
E se quando falo de você, inevitavelmente falo mais de mim?
Talvez, porque quando há resposta, da questão vemos o fim.
Não importa o que eu faça, vai doer mesmo assim!
E quando é apenas inicio e já se teme pelo fim?

Prof. Renato Dias Martino é Psicoterapeuta e Músico, Fone: 17-30113866 renatodiasmartino@hotmail.com http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com/

MEU OU TEU

MEU OU TEU
Renato Dias Martino

ENCONTRA EM MIM O QUE DE BELO TENS
ODEIA EM MIM O QUE DE RUIM POSSUI
ADORA O MEU, POIS, PARECE TEU
EXIGE DE MIM O QUE EU NUNCA FUI

DEVOLVO A TI A COERENTE COR
CONTRASTANDO ASSIM, DESPERTANDO ENTÃO...
A QUÍMICA QUE TRAZ A TONA A DOR
DE NÃO SABERMOS SE ESTAMOS LÁ
OU NÃO.

SÓ SOU BOM O BASTANTE,
SE O QUE TE FALTA EU TROUXE
MESMO QUE ME SENTIU
SÓ POR UM INSTANTE
E QUANDO VÊ QUE NÃO É
O QUE PENSOU QUE FOSSE
DECIDE QUE NÃO
SOU BOM O BASTANTE.

Prof. Renato Dias Martino
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