domingo, 16 de julho de 2017

DO MEDO DE SI MESMO: Prof. Renato Dias Martino


 DO MEDO DE SI MESMO: Prof. Renato Dias Martino
Como é que eu posso ter medo de mim mesmo?
Sigmund Freud (1856 – 1939)
UMA DIFICULDADE DA PSICANÁLISE (Freud,1917)
3 Ferida Narcísica
1° Nicolau Copérnico (1473-1543) – Heliocentrismo -Cosmologia
2° Charles Robert Darwin (1809-1882) - Teoria da Evolução – Biologia
3° Sigmund Freud (1856 – 1939) – O sujeito não é dono de sua própria vontade – Psicanálise
Arthur Schopenhauer (1788 — 1860)
Na mente saudável o medo é integrante do instinto de autopreservação.
Na saúde mental a intuição deve ser a maior referência.
Percepção da realidade que abrange pra além do que é percebido pelos órgãos dos sentidos.
Além das aparências.
Educação para conviver em sociedade.
Supressão das capacidades inerentes ao instintual.
Esse é o animal humano; aquele que mais se distancia de sua própria natureza.
Deixamos de nos importar com nossos medos.Justificativas sociais que nos coloca inadequados.
O outro parece não se afetar.
Firmamos acordos com a civilização dos quais na realidade, estão distantes das capacidades emocionais humanas.
Os maiores medos são aqueles formados essencialmente dos momentos em que se esteve
 desamparado e sem qualquer recurso para lidar com isso.
Sozinho, vulnerável emocionalmente e incapaz de acreditar
em si próprio, elege aspectos internos como inimigos de si mesmo.
O Mal-Estar na Civilização (Freud, 1930)
Nenhum inimigo pode nos fazer mais mal do que nós mesmos.
Fragilizado e inseguro, buscará um culpado para a situação de desproteção.
Por não poder contar com ninguém mais, então, condena a si mesmo.
AMOR e SINCERIDADE
A presença saudável de um ambiente acolhedor é justamente
o que pode trazer certa tranquilidade interna para o restabelecimento
do bom funcionamento mental.
Livre de Críticas e Bajulações.

Prof. Renato Dias Martino é psicoterapeuta, atuante na clínica da psicanálise na cidade de São José do Rio Preto, estado de São Paulo.
É escritor das obras "Para Além da Clínica" (2011), “Primeiros Passos Rumo à Psicanálise” (2012), “O amor e a Expansão do Pensar: Das perspectivas dos vínculos no desenvolvimento da capacidade reflexiva” (2013) e “O LIVRO DO DESAPEGO” (2017).
Entre em contato pelo e-mail prof.renatodiasmartino@gmail.com, 
ou pelo fone 17 – 30113866
Mais materiais em http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com.br

quinta-feira, 29 de junho de 2017

PACTO NARCÍSICO: Das decepções afetivas

Maria era uma moça muito bonita, apesar disso sempre foi afetivamente bem carente. Sentia-se extremamente sozinha e chegava a duvidar de que um dia poderia encontrar alguém para dividir a dura tarefa de viver. Via as moças de sua idade namorando, mas não conseguia encontrar alguém para ela. Duvidava que um dia pudesse ser importante para alguém. Não acreditava possuir qualidades o bastante para isso.
Até que um dia, Maria conheceu alguém que pareceu lhe fazer muito bem e a ele, ela dedicou todo seu amor. Abriu mão de seu amor próprio se dedicando de forma integral para esse alguém. Nunca imaginou poder estar com alguma pessoa que julgasse tão especial e por conta disso, não queria perdê-lo por nada. Renunciou às poucas coisas que podiam lhe trazer algum prazer para estar junto de seu amor.
Algum tempo se passou e certo dia ela sofreu uma grande rejeição vinda desse alguém, do qual já estava desenvolvendo um grande afeto. Na verdade, ele já vinha a tratando mal há tempos. Ele vinha fazendo certo descaso dela de forma sutil. Ela percebia, mas desejou tanto essa relação que não queria acreditar nisso, mesmo sendo maltratada. Sendo assim, insistiu em permanecer com ele. Visto que, por vezes acreditava que esse descaso seria pelo fado de seu companheiro ter percebido o quanto ela era indigna de ser importante para alguém, assim como ela mesma desconfiava. Com isso, Maria se conformou com a situação e decidiu se contentar com migalhas de afeto. 
No entanto, as experiências de descaso e decepção foram se tornando cada dia mais frequentes e mais severas. Assim, Maria experimentou uma sensação de grande desamparo e se viu completamente abandonada. Sentiu-se pior do que quando não tinha ninguém. Foi repudiada por alguém do qual depositava grande consideração. Alguém que fizera descaso do amor de Maria. 
A partir daí, a moça se refugiou dentro de si mesma e no seu interior, Maria teve um encontro com ela mesma. Foi um encontro difícil, muito conflituoso, pois Maria havia abandonado a si mesma para se dedicar a pessoa que então a desprezou. Maria estava descontente com ela própria e assim passou a condenar-se, acusando-se de descuido e desrespeito, por conta do tempo em que esteve ausente de si, se dedicando a alguém que só a desprezava. Depois de muito brigar consigo mesma, Maria só conseguiu fazer as pazes mediante a um pacto narcísico. Certo pacto egoísta que fizera com ela mesma. Prometeu para si que nunca mais iria abrir seu coração para ninguém. Assegurou a ela mesma que nunca mais iria dedicar seu amor a ninguém. E assim seguiu a vida...
Porém, a partir de então, algo muito perturbador começou acontecer. Por mais que Maria não fosse capaz de reconhecer-se a si mesma, ela era uma moça cheia de atributos e virtudes. Era muito bonita, muito inteligente, carinhosa, uma moça muito dedicada e honesta. E diferente do que ocorria antes, agora, muitas vezes passou a ser cortejada por belos rapazes que pretendiam se relacionar com ela. Mas, cada vez que Maria se interessava por alguém, iniciava-se automaticamente, um conflito com ela mesma. Ora, afinal havia prometido que nunca mais se interessaria ou se abriria para se relacionar com outro alguém. Como que uma reclamação pela solidão que uma vez restituiu a paz. Solidão que se configurava, antes de tudo, num ato de autopreservação. Um dia ferida, retraiu-se, confortando-se no colo de si mesma e com isso garantindo nunca mais se arriscar. 
Maria chegou à conclusão de que seria melhor evitar o outro do que decepcionar a si própria, já que o outro pode abandoná-la enquanto ela mesma sempre estará ali. Duvidava que pudesse ser importante para alguém e muitas vezes, acabava preferindo que fosse verdade. Um desenlace crítico e difícil de reverter. Cada dia que passava Maria aumentava expedientes egoístas e fantasiosos para convencer a si mesma de que não precisava de ninguém mais em sua vida. Depois de desenvolvidos recursos ilusórios, porém eficazes para não precisar de ninguém, torna-se difícil encontrar motivos reais para manter-se ligado a alguém. 
Apesar disso, Maria não percebia que com isso sua autoestima definhava, dia a dia. De onde poderia nutrir-se de amor para cultivar o amor próprio? O amor próprio é amparado essencialmente pelo amor do outro. Sem o amor do outro, o amor próprio não se sustenta e acaba por atrofiar-se. 


“Um egoísmo forte constitui uma proteção contra o adoecer, mas, num último recurso, devemos começar a amar a fim de não adoecermos, e estamos destinados a cair doentes se, em consequência da frustração, formos incapazes de amar.” (Freud, em SOBRE O NARCISISMO UMA INTRODUÇÃO, 1914).


Quando não se tem o amor do outro o eu deve se sustenta por saídas substitutivas de baixa, ou nenhuma qualidade, que na realidade só fazem por promover a autodestruição. Um exemplo de subterfúgio dessa espécie é a arrogância. Pela prepotência o eu pode enganar-se a si mesmo justificando que é autossuficiente e não necessita de ninguém mais. Ainda assim, necessita muito do outro, mesmo que não queira admitir. Afastando cada vez mais as pessoas de si, se sente cada vez mais sozinho. Aquele que imagina não precisar de ninguém, na realidade, depende de todos.



Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Contato: (17) 30113866
prof.renatodiasmartino@gmail.com
http://www.pensar-seasi-mesmo.blogspot.com.br/





quarta-feira, 21 de junho de 2017

CURSO DE FÉRIAS - Introdução à Psicanálise (teoria e prática)



CURSO DE FÉRIAS - Introdução à Psicanálise 


(teoria e prática)

Com Prof. Renato Dias Martino

Introdução aos conceitos fundamentais da psicanálise.

Da proposta de Freud às principais contribuições 
dos pensadores na corrente Klein, Bion e Winnicott.
Dias 08, 15, 22 e 29.
Aos sábados das 17:00 às 19:00.
Vagas limitadas
Alameda Franca n°80, Boa Vista
São José do Rio Preto, SP.
Investimento: R$120,00
Material didático incluso
Com certificado (08 horas)
Inscrições pelo fone 17 30113866 
ou pelo e-mail prof.renatodiasmartino@gmail.com

sábado, 17 de junho de 2017

QUANTO À PSICOTERAPIA E OS MEDICAMENTOS

O processo da psicoterapia deve partir de um pressuposto no reconhecimento da dor psíquica. Essa percepção é fundamental para motivar o sujeito na busca por aquele que seja capaz de acolher essa demanda e propiciar condições mínimas para que esse processo se desenvolva. Sendo assim, a iniciativa do paciente deve sempre guiar o processo e é o fator de maior importância nessa ordem de experiências.


Por maior que seja a capacidade do psicoterapeuta em acolher a dor do outro, sem a predisposição daquele que sofre, nada se realizará. A psicoterapia só pode ajudar o sujeito que permita que isso ocorra.


Mesmo que o sujeito se predisponha conscientemente ao processo de psicoterapia, ainda assim, inúmeros obstáculos se erguem nesse caminho. Existe um abismo entre estar com fome e conseguir se alimentar. São resistências que se erguem para que a situação continue da mesma forma, por pior que pareça estar. Essas resistências devem diminuir conforme o desenvolvimento da confiança estabelecida na dupla psicoterapeuta/paciente. 
No entanto, é necessária grande bravura para se buscar esse tipo de ajuda. Procurar ajuda psicológica é um ato de coragem. Uma tarefa difícil a de encarar inúmeros preconceitos e críticas, muito comuns às psicoterapias. Ainda assim, a maior parte das pessoas que criticam a psicanálise nunca fez psicoterapia. Uma disposição corriqueira de uma sociedade imediatista, que tende a buscar antes um médico psiquiatra, desacreditando na capacidade do sujeito de superar suas dificuldades emocionais sem precisar de administrações químicas, na maioria das vezes extremamente perigosas.
Administrações que são de fácil adesão, mas que apresentam enorme dificuldade quando a proposta é deixar de utilizá-las. 
Além disso, muitas vezes depois de medicado, o sujeito perde a motivação necessária para a busca de psicoterapia. Isso acontece, pois sua dor deve diminuir drasticamente com a administração dos componentes químicos. Porém, o fato de a dor ter diminuído não implica na elaboração do conflito que originou a dor.
Essa dor se encontra na dimensão emocional e carece de desenvolvimento de recursos mentais para se lidar com ela. A administração química não pode proporcionar o desenvolvimento de recursos emocionais.
Bem, quando existe a possibilidade de dedicação, a psicoterapia serve como recurso para dissolver pensamentos cristalizados, que como ressentimentos persistem na mente causando confusão e dor, obstruindo o caminho do pensar saudável. Essa obstrução do pensar compromete diretamente o desempenho dos vínculos afetivos, que dessa maneira ficam poluídos de ideias não pensadas. 




Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Contato: (17) 30113866
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sábado, 10 de junho de 2017

Encontro Reflexivo - DO MEDO DE SI MESMO

Encontro Reflexivo
DO MEDO DE SI MESMO
Com Prof. Natalie Priscila 
e Prof. Renato Dias Martino
Dia 24/06 às 08:00 horas
No plenário da Câmara Municipal 
de São José do Rio Preto, SP.
Entrada: um quilo de alimento
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sexta-feira, 2 de junho de 2017

Grupo de Estudos On Line

Grupo de Estudos On Line 
(GEPA – Grupo de Estudos Psicanálise do Acolhimento)
DA IMPLICAÇÃO DO DESAPEGO NAS FORMULAÇÕES PSICANALÍTICAS
Com Prof. Renato Dias Martino
A busca por recurso de expansão do pensamento psicanalítico 
em direção à apreensão da realidade última, através da filosofia, 
ciência, arte e espiritualidade. 
À procura de estudar elementos que proporcionem alargamento 
na capacidade da tolerância às frustrações, 
que é fator fundamental na experiência do desapego. 
Para além do saber, ampliando-se na capacidade do ser.
Todas às quintas feiras, das 20:00 às 21:00
Início dia 08 de junho de 2017
Investimento: R$ 60,00 mensais
Via SKYPE
Inscrições pelo e-mail prof.renatodiasmartino@gmail.com




quarta-feira, 24 de maio de 2017

SOBRE ESCOLHAS E RECOMPENSAS

É muito comum vermos frases como “a vida é feita de escolhas” sendo afirmadas de forma filosófica pelos mais variados pensadores. Nós, seres humanos idealizamos a liberdade de escolha, chegando a praticar verdadeiros absurdos por conta de nos sentirmos impedidos de escolher. Enquanto envolvidos na vida material, somos forçados a fazer escolhas diariamente. E, na realidade, é só dentro dessa dimensão que as escolhas realmente podem ocorrer. É possível escolher se as opções estiverem tão somente dentro da materialidade das coisas.

"Escolhas, decisões ou decepções, estão ligadas às superficialidades das coisas materiais, no nível racional, sendo que aquilo que é da ordem do fundamental não pode ser submetido à nossa vontade.”. (Martino em O LIVRO DO DESAPEGO, 2015).

Ainda que seja possível escolher na dimensão material, mesmo assim, nossas escolhas esbarram num problema complexo. Como bem nos ensinou Sigmund Freud (1856-1939) "... o ego não é o senhor da sua própria casa.". (Freud em UMA DIFICULDADE NO CAMINHO DA PSICANÁLISE, 1917).
Freud levanta a questão da parte inconsciente da mente, que é enormemente maior que a parte consciente, com isso revela que nossas escolhas nunca são inteiramente conscientes e na realidade a maior parte delas fazemos sem saber muito bem o porquê. 
Segundo Schopenhauer as escolhas são feitas indiferente do que elegemos como motivo consciente. Para o filósofo que influenciou grandemente Freud, a escolha não revela ideias superficiais, mas: “ela responde ao conjunto de nossos sentimentos, de nossos pensamentos e de nossas aspirações as mais íntimas…”. (Schopenhauer, 1818). Aquilo que realmente motiva o sujeito está distante de seu próprio conhecimento.
Essa ideia já se encontrava no pensamento humano, mesmo antes de Freud, em Arthur Schopenhauer (1788 —1860), filosofo alemão, quando propõe que o ser humano não é livre, mas é sujeito à suas necessidades representadas na vontade de viver. Em seu ensaio SOBRE A LIBERDADE DA VONTADE, Schopenhauer propõe que a liberdade de escolha está subordinada a necessidade e dela é escrava. 
Além disso, existe sempre a influência do desejo do outro em nossas escolhas, já que o primeiro e maior desejo do ser humano é o de ser desejado. De tal modo, desenvolve inúmeros recursos para atrair a atenção do outro com o intuito de ser aprovado por ele. De qualquer forma, por mais que o sujeito imagine que suas escolhas tenham sido feitas por sua própria vontade, ainda assim essas escolhas terão grande influencia do desejo do outro.
Uma verdade difícil de conceber, mas ainda assim, evidente a aquele que tem coragem de perceber, é o fato de que para aquilo que realmente importa não existe escolha. A realidade é uma só, independente do nosso desejo, ou de nossas escolhas e só o que podemos fazer é nos tornarmos capazes de reconhecê-la como ela é.
Lembro-me da musica do Renato Russo (1960 — 1996), QUANDO O SOL BATER NA JANELA DO SEU QUARTO: lembra e vê que o caminho é um só. Temos o livre arbítrio e esse é um conceito presente tanto na filosofia quanto nas religiões, no entanto, a realidade ainda é uma só. Ou estamos de acordo com a realidade ou estamos nos mantendo iludidos.
Na realidade, somos obrigados a escolher quando não estamos sendo capazes de nos manter de acordo com a realidade. Desta forma fica obstruída a percepção do caminho que está aberto bem a nossa frente. Somos, amiúde, levados a julgar, estabelecendo o que é bom e o que é ruim. Num modelo primitivo de perceber o mundo, de forma desintegrada, assim como nos propõe Melanie Klein (1882 — 1960) sobre a posição esquizoparanoide. Segundo Klein, não existe no bebê ao nascer, suficiente capacidade para tolerar as angústias que experimenta e por conta disso o ego é fragmentado. Com o eu dividido, a realidade externa também se decompõe. As experiências de gratificação e frustração são sentidas com grande intensidade pelo bebê.
“Em consequência, o seio materno , tanto quanto é gratificador, também é amado é sentido como ‘bom’; na medida em que for uma fonte de frustração, será odiado e sentido como ‘mau’.”. (Klein, 1952). Depois de adultos, ainda funcionamos, a maior parte do tempo dessa forma primitiva, assim como fazíamos quando bebês. Elegemos como bom, aquilo que nos traz prazer, ou nos proporciona gratificação, de alguma forma, e elencamos como mau aquilo que nos frustra, ou nos priva de recompensas.
O ser humano tem enorme dificuldade em atingir a maturidade suficiente para que seja possível seguir seu caminho, sem esperar recompensas em troca. A psicanálise assim como a filosofia, nos traz grandes contribuições nesse sentido, entretanto as formulações religiosas já nos alertavam para isso há tempos. No BHAGAVAD GITA, trecho das mais antigas escrituras da Índia, Sri Krsna elucida ao guerreiro Arjuna sobre a desventura de agir esperando recompensas, que torna o sujeito escravo de um falso-agir. Esse que assim o faz, de forma inversa, acaba por se onerar de prejuízos sempre que age dessa maneira. Diferente daquele que age simplesmente pelo amor à realização da alma, indiferente dos resultados, age conforme a auto-realização.
“Obra praticada com desejo de recompensa, na esperança de receber em troca algo melhor, por vaidade, ganância ou ostentação – esta reveste a índole da cobiça.”. (BHAGAVAD GITA, 17:12). 
Também no capítulo 2 do TAO TE CHING, que é O LIVRO DO CAMINHO E DA VIRTUDE de Lao Tse, ele escreve sobre o “wu wei”, que significa a não-ação e tem o sentido de ação sem intenção. Essa obra é a estrutura central do taoísmo. Lao Tse nasceu na província de Na Hue, na cidade de Guo Yang, no período entre 1324 e 1408 A.C..

“O Homem Sagrado realiza a obra pela não-ação
E pratica o ensinamento através da não-palavra
Os dez mil seres fazem, mas não para se realizar
Iniciam a realização mas não a possuem
Concluem a obra sem se apegar
E justamente por realizarem sem apego
Não passam.” 
Lao Tse no TAO TE CHING.

Também na fé cristã é possível encontrar essa mesma ideia. A BÍBLIA SAGRADA, traz no SERMÃO DA MONTANHA, que é um discurso de Jesus Cristo contido no EVANGELHO DE MATEUS, do capítulo 5 ao 7, a seguinte colocação de Jesus: "Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial. ".  Mateus 6:1, 4. Ainda em Colossenses, 3:23, encontra-se: “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo.”. Isso não é diferente na devoção da oração do Pai Nosso onde se diz “seja feita a vossa vontade”. 
Abrimos mão de nossas escolhas para que algo maior nos guie. De qualquer maneira, seja em que perspectiva for, sempre que estivermos cogitando sobre formulações nobres e amadurecidas do pensar, será possível perceber que a escolha é sempre ilusória se aplicada às experiências fundamentais que devem seguir um fluxo natural que não se encontra dentro de nosso domínio.

Portanto, pela predominância inconsciente do funcionamento mental, como nos orienta a psicanálise, não nos permite ter consciência do nosso desejo e isso nos faz incapazes de nos tornarmos donos de nossas escolhas. Da mesma maneira, na ideia de Schopenhauer, que antecedeu a psicanálise, a vontade imperiosa do corpo não nos permite desejar o que desejamos querer, fazendo que nossa escolha seja sempre tendenciosa. Na perspectiva religiosa, onde a vontade de Deus sobrepõe à do humano, que mesmo gozando do livre arbítrio, fica subordinado à vida material quando recorre a suas escolhas. Ou ainda, na lei da natureza que sobrepõe à escolha humana, que mesmo tentando ousa dominá-la sofre severas consequências. Sendo assim, fica a indagação: o que realmente podemos escolher?

ESCOLHAS!

Mas, de que escolha aqui falamos, ora, pois?
Se quando era incapaz de escolher, isso por si só,
já era evidente e impossibilitado me via de escolher,
por conta dessa condição de limitação.
E agora, amadurecido pela vida,
quando me parece possível escolher,
vejo me comandado pela minha intuição,
que me aponta um caminho e me diz que não há outra direção.
Assim, mais uma vez, fico sem escolha, então...
Se a água não escolhe pra onde escorrer
e escorre mesmo sem questionar.
Pode sim ser obstruída e se interromper
e assim pode em mágoa represar.
Porém, ora desobstruída volta a escorrer
mesmo sem ninguém pra lembrar.

(Martino O LIVRO DO DESAPEGO, 2015).

BÍBLIA. Português. BÍBLIA ONLINE. Disponível em: . Acesso em: 08 jan. 2017.
Freud, S. (1917). UMA DIFICULDADE NO CAMINHO DA PSICANÁLISE, in Edição Eletrônica Brasileira das Obras Psicológicas Completas - Edição Standard Brasileira, IMAGO (1969-80),
KLEIN, M, (1952/1969). ALGUMAS CONCLUSÕES TEÓRICAS SÔBRE À VIDA EMOCIONAL DO BEBÊ. Em OS PROGESSOS DA PSICANÁLISE. Rio de Janeiro: ZAHAR EDITORES.
LAO-TSÉ. Tao Te Ching. Tradução de Huberto Rohden. São Paulo. Martin Claret. 2003.
MARTINO, R. D. O LIVRO DO DESAPEGO - 1. ed. - São José do Rio Preto, SP: Vitrine Literária Editora, 2015.
SCHOPENHAUER, A. Sobre la liberdad de la voluntad. Alianza Editorial, Madrid, 2002 Traductor: Eugenio Ímaz.
______________ (1818). O Mundo como Vontade e Representação. Rio de Janeiro: Contraponto Editora, 2001. (Tradução de M. F. Sá Correia).
Prabhupada, A. C. Bhaktivedanta Swami. O BHAGAVAD-GITA - Como Ele É. Editora: The Bhaktivedanta Book Trust. 1976.




Prof. Renato Dias Martino