terça-feira, 16 de outubro de 2018

PSICANÁLISE E ELEIÇÕES

"A psicanálise não deve se prestar a dizer o que o sujeito deve fazer ou deixar de fazer. Não é papel da psicanálise o de sugestionar ou tentar convencer alguém, do que quer que seja. O papel da psicanálise deve ser o de ajudar desobstruir o caminho daquele que busca ajuda. Se alguém estiver tentando dizer o que você deve fazer ou deixar de fazer, isso não é psicanálise. Isso se configura numa atitude que advoga contra a própria proposta da psicanálise. Influenciar voto é completamente despropositado dentro das formulações psicanalíticas. O desejo do analista é nocivo para o desenvolvimento e para a expansão do paciente. Quando o suposto psicanalista, ou ainda, a instituição, tenta influenciar votos, estão abandonado sua função."


Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor

Alameda Franca n° 80,
Jardim Rosena,
São José Do Rio Preto – SP 
Fone: 17-30113866 ou 991910375
prof.renatodiasmartino@gmail.com 

http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com.br/



#bomdia #saber #acolher #acolhimento #olivrododesapego#poesiapsicanalítica #renatodiasmartino #psicoterapia #psicanálise #amar#gratidão #verdade #consciência #desamparo #pensarseasimesmo#psicologia #sãojosédoriopreto #grupodeestudopsicanálisedoacolhimento#GEPA #grupodeestudopsicanalisedoacolhimento #poesiapsicanalitica#sentir #medo #paraalémdaclínica #paraalemdaclinica #amor #bion#wilfredbion #reconhecimento #primeirospassosrumoapsicanalise

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

A EMERGÊNCIA DO LÍDER


A partir de um olhar superficial o ser humano pode parecer um animal que se agrupa naturalmente. No entanto, não temos esse componente como constituinte inato, assim como acontece com animais herbívoros, como os bovinos, caprinos, bubalinos e antílopes, ou ainda pássaros como as andorinhas e peixes como as sardinhas. Essas espécies têm no instinto algo que os leva naturalmente a se agrupar sem que precise necessariamente de um líder.
Nesses animais, o instinto gregário parece ser tão primário quanto os da autopreservação, nutrição e o sexual. No humano, no entanto, isso está completamente ausente. Uma criança que seja deixada sozinha só deve apaziguar seu medo pela presença da mãe, ou na melhor das hipóteses, de algum membro da família, que seja íntimo dela.
Sigmund Freud (1856 – 1939) tratou desse tema de maneira genial em sua obra PSICOLOGIA DE GRUPO E A ANÁLISE DO EGO (1921). No nono capitulo, aborda o que chamou de instinto gregário, ou seja, o componente inato que leva a criatura a se agregar em grupo. Nesse capítulo, Freud levanta a hostilidade natural das crianças, que se configura num obstrutor do agrupamento, que só ocorrerá por conta da introdução da repressão do instinto, imposta pela civilização.
Sigmund Freud (1856 – 1939)
“O filho mais velho certamente gostaria de ciumentamente pôr de lado seu sucessor, mantê-lo afastado dos pais e despojá-lo de todos os seus privilégios; mas, à vista de essa criança mais nova (como todas as que virão depois) ser amada pelos pais tanto quanto ele próprio, e em conseqüência da impossibilidade de manter sua atitude hostil sem prejudicar-se a si próprio, aquele é forçado a identificar-se com as outras crianças.” (Freud, 1921).
Ora, fica claro o caráter naturalmente egoísta de nossa espécie e o fato de que só nos agrupamos por conveniência narcisista. O humano parece ser, assim como as espécies primatas, um animal de horda, tipo de grupo naturalmente caótico que carece ser regido por um líder para manter mínima organização. Enquanto os animais gregários parecem manter a paz e a organização em seus grupos, animais como o ser humano carecem do líder que possa trazer essa possibilidade.
Wilfred Ruprecht Bion (1897 — 1979)
Mais tarde (1914), Wilfred Ruprecht Bion (1897 — 1979) cogita sobre o tema da vida grupal humana em sua obra EXPERIÊNCIAS COM GRUPOS. Nessa obra, Bion propõe três tipos de modelos de funcionamento inconsciente da mente grupal, isto é, quando não é possível se estabelecer um grupo de trabalho, que seja capaz de manter certo grau nobre de funcionamento, onde a cooperação é característica fundamental. Para Bion, o que define o nível de disposição do sujeito para se articular com os demais membros do grupo, na configuração inconsciente, é a “valência”. Esse termo Bion extraiu da química e é um número que indica a capacidade que um átomo de um elemento tem de se combinar com outros átomos. Segundo Bion, os três pressupostos básicos, da mente grupal inconsciente, são dependência, luta-fuga e acasalamento.
Sendo que na dependência se estabelece total dependência de um líder, como que na relação com o pai, a luta-fuga, quando o grupo elege um inimigo em comum e acasalamento quando se elege um casal do grupo que gerará um filho que salvará a todos.
De qualquer forma, em alguma medida, o líder se faz necessário como elemento regulador do grupo humano. Ainda em PSICOLOGIA DE GRUPO E A ANÁLISE DO EGO, Freud revela a semelhança do funcionamento do grupo com o funcionamento mental do sujeito, assim como as possíveis influências de um sobre o outro. O esquema estrutural da mente, dividido em Id, Ego e Superego, foi proposto por Freud, por volta de 1920, e ganha maior clareza a partir do trabalho ALÉM DO PRINCÍPIO DO PRAZER.
Nesse esquema, para que a mente, que a princípio é regida pelo Id, desorganizado, caótico, possa se arranjar é necessário desenvolver-se uma instância organizadora, o Ego. No entanto, quando o ego não consegue dar conta dessa organização de forma minimamente necessária, o que toma conta para reger a mente é o Superego num Ideal do Ego. “Enquanto o ego representa “o que se está sendo”, o superego, aliado às forças que brotam do id, cria “o que se deveria ser”.” (Martino, 2015). Quando aquilo que o sujeito está sendo não pode ser suficiente para promover a organização interna, o que se deveria ser toma conta da personalidade, tornando o sujeito mais vulnerável e assim, mais influenciável.
“Em muitos indivíduos, a separação entre o ego e o ideal do ego não se acha muito avançada e os dois ainda coincidem facilmente; o ego amiúde preservou sua primitiva autocomplacência narcisista. A seleção do líder é muitíssimo facilitada por essa circunstância.”. (Freud, 1921)
Incapaz de responsabilizar-se pelo que acredita, então se esconde por detrás de instituições para defender sua ideia.
Toda organização, seja um organismo biológico, um aparelho psíquico, ou ainda um grupo, tende a buscar regulação e o aparecimento de um líder é sempre uma esperança para isso. O verdadeiro líder emerge naturalmente, a partir das demandas do grupo, não por imposição ou por convencimento. Aquilo que elege o líder é a demanda da vontade do grupo e não o desejo dos integrantes. Enquanto a demanda do grupo revela características dos integrantes, a eleição do líder é um representante deste caráter. As atitudes dos governantes revelam a índole do povo. Quando o grupo está sendo regido pela permissividade e corrupção, gerando o caos, é natural que surja um líder com ideias firmes e muitas vezes rígidas. Isso acontecerá naturalmente para harmonizar o funcionamento num processo que busca a homeostase.
No entanto, quando há a predominância da corrupção, inerente ao funcionamento do povo, isso deve proliferar a ignorância e propiciar a estupidez no grupo. Isso promove a vulnerabilidade e é possível que um tirano se aproveite para se apossar do comando. O grande perigo da tirania é quando vem embalada em palavras doces e promessas de bondade. Aproveitando-se da ocasião o líder tirano ocupa espaço. O sucesso no domínio dos governantes está na incapacidade de pensar da nação. Infiltrando-se lentamente o opressor ganha espaço na estupidez, que se configura na ignorância que podemos conservar sobre nossa própria ignorância.
O tirano deve se aproveitar da dificuldade de introdução da verdade nos grupos, que são mantidos pelas ilusões, pois se sustentam unido justamente por emoções fortes que obstruem a tomada de consciência. O opressor toma o poder a partir dos menos favorecidos, com discursos sedutores que vão de encontro com a necessidade dos mais fragilizados.


BION, Wilfred. R. Experiências com Grupos. Rio de janeiro, Imago, 1961 (1948).
FREUD. S. ALÉM DO PRINCÍPIO DO PRAZER Rio de janeiro, Imago, 1920.
_______.PSICOLOGIA DE GRUPO E A ANÁLISE DO EGO. Rio de janeiro, Imago, 1921.
MARTINO, Renato Dias. O Livro do Desapego, 1. ed. São José do Rio Preto, SP: Vitrine Literária Editora, 2015.



Psicoterapeuta e Escritor

Fone: 17-30113866 ou 991910375



#saber #acolhidaempsicoterapia #acolhimento #olivrododesapego
#poesiapsicanalítica #renatodiasmartino #psicoterapia #psicanálise #amar#amor #gratidão #verdade #consciência
#pensarseasimesmo #psicologia #sãojosédoriopreto#grupodeestudopsicanálisedoacolhimento #GEPA#grupodeestudopsicanalisedoacolhimento #poesiapsicanalitica #sentir#verdadeiroeu #reconhecimento #primeirospassosrumoapsicanalise #vínculo#sinceridade #sensibilidade

Percepção e reconhecimento do limite - Prof. Renato Dias Martino





Percepção e reconhecimento do limite 



Isso precisa se dar de forma natural.

Se a dedicação materna e a presença paterna forem elementos
integrantes do funcionamento, esse limite vai ser percebido
e reconhecido de maneira natural.
Ele vai ser inerente as relações.
Quando come a eclodir o ódio, a raiva...
Na verdade, a pulsão de morte que é projetada
no mundo externo em forma de pulsão de destruição,
é importante que haja um objeto que possa conter
todo esse ódio sem sucumbir.
Sem que esse ódio destrua o objeto de projeção.
Quem é esse objeto de projeção?
O pai. O pai!
O pai precisa suportar, precisa tolerar esse ódio
que é projetado nele, sem sucumbir.
Esse ódio é reintrojetado, e o sujeito começa
o processo de autodestruição.
Por que o objeto não foi continente desse ódio
e ele conseguiu matar, o Édipo foi consumado
e agora ele se culpa por ter matado a pai.
A criança, ela já se sente culpada.
Cada coisa que acontece de revés dentro do lar,
de alguma forma, ela se sente culpada daquilo.
Por que de alguma forma ela desejou que tudo desse errado ali.
Que o domínio do pai desse errado.
Quando a gente fala limite, é quase que
automático a apalavra impor.
IMPOR LIMITES!
Mas, quando é necessário impor limites é por que
a coisa já “perdeu a mão”, “já desandou”.
O limite precisa ser reconhecido.
O limite de maneira saudável e natural,
ele precisa ser percebido, reconhecido e respeitado.
Dentro do âmbito emocional, não existe colocar limites,
o limite já existe, ele precisa ser reconhecido e respeitado.


Prof. Renato Dias Martino 
Psicoterapeuta e Escritor 

Fone: 17-30113866 ou 991910375 
prof.renatodiasmartino@gmail.com 
https://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com.br
Increva-se no canal: https://www.youtube.com/user/viscondeverde



#paraalémdaclínica #paraalemdaclinica #bomdia #saber #acolher #acolhimento #olivrododesapego #poesiapsicanalítica #renatodiasmartino#psicoterapia #psicanálise #amar #amor #gratidão #verdade #consciência #limites #acolhidaempsicoterapia #pensarseasimesmo#psicologia #sãojosédoriopreto #grupodeestudopsicanálisedoacolhimento #GEPA #grupodeestudopsicanalisedoacolhimento#poesiapsicanalitica #sentir #reconhecimento #primeirospassosrumoapsicanalise

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Renato Dias Martino lança livro sobre acolhida em psicoterapia

Psicoterapeuta Renato Dias Martino lança livro para especialistas e pessoas leigas; objetivo é incentivar que elas tenham experiências afetivas com acolhimento, numa configuração de afeto e sinceridade
Francine Moreno
Guilherme Baffi 20/9/2018
Após lançar, em 2017, o livro "Psicanálise do Acolhimento (Volume 1)" com 14 autores integrantes do Grupo de Estudo Psicanálise do Acolhimento (Gepa) e importantes temas da psicanálise, o psicoterapeuta, professor e escritor Renato Dias Martino vai fazer o lançamento da obra "Acolhida em Psicoterapia", editado pela Vitrine Literária. A tarde de autógrafos será realizada neste sábado, 22, a partir das 16h, no Day Off Café, em Rio Preto.


Autor também de "Para Além da Clínica" e "Primeiros Passos Rumo à Psicanálise", lançados respectivamente em 2011 e 2012, além de "O amor e a expansão do pensar: Das perspectivas dos vínculos no desenvolvimento da capacidade reflexiva", de 2013, e "O Livro do Desapego", publicado em 2015, Martino afirma que a nova obra traz contribuições à prática clínica da psicanálise, por meio da proposta de apoiar a aplicabilidade dos preceitos psicanalíticos com o pressuposto do acolhimento como elemento de efetivação da experiência psicoterapêutica.


Com 15 anos de carreira, dedicado à prática clínica da psicanálise, Martino, que tem 46 anos, decidiu escrever sua sexta obra por causa da sua experiência clínica e de pesquisa. "Depois de alguns anos dedicados ao atendimento clínico na psicanálise, senti que seria importante publicar um trabalho que pudesse trazer um pouco do aprendizado alcançado nas experiências vividas no processo psicoterapêutico".


Quando ele se propôs a escrever esse ensaio, Martino o fez tendo a consciência de que muitos outros pensadores, escritores, inclusive de maior experiência que ele, já publicaram trabalhos com o mesmo objetivo. Mesmo assim, ele entendeu que enquanto psicoterapeuta que se utiliza da psicanálise como base teórica, tem o compromisso de contribuir com a expansão dessa teoria. "Que ela possa realmente fornecer recursos para a ampliação das possibilidades na experiência da prática clínica".


Martino afirma que a obra reúne contribuições de alguns recursos no manejo da prática na psicoterapia da clínica psicanalítica. "Mas com um diferencial: a proposta de apoiar a aplicabilidade desses preceitos com o pressuposto do acolhimento como elemento fundamental".

O livro inicialmente foi escrito especificamente para psicoterapeutas. No entanto, o especialista afirma que cada conceito tratado na obra deve ser perfeitamente aplicável na vida cotidiana do público leigo, "já que tratamos de tentar conduzir as experiências afetivas com acolhimento, numa configuração de afeto e sinceridade. Esse exercício deve ser praticado por cada um de nós que busca a saúde dos vínculos".


O prefácio foi escrito pela psicoterapeuta rio-pretense Jessica Kemelly Marques. O livro é dividido em 11 capítulos. A lista é formada por: Quatro pilares teóricos práticos; E então o paciente procura psicoterapia; Dedicação: do psicoterapeuta e do paciente; Transferência e contra-transferência; Os modelos de vincos terapêuticos; Quanto aos casos mais graves; Da arrogância à concórdia; Contemplação na prática da psicanálise; Dedução e intuição, O movimento espiral no desenvolvimento mental; e Ambiente acolhedor.

A obra tem 200 páginas e a ilustração da capa é assinada por Martino. "Tentei ilustrar o movimento em espiral. Esse modelo está presente em inúmeras formações estruturais na dimensão material, sendo possível encontrá-lo desde a formação mais ampla que a apreensão humana possa chegar até a menor estrutura possível de ser percebida na natureza. Da mesma forma, essa configuração pode ser atribuída ao desenvolvimento mental, nas experiências da expansão psíquica, como um modelo que permite grandes possibilidades no alargamento reflexivo, revelando-se como um interessante instrumento na prática psicoterapêutica. Esse é também o tema de um dos capítulos do livro".

Além de escrever, Martino atende em clínica, dá supervisão a psicoterapeutas e coordena grupo de estudos sobre a prática da psicoterapia. Ele ainda comanda há cinco anos o Grupo de Estudo Psicanálise do Acolhimento (Gepa) e ministra cursos em Rio Preto. "Nenhum curso em específico no momento está agendado, mas mantenho o grupo de estudos que tem encontros em duas turmas, às terças e quartas-feiras, sempre às 19h; sendo que às terças o grupo é transmitido por Skype para participantes do Brasil todo e também do exterior, como Inglaterra e Espanha".



Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Alameda Franca n° 80,
Jardim Rosena,
São José Do Rio Preto – SP
Fone: 17-30113866 ou 991910375
prof.renatodiasmartino@gmail.com  

http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com.br/