A
origem semântica da palavra “humano” está no latim humanus, relacionado
a humus, “terra”. Isso traz a noção das “coisas terrestres”, em oposição
ao que é da ordem do “divino”. O termo “humanidade” guarda enorme ambiguidade,
chegando a se tornar ambivalente. Manifesta valores duvidosos, hesitantes e até
opostos quando nos propomos a refletir atentamente. Muitas vezes, usamos esse
conceito para denotar uma atividade benevolente, compadecida e até caridosa ao
próximo — e por que não, a nós mesmos? No entanto, a realidade nos revela que o
ser humano é uma criatura cruel, se não a criatura mais nociva do planeta. “Na
realidade, o ser humano vem se revelando uma espécie de criatura muito danosa
para a natureza, já que, à medida que ganha espaço, coloca em risco inúmeras
espécies, assim como destrói ecossistemas, incluindo sua própria espécie.”
(Martino, 2025) Sendo assim, quando agimos com benevolência e compaixão, parece
ser justamente quando renunciamos à humanidade para transcender a um plano mais
nobre da existência. Reservado ao meu raso conhecimento das escrituras
sagradas, me parece que a frase “Meu reino não é deste mundo”, declarada por
Jesus a Pôncio Pilatos (João 18:36), tinha a ver com isso. Ora, me parece que o
ser humano tem extrema dificuldade em lidar com atitudes que incluam amor, paz
e verdade, evitando-as até as últimas consequências. Os humanos são
extremamente apegados à materialidade das coisas, logo, inábeis em lidar com a
impermanência das coisas terrenas. Portanto, se concordamos com essa breve
explanação, a expressão “se tornar mais humano” está distante — ou mesmo é o
avesso — de tudo o que concebemos de mais nobre nessa vida.
Martino. R. D. ESBOÇO DE EXPANSÃO: Escolhas, Vontade e Desejo, 2025.
Prof. Renato Dias Martino


Nenhum comentário:
Postar um comentário