sexta-feira, 27 de março de 2015

terça-feira, 24 de março de 2015

segunda-feira, 9 de março de 2015

terça-feira, 3 de março de 2015

Qualidade dos Vínculos

Todo ensaio que se preste a abordar o tema do relacionamento entre homem e mulher deve contar com uma boa cota de espaço aberto às possibilidades que poderão surgir nas configurações emocionais contidas nessa experiência. A padronização de experiências emocionais é sempre nociva, já que os processos envolvidos acontecem por meio de transformações. Não obstante, características como as de afeto e sinceridade são fundamentais e se mostram impreteríveis para que a relação possa se expandir de maneira saudável e então revele que vale a pena estar junto do outro.


Um casal pode manter-se ligado por inúmeros motivos. Duas pessoas podem manter-se unidas por várias razões que façam com que elas aguentem essa ligação por muito tempo e essas razões não precisam ser necessariamente saudáveis para que a união se sustente. Duas pessoas podem manter-se juntas por uma conveniência financeira, quando uma das partes não acredita em sua capacidade de se sustentar sem o outro, podem também continuar a união por conta de um suposto bem-estar dos filhos, por exemplo. Alguém pode decidir continuar  ligada a outra para manter um status de superioridade se beneficiando da fragilidade do outro, ou mesmo, duas pessoas podem manter-se juntas por medo da solidão, entretanto, nem um desses motivos podem garantir a saúde do vínculo.

São inúmeros os motivos para manter-se numa relação sem qualidades positivas. Na realidade, o sujeito que se mantém nesse tipo de relação o faz por estar tirando proveito da situação que abre precedentes, permitindo desonestidade, falta de ética e até mesmo desrespeito. Esse tipo de vínculo desobriga o sujeito de dar manutenção a essa ordem de ações que dão qualidade e saúde aos vínculos.

As condições de amor e sinceridade é que podem gerar o respeito e isso trazer saúde aos vínculos. Essas condições não são de simples realização, mas demandam de cuidado devotado. Enquanto os vínculos insalubres são mantidos por culpa, incapacidade e dependência, que se mantém por si só e se alastrando, impregnando a relação, os vínculos saudáveis conservam um clima de verdade e afeto, que por sua vez necessita de manutenção constante. Por conta disso as relações sem qualidade são sedutoras e se mostram mais atraentes aos olhos daquele que se vê incapaz.

Quando falamos de um casal que se mantém num modelo de vínculo sem qualidades positivas, ou mesmo que esteja corrompido, estamos antes de tudo, tratando de pessoas que não confiam em si mesmas. Não podem ser capazes de sinceridade e afeto com elas mesmas, assim ficam impedidas de sustentar qualquer que sejam o vínculo saudável. Sendo assim, para que seja possível restabelecer a saúde do vínculo corrompido, reparando e restaurando a qualidade da concórdia, é necessário que antes de tudo as partes se tratem e sejam capazes de desenvolver aptidões fundamentais de sinceridade, afeto e respeito quanto a elas mesmas.




Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866

http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

I ENCONTRO DO ATO DE PENSAR: Dos Desencontros do Sexo

Olá pessoal,
Venho convidá-los para participar do I ENCONTRO DO ATO DE PENSAR: Dos Desencontros do Sexo, ministrado pelo Psicoterapeuta e Escritor Renato Dias Martino.

Data: 14 de março de 2015
Horário: 14h às 17h

Em parceria com Centro Cultural Vasco, Blog A cura de Freud e Pensar-sea-si mesmo.
Participe, faça sua inscrição: 
Tel: 17 3011-1496
E-mail: maiconvijarva@gmail.com

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A Transicionalidade - Prof Renato Dias Martino



Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodmartino@ig.com.br

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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Dos Desencontros do Sexo

O modelo de vínculo onde a mulher é representada como um objeto que se pode obter e ser usado, padece pela imaturidade emocional da dupla. Maturidade insuficiente essa que torna vulnerável o sujeito e compromete a saúde do vínculo. Tanto homens que imaginam possuir o objeto (mulher) quanto mulheres que se dispõem como objeto passivo de ser possuído, revelam incapacidades emocionais (do eu para si mesmo) que refletem diretamente na inaptidão dos relacionamentos (do eu para o outro).

Várias são as possibilidades e configurações nos relacionamentos onde um se dispõe a ser usado pelo outro para obter algum benefício, sendo provavelmente a forma que permite maior possibilidade de observação e a mais comum àquela que tem a satisfação sexual como objetivo do uso. A articulação que deu à prostituição o apelido de “profissão mais antiga do mundo”, encontra aqui uma justificativa.

Ora, não é novidade alguma o fato de que o homem sente diversos desconfortos físicos que logo se desdobram na dimensão mental, quando privado de sexo.  A partir do ponto de vista biológico, essa privação cria no homem saudável, uma ânsia que é gerada pela necessidade de evacuação do material seminal, continuamente produzido durante sua vida toda. Assim, ele permanece estando naturalmente, na maioria do tempo disponível ao sexo. Por outro lado, a tolerância da mulher parece ser bem maior frente à privação sexual. A mulher ovula uma vez por mês e, pelo menos fisiologicamente estará disponível para o sexo apenas alguns dias durante o mês. Além disso, no período pré-menstrual ocorre uma concentração de hormônios sexuais que são normalmente geradores de inúmeros sintomas como irritabilidade, dor nas mamas e agressividade.
Nessa ocasião a mulher fica extremamente sensível emocionalmente e assim, indisposta para o sexo.

Essa configuração de necessidades orgânicas impulsiona a oferta de mulheres que se propõem a oferecerem-se como objeto sexual, tentando obter lucro com isso e esse mesmo esquema força também homens a procurar esse tipo de oferta. Muitas vezes o desejo dele por sexo faz com que imagine que ela compartilha disso também, enquanto ela o faz por outros motivos dos quais ele desconhece. Ainda assim, ele prefere acreditar que ela também deseja sexo tanto quanto ele, muitas vezes tentando justificar por inúmeras razões improváveis as frequentes situações de indisponibilidades dela. 
Os desencontros da sexualidade entre gêneros muitas vezes propiciam inúmeras frustrações e experiências traumáticas que podem levar à certa intolerância com o sexo oposto e até propiciar a escolha homossexual, onde o tempo de cada indivíduo pode encontrar maior harmonização com do outro.
Fatores orgânicos, assim como influências histórico-sociais, nas características do modelo patriarcal podem estimular a experiência do relacionamento onde um se dispõe como objeto e outro como possuidor, porém, a imaturidade emocional e a saúde dos vínculos são definidoras, independente da época em que se vive, ou ainda quanto a configuração orgânica. O imaturo emocional é essencialmente um egoísta e sendo egoísta seu objetivo imperioso é o de satisfazer a si mesmo independente do que isso possa causar no outro. Por conta disso ele não consegue manter vínculos por muito tempo se não encontrar motivos egoístas resguardando a união.
De qualquer forma, os desencontros da sexualidade humana nos deixam reflexivos quanto à função de ligação, num encontro que promoveria a proliferação da espécie, naturalmente presente nos animais biologicamente mais evoluídos.
Bem, os desencontros na sexualidade humana têm ainda motivos que iniciam muito cedo na vida emocional. Enquanto é natural para o homem ter a chance do contato com o corpo feminino, isso só ocorrerá de maneira esporádica na vida de uma menina, em relação ao corpo masculino. 
O menino tem o primeiro contato com o corpo feminino coincidindo com o primeiro contato que tem com outra pessoa, isso dentro da perspectiva da relação primitiva com a mãe. Além disso, se tiver a sorte de tê-la presente por mais alguns anos, experimentará frequentemente, do toque feminino em suas partes mais intimas, por conta do cuidado que ela dedicará a sua higiene e outras manutenções de maternagem. Se ainda assim não for sua mãe quem cumpre essa função, certamente será outra mulher, como a avó, a babá... Já na experiência da menina, o contato com o corpo masculino é uma ocorrência muito incomum.













Sigmund Freud (1856-1939)
“No caso do homem, a mãe se torna para ele o primeiro objeto amoroso como resultado do fato de alimentá-lo e de tomar conta dele, permanecendo assim até ser substituída por alguém que se lhe assemelhe ou dela se derive. Também o primeiro objeto de uma mulher tem de ser a mãe; as condições primárias para uma escolha de objeto são, naturalmente, as mesmas para todas as crianças. Ao final do desenvolvimento dela, porém, seu pai – um homem – deveria ter-se tornado seu novo objeto amoroso.” (Freud em SEXUALIDADE FEMININA, 1931)

Entretanto, o contato da menina com seu pai é frequentemente povoado de experiências assustadoras. Que isso se dê em princípio pelo simples fato de ele ser quem dilui o paraíso simbiótico do relacionamento mãe/bebê, desenhando-se de início como uma ameaça, ou como um rival na posse da mãe. A partir dessa experiência inicia-se um conflituoso processo para se construir a intimidade afetiva entre pai e filha. Isso quando ele é presente e dedicado à relação com ela. No entanto quando o pai é ausente e a menina não tem a chance de ter contato com o primeiro homem da sua vida, na segurança dos braços de seu pai, será então muito complicada a inteiração nas próximas experiências dessa ordem. Abre-se um precedente onde se deve contar com a sorte, quanto a quem será o homem do qual terá esse primeiro contato, já que o pai não pode cumprir tal função.
Seja pelo motivo que for, a primeira aproximação é sempre egoísta e o desencontro estará tão presente quanto a possibilidade de ligação, mas a dissolução do egoísmo requer a combinação da tolerância e do limite e tem fundamental importância num bom relacionamento sexual, como extensão de um bom vínculo afetivo.
O grande problema não é iniciar um vínculo com (ou por) sexo, mas talvez seja, esperar que ele se mantenha e continue existindo só pelo sexo. O sexo foi ilustrado por Freud (1856-1939) através do mito de Eros e manifesta-se por impulso como oportunidade de aproximar-se e talvez ligar às pessoas. Mas, para que se efetive o vínculo como saudável, alguns aspectos precisam ser aprimorados. Algo precisa ser construído, pois um impulso por si só não permanece por muito tempo na realidade, é fugaz. No caso do vínculo mantido por impulso sexual, quando o impulso não está se manifestando o vínculo perde o sentido. Isso toma uma dimensão especialmente importante se concordarmos que a saúde dos vínculos está calcada mais na durabilidade e menos na intensidade.

Sendo a paixão uma forma de amor ausente da verdade, quando estamos amando aquele do qual pouco conhecemos, na verdade, somos atraídos por aquilo que desejamos e que é projetado nele. O que imaginamos que ele seja e não o que ele realmente pode ser. Assim, quando entra a verdade e passamos a reconhecer o outro, a paixão é ameaçada. A isso damos o nome popular de crise conjugal. A partir daí, evolui: se tornando amor, ou regride: culminando no rompimento. Essa expansão e os aprimoramentos do vínculo demandam de tempo e de muito cuidado com o eu e com o outro. Aproximamo-nos do outro, em primeiro momento, por identificação, nos misturamos com ele, só aos poucos passa a ser possível perceber quem ele realmente pode ser e o que desejávamos que ele fosse. 





Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O desejo que cega e a fera na jaula em “U”

O desejo que move o humano em direção às coisas é mesmo desejo que cega seus olhos para as mesmas coisas. Se o desejo, quando satisfeito em seu tempo, faz por diluir o próprio desejo, esse mesmo desejo ora submetido à grande privação torna-se perigoso e coloca o sujeito vulnerável.
Numa cruel experiência, pesquisadores puderam revelar o poder destruidor do desejo. Foi colocado um tigre faminto, que havia sido privado de se alimentar por vários dias, numa jaula em formato de “u”. Uma farta peça de carne fresca foi disposta bem em frente ao painel frontal da jaula. Contudo, o suculento pernil de cordeiro teria sido arranjado de uma forma onde a esfomeada criatura não pudesse alcançar. Mas, ainda assim, a parte de carne se encontrava próxima o bastante para que a fera se esmagasse, insistindo em investir repetidas vezes contra a grade,  na tentativa de agarrar o objeto do seu desejo. 
No polo oposto de onde se encontrava a porção de carne existia uma extensa abertura. Nos fundos do confinamento, uma larga abertura dava à grade o formato da letra “u”. Tão sedenta pela refeição a fera não conseguia sequer olhar para traz e perceber que a jaula estava aberta às suas costas. Diferente disso o tigre mantinha-se se esticando, e debilmente insistindo em seu alvo. Sua condição de privação o deixou sem poder tolerar o mínimo necessário para enxergar a saída que está no caminho oposto do seu desejo.
Essa fictícia metáfora sugere a satisfação da necessidade de nutrição representada pela fome do tigre. Ele teria sido obrigado a ficar sem se alimentar por longo período e isso gerou nele uma cegueira para tudo que não fosse seu objeto de desejo. Pensemos então na situação da privação do olhar reconhecedor, na impossibilidade de satisfação da necessidade  de reconhecimento. Enquanto o corpo necessita de alimento a alma precisa de reconhecimento através do amor e da verdade. Quando somos reconhecidos pelo olhar sincero e amoroso do outro, construímos, nesses mesmos moldes a noção de verdadeiro eu, e a alma se nutre disso.
Viver em condição de privação do olhar reconhecedor  tem consequências análogas. Uma alma desnutrida e intolerante se revela incapaz de refletir possibilidades. Incide a intransigência impedindo o olhar para qualquer outra direção.  A arrogância talvez seja a característica mais marcante do empobrecido na alma que mostra especial rigidez nas ideias, sendo que a inflexibilidade impede qualquer chance de aprender com as experiências.






Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015