terça-feira, 15 de novembro de 2016

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Modelo de Respeito: Criança e Internet

Em novembro de 2010 publiquei aqui, nesse mesmo blog um texto de reflexão sobre a questão da criança que tem acesso à internet e em especial a criança que não pode contar com a presença afetiva dos pais, que sempre muito garantidos pelas justificativas do apego à uma vida cheia de benefícios materiais colocam em risco o desenvolvimento emocional, de si próprios e consequentemente o desenvolvimento emocional dos filhos, que em grande parte dos casos nasceram sem serem desejados, muito menos planejados e sequer tem um espaço mínimo na vida dos pais. Assim, essas crianças acabam por se transformarem num problema na vida narcisista desses que deveriam cumprir as funções de pais. Retomo o assunto seis anos depois e a situação não me parece nem um pouco animadora, quando verificamos o panorama atual, seja pela observação própria, ou mesmo através das notícias veiculadas recentemente pelos meios de comunicação.

Crianças e adolescentes passando a maior parte de suas vidas na frente das telas de seus computadores e quando não estão em casa ainda assim a hipnose eletrônica continua, mas em seus dispositivos móveis (celulares, smartphones, tablets...). Sempre com um intuito muito claro de buscar desesperadamente um olhar de aprovação do outro. Seja se arriscando em desafios perigosos, onde outros adolescentes assistem, pela webcam, as realizações de brincadeiras arriscadas que muitas vezes acabam em morte, ou ainda a exposição de fotos de nudez e vídeos de conteúdo erótico, que em muitos casos incentiva encontros com desconhecidos, propiciando então oportunidade de abuso físico.
Tudo para sentirem-se importantes pelo menos por alguns momentos, já que nunca conseguiram isso de seus pais, que por sustentarem uma manutenção material acreditam já estar dando "de tudo", para seus filhos. No entanto a falta é de um modelo. Um modelo de afeto, atenção, respeito, sinceridade... Ora, um modelo só pode ser propagado se houver presença, pois na ausência, a própria a ausência é o que serve de modelo.

Uma criança que esteja sendo respeitada pelos pais, presentes em sua vida e atuantes em sua formação, não irá permitir que algo a seduza ou a desrespeite. Ninguém conseguirá maior influência na vida de uma criança do que os pais (ou aqueles que ocupam essa função), quando realmente emocionalmente presentes, no entanto, por outro lado, nada influenciará mais a vida da criança do que a ausência afetiva dos pais.
Grande parte de crianças abusadas ou vítimas de atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, já está sendo desrespeitada em casa há muito tempo. Vulneráveis estão na fase onde tudo o que mais carecem é de modelos. Modelos que possam orientá-las em como devem ser e modelos que possam norteá-las com quem se relacionar, assim como modelos de relacionamentos bem sucedidos.

Bem, quando acontece a ausência da função de pais respeitosos, na vida dos filhos, no que se refere ao cumprimento básico da formação de modelos de respeito para consigo mesmo, passa a existir a tentativa de criação e implementação de regras duras de moralidade, criadas muito menos pelo amor dos pais pelos filhos, mas por um sentimento de culpa por terem se ausentado da vida desse que, na verdade é de sua responsabilidade e que agora apresenta algum desvio em sua conduta.

"As regras que nascem de um ambiente rico em afeto e verdade são regras internas, muito mais próximas da ética do que daquilo que chamamos moral e que na realidade só se sustenta sob os olhos da autoridade. Regras morais se dissolvem rapidamente enquanto a autoridade se distrai." (Martino, 2010)

Medidas autoritárias de intervenções invasivas, de investigação da vida dos adolescentes, que nessa fase deveriam estar desenvolvendo sua intimidade. Isso gera um novo prejuízo que tem impacto na criação de modelos de privacidade. Cria-se assim um funcionamento onde bisbilhotar a vida alheia é algo permitido e comum nos relacionamentos.

"Aquele que aprendeu ser respeitado dentro do lar, certamente não se envolverá em qualquer que seja a relação que não ofereça respeito." (Martino, 2010)

Pais que estiveram emocionalmente ausentes, mesmo que fisicamente presentes, buscam agora uma solução imediata para algo que não consiste num simples problema externo de mau comportamento, mas numa configuração de personalidade empobrecida, que desnutrida de afeto, desesperada, clama por atenção. Vivemos num tempo onde por conta da busca pelo suprimento material, abandona-se a formação emocional, em sua fase mais vulnerável. Entregando-se crianças muito novinhas aos cuidados de instituições, onde passam a maior parte do tempo de sua vida, num período fundamental do desenvolvimento, onde a presença das funções maternas e paternas são imprescindíveis.

No entanto, aquilo que deve ser provido no seio do lar não pode ser substituído por nada que seja oferecido por outra instancia de caridade, organização governamental ou instituição educacional. Mesmo que por mais bem intencionada que sejam, nem uma escola pode substituir o que deve ser suprido no lar.










Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodiasmartino@hotmail.com 
http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com.br

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

III ENCONTRO DO ATO DE PENSAR: Sobre o Medo e o Desejo


III ENCONTRO DO ATO DE PENSAR: Sobre o Medo e o Desejo

DIA DO EVENTO: 12 DE NOVEMBRO DE 2016 -SÁBADO ÀS 14H. 
No Centro Cultural Vasco sjrp, à rua São João, 1840 - 
bairro Boa Vista, São José do Rio Preto SP
Faça sua inscrição. 
Vagas limitadas. 
Valor da inscrição: 
R$ 35,00 antecipado.

E-mail para contato: 
Informações pelo telefone: 17 99132-9809 I 17 3011-3866. 

Dados para deposito:
Deposito na Conta poupança da Caixa Federal
Renato Dias Martino
Agencia: 0631
Conta: 013 00018132-6.
(o deposito pode ser feito em qualquer casa lotérica). 
Enviar comprovante de pagamento no e-mail: acuradefreud@gmail.com. 
*** Para sua segurança, não esqueça de levar seu comprovante no dia do evento.

As inscrições podem ser realizadas diretamente pelos blogs:
E também no clicando no link: https://goo.gl/forms/qzSjWfvtVCRS2Afv1

sábado, 20 de agosto de 2016

Cultivo de Bons Vínculos

Gisele Bortoleto Fernandes: Nos dias de hoje, muita gente tem pavor do que é inseguro ou arriscado, mas é impossível requerer segurança eterna. Como se manter num mundo de relacionamentos líquidos, voláteis, sejam amorosos ou profissionais, que estão ótimos e seguros num dia e no outro, não mais? O que precisamos fazer?
Prof. Renato Dias Martino: O medo da insegurança é justamente o que esclarece essa indagação, já que nada é mais certo do que estar sozinho. Enquanto o outro pode me abandonar, o eu sempre estará lá. O narcisista é aquele que não tolera conviver com incertezas e as relações são naturalmente incertas, pois dependem de duas partes distintas, duas almas, dois corpos que desejam coisas diferentes. Portanto, o sujeito narcisista se envolve de maneira superficial pois assim se solta com muita facilidade frente a primeira dificuldade que ocorra. Por mais que exista um mundo que funcione deste modo, ainda assim, quando o que buscamos são vínculos saudáveis e duradouros (mesmo que sejam raros), não nos convenceremos com superficialidades, ainda que pareçam atraentes e prazerosas. 

Gisele Bortoleto Fernandes: Como adquirir a força interna que permita que os relacionamentos (de todo o tipo) durem mais tempo, sem se acabar de uma hora para a outra?
Prof. Renato Dias Martino: Na realidade, não seria uma força, mas uma capacidade de tolerar frustrações. Quando não se é capaz de tolerar frustrações, o sujeito se torna mais suscetível à se envolver em relações superficiais e sem conteúdo.

Gisele Bortoleto Fernandes: Como podemos manter a estabilidade nessa instabilidade e fazer com que as relações não sejam tão voláteis?

Prof. Renato Dias Martino: Alguém que busca estabilidade deve também oferecê-la. De tal modo, é necessário envolver-se apenas com alguém que também busque isso. Alguém que  tenham o mínimo de capacidade emocional amadurecida. E isso não é de forma alguma difícil de se reconhecer naquele que se aproxima. O que realmente acontece é que, muitas vezes o sujeito intolerante acaba por ignorar sinais muito claros da incapacidade do outro, se envolvendo mesmo assim.
Gisele Bortoleto Fernandes: O que faz com que essas relações sejam tão voláteis nos dias de hoje?

Prof. Renato Dias Martino: Dificilmente uma criança tem sido cuidada pelos pais. Quando não são deixadas com poucos meses de idade o dia todo em creches ou escolinhas, estão sendo cuidadas por babás. Isso representa no desenvolvimento dessa criança, uma relação de descompromisso, já que essa criança não é capaz de entender o que pode ter maior importância para sua mãe do que estar perto dele.

O maior prejuízo está na formação de um ciclo mórbido, que se retroalimenta. Vão se formando filhos inseguros de si mesmo, se transformando em adultos muito pouco capazes de amar, que proliferarão esse modelo de incapacidade. Do cuidado dedicado com os bebês depende o destino da humanidade. A paz que um dia partiu do colo tranquilo, daquela que cuidou com zelo, estabeleceu a serenidade interior daquele que hoje estende essa paz ao mundo.



Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Ainda Sobre Reclamações

O sujeito é normalmente muito pouco consciente do porquê reclama tanto. Na realidade, a maioria daqueles que muito reclamam nem mesmo percebe que o faz com tanta frequência. No entanto,mesmo imaginando ter tantas razões, muitas vezes, esse 'porquê' está escondido por de traz de um motivo desconhecido dele mesmo. Reclama de tudo e de todos que por algum motivo se opõe às suas ideias ou a suas satisfações. Contudo, ainda que concordem com ele ou o satisfaçam, mesmo assim encontrará motivos para reclamar.

Aquele que reclama demais parece sofrer de certa insatisfação ligada a algo que faltou a ele num período da vida onde não tinha capacidade de reconhecer e nomear essa falta, assim, reclama sem saber, pelo que não tivera e nunca terá. Uma insatisfação crônica que não tem remédio, pois o que poderia satisfazer parece não existir mais, se é que um dia existiu na realidade.

Ele reclama sobre a falta de algo que não conhece e que na realidade nunca conhecerá com clareza. A maior parte dos adultos que reclamam muito é daqueles que não puderam reclamar por suas necessidades básicas, quando criança. Muitas vezes, quando criança assistira o outro se satisfazer sem que pudesse compartilhar da satisfação. Hoje quando adulto e distante do motivo original enxerga a frustração em tudo que por acaso posso trazer a mínima insatisfação.

A inveja é um atributo que circunda esse modelo de funcionamento. Aquele que inveja não consegue reconhecer qualquer que seja a característica boa das coisas. Vê sempre com maus olhos tudo que se destaca. A admiração sem capacidade disputa lugar com a depreciação do objeto admirado, que assim se manifesta através da reclamação. Sem capacidade de reconhecimento, não pode existir, portanto, o desenvolvimento da gratidão.

O hábito de reclamar muito parece ser decorrente de uma falha na possibilidade de desenvolvimento da capacidade de reconhecimento. Quem nunca foi reconhecido em suas características boas nunca reconhecerá nada de bom em coisa alguma. Portanto, a reclamação parece ser gerada a partir da incapacidade de se perceber alguém agradável.

Alguém que reclama muito acaba por afastar as pessoas de si, sobrando apenas aquelas que não tem escolha, ou ainda aquelas que também tem esse hábito.






Prof. Renato Dias Martino 
Psicoterapeuta e Escritor 

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sábado, 16 de julho de 2016

A Vontade do Corpo e a Liberdade da Alma

O sonho da liberdade é algo que povoa a mente humana. A busca pelo poder de escolha permeia a vida do ser humano que em suas tentativas de se tornarem livres, muitas vezes provocam situações desastrosas. O sujeito destrói lares, desfaz famílias e abandona incapazes (filhos e pais idosos) por conta de sentir-se preso à alguém do qual não deseja estar ligado. Destrói a natureza com o intuito de desobstruir seu caminho e assim se sentir liberto. O humano chega a cometer crimes e faz tudo isso em nome da busca pela libertação do que se julga estar aprisionado. Me lembro de um caso sobre um jovem que foi veiculado na imprensa local, que tentando libertar-se de si mesmo se entregou à polícia pois não suportava mais ter que roubar para satisfazer seu vício em drogas. De uma maneira ou de outra, das formas mais simples às mais complexas a busca pela liberdade está presente nos esforços do ser humano. No entanto, até que ponto podemos ser realmente livres?
Todo fenômeno tem seu motivo, sendo que cada manifestação natural ocorre por conta de uma linha de causalidade. Um fenômeno da origem a outro e assim forma-se um sistema de causa e efeito constituindo a dimensão dos fenômenos. O termo fenômeno tem sua origem no Latim PHAENOMENON, ou ainda no Grego PHAINOMENON que significa "o que pode ser visto, ou o que aparece aos olhos". Assim sendo, aquilo que é dependente de suas causas não pode ser livre, pois está subordinado ao que causou.
Não existe liberdade na dimensão dos fenômenos da natureza, sendo que no funcionamento de um ecossistema os fenômenos se sucedem de uma maneira sistemática, onde a conexão natural não permite liberdade para que sobrevenha de forma diferente. As ciências ocupam-se de maneira incansável nos estudos das causas que atestam essa impossibilidade de liberdade. Com isso poderíamos afirmar que aquilo que está na ordem da natureza não se discute, apenas se respeita. A natureza trabalha por meio da necessidade, não existindo nessa extensão da realidade, espaço para a liberdade de escolha. Assim funcionam as articulações na dimensão do mundo material. Então, isso nos leva a propor que se existir uma chance para que o homem possa se tornar de alguma forma livre, isso deve ocorrer através do rompimento com a cadeia dos fenômenos, transcendendo de algum modo o nível da materialidade.
Arthur Schopenhauer (1788 —1860) que foi fortemente influenciado pela leitura das Upanishads, comentários sobre os Vedas, que se tornaram conhecidas no mundo ocidental, pela primeira vez, no início do século XIX, através de uma tradução feita do Persa para o Latim, introduziu o pensamento indiano e alguns dos conceitos budistas na filosofia, trata desse tema com grande propriedade em sua obra O Livre Arbítrio onde propõe que:

"Considerado exatamente, o conceito de liberdade é negativo. Com isso não fazemos mais do que formular a ausência de qualquer impedimento e de qualquer obstáculo, dado que o obstáculo, sendo manifestação da força, deve indicar uma noção positiva". (Schopenhauer , 1950/1836)

No seu Livre Arbítrio Schopenhauer sugere três tipos de liberdade, com suas respectivas barreiras que por mais que pareçam diversas apresentam sempre um elemento em comum, a 'vontade' que é tratada como conceito central na filosofia de Schopenhauer e que é elemento fundador de grande ambiguidade. A primeira modalidade de liberdade proposta por Schopenhauer é a do agir. Sendo as causas físicas que podem impedir a liberdade, nessa perspectiva o ser humano é livre quando não existem empecilhos materiais que o impeçam suas ações, tendo ele poder de desobstrução de obstáculos da ordem do carnal ou corporal. Configura-se como o modelo mais primitivo de liberdade. Assim, habitualmente dizemos que o sujeito é livre quando age segundo sua vontade.
Na segunda forma de liberdade proposta por Schopenhauer o que se leva em conta é o aspecto intelectual ou do saber. Dentro desse modelo o que ocorre é que só pode ser possível conhecer ou saber dentro de certo limite. Pode-se saber e até mesmo pensar, apenas dentro de uma proporção limitadora. Aqui, mais uma vez a vontade pode interferir naquilo que poderíamos realmente saber. Somente saberemos sobre algo até o ponto em que esse saber possa coincidir com nossa vontade. De outra maneira encontrar-se-á uma resistência que impedirá o reconhecimento desta verdade e limitará o que se poderia saber. Dessa maneira a capacidade de pensar, que tem sua origem do Latim, significando pesar, também deverá ser comprometida já que a vontade pode corromper as medidas tomadas como referências utilizadas nas formulações do pensar.
A terceira modalidade da qual propõe Schopenhauer é aquela que denomina liberdade moral ou ainda a liberdade de 'querer o que se quer'. Essa modalidade me parece ser a mais complexa, já que esbarra na dimensão das necessidades. Isso pois estamos aprisionados em nossas necessidades que se não forem satisfeitas teremos severos prejuízos. Além disso, essa classe de liberdade é afetada pelo fato de o desejo do sujeito estar sempre, indiretamente, impregnado do desejo do outro.
Ora, por mais que reconheçamos certa vontade como sendo genuinamente nossa, ainda assim ela estará impreterivelmente carregada do desejo do outro.

Em seu ensaio de 1917, UMA DIFICULDADE NO CAMINHO DA PSICANÁLISE, Sigmund Freud (1856 - 1939) correlaciona as pulsões inconscientes da psicanálise ao conceito de ‘Vontade’ proposto por Schopenhauer e expande essa idea.



"Essas duas descobertas – a de que a vida dos nossos instintos sexuais não pode ser inteiramente domada, e a de que os processos mentais são, em si, inconscientes, e só atingem o ego e se submetem ao seu controle por meio de percepções incompletas e de pouca confiança -, essas duas descobertas equivalem, contudo, à afirmação de que o ego não é o senhor da sua própria casa." (Freud, 1917).


Pois bem, a liberdade deve ser uma qualidade da ação e sendo então um atributo não pode ser configurado como substancia. Se pudermos nos utilizar do modelo da gramática diríamos que um adjetivo não pode ser um substantivo. Assim, ação constitui substancia enquanto a liberdade consiste em predicado. Agir com liberdade seria então agir segundo o que se deseja, sendo necessário um desejo precedendo a ação. A liberdade pode ser um adjetivo do agir, mas não pode ser aplicada da mesma forma ao ser. Isso pois o ser é dinâmico e se estrutura a partir do desejo e não podemos escolher o que desejar. Assim, toda ação que é impreterivelmente subordinada à um desejo, como vimos anteriormente, não pode ser livre. Desse modo, somos escravos do nosso desejo. Por mais que apresentemos razões para sermos livres a razão está sempre subordinada à vontade, que por sua vez é o principio universal da natureza, responsável pelos movimentos e transformações no mundo.
Enquanto seres humanos somos formados por um complexo somático, configurado num organismo material considerado fisicamente, sendo essa a parte inferiormente nobre do ser. Isso pois está sujeito à deterioração estando em constante impermanência (conceito muito utilizado no Budismo). Fazendo parte dos fenômenos, está na ordem da transitoriedade, existindo nessa configuração dentro de um tempo determinado. Essa parte do nosso ser pela qual percebemos o mundo exterior, através dos sentidos, é responsável pela função básica do corpo no contato com o mundo físico. O corpo somático sofre transformações constantes nunca permanecendo muito tempo da mesma forma e essa característica gera grande dificuldade para o ser humano que tem muito medo dessas mudanças. O corpo nasce, permanece por algum tempo, crescendo e se desenvolvendo, assim passa a produzir efeitos nos fenômenos e então passa a definhar gradativamente até a morte. Nosso corpo material está sujeito ao que na cultura Védica é denominado samsara, no ciclo do mundo objetivo de nascimento, permanência temporária e morte.
Ainda segundo as escrituras dos Vedas, essa dimensão da existência é comandada pela trimûrti, formada pelas divindades Brahma o criador, Vishnu o mantenedor e Shiva o destruidor. A trimûrti configura guna-avataras, as personalidades destinadas a controlar o mundo material. Os três gunas são modos de configuração das energias materiais. O guna sattva ou da paixão fica sob os cuidados de Brahma, o guna rajas ou da bondade é encarregado à Vishnu e o guna tamas ou da ignorância, por sua vez, fica confiado à Shiva. A trimûrti está diretamente ligada ao véu de Maya que configura-se como ilusão mundana, confundindo o transitório com a realidade ultima, que não está disponível aos órgãos dos sentidos, estando então na dimensão do estar sendo. Maya ata o sujeito a este mundo ilusório e não pode existir sem os três gunas, sendo então inerente a eles, operam no nível físico, mental e emocional.
No entanto, além da forma material configurada no corpo físico, também somos alma. Enquanto humanos somos constituídos também por uma parte do ser que não se presta aos atributos materiais como de espaço ou temporariedade. Não está aqui ou lá. Não tem passado, por conta disso não têm memória. A noção de futuro também não se aplica a alma, por conta disso o desejo não é um atributo dessa parte do ser. Sendo que alterações ocorrentes no corpo não podem afetar a alma. Enquanto o corpo se presta às funções carnais e às empregos físicos, a alma tem funções num nível superior que incluem o pensar, o amar, o intuir... 
Essa parte do ser nunca nasceu e nunca morre. Em sânscrito o atma é a alma individual o verdadeiro eu, traduzido como "Eu" em maiúsculo, como características divina da alma individual. Segundo o Advaita Vedanta, uma das três escolas de Vedanta do pensamento monista , o atma é idêntico ao Absoluto, ou Brahman e está além da existência corpórea, livre do samsara e não sujeita à Maya. Vedanta que é a doutrina do não-dualismo puro, isto é, a identidade de Brahman e do Atma.

No Capítulo dois do Bhagavad-Gita, intitulado O Conhecimento Transcendental, Senhor Krsna, a Personalidade Suprema de Deus revela ao guerreiro Arjuna que:

"Para a alma, em tempo algum existe nascimento ou morte. Ela não passou a existir, não passa a existir e nem passará a existir. Ela é não nascida, eterna, sempre-existente e primordial. Ela não morre quando o corpo morre."

na jāyate mriyate vā kadācin nāyaṁ bhūtvā bhavitā vā na bhūyaḥ ajo nityaḥ śāśvato ’yaṁ purāṇo na hanyate hanyamāne śarīre.

Segundo o Kaṭha Upaniṣad existe duas naturezas de almas, a saber, a alma sob a forma de partícula diminuta (aṇu-ātmā) e a Superalma (vibhu-ātmā).

 “Tanto a Superalma [Paramātmā] quanto a alma atômica [jīvātmā], situadas na mesma árvore do corpo, estão dentro do mesmo coração da entidade viva, e somente alguém que esteja livre de todos os desejos e lamentações materiais pode, pela graça do Supremo, compreender as glórias da alma.” (Kaṭha Upaniṣad , 1.2.20)

aṇor aṇīyān mahato mahīyān ātmāsya jantor nihito guhāyām tam akratuḥ paśyati vīta-śoko dhātuḥ prasādān mahimānam ātmanaḥ.

Entre o corpo e a alma encontra-se uma parte intermediária do qual aqui chamaremos de mente. Concordando assim com Wilfred R. Bion (1897-1979) em sua ideia de pensamento em busca de pensador. Assim como disse Bion em sua palestra dada em Nova Iorque em 1977, transcrita e publicada no Brasil em 1992 pela Editora Imago com o título de Conversando com Bion. "È um pensamento errante em busca de algum pensador para se alojar nele." (Bion, 1992/ 1977)

Enquanto o pensador morre o pensamento continua. Bion tem grande influência da cultura oriental, sobretudo na filosofia indiana, pois nasceu na cidade de Muttra, quando seus pais britânicos, se mudaram para lá à serviço do estado inglês que prestava serviços na Índia. Na teoria assim como na prática psicanalítica de Bion ele propôs estar de acordo com ‘O’, na Realidade Última ou ainda o OM que só pode ser vivido e nunca conhecido. Em Bion encontramos a ideia da relação entre continente e contido onde "O pensar passa a existir para dar conta dos pensamentos" (BION, 1994/1967). Com isso fica claro que nada pode ser realmente criado,  porque  a  ideia  já  existe,  sempre existiu sendo necessário que nasça um pensador para pensá-la.

A partir desse vértice de reflexão configura-se um quadro onde a alma parece vagar livre até ser cativa por um certo corpo, forçando então a criação de uma mente. Dai por diante deve haver uma constante peleja, pois aquilo que o corpo busca para se satisfazer não interessa à alma e na realidade só faz por desvaloriza-la. A busca pela nutrição da alma está justamente na renuncia dos prazeres do corpo. Ora, não há maior desventura que uma alma aprisionada pelos anseios do corpo. Enquanto para o corpo parece não haver liberdade, já que se encontra cativo da sua vontade, a alma se dispõe livre em seu desempenho.
No entanto, a realidade não é definida pela vontade do humano. A disposição para a expansão dos níveis do ser estaria então na capacitação para desprendimento daquilo que se encontra na dimensão do real concreto num exercício do desapego da materialidade numa renúncia do que satisfaz o corpo, mas empobrece e nos distancia da alma. Numa relação afetiva a confirmação sensorial deve, dentro dessa perspectiva ser substituída pelo vínculo simbólico.


Enquanto uns buscam obter cada vez mais, outros procuram aprender a viver com menos.






BION, W. R. Estudos psicanalíticos revisados. Tradução: Wellington M. de Melo Dantas. 3 ed. Rio de Janeiro: Imago, 1994/1967.
_____(1992).Conversando com Bion. Quatro discussões com W. R. Bion (1978). Bion em Nova York e em São Paulo(1980). Rio de janeiro: Imago Editora.
S. Freud, UMA DIFICULDADE NO CAMINHO DA PSICANÁLISE (1917)
Prabhupada, A. C. Bhaktivedanta Swami. O BHAGAVAD-GITA - Como Ele É. Editora: The Bhaktivedanta Book Trust. 1976.
SCHOPENHAUER, A. O Mundo como Vontade e Representação. Rio de Janeiro: Contraponto Editora, 2001/1818. (Tradução de M. F. Sá Correia).
_______________ O Livre arbítrio. São Paulo: Edições e publicações Brasil, 1950/1836. (Tradução de Lohengrin de Oliveira).







domingo, 5 de junho de 2016

Sobre Amores de WhatsApp

O estudo da psicanálise, assim como a pesquisa das mais expansivas áreas do pensamento humano nos ensina que a busca por reconhecer a si mesmo é uma tarefa de alargamento da mente que se realiza impreterivelmente pela ligação com o outro. Através do encontro com o outro revelamos características de nossa personalidade e somente por meio do estabelecimento de um relacionamento com este outro é que passa a ser possível perceber partes do eu que ficariam latentes sem essa experiência afetiva. "Necessitamos da opinião do outro quanto ao que somos. Isso existe naturalmente como necessidade de reconhecimento. Então, o ego carece disso, pois é daí que se nutre a auto-estima." (Martino em O amor e a expansão do pensar, 2013)
Assim, as relações afetivas que procedam no reconhecimento trazem o fundamento da sustentação e desenvolvimento do funcionamento mental. A proposta psicoterapêutica tem justamente esse intuito; o de dispor através do psicoterapeuta, certo vínculo de boa qualidade que possa proporcionar um autorreconhecimento para o paciente que se dedica.
A busca pelo alargamento no desempenho do pensar está diretamente subordinada a às relações afetivas. Por conta disso a experiência de se relacionar afetivamente não está implicada simplesmente em uma questão de satisfação onde se enamora de alguém por atender aos desejos sexuais ou suprir carências superficiais e medos da solidão, mas falamos antes de tudo de uma necessidade fundamental para o bom funcionamento mental. O estabelecimento de boas alianças em vínculos afetivos saudáveis é o que nutre o eu de amor próprio e assim como nos ensina Freud (1856 - 1939) em seu importante texto SOBRE O NARCISISMO: UMA INTRODUÇÃO, "o fato de não ser amado reduz os sentimentos de auto-estima, enquanto que o de ser amado os aumenta."

Há um certo tempo atrás escrevi algumas linhas sobre os modelos de relacionamento adotados pelo ser humano em geral, que diferente dos outros animais, demuda e compõe novas formas a cada tempo. Na ocasião que me propus ensaiar sobre o assunto, foi possível enumerar alguns modelos de aproximação e relacionamento que foram se transformando conforme cada época, tendo como base a sociedade ocidental, da qual tenho maior acesso. Parti então, do modelo característico de uma sociedade patriarcal onde as aproximações e relacionamentos aconteciam por conta de conveniências familiares, onde os pais decidiam com que os filhos iriam se casar. Uma forma utilizada no passado onde os casais eram previamente arranjados pelos pais conforme conveniência familiar, tendo como referencial os bens das partes assim como tradições mantidas pelas linhagens. Esse modelo guardava características de imposição; o que não fez mais que gerar uma revolta culminando numa dissolução da forma autoritária de decisão quanto ao futuro afetivo dos filhos. Assim, essa forma de vinculação aos poucos foi se dissolvendo e dando lugar a outra modalidade de relacionamento que permitia ao sujeito o livre-arbítrio na escolha e que recebe então o nome de namoro.

"Descritivamente se trata de certo modelo de relacionamento que inclui um período de reconhecimento e avaliação entre as partes do casal, até que se optasse por estarem juntos (ou não) em um compromisso “legal” ou formalizado." (Martino, 2011)

Esse modelo de aproximação e relacionamento denominado namoro é o que funda a família pós-moderna.  No entanto conforme o passar do tempo este modelo também foi gradualmente substituído por um novo padrão de aproximação e ligação agora num formato mais breve, e que seria denominado ‘ficar’. Nesse formato de aproximação a ligação não duraria mais que alguns minutos e por sorte uma hora, ou coisa assim. O grande risco desse tipo de aproximação - penso que a palavra ligação, aqui começa a ficar inadequada, por conta da curta duração - é o fato de ser realizado tendo muito pouco compromisso e responsabilização,  muitas vezes associado ao consumo de álcool e outras drogas, o que promoveria dificuldade na avaliação da realidade dos fatos e desta forma estimulando a superficialidade no contato. Com isso a geração de gravidezes indesejadas e a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis passa a ser de uma frequência assustadora.

"O beijo que seria símbolo do amor pós-moderno, agora passa a ser o troféu na superficialidade do encontro denominado ‘ficar’. Troféu desligado de noções como qualidade, mas fica condicionado segundo a quantidade de sujeitos beijados numa só noite de balada." (Martino, 2011)
Ainda no plano da transformação dos modelos de ligação e relacionamento, o formato do 'ficar' em muito pouco tempo foi migrando para um modelo mais superficial ainda, que denominou-se 'pegar'. Ora, se no 'ficar' ainda existia, mesmo que breve, algum tempo de permanência, no modelo do 'pegar' a ação do 'largar' seria de maior facilidade ainda, promovendo assim maior superficialidade.
           
Aqui pretendo retomar o tema, tentando atualizar a maneira como o ser humano em geral vem funcionando dentro do âmbito afetivo. Claro, que ao escrever este tipo de ensaio esse autor conserva consciência de que existe uma cota da sociedade que busca outras formas de relacionamento que podem contar com maior capacidade de compromisso e responsabilização, que não estão incluídas nessa forma generalista de funcionar.
Pois bem, hoje assistimos (ou participamos) de uma nova sena no âmbito das ligações e dos relacionamentos. Não é novidade alguma o fato de que atualmente a grande maioria das pessoas não consegue viver sem um aparelho celular que esteja à mão e que a comunicação entre grande parte das pessoas se resume em breves palavras digitadas ou gravadas em pequenos trechos de áudio enviados à qualquer hora em qualquer lugar onde possa alcançar a rede de sinal dos provedores de telefonia móvel.
Sendo assim, as aproximações e os relacionamentos parecem seguir a mesma tendência.
Me parece que grande parte das aproximações hoje acontecem através das redes sociais virtuais.  Redes de relacionamento como Facebook, ou ainda recursos aplicáveis que se restringem aos aparelhos celulares como Whatsapp, ou ainda o Tinder, um aplicativo de encontros onde o usuário pode conhecer novas pessoas que possuem interesses em comum. Esse último busca as informações como localidade e preferências de um perfil e relaciona com dados de outro. Ora, me parece muito interessante poder  desfrutar de recursos tecnológicos como estes e pelo menos a princípio, não consigo identificar nem um dano provável nesse meio de procura por um par afetivo. No entanto, o que ocorre é que  aquilo que poderia configurar-se no início de um relacionamento saudável, se pudesse evoluir, em grande parte dos casos não passa de troca de mensagens eletrônicas.
De tal modo, o benefício da facilidade se converte em fracasso na expansão do vínculo. A internet é um meio maravilhoso de troca de informações, mas não é o suficiente para a construção de vínculos saudáveis. A impossibilidade de se encontrar de maneira presencial pode criar certo desgaste num vínculo que mal surgiu. Com inúmeras experiências do mal-entendido frequentemente ocorrentes nessa forma limitada de comunicação, por não contar com impressões fundamentais de afetos que só podem ser possíveis de forma presencial o vínculo que se inicia dificilmente resiste por muito tempo.
Na realidade temos sempre, duas forças conflituosas disputando lugar dentro do funcionamento mental. Freud nos ensina com muita propriedade sobre as duas tendências que trabalham nos processos psíquicos e regem nossa interação com o mundo externo onde se encontra o outro e assim interferindo diretamente nos modelos de vínculo afetivo.
"Depois de muito hesitar e vacilar, decidimos presumir a existência de apenas dois instintos básicos, Eros e o instinto destrutivo. (O contraste entre os instintos de autopreservação e a preservação da espécie, assim como o contraste entre o amor do ego e o amor objetal, incidem dentro de Eros.) O objetivo do primeiro desses instintos básicos é estabelecer unidades cada vez maiores e assim preservá-las – em resumo, unir; o objetivo do segundo, pelo contrário, é desfazer conexões e, assim, destruir coisas. No caso do instinto destrutivo, podemos supor que seu objetivo final é levar o que é vivo a um estado inorgânico. Por essa razão, chamá-lo também de instinto de morte."  (Freud em ESBOÇO DE PSICANÁLISE, 1940 [1938])

Dessa maneira, quando a pulsão de morte rege nosso funcionamento somos forçados a nos desligarmos do mundo externo só nos relacionando com o outro de maneira narcisista, ou seja como se fosse aquilo que satisfaça o nosso desejo. A tolerância, quando acontece, é mínima dentro dessa forma de funcionar. Tenho percebido de maneira muito clara que vivemos numa sociedade contemporânea que tende a se configurar-se num formato narcisista e sendo assim os encontros e ligações afetivas se mantém cada vez mais enquanto for conveniente para as partes. A pulsão de vida da qual Freud ilustra com o Deus do amor, Eros vem sendo extremamente frágil, se desfazendo com muita facilidade e atuando de forma cada vez mais breve. Assim, dando lugar para o domínio de Thanatos, o Deus da morte ilustração da pulsão de destruição que funciona como fator de desligamento.
Isso quer dizer que na medida em que ocorram conflitos ou mesmo se o outro se revele sendo ele mesmo e não mais aquilo que o sujeito deseja que ele fosse (uma extensão de seu desejo) as relações se desfazem. "A experiência clínica familiarizou-nos com as pessoas que se comportam de uma maneira notável, como se estivessem enamoradas de si mesmas, e essa perversão recebeu o nome de narcisismo." (Freud, em DOIS VERBETES DE ENCICLOPÉDIA, 1923 [1922]).

Se no modelo do 'ficar' ou mesmo do 'pegar' ainda existia um contato físico, mesmo que breve, nesse novo modelo não chega a existir sequer a mínima presença física. No entanto, se por acaso inicia-se uma relação presencial ainda assim essa experiência deve enfrentar outro obstáculo. O uso da tecnologia através de aparelhos como os celulares, smartphones e similares, que se mostrava limitador quando não passava de contato virtual perdura impedindo que os casais possam desenvolver a relação. O abuso da tecnologia parece perdurar mesmo depois que a relação presencial possa ter sido estabelecida, evitando que o vínculo se aprofunde. Como que hipnotizados pelo pequeno aparato eletrônico, os casais parecem estarem presentes apenas fisicamente, onde cada um está muito mais inteirado com o que se passa nas redes sociais ou nos conteúdos da internet, do que com a pessoa que está do seu lado.
Então se concordamos que é somente através do encontro com o outro que podemos revelar e reconhecer características fundamentais de nossa própria personalidade, nesse modelo de relacionamento grande partes do eu permanecerão ocultas do próprio eu. O eu se vê de nutrido na auto-estima, que sem reconhecimento tem comprometido o desenvolvimento do funcionamento mental. Numa tentativa de fugir do encontro emocional/afetivo com o outro que impreterivelmente revelaria características do eu. Numa experiência mórbida evita-se o outro e fugindo do outro o sujeito se perde dele mesmo.
Infelizmente as consequências desse tema não se restringem simplesmente ao âmbito dos relacionamentos afetivos entre casais, mas se estendem nas próximas gerações que se originam desses tipos de relacionamento. O que será das crianças que nascem desses "encontros" narcisistas?

FREUD, S. [1914]. Sobre o narcisismo: uma introdução. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas. 1. ed. Trad. Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1974.
_________ 1923 [1922]. DOIS VERBETES DE ENCICLOPÉDIA. Idem.
________ 1940 [1938]. ESBOÇO DE PSICANÁLISE. Idem.
Martino, R. D. O amor e a expansão do pensar : das perspectivas dos vínculos no desenvolvimento da capacidade reflexiva - 1. ed. -- São José do Rio Preto, SP: Vitrine Literária Editora, 2013.
http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com.br/2011/01/agora-regra-e-do-ficar.html