domingo, 26 de abril de 2015

Fascínio por histórias macabras vem do inconsciente

Rio-pretenses fazem sucesso com vídeos de histórias de terror na internet



O psicoterapeuta Renato Dias Martino acredita que o fascínio das pessoas por histórias de   terror vem do próprio inconsciente e seria uma forma de lidar com mais leveza com situações aterrorizantes: "Essa construção que surge, normalmente manifestada pela arte, num filme ou num livro do folclore, expressa algo que se encontra em cada um de nós enquanto experiência íntima". Renato explica que os seres humanos têm o hábito de usar a cultura para expressar suas próprias experiências. "Experiências íntimas procuram se manifestar no âmbito da cultura como algo que seja comum em todos humanos. É antes de tudo uma chance de lidar ludicamente, ou seja, brincando com algo extremamente assustador e que causa pânico". 
Porém, para o especialista, quando essas histórias saem do campo da imaginação e passam a ser uma realidade na vida das pessoas, é preciso ficar atento. "Acreditar nesse tipo de representação como se fosse parte da realidade dos fatos é sinal de imaturidade ou mesmo de uma patologia mental. Assim como uma criança faz", diz o psicoterapeuta e escritor Prof. Renato Dias Martino​.

Veja a materia na integra em: http://www.diariodaregiao.com.br/cidades/rio-pretenses-fazem-sucesso-com-v%C3%ADdeos-de-hist%C3%B3rias-de-terror-na-internet-1.211956

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Convite da cerimônia de lançamento do LIVRO DO DESAPEGO

Convido você, 
meu amigo leitor, 
para a apresentação de meu novo livro.

Um trabalho que pretende servir como recurso na busca da expansão do pensamento em direção à apreensão da realidade última.

Uma tentativa de reunir em torno das proposições psicanalíticas modelos reflexivos que possam enriquecer essa tarefa.

Filosofia - Ciência – Arte - Espiritualidade

À procura de elementos que proporcionem alargamento na capacidade da tolerância às frustrações, fator fundamental na experiência do desapego.

Para além do saber, ampliando-se na capacidade do ser.

Tarde de autógrafos e bate papo do autor com Luciano Alvarenga (autor do prefácio) e Paulo Rezende (editor do livro).

Dia 08 de maio, a partir das 18:00
No Centro Cultural Vasco, Rua São João n° 1840
Boa Vista

Realização:

Em parceria com Centro Cultural Vasco, Blogs A cura de Freud e Pensar-sea-si mesmo.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Padronização - Do Saber e do Ser

Enquanto apoiados num pressuposto de que a sanidade mental é estabelecida pelo grau de influência mútua que o sujeito pode ter com a realidade, por meio da consciência dos fatos, então poderíamos afirmar que o nível de organização mental não pode ser mensurado de outra maneira que não seja através da capacidade de criação e manutenção dos vínculos afetivos. Isso concorda com a hipótese de que quanto melhor for a qualidade dos vínculos que se possa manter, tanto maior será a chance de se estabelecer uma organização dos conteúdos da mente. No contato com o outro o eu nutre-se de afeto e sinceridade. Isso tendo afeto e sinceridade como dois fatores fundamentais na organização mental. Ora, pelo amor verdadeiro do outro é que se aprende a amar a si mesmo de verdade e da mesma maneira, é pela verdade afetuosa do outro que descobrimos nossas próprias verdades.

Essa organização mental quando bem estruturada, por sua vez, proporciona a manutenção saudável dos vínculos que se tem, assim como propicia novas vinculações de qualidade. Além disso, uma boa organização mental é o que pode prevenir a incidência de ligações de baixa qualidade, como prováveis estabelecimentos de relações que possam reunir características de alienação, em convites sedutores de satisfação imediata, encobertas por dissimulações e sem propriedades cordiais nutridoras de afeto.

Bem, se esse pressuposto faz sentido, então poderíamos afirmar que só é possível reconhecer com alguma clareza as características do funcionamento mental de alguém, através da qualidade do vínculo de amor e a verdade que se possa ter com ele. Digo “alguma clareza”, pois, por mais que se possa imaginar saber sobre as coisas que se encontram para além do corpo físico, ainda assim estaremos diante de um terreno sempre incerto, cheio de dúvidas. Tratamos da dimensão do ‘ser’ que está em constante transformação, diferente do saber que necessita de dados precisos.

Ainda assim, as pesquisas nas ciências psiquiátricas se encontram engajadas na tarefa de desenvolver e aprimorar modelos de escalas medidoras da saúde mental de adultos e de crianças, muitas vezes nas mais tenras fases da infância. Dispõem dessas catalogações psicopatológicas para que sejam utilizadas por profissionais dos quais, mesmo sem a possibilidade de estabelecimento de vínculo ou mesmo a mínima convivência com o sujeito paciente, possam se sentir seguros em diagnosticá-lo. 
Entretanto, além disso, essa catalogação que assegurada por um suposto saber que trás tamanha sensação de precisão, não se reserva simplesmente ao diagnóstico, mas se estende na administração de medicamentos que promovem enormes e profundas alterações no funcionamento do organismo e da mente. Administrações de substancias químicas que provocam alterações de tal magnitude que instalam grande dificuldade para aquele que por algum motivo decida deixar de usá-las.

No entanto, por maior que seja a pretensão que se possa ter, caracterizada nas tentativas de invenção de escalas medidora e registros do conjunto de informações da saúde mental, ainda assim, nada pode ser feito para isso através do recurso racional que não terminem um grande engodo. Equívoco esse que pode gerar inúmeras consequências danosas. Portanto, o apego que se possa cultivar em métodos de padronização e rotulações das manifestações emocionais, dificultará a dedicação aos ensaios de capacitação para se reconhecer, respeitar e acolher as inúmeras diversidades das experiências emocionais. Isso levando em conta o tempo que cada um de nós tem no que se refere aos processos do desenvolvimento emocional. 
Prejudicada se encontra a chance de vinculação saudável que possa servir de ambiente tranquilo o bastante para que haja algum desenvolvimento. Certo ambiente emocional suficientemente saudável que comporte a transitoriedade dos conteúdos mentais, que livre de ameaças procurarão expandir-se.
Longe da padronização, aquilo que se encontra na dimensão emocional, enquanto componente da concepção na totalidade do sujeito, apresenta uma conjunção com extensões anteriores e menos evoluídas. Num estado mais bruto, isso que hoje se tem como um pensamento simbólico se apresentava antes como um elemento desconexo da consciência. Essa ordem mais imatura de elementos reúne características da intolerância e resolve sua existência através de certa lei da satisfação imediata das necessidades, assim como nos ensinou Freud quando propõe o processo primário do funcionamento mental.
Nessa dimensão a proposta das analogias é impraticável, sendo que nada é admitido como satisfação se não coincidir de maneira idêntica com a expectativa que gera desejo. Nesse nível dos processos mentais, a realidade incide naquilo que se pode alcançar pelos órgãos dos sentidos e existe para satisfazê-lo de alguma forma, estando excluído do funcionalmente mental aquilo que não se poder confirmar dessa maneira.
Por outro lado a dimensão emocional tem também uma extremidade de abertura onde a tendência à expansão se profere. Um ponto de expansão que direciona-se para a busca da concórdia numa ampliação para o pensamento sublime que encontra-se enriquecido do amor. Amor esse que ungidos de verdade, liberta.
A astronomia contemporânea propõe que isso que chamamos o universo é um revezamento de implosões e explosões. Num constante processo alternado de encolhimento na ordem da contração atômica e de alargamento no âmbito da amplitude cósmica. Recolhimento e expansão presentes também nas formulações psicanalíticas da pulsão de vida e pulsão de morte. Na cultura védica esse movimento se trata da inalação e exalação de Brahman, em ciclos chamados Yuga, termo que coincide com o conceito grego do aion (eon), e acontece na ausência de qualquer parcela de tempo (eterno) ou de espaço (infinito).
A mente se encontra nessa mesma ordem de movimento e por conta disso não pode estar apegada à modelos preestabelecidos por muito tempo sem adoecer. Quando a mente busca a expansão deve se encontrar livre de interferências toxicas e protegida pelo acolhimento para que isso aconteça de maneira saudável. A verdade de uma mente em expansão não pode estar catalogada num livro de psiquiatria. Na realidade, a leitura de livros só pode ajudar quando está sendo uma extensão do trabalho de reconhecimento do eu, e isso só ocorre através das experiências ocorrentes nos vínculos afetivos. O processo de psicoterapia pode ser uma excelente oportunidade para isso, se puder contar com o encontro entre alguém que se encontre sendo realmente capaz de se dedicar à experiência de expansão da mente e outro alguém bem capacitado para a colhê-lo nesse delicado processo.
No entanto, temos inúmeras técnicas seja da medicina ou mesmo da religião para dizer o que um sujeito que sofre de uma dor psíquica deve fazer ou deixar de fazer, entretanto o acolhimento que possa trazer um recurso de “fazer juntos” é muito raro.




Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
renatodmartino@ig.com.br

http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com

sexta-feira, 27 de março de 2015

terça-feira, 24 de março de 2015

segunda-feira, 9 de março de 2015

terça-feira, 3 de março de 2015

Qualidade dos Vínculos

Todo ensaio que se preste a abordar o tema do relacionamento entre homem e mulher deve contar com uma boa cota de espaço aberto às possibilidades que poderão surgir nas configurações emocionais contidas nessa experiência. A padronização de experiências emocionais é sempre nociva, já que os processos envolvidos acontecem por meio de transformações. Não obstante, características como as de afeto e sinceridade são fundamentais e se mostram impreteríveis para que a relação possa se expandir de maneira saudável e então revele que vale a pena estar junto do outro.


Um casal pode manter-se ligado por inúmeros motivos. Duas pessoas podem manter-se unidas por várias razões que façam com que elas aguentem essa ligação por muito tempo e essas razões não precisam ser necessariamente saudáveis para que a união se sustente. Duas pessoas podem manter-se juntas por uma conveniência financeira, quando uma das partes não acredita em sua capacidade de se sustentar sem o outro, podem também continuar a união por conta de um suposto bem-estar dos filhos, por exemplo. Alguém pode decidir continuar  ligada a outra para manter um status de superioridade se beneficiando da fragilidade do outro, ou mesmo, duas pessoas podem manter-se juntas por medo da solidão, entretanto, nem um desses motivos podem garantir a saúde do vínculo.

São inúmeros os motivos para manter-se numa relação sem qualidades positivas. Na realidade, o sujeito que se mantém nesse tipo de relação o faz por estar tirando proveito da situação que abre precedentes, permitindo desonestidade, falta de ética e até mesmo desrespeito. Esse tipo de vínculo desobriga o sujeito de dar manutenção a essa ordem de ações que dão qualidade e saúde aos vínculos.

As condições de amor e sinceridade é que podem gerar o respeito e isso trazer saúde aos vínculos. Essas condições não são de simples realização, mas demandam de cuidado devotado. Enquanto os vínculos insalubres são mantidos por culpa, incapacidade e dependência, que se mantém por si só e se alastrando, impregnando a relação, os vínculos saudáveis conservam um clima de verdade e afeto, que por sua vez necessita de manutenção constante. Por conta disso as relações sem qualidade são sedutoras e se mostram mais atraentes aos olhos daquele que se vê incapaz.

Quando falamos de um casal que se mantém num modelo de vínculo sem qualidades positivas, ou mesmo que esteja corrompido, estamos antes de tudo, tratando de pessoas que não confiam em si mesmas. Não podem ser capazes de sinceridade e afeto com elas mesmas, assim ficam impedidas de sustentar qualquer que sejam o vínculo saudável. Sendo assim, para que seja possível restabelecer a saúde do vínculo corrompido, reparando e restaurando a qualidade da concórdia, é necessário que antes de tudo as partes se tratem e sejam capazes de desenvolver aptidões fundamentais de sinceridade, afeto e respeito quanto a elas mesmas.




Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866

http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

I ENCONTRO DO ATO DE PENSAR: Dos Desencontros do Sexo

Olá pessoal,
Venho convidá-los para participar do I ENCONTRO DO ATO DE PENSAR: Dos Desencontros do Sexo, ministrado pelo Psicoterapeuta e Escritor Renato Dias Martino.

Data: 14 de março de 2015
Horário: 14h às 17h

Em parceria com Centro Cultural Vasco, Blog A cura de Freud e Pensar-sea-si mesmo.
Participe, faça sua inscrição: 
Tel: 17 3011-1496
E-mail: maiconvijarva@gmail.com

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A Transicionalidade - Prof Renato Dias Martino



Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodmartino@ig.com.br

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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Dos Desencontros do Sexo

O modelo de vínculo onde a mulher é representada como um objeto que se pode obter e ser usado, padece pela imaturidade emocional da dupla. Maturidade insuficiente essa que torna vulnerável o sujeito e compromete a saúde do vínculo. Tanto homens que imaginam possuir o objeto (mulher) quanto mulheres que se dispõem como objeto passivo de ser possuído, revelam incapacidades emocionais (do eu para si mesmo) que refletem diretamente na inaptidão dos relacionamentos (do eu para o outro).

Várias são as possibilidades e configurações nos relacionamentos onde um se dispõe a ser usado pelo outro para obter algum benefício, sendo provavelmente a forma que permite maior possibilidade de observação e a mais comum àquela que tem a satisfação sexual como objetivo do uso. A articulação que deu à prostituição o apelido de “profissão mais antiga do mundo”, encontra aqui uma justificativa.

Ora, não é novidade alguma o fato de que o homem sente diversos desconfortos físicos que logo se desdobram na dimensão mental, quando privado de sexo.  A partir do ponto de vista biológico, essa privação cria no homem saudável, uma ânsia que é gerada pela necessidade de evacuação do material seminal, continuamente produzido durante sua vida toda. Assim, ele permanece estando naturalmente, na maioria do tempo disponível ao sexo. Por outro lado, a tolerância da mulher parece ser bem maior frente à privação sexual. A mulher ovula uma vez por mês e, pelo menos fisiologicamente estará disponível para o sexo apenas alguns dias durante o mês. Além disso, no período pré-menstrual ocorre uma concentração de hormônios sexuais que são normalmente geradores de inúmeros sintomas como irritabilidade, dor nas mamas e agressividade.
Nessa ocasião a mulher fica extremamente sensível emocionalmente e assim, indisposta para o sexo.

Essa configuração de necessidades orgânicas impulsiona a oferta de mulheres que se propõem a oferecerem-se como objeto sexual, tentando obter lucro com isso e esse mesmo esquema força também homens a procurar esse tipo de oferta. Muitas vezes o desejo dele por sexo faz com que imagine que ela compartilha disso também, enquanto ela o faz por outros motivos dos quais ele desconhece. Ainda assim, ele prefere acreditar que ela também deseja sexo tanto quanto ele, muitas vezes tentando justificar por inúmeras razões improváveis as frequentes situações de indisponibilidades dela. 
Os desencontros da sexualidade entre gêneros muitas vezes propiciam inúmeras frustrações e experiências traumáticas que podem levar à certa intolerância com o sexo oposto e até propiciar a escolha homossexual, onde o tempo de cada indivíduo pode encontrar maior harmonização com do outro.
Fatores orgânicos, assim como influências histórico-sociais, nas características do modelo patriarcal podem estimular a experiência do relacionamento onde um se dispõe como objeto e outro como possuidor, porém, a imaturidade emocional e a saúde dos vínculos são definidoras, independente da época em que se vive, ou ainda quanto a configuração orgânica. O imaturo emocional é essencialmente um egoísta e sendo egoísta seu objetivo imperioso é o de satisfazer a si mesmo independente do que isso possa causar no outro. Por conta disso ele não consegue manter vínculos por muito tempo se não encontrar motivos egoístas resguardando a união.
De qualquer forma, os desencontros da sexualidade humana nos deixam reflexivos quanto à função de ligação, num encontro que promoveria a proliferação da espécie, naturalmente presente nos animais biologicamente mais evoluídos.
Bem, os desencontros na sexualidade humana têm ainda motivos que iniciam muito cedo na vida emocional. Enquanto é natural para o homem ter a chance do contato com o corpo feminino, isso só ocorrerá de maneira esporádica na vida de uma menina, em relação ao corpo masculino. 
O menino tem o primeiro contato com o corpo feminino coincidindo com o primeiro contato que tem com outra pessoa, isso dentro da perspectiva da relação primitiva com a mãe. Além disso, se tiver a sorte de tê-la presente por mais alguns anos, experimentará frequentemente, do toque feminino em suas partes mais intimas, por conta do cuidado que ela dedicará a sua higiene e outras manutenções de maternagem. Se ainda assim não for sua mãe quem cumpre essa função, certamente será outra mulher, como a avó, a babá... Já na experiência da menina, o contato com o corpo masculino é uma ocorrência muito incomum.













Sigmund Freud (1856-1939)
“No caso do homem, a mãe se torna para ele o primeiro objeto amoroso como resultado do fato de alimentá-lo e de tomar conta dele, permanecendo assim até ser substituída por alguém que se lhe assemelhe ou dela se derive. Também o primeiro objeto de uma mulher tem de ser a mãe; as condições primárias para uma escolha de objeto são, naturalmente, as mesmas para todas as crianças. Ao final do desenvolvimento dela, porém, seu pai – um homem – deveria ter-se tornado seu novo objeto amoroso.” (Freud em SEXUALIDADE FEMININA, 1931)

Entretanto, o contato da menina com seu pai é frequentemente povoado de experiências assustadoras. Que isso se dê em princípio pelo simples fato de ele ser quem dilui o paraíso simbiótico do relacionamento mãe/bebê, desenhando-se de início como uma ameaça, ou como um rival na posse da mãe. A partir dessa experiência inicia-se um conflituoso processo para se construir a intimidade afetiva entre pai e filha. Isso quando ele é presente e dedicado à relação com ela. No entanto quando o pai é ausente e a menina não tem a chance de ter contato com o primeiro homem da sua vida, na segurança dos braços de seu pai, será então muito complicada a inteiração nas próximas experiências dessa ordem. Abre-se um precedente onde se deve contar com a sorte, quanto a quem será o homem do qual terá esse primeiro contato, já que o pai não pode cumprir tal função.
Seja pelo motivo que for, a primeira aproximação é sempre egoísta e o desencontro estará tão presente quanto a possibilidade de ligação, mas a dissolução do egoísmo requer a combinação da tolerância e do limite e tem fundamental importância num bom relacionamento sexual, como extensão de um bom vínculo afetivo.
O grande problema não é iniciar um vínculo com (ou por) sexo, mas talvez seja, esperar que ele se mantenha e continue existindo só pelo sexo. O sexo foi ilustrado por Freud (1856-1939) através do mito de Eros e manifesta-se por impulso como oportunidade de aproximar-se e talvez ligar às pessoas. Mas, para que se efetive o vínculo como saudável, alguns aspectos precisam ser aprimorados. Algo precisa ser construído, pois um impulso por si só não permanece por muito tempo na realidade, é fugaz. No caso do vínculo mantido por impulso sexual, quando o impulso não está se manifestando o vínculo perde o sentido. Isso toma uma dimensão especialmente importante se concordarmos que a saúde dos vínculos está calcada mais na durabilidade e menos na intensidade.

Sendo a paixão uma forma de amor ausente da verdade, quando estamos amando aquele do qual pouco conhecemos, na verdade, somos atraídos por aquilo que desejamos e que é projetado nele. O que imaginamos que ele seja e não o que ele realmente pode ser. Assim, quando entra a verdade e passamos a reconhecer o outro, a paixão é ameaçada. A isso damos o nome popular de crise conjugal. A partir daí, evolui: se tornando amor, ou regride: culminando no rompimento. Essa expansão e os aprimoramentos do vínculo demandam de tempo e de muito cuidado com o eu e com o outro. Aproximamo-nos do outro, em primeiro momento, por identificação, nos misturamos com ele, só aos poucos passa a ser possível perceber quem ele realmente pode ser e o que desejávamos que ele fosse. 





Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866 
renatodmartino@ig.com.br

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