Então, nós vamos falar aí da relação da tolerância e da configuração do corpo físico, da parte do sujeito que está configurada na materialidade das coisas, naquilo que é possível constatar com os órgãos dos sentidos, aquilo que eu posso ver, aquilo que eu posso cheirar, aquilo que eu posso ouvir, aquilo que eu posso tocar, aquilo que eu posso ouvir. a relação da tolerância com esta instância material da existência.
CAPACIDADE SIMBÓLICA
A simbolização, a capacidade simbólica do sujeito é o que determina a saúde mental desse sujeito. E aí entra um grande equívoco na linguagem popular. Normalmente se atribui ao ego uma característica extremamente narcisista, extremamente nociva. O sujeito que tem um ego proeminente é um sujeito nocivo, quando na realidade é o contrário. O ego é a instância fundamental para que o sujeito seja capaz de renunciar das coisas. Um sujeito que não tem um ego estruturado é um sujeito que não é capaz de renunciar, não é capaz de se dedicar ao outro. O sujeito só pode ser capaz de se dedicar ao outro se ele tiver um ego bem nutrido e bem estruturado.
ESTOU SENDO
No entanto, se o ego estiver desnutrido, eu não estou sendo. Eu estou sendo guiado pelo deveria ser, porque o meu ego está desnutrido. E aí já não é mais o ego que está me guiando, é o meu superego, que é o deveria ser. Para que eu possa estar sendo, eu preciso estar com o meu ego bem estruturado e bem nutrido. E o ego só pode estar bem nutrido através da capacidade de simbolização. E a capacidade de simbolização só pode ser desenvolvida através de vínculos saudáveis com o outro.
DESEMPENHO DO ESTAR SENDO
Quando eu estou desnutrido no meu ego, eu não consigo confiar naquilo que eu estou sendo. Logo, não desempenho aquilo que estou sendo, porque o que está me guiando é o que eu deveria ser. A minha atitude hoje não é passiva da minha confiança. Então tudo que eu faço, eu questiono, eu critico, eu olho para aquilo como algo que eu não deveria ter feito e eu deveria ter feito de outro jeito. Eu deveria fazer de outra forma, eu deveria ser outra coisa, porque aquilo que eu estou sendo não é aprovado por mim mesmo. Logo, eu não estou sendo. Eu deveria ser. Tudo que eu estou sendo é invalidado em nome de algo que eu deveria ter sido.
ESTAR SENDO E AMOR-PRÓPRIO
O estar sendo não pode estar subordinado aquilo que eu gosto. Não pode estar subordinado àquilo que me agrada, porque aquilo que eu estou sendo dificilmente me agrada. Ainda assim, o amor-próprio é confiar em si mesmo, respeitar a si mesmo, amar a si mesmo, independente de não estar sendo aquilo que eu gostaria de ser, porque eu estou sendo aquilo que eu dou conta de ser. E o estar sendo tem muito mais a ver com dar conta, com ser capaz de do que agradar a si mesmo.
COM-FUSÃO
Quando existe a dificuldade de simbolização, acontece a confusão com o outro. O sujeito se funde ao outro. O sujeito não é capaz de reconhecer o limite entre ele e o outro. ele passa a ser uma extensão do outro ou ele passa a obrigar que o outro seja uma extensão dele. E esse tipo de relação é justamente a relação que vai ter o desdobramento da melancolia quando houver a perda de uma das partes.
SIMBOLIZAÇÃO DO VÍNCULO
A simbolização é algo que acontece a partir da tolerância. O sujeito que desenvolve a tolerância, ele é mais capaz de simbolizar e quanto mais ele simbolizar, mais tolerante ele se torna. É muito interessante isso. A simbolização é a internalização de uma experiência, a internalização de um vínculo. Quando a gente fala de simbolização, nós estamos falando acima de tudo da simbolização da experiência, do vínculo e do objeto juntos. Quando o bebê simboliza a mãe, ele não simboliza só a mãe, ele simboliza as experiências que ele teve com essa mãe no vínculo. Ele simboliza a história dele com essa mãe, não é simplesmente a mãe.
O SEIO
Quando em psicanálise a gente fala de seio, a gente não está falando daquele órgão que está na mulher. Nós estamos falando de uma experiência enorme, complexa. Seio não é simplesmente um órgão do corpo físico, mas é uma experiência. A simbolização do seio não é simplesmente simbolizar uma parte do corpo da mãe, mas é simbolizar toda uma experiência que ocorreu desde o nascimento. Uma experiência de nutrição, uma experiência de acolhimento, uma experiência de relação com a mãe num vínculo saudável. Então, seio não é simplesmente uma parte do corpo da mãe, mas é uma experiência complexa que vai ser simbolizada pelo bebê.
SIMBOLIZAÇÃO E MODELO
Todas as outras simbolizações que a gente vai tendo no desdobramento da nossa vida, inclusive na vida adulta, são evoluções, expansões da simbolização que a gente teve em relação à nossa mãe, ao vínculo com a mãe. são características que vão se desdobrando em outras relações que vão seguir este mesmo modelo de simbolização. Esta simbolização não vai acontecer naquilo que contemporaneamente aprendemos a chamar de tempo de qualidade. Não. A simbolização vai acontecer quando tudo estiver propício para isso. Este momento propício não vai escolher o tempo de qualidade para acontecer. Então, a mãe precisa estar com esta criança tempo integral para que ela possa viver e aproveitar dos momentos para a simbolização.
SIMBOLIZAÇÃO E O MOVIMENTO ESPIRALADO
Quando a gente fala da espiral, nós estamos falando que a vida é configurada por ciclos que a cada volta vão se alargando e se estendendo num eixo. Cada volta para que seja bem-sucedida, ela carece impreterivelmente de uma simbolização. Cada volta da espiral equivale a uma simbolização.
SÍMBOLO E ELEMENTO ALFA
Qual é a diferença do símbolo e do elemento alfa? Que que é o elemento alfa? É a transformação de um elemento bruto que brota do bebê e é projetado na mãe. A mãe, através da função alfa, transforma este elemento bruto, que seria o elemento beta, em elemento alfa, e devolve para o bebê. A partir dessa possibilidade de receber esse elemento alfa, abre-se a possibilidade da simbolização. Então, o elemento alfa precede a simbolização. Sem a função alfa não abre-se a possibilidade da simbolização. A simbolização é um complexo de elementos alfa. São vários elementos alfa que vão se juntando. Aliás, o elemento alfa tem esta característica que o elemento beta não tem, de se agregar um ao outro, de se ligar a um ao outro. E a partir daí vai se criando a possibilidade da simbolização. A simbolização é mais complexa do que a função alfa.
ELABORAÇÃO E SIMBOLIZAÇÃO
A elaboração é um elemento da reparação. Quando eu elaboro, eu estou reparando. Elaborar não é reparar, mas elaborar é um elemento da reparação. Quando eu estou elaborando alguma coisa, eu estou trabalhando esta coisa para que esta coisa possa ser reparada. Elaborar um vínculo é prepará-lo para que ele possa ser reparado no dano que possa ter acontecido, na falha que possa ter acontecido. E esta falha aconteceu justamente na simbolização. Então, a elaboração prepara para a reparação da simbolização. Então, muitas vezes o paciente chega com um problema que vai ser elaborado para reparar uma simbolização que não foi feita adequadamente.
SIMBOLIZAÇÃO E LUTO
A simbolização está diretamente ligada ao processo do luto. Cada elemento do mundo que você perde, cada objeto amado que você perde no mundo, você precisa ter simbolizado isso para viver o luto. Então, a vida toda é baseada numa constante simbolização, porque a vida é perder. Amadurecer é aprender a perder. E se amadurecer é aprender a perder, a simbolização é o que fundamenta a maturidade. Logo, a possibilidade de viver os processos do luto.
SIMBOLIZAÇÃO E TOLERÂNCIA
Nós temos uma parte do eu que é material e pode ser confirmada com os órgãos dos sentidos e uma parte do eu que não pode ser confirmada pelos órgãos dos sentidos. Se eu não for capaz de simbolizar esta parte que não pode ser confirmada com os órgãos dos sentidos, simplesmente não existe, porque a simbolização depende da capacidade de se relacionar com aquilo que não pode ser confirmado pelos órgãos dos sentidos, que é justamente a questão do sujeito que tem a predominância psicótica da mente. Ele não acredita que ele exista. Ele é uma alucinação. E se ele for uma alucinação, todo o resto do mundo também o é.
PARA ALÉM DO CORPO FÍSICO
duas formas de se reconhecer a existência do sujeito. O sujeito que é um corpo e que tem algo para além desse corpo. E o sujeito que é este algo que está para além do corpo e este algo está no corpo. Não vou definir agora o que que é este porque é algo muito maior, é alguma coisa que transcende a possibilidade do conhecimento, já que não está dentro da perspectiva sensorial. Não estando dentro da perspectiva sensorial, não pode ser conhecido. Então, todas as vezes que você ouve um sujeito dizer assim: "O psicanalista é um conhecedor da alma humana". Não, este é um grande equívoco, porque a alma não pode ser conhecida
DO QUE FOI SIMBOLIZADO
O símbolo não é algo adquirido. O sujeito não simboliza e passa a ter esta simbolização como algo que foi adquirido e é dele. Não. Este símbolo precisa ser constantemente nutrido. nutrido de reencontros, muitas vezes reencontros internos. Muitas vezes o sujeito se reencontra internamente com aquilo que foi simbolizado, mas na realidade o sujeito simboliza o vínculo com o objeto. E aqui falamos objeto tendo como objeto o outro. Ele simboliza o vínculo que ele tem com o outro, não é o outro. Isso é um salto.
O APARATO FISIOLÓGICO
Nós não podemos excluir as falhas que possam acontecer no corpo físico, no aparato fisiológico do sujeito, mas na realidade a maior parte do que a gente chama de déficit de atenção tem a ver com uma impossibilidade de simbolização da mãe, da capacidade de estabelecer um vínculo e simbolizar este vínculo com a mãe. este vínculo que vai servir de modelo para todas as outras simbolizações que vão acontecer e que vão trazer para esse sujeito uma integração necessária para que ele possa ter um bom funcionamento num primeiro momento emocional e que se desdobrará no funcionamento cognitivo, logo na possibilidade de atenção das tarefas que ele possa vir a fazer
DIFICULDADE DE SIMBOLIZAÇÃO
Todas as vezes que eu perceber uma compunção na confirmação sensorial do mundo material, que aí acaba sendo até um pleonasmo, o mundo material só pode ser confirmado com os órgãos dos sentidos, eu estou frente a uma possível dificuldade de simbolização. Quando há simbolização, quando há a capacidade simbólica, a confirmação compulsiva do mundo material diminui. O corpo físico quando precisa ser confirmado o tempo todo, quando eu preciso estar ali o tempo inteiro, ã, novamente olhando e revisitando e confirmando, eu estou ali possivelmente frente a uma dificuldade de simbolizar o vínculo do eu para com o meu eu físico material.
ATRAÇÃO
O sujeito quando se reduz ao corpo físico, ele acaba atraindo pessoas materialistas. Ele acredita que o corpo físico é algo que tem uma importância muito grande e ele vai se aproximar e atrair pessoas que valorizam o corpo físico em detrimento de reconhecer que nós somos muito mais do que simplesmente um corpo físico. E é interessante que esse mesmo sujeito que valoriza o corpo físico exacerbadamente, que atrairá pessoas que também o fazem, depois vão se queixar de serem usadas como um objeto, assim como se faz com um corpo físico.
LEI DA ATRAÇÃO
Como é que seria essa coisa da lei da atração dentro da psicanálise, dentro da visão da psicanálise? Nós tendemos a reconhecer no mundo somente aquilo que foi internalizado. Então, nós procuramos no mundo confirmações daquilo que nós já temos. E aí a gente vai chamar isso de saturação. O nosso aparelho sensorial está saturado e tende a buscar repetições daquilo que já está internalizado. E aí o que acontece é que aquilo que a gente chama de realidade, na verdade são representações do que a gente pôde ter desta realidade. Logo, vamos atrair ou vamos nos aproximar daquilo que está no mundo interno. Não vamos conseguir nos atrair ou nos aproximar de algo que ainda não temos internalizado.
ALGORITMO
Nós temos hoje uma coisa chamado algoritmo nas redes sociais que exemplifica muito essa coisa da lei da atração. Quanto mais você se interessa por alguma coisa, mais aquela coisa vai aparecer na sua linha do tempo das redes sociais. E isso é um modelo de lei da atração. Foi você que buscou aquilo a princípio e aquilo começa a vir com abundância. E aí o sujeito começa a olhar aquilo com tanta frequência que ele começa a se irritar. E aí ele diz assim: "Eu vou abandonar as redes sociais". Mas meu amigo, foi você que buscou isso?
REPETIR
O sujeito se queixa de ver novamente a mesma coisa, ver aquilo de novo e eu vi aquilo de novo. Não aguento mais ver aquilo de novo. Mas na verdade o que você não aguenta é ver o novo. Você não dá conta de se abrir para ver que existe muito mais coisas do que aquilo que você está vendo. ou melhor, existem outros vértices daquilo que você está vendo para que você possa reconhecer. Mas o sujeito está fechado. Ele continua olhando para as coisas de um único vértice. Ele não consegue expandir o mínimo possível da consciência em relação às coisas. E aí parece sempre repetitivo mesmo.
PENSAMENTOS
O B propõe que nós somos pensamentos em busca de pensador. Então, nós não somos pensadores. O que está falando aqui são pensamentos que o pensador está pensando. Então, nós não somos o aparelho de televisão. Nós somos um sinal que o aparelho de televisão está transmitindo. Porque senão a gente começa a acreditar que a televisão é que está produzindo os programas. Não, não é a televisão que está produzindo os programas. Se você desligar a televisão, os programas vão continuar acontecendo. Assim, da mesma forma, somos nós.
SIMBOLIZAÇÃO E RENÚNCIA
A simbolização requer desapego, requer renúncia. Ser capaz de simbolizar é um sinal de que você foi capaz de renunciar, de se desapegar. Símbolo é juntar. E você só vai conseguir juntar se for capaz de renunciar. Renunciar do quê? do real material, do real concreto, da materialidade das coisas, da coisificação do mundo. Agora, a diabolização, que é o contrário da simbolização, é a separação, é a divisão. E a divisão pressupõe apego à materialidade, pressupõe a satisfação imediata, pressupõe o afastamento dos desconfortos e das frustrações.
LEMBRANÇA E RECORDAÇÃO
Lembrança é uma coisa, recordação é outra. O sujeito que é apegado às lembranças é porque ele não conseguiu simbolizar. Mas o sujeito que simbolizou, ele vai frequentemente ser inundado de recordações. A recordação é uma lembrança afetiva, saudável. É recordar. Re novo cor que é coração e dar que é doar. doar novamente ao coração. A recordação vem como um resgate, uma forma de revisitar o passado de maneira afetiva e saudável. E nisso eu posso ali reparar alguma falha no vínculo que eu estou recordando. Eu posso resgatar um modelo para que eu possa me utilizar no tempo presente, que é diferente da lembrança. A lembrança é sempre alguma coisa que eu preciso ir lá e puxar, ir lá e buscar. A recordação não se busca, ela vem.
LEMBRANÇAS E O PRESENTE
O sujeito que fica resgatando lembranças, fica buscando lembranças, é porque ele não está dando conta de viver o presente. O passado vem como uma tentativa de apaziguar a ansiedade e as angústias que estão ocorrendo em relação ao que ele está vivendo no presente. Quando o presente começa a ser um ambiente de tempo e espaço saudável, as lembranças vão sendo abandonadas, porque o presente está suprindo tudo aquilo que meu aparato emocional carece.
RESGATE DA MEMÓRIA
A lembrança é quando o sujeito, por exemplo, está num relacionamento tóxico, preso num relacionamento tóxico, que não acredita que é capaz de se libertar daquilo e ela fica buscando lembranças do relacionamento anterior que ela teve ou sonhando com o próximo relacionamento que ela possa ter. lembrança e expectativa, memória e desejo, porque o presente não está sendo saudável. Mas a recordação é diferente. A recordação é quando num tempo presente você se pega recordando de um momento, de uma experiência agradável que você teve com uma pessoa amada que já não está mais no tempo presente. Essa experiência com essa pessoa pode te sugerir modelos afetivos para que você possa usar hoje.
OBESIDADE
A questão da obesidade é complexa porque inúmeros fatores podem desencadear um processo de ganho de peso exacerbado. Não podemos atribuir somente a uma disfunção ou alguma falha no funcionamento emocional à obesidade. É claro que algumas falhas no processo de simbolização ou em qualquer outro processo que possa acontecer dentro do âmbito emocional pode vir a desdobrar-se num processo de obesidade. Mas nem todo o processo de obesidade tem a ver com o funcionamento emocional. É muito importante que a gente possa ter essa clareza.
COMPULSÃO ALIMENTAR
numa possibilidade de ganho de peso, fora do natural, fora do saudável, que esteja ligada ao processo emocional, a gente poderia levantar algumas hipóteses. A dificuldade de simbolização do seio pode vir a desencadear um processo de obesidade na medida em que a criança não consiga se alimentar de maneira adequada e acabe atribuindo ao seio algo que não é o seio real. É como se ela estivesse o tempo todo buscando um seio que nunca consegue encontrar. Muito provavelmente cada angústia, cada ansiedade vai ser associada à alimentação. E nesse caso pode vir a se desenvolver um quadro de obesidade. aquilo que normalmente seria uma nutrição afetiva, não consegue sair da nutrição material ou concreta do leite, do alimento do corpo para o alimento da alma, por assim dizer, e fica preso à materialidade das coisas. Então fica uma busca perene de algo que está no corpo, mas na realidade o que está empobrecido ou o que está desnutrido é o aparelho psíquico. É uma desnutrição afetiva.
PRAZER ALIMENTAR
Eu me lembro aqui de uma paciente, há muito tempo atrás, que tinha uma expressão que era jocosa, mas na realidade acontecia de verdade. Ela dizia assim: "Aí eu fiquei nervosa e eu comi só de nervoso". Então cada vez que ela se irritava, cada vez que ela perdia a paciência, ela recorria à satisfação gastronômica, por assim dizer, né? comia exacerbadamente como uma tentativa de apaziguar a sua tensão nervosa. Então, muito provavelmente o que acontecia aí é uma dificuldade de simbolizar o seio da mãe que viria para apaziguar não só com o leite, mas com o afeto da mãe também. E quando essa relação é bem-sucedida, nutre as partes e a simbolização pode acontecer.
RECOMPENSA
Se você comer, você vai ganhar uma recompensa. Essa é uma inadequação na criação dos filhos que pode trazer desdobramentos terríveis, extremamente nocivos, não só com alimentação, mas com qualquer coisa que seja da necessidade de ser feito. Qualquer experiência, qualquer tarefa que seja da necessidade de ser realizada, não deve se oferecer recompensa. Aquela tarefa deve se completar nela mesma. O se alimentar se completa em si mesmo. Oferecer uma recompensa para criança tomar banho é um grande absurdo, porque o banho deve se completar em si mesmo ou estudar ou qualquer outra coisa.
MECANISMO DE DEFESA
Quando o sujeito passa a apresentar algum comportamento inadequado, que que eu estou chamando de inadequado, que foge a naturalidade, que foge a esfera do saudável. Este comportamento é uma manifestação de uma defesa. Ele está se defendendo de algum sentimento que ele não está conseguindo tolerar. Então ele cria uma forma comportamental de agir inadequadamente para se defender esta ordem de sentimentos. Sempre que a gente for olhar para algum comportamento do paciente, a gente precisa respeitar aquilo, porque por trás daquilo tem alguma coisa que precisa ser cuidada. Quando a gente tenta cuidar do comportamento, a gente acaba fechando os olhos para o funcionamento que está inadequado e gerando comportamento.
