segunda-feira, 20 de abril de 2026

TERCEIRIZANDO FILHOS - Prof. Renato Dias Martino

Antes de iniciarmos efetivamente a proposta reflexiva contida neste texto, penso ser importante esclarecer que não se trata de uma incitação ao sentimento de culpa ou algo parecido, mas de uma oportunidade de alerta para o reconhecimento e a responsabilização do que esteja ao alcance da atenção daquele que lê.
A proposta é pensarmos sobre algo que atualmente tem sido normalizado como se não houvesse consequências, enquanto, na minha avaliação, grande parte dos males que assolam a sociedade contemporânea decorre justamente disso.

Grande parte dos humanos tem filhos que são, na prática, criados por terceiros. Geram-nos e os entregam aos cuidados de alguém afetivamente estranho. Talvez seja o único animal na natureza que o faça. Ainda assim, para que haja um desenvolvimento saudável — ao menos no âmbito emocional —, a criança necessita de cuidados maternos atentos, resguardados pela função paterna, no mínimo até os 3 anos de idade. Após esse período, aumentam significativamente suas chances de enfrentar os desafios inerentes à vida social, que se fundamenta em dissimulação e falsidade.

Essa demanda de cuidado não é apenas de ordem física ou fisiológica, mas, antes de tudo, de ordem afetiva. Não se trata de algo que uma profissional possa oferecer, por mais qualificada que seja, mas da presença afetiva da genitora, bem resguardada pelo companheiro que esteja desempenhando bem a função paterna, capaz de acompanhar cada passo do desenvolvimento da criança. Um outro afetivamente estranho não pode ser capaz de vir a ocupar esse lugar.
No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é que a criança passa mais tempo acordada com educadores, cuidadores remunerados ou instituições do que com os próprios pais: creches que recebem bebês desde os primeiros meses de vida, escolas em tempo integral, babás rotativas e, mais recentemente, telas ocupando o lugar de “cuidadoras”.

Há, nesse contexto, implicações psíquicas importantes. Em Sobre o narcisismo: uma introdução (1914), Freud descreve o chamado “narcisismo primário”, momento em que a criança necessita se sentir como a coisa mais importante no mundo para a mãe. É dessa experiência — quando bem-sucedida — que se desdobram a autoconfiança, o sentimento de valor próprio e elementos estruturantes da personalidade. Quando os pais projetam na criança seu próprio narcisismo — por meio de enunciados como “você é o mais lindo”, “o mais perfeito”, “o centro do meu mundo” —, não estão simplesmente exagerando: estão, na verdade, oferecendo as bases da autoestima. A criança aprende a amar-se a si mesma, pois foi amada, e, com isso, se qualificará para amar o próximo. Está aí a semente da capacidade futura de investir libido em objetos externos (pessoas, projetos, ideais) sem prejuízo do investimento em si mesma. Se constitui uma auto-importância saudável: não megalomaníaca, mas suficientemente sólida para sustentar o sujeito diante das inevitáveis frustrações da vida.

Freud também aborda as fases do desenvolvimento libidinal em Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905). As experiências próprias dessas etapas só podem ser devidamente elaboradas sob os cuidados de quem ama a criança. E aqui revela-se um ponto crucial: não existe “tempo de qualidade”. O desenvolvimento emocional não se organiza segundo recortes artificiais no tempo, mas demanda continuidade. As intercorrências psíquicas não respeitam agendas preestabelecidas. O sofrimento, a angústia de separação, a excitação, a frustração, a necessidade de ser visto — tudo isso emerge de forma imprevisível. O tempo do amadurecimento emocional não coincide com tempo do relógio produtivo.

Mais tarde, Winnicott introduz o conceito de “dependência absoluta”, especialmente em O brincar e a realidade (1971) e em Os processos de maturação e o ambiente facilitador (1965). Nos primeiros meses de vida, o bebê é totalmente dependente da mãe-ambiente para sua sobrevivência física e integração psíquica. Sendo assim, deixá-lo aos cuidados de terceiros afetivamente estranhos passa a ser uma experiência perigosa e de danos emocionais imensuráveis. Trata-se de uma experiência potencialmente disruptiva, cujos efeitos podem se prolongar por toda a vida, manifestando-se como fixações e imaturidades no funcionamento emocional do adulto, desdobrando-se em severas incapacidades afetivas.

Cabe aqui um reconhecimento: há um conflito real entre as necessidades psíquicas do desenvolvimento e as exigências da estrutura econômica contemporânea, que impõe o retorno precoce dos pais ao trabalho. Por outro lado, é muito comum mães que terceirizam os cuidados de seus filhos pequenos por não terem paciência, não tolerarem o desconforto que se inclui no cuidado com crianças ou por qualquer outro motivo que não seja a necessidade de trabalhar fora. Ainda assim, na natureza, quando não há condições mínimas para a preservação e o desenvolvimento da prole, a reprodução tende a não ocorrer. É como se, na natureza, os animais dissessem: “Se não posso oferecer o necessário para que essa vida prospere com integridade, melhor não trazê-la”. 

Tratamos aqui de uma perspectiva estrutural. Parece-me que o funcionamento social e econômico atual se orienta na direção oposta às necessidades do desenvolvimento psíquico saudável. Isso gera um círculo vicioso, no qual vão sendo gerados exemplares de péssima qualidade, que configurarão uma sociedade cada dia mais doente. Vivemos em uma cultura de gratificação imediata e uma criança é, por natureza, imprevisível e trabalhosa. Para muitos, o filho passou a ser um "projeto de autorrealização" que, quando começa a dar trabalho, é prontamente terceirizado aos cuidados de outro, para que a vida pessoal do adulto não sofra interrupções. Com isso o alicerce da personalidade é estruturado com falhas severas e o desdobramento é uma sociedade composta por adultos tecnicamente funcionais, contudo emocionalmente desintegrados. Sujeitos habilidosos tecnicamente, inteligentes, capazes de operar máquinas, softwares, planilhas, redes sociais, mercados, conquistar títulos de mestrado e doutorado, mas emocionalmente desintegrados.

Atualmente, os jovens são instruídos a buscar o ensino superior sob uma idealização de títulos acadêmicos, contudo não são preparados para serem mães e pais. No entanto, a probabilidade de seguirem a carreira e exercerem as profissões de seus cursos é significativamente menor do que a de gerarem filhos. Antigamente, as meninas cresciam observando mães cuidando de crianças. Hoje, muitas chegam à maternidade sem nunca terem segurado um bebê. O desconforto da rotina infantil torna-se insuportável porque não houve preparo emocional ou cultural para o sacrifício que a criação exige. 

Portanto, parece que estamos constituindo uma legião de indivíduos que operam no modo de falso eu. Um exército tentando preencher fixações infantis, desejando futilidades, consumindo banalidades, funcionando emocionalmente de maneira patológica, o que os leva a se comportar não por atitude própria, mas de forma reativa, já que a base narcísica nunca foi devidamente elaborada. Os pais confiam seus filhos aos cuidados de um outro, afetivamente estranho fazendo com que os próprios filhos se tornem estranhos, sem a menor afinidade com eles. Cria-se, assim, um abismo de conflitos onde deveria haver o aconchego do lar. A implicação disso é a imaturidade generalizada, com adultos instáveis nas relações afetivas. Humanos incapazes de amar.


Referências:

FREUD, S. Sobre o narcisismo: uma introdução. 1914.

FREUD, S. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. 1905.

WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. 1971.

WINNICOTT, D. W. Os processos de maturação e o ambiente facilitador. 1965.





quarta-feira, 8 de abril de 2026

ÉDIPO ARROGANTE - Prof. Renato Dias Martino

A triangulação é uma configuração que propõe a intersecção de dois pontos, e a proposta de Sigmund Freud (1856–1939) quanto ao complexo de Édipo não é diferente. Freud propôs as bases do Complexo de Édipo pela primeira vez em 1897, em uma carta enviada ao seu amigo Wilhelm Fliess (1858–1928). Freud se utiliza da obra Rei Édipo, do grego Sófocles (c. 496 a.C.–406 a.C.). Contudo, horrorizou a classe científica da época quando, em 1899, em sua A Interpretação dos Sonhos, apresentou a ideia publicamente como um fenômeno que ocorre na vida emocional e afetiva de cada um de nós.
Freud traz à baila a experiência da criança de desejar a mãe só para si e, para isso, eliminar o pai. Foi só em 1910, em Um Tipo Especial de Escolha de Objeto Feita pelos Homens, que Freud veio a utilizar formalmente a expressão “complexo de Édipo” pela primeira vez. O superego, que é a instância moral e legisladora no modelo estrutural da personalidade, é o herdeiro do complexo de Édipo, como propõe Freud.

Mais tarde, Melanie Klein (1882–1960), muito provavelmente por ter vivido a experiência de ser mãe, propõe precocidade para o complexo de Édipo, coincidindo com a fase oral e a posição esquizoparanóide. Klein propõe, pela primeira vez, no artigo Estágios Iniciais do Conflito Edipiano, de 1928, que, diferente da proposta freudiana (que coincide com a fase fálica, apenas após os 3 anos de idade), o complexo surge bem mais cedo. A proposta de Klein se fundamenta na fantasia sádica do bebê na relação com o seio. Portanto, segundo Klein, o superego infantil é concebido muito mais cedo e, primeiramente, de forma persecutória. Nessa proposta, a superação do complexo de Édipo precoce está subordinada à elaboração da posição depressiva. Com isso, o bebê começa um processo de integração, desenvolvendo a capacidade de amar e reparar. Só então o superego perseguidor se transforma em superego legislador.

Em 1958, Wilfred Ruprecht Bion (1897–1979) publica o artigo “Sobre a Arrogância”, que posteriormente seria incluído no livro Second Thoughts (no Brasil publicado com o título Estudos Psicanalíticos Revisados), de 1967. Nessa obra, Bion traz uma mudança de vértice quanto à história de Édipo. Diferente da proposta que destaca os crimes do incesto e do parricídio, Bion enfatiza a atitude arrogante de Édipo num ataque ao vínculo de conhecimento. Para Bion, o verdadeiro crime de Édipo é sua insistência em buscar a verdade a qualquer custo. 

No clássico de Sófocles, Tirésias, o adivinho cego, acusa diretamente o rei Édipo de ser o assassino de Laio depois de ser pressionado por ele para lhe dizer a verdade. Tirésias revela que é o próprio Édipo o culpado pela degradação de Tebas, que padecia pela peste que afligia a cidade. Uma grande ironia: aquele que tem visão física saudável está cego para a verdade, enquanto o vidente, que é cego fisicamente, é capaz de enxergar a realidade. Tirésias, irritado com a insistência e as ofensas, por fim desvela a verdade para o rei Édipo. Édipo acusa Tirésias: “Fica sabendo que, em minha opinião, articulaste o crime e até o consumaste! Apenas tua mão não o matou. E se enxergasses, eu diria que foste o criminoso sem qualquer ajuda!” E então o vidente responde com o desvelamento da verdade: “É assim que pensas? Então eu te digo: tu és o homem que procuras, o assassino de Laio. Tu és o poluidor desta terra.” Édipo reage com fúria, mas, numa mudança catastrófica da obra, começa a duvidar de si próprio, mesmo continuando a negar impetuosamente.

Nesse ponto da reflexão me parece importante destacar que a verdade não carece de ser buscada. Ela está bem clara à nossa frente. O que impede de reconhecê-la é a limitação de nossa capacidade. É necessário desobstruir-nos do Véu de Maya das ilusões que nos impedem de reconhecer, aprender a respeitar e nos responsabilizarmos pela verdade reconhecida. “Entulhado de memórias, saturado de expectativas e preso a um pressuposto de verdade que espera encontrar, o sujeito permanece obstruído para reconhecer a verdade, muitas vezes óbvia, que está bem à sua frente.” (Martino, 2025) No entanto, para isso é necessário renunciar aos benefícios proporcionados pela ilusão.

Bion ainda propõe que o orgulho não é um sentimento nocivo, mas depende de qual pulsão predomina na experiência. Quando pode ser irrigado pela pulsão de vida, converte-se em autoestima, num ato de reconhecimento e respeito por si mesmo. Ora, essa experiência se desdobrará nas relações afetivas, expandindo-se em compaixão. No entanto, quando a pulsão de morte prevalece, o orgulho se transforma em arrogância. Desintegrado, o sujeito torna-se vulnerável e busca apoiar-se na prepotência para tentar aplacar sua insegurança. A arrogância é, para Bion, uma manifestação da parte psicótica da personalidade que se nega a aprender com a experiência, gerando a ilusão da onisciência defensiva com o intuito de evitar a dor do crescimento mental.

Referências:

BION, Wilfred R. [1958]. Sobre a arrogância. In: BION, Wilfred R. Estudos psicanalíticos revisados (Second thoughts). Rio de Janeiro: Imago, 1994. p. 80-89.

BION, Wilfred R. [1967]. Estudos psicanalíticos revisados (Second thoughts). 3. ed. rev. Rio de Janeiro: Imago, 1994.

FREUD, Sigmund. [1897]. A correspondência completa de Sigmund Freud para Wilhelm Fliess: 1887-1904. Edição de Jeffrey Moussaieff Masson. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Imago, 1986.

FREUD, Sigmund. [1899] 1900. A interpretação dos sonhos. In: FREUD, Sigmund. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Tradução de Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. 4 e 5.

FREUD, Sigmund. [1910]. Um tipo especial de escolha de objeto feita pelos homens (Contribuições à psicologia do amor I). In: FREUD, Sigmund. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. 11.

KLEIN, Melanie. [1928]. Estágios iniciais do conflito edipiano. In: KLEIN, Melanie. Amor, culpa e reparação e outros trabalhos (1921-1945). Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. 1. (Obras completas de Melanie Klein).

Martino, Renato Dias. Esboço de expansão: escolhas, vontade e desejo / - Rio de Janeiro: Paula

Editorações, 2025.

SÓFOCLES. Rei Édipo. Tradução de João Baptista de Mello e Souza. Rio de Janeiro: Edições de Ouro.






Prof. Renato Dias Martino


sábado, 28 de março de 2026

O MODELO DA ESPIRAL NO FUNCIONAMENTO MENTAL - Prof. Renato Dias Martino


 A princípio, serve como mais um modelo na prática clínica. É mais do que uma tentativa de teoria ou qualquer coisa nesse sentido, mas está dentro da perspectiva de um modelo na prática clínica, um modelo que auxilia a reflexão dentro da prática clínica. De início, onde é que me pareceu interessante ou começou a me fazer sentido esse modelo? Na minha vivência particular, na vivência no meu funcionamento emocional. Dentro do meu funcionamento emocional, começou a fazer sentido esse tipo de modelo. E aí, a partir de algumas leituras, de alguns estudos, eu comecei a perceber que outros pensadores também estavam usando este modelo. Então, o que a gente estuda bastante é Bion. E o Bion trata bem a muito sutilmente dessa alegoria, desse modelo. E aí, começou a me surgir a vontade de escrever, de estudar, de dissertar um pouco sobre isso. E aí, escrevi um capítulo, do ACOLHIDA. Eu não trouxe aqui impresso porque está no livro. Acho que todo mundo aqui tem o livro. Se não tiver, tem vários exemplares aí, podem pegar se quiser. Está na página 173, o texto que trata desse assunto. Mas a proposta aqui é ir para além desse texto. Então o Bion traz ali a ideia lá do movimento helicoidal. Ele chamou o movimento helicoidal. E ele chamou atenção para esse movimento, para essa, para esse modelo aplicado à proposta da grade, onde ali existem alguns pressupostos, onde as experiências iriam sendo encaixadas ali nos níveis dessa grade. E ele vai dizer que esta grade evoluiria num movimento helicoidal. O que é um movimento helicoidal? De rotação, assim como no helicóptero. A partir desta ideia, foi me surgindo outras manifestações desta configuração. E não ficou só dentro dessa perspectiva helicoidal, mas ela ficou, ela começou a expandir num movimento progressivo, num movimento espiral progressivo. Que que é um movimento espiral progressivo? É um movimento onde existem voltas, ciclos que são dados e que cada ciclo desse vai expandindo um tanto, vai expandindo um grau. Eu vou para além dessa ideia helicoidal e vamos começar a chamar de movimento espiralado. Então, este movimento espiralado, ele está presente dentro da materialidade das coisas, desde uma da configuração maior, né, da configuração macro, da dimensão mais gigantesca possível que o ser humano possa reconhecer até as partículas mais ínfimas. A gente tem, por exemplo, o movimento espiralado nas galáxias. Então, a galáxia, né, o a formação de uma galáxia, a formação de uma configuração espacial, ela se dá em movimentos espiralados. Fotos aí dos satélites da NASA, Hubble, mostram isso com clareza. Se você procurar, por exemplo, uma imagem de uma galáxia no Google, você vai encontrar um movimento espiralado. E na partícula mínima, no micro, por exemplo, o DNA é configurado com uma espiral dupla. Mas não só dentro dessas configurações, caracóis, a gente tem um movimento, por exemplo, de uma ave de rapina. Quando ela está tentando caçar, ela está fazendo um movimento espiralado. O ciclone é um movimento espiralado. Quando você tira o ralinho da pia, vai formar uma espiral. E a gente pode ir para além, porque existe um pensador chamado Fibonacci, italiano, que ele propõe a curva de Fibonacci, que é um uma configuração geométrica que é aplicável a toda figura ou toda construção coerente, ou uma forma que traz um uma beleza harmônica, uma harmonia, ou dentro da geometria ou dentro da um prédio ou de um quadro. Você vai conseguir aplicar a curva de Fibonacci ali. Então, o que que é a curva de Fibonacci? Rapidamente, a curva de Fibonacci é dois primeiros números somados vão gerar um terceiro número e aí os dois próximos números somados vão gerar mais um número e aí vai se construindo quadros num formato espiralado. Então você tem o um e o dois. Você soma o mais o do vai dar o três. E agora você tem então o dois e o três. Somando o dois e o três, você vai ter o cinco. E aí você vai nessa mesma proporção, você vai ter aquilo que a gente vai chamar de proporção áurea, que é uma simetria que traz uma harmonia na estrutura. Mas nós estamos falando de psicanálise, nós não estamos falando de estrutura da natureza, nós não estamos falando de geometria, nós estamos falando do desenvolvimento emocional que vai se desdobrar na capacitação afetiva. Então, me parece que este modelo também está presente no desenvolvimento emocional. Mas de que forma ele está presente? Ele está presente numa dimensão onde até então havia uma impressão de que a vida ela se dava através de uma repetição. A vida ia acontecendo e aquilo ia se repetindo, ia se repetindo, se repetindo. Tanto me parece que esta repetição ela acontece, mas cada vez que se repete tem a chance de evoluir, tem a chance de crescer. Então, na minha experiência emocional, na minha análise pessoal, eu fui percebendo isso e também fui percebendo isso na análise dos meus pacientes e aí fui tentando ajeitar esse modelo para aplicar nessa experiência. E aí começou a me fazer muito sentido resgatar a proposta Kleiniana do que a gente aprendeu a chamar de teoria das posições. Então a gente vai precisar ter a teoria das posições para que a gente possa entender o movimento espiralado. Então vou aqui me prestar fazer um resuminho do que o que a gente aprendeu a chamar de teoria das posições da Melanie Klein. Vamos imaginar uma espiral, um modelo espiral progressivo, mas não como um modelo afunilado, não sendo uma progressão horizontal, mas uma progressão vertical. Imagine então esta espiral que vai crescendo deitada. O eixo é horizontal, mas as voltas são verticais. como na capa do livro ali um como na capa do livro aí se vocês tiverem o livro aí no texto que eu mandei aí digitalizado, eu fiz um modelinho bem explicativo do que eu estou tentando dizer. Existe um eixo e existem voltas que vão contornando este eixo. Então, imagine que esse lápis é um eixo. Então o lápis está na forma horizontal e as voltas vão acontecendo nessa proporção vertical. Esse eixo horizontal vai ter voltas verticais. Estas voltas verticais vão ter uma peculiaridade. A cada volta vai passar por um ponto mais alto e um ponto mais baixo. Este ponto mais alto vai ser caracterizado por fatores descritos por Melanie Klein como características do que ela chamou de esquizoparanóide. Então, quando a experiência, quando a experiência do sujeito está passando pela volta no ponto superior, ele vai experimentar características do que a Melanie Klein chamou de posição esquizoparanóide. Então, eu vou falar um pouquinho para vocês agora o que é que a Melanie Klein chamou de posição esquizoparanóide. A princípio, Melanie Klein disse assim: "Olha, o bebê vai viver, vai interpolar entre duas posições.” Ora, ele vai experimentar uma posição chamada esquizoparanóide, ora ele vai experimentar uma posição depressiva. Então, vamos reservar a posição depressiva, que é o ponto inferior. Vamos falar então da posição esquizoparanóide, que é a posição que é o ponto superior. Só o bebê vive isso. Não, todos nós vamos viver para o resto da vida. Ora, vamos estar experimentando características esquizoparanóide, ora vamos estar experimentando características depressivas. ESQUIZO quer dizer cindido, cortado, separado e PARANOIDE quer dizer persecutório, perseguidor. Então a posição esquizoparanóide é uma posição onde existe uma cisão do mundo e esta cisão provoca uma sensação de perseguição. Quando estamos no ponto superior da espiral, estamos experimentando características esquizoparanóides. Esta posição superior, ela vai trazer uma sensação de mania, uma sensação de extroversão para fora. A gente vai viver as coisas no mundo externo. A gente vai atribuir as responsabilidades das coisas que a gente vive às coisas do mundo externo. é tudo culpa do outro. Então, características esquizoparanóide estão ligadas à projeção, está no outro. Então, o bebê, tudo que acontece com o bebê, ele atribui a mãe. Mas não é só a mãe, é a mãe dividida em duas, por isso que é esquizo. Então, ele tem uma mãe boa, que é aquela mãe que vem, dá o leite, dá o carinho, afaga. E a mãe ruim, que é aquela que não está, que priva, que não tá ali quando ele quer. Sei o bom e sei o mau. Para o bebê não existe uma mãe só. Existem mães, uma boa e uma ruim. E o trabalho, a função desta posição é separar o que é bom do que é ruim. Então, quando nós estamos no ponto alto da espiral, nós separamos o que é bom do que é ruim, o que é certo do que é errado. Nós criamos critérios para julgar. Então, se alguma coisa deu errado na minha vida, é por causa de fulano. Mas se alguma coisa deu certo, eu atribuo a cicrano. Por mais que a gente chame essa posição de esquizo paranoide, né? E esquizo é sentido, né? Essa palavra esquizo é meio estranha e paranoide, uma coisa persecutória, mas esta posição é muito prazerosa, porque eu tenho a chance de me livrar de tudo que é ruim. Eu não tenho responsabilidade com nada, é tudo outro. E por isso eu tenho um comportamento eloquente, muito, eu faço tudo, eu posso tudo, existe uma onipotência, existe uma onisciência, eu sei tudo, eu consigo tudo. Por quê? Porque se eu não consigo é culpa do outro. Então este ponto superior é o ponto da ilusão. O sujeito está impreterivelmente iludido quando ele está no ponto superior da espiral. Na cultura oriental a gente tem a ideia do véu de Maia. Materialidade. Materialidade. A vida social nos obriga ao ponto superior esquizoparanóide da experiência da espiral. Não é nem questão de ser bom ou ruim, é questão de ser necessário, né? Caio colocou, trouxe uma ideia aqui muito importante, gente. Não existe bom ou ruim, porque se a gente tiver aqui elegendo bom e ruim, a gente está na esquizoparanóide. Não tem bom ou ruim, pode ter prazeroso e desprazeroso. E a esquizoparanóide é muito prazerosa. Lá embaixo a gente experimenta outra posição. Nós estamos falando de posição, ou seja, nós estamos experimentando o tempo todo lá em cima e lá embaixo. Lá embaixo a gente vai experimentar o que a Melanie Klein chamou de posição depressiva. Se lá em cima a gente tinha uma característica muito nítida de fragmentação, de divisão, de decomposição, de desintegração, lá embaixo a gente vai ter a integração. Lá embaixo a gente vai começar a enxergar o mundo e o eu como um todo. Não estamos separados. Não existe separação. Existe limite, mas não existe separação. Existe um limite entre uma coisa e outra, mas essa coisa não está separada da outra. Ela tá junta com a outra. Então, o que um faz implica no que o outro vai fazer. Então, a posição esquizoparanóide é confortável, é prazerosa. A posição depressiva é desconfortável, é incômoda, é frustrante e na posição depressiva cai o peso da culpa. Culpa do quê? de ter atribuído ao outro a responsabilidade pelas coisas que na verdade é de minha responsabilidade. Então o bebê, por exemplo, vai começar a perceber que aquela mãe que ele odiava tanto é a mesma mãe que ele tanto idealizava. E aí ele se sente culpado e ele precisa tolerar essa culpa para poder elaborar esta posição depressiva e começar um novo ciclo de subida. A responsabilização é a evolução do sentimento de culpa. Para que eu possa me responsabilizar, eu preciso ter tolerado o sentimento de culpa até que ele possa ser elaborado e expandir para a responsabilização. Se eu não tolero me sentir culpado, eu não vou conseguir aprender a me responsabilizar. A evolução te leva ao Dharma e cada volta, impreterivelmente é um Karma. Então, cada volta tem uma característica de repetição. E o Karma é isso, vai e volta. É uma repetição. Na medida em que eu tomo consciência desta repetição, eu tenho a chance de no próximo, na próxima volta ser diferente. E cada vez que é diferente, eu me aproximo, eu estou no caminho do Dharma, que é o caminho da iluminação, do ponto superior como sendo a posição esquizoparanóide que carece ser elaborada. E quando a gente fala do ponto inferior, que é a posição depressiva, esta posição também carece ser elaborada. A posição depressiva não é o ponto final da história, ela também carece de ser e elaborada, porque quando o sujeito chega no ponto inferior, ele se sente culpado e se ele se mantiver culpado, ele não elaborou. E aí vai fazer com que o sujeito viva uma experiência de volta em falso, porque ele não deu conta de elaborar e ele vai dar uma volta que vai ser uma circunferência que rodou sem evolução. E o que que vai determinar isso? O acolhimento do outro. Eu só consigo elaborar uma volta da espiral se eu puder contar com o acolhimento do outro. Isso define, não tem como viver experiências de expansão na espiral sem contar com o outro. A pulsão de vida e pulsão de morte vão estar presente nas duas posições. A pulsão de morte na posição esquizoparanóide projetada no mundo externo. E aí aí o Freud vai chamar de pulsão de destruição. Eu me sinto angustiado, eu me sinto ansioso e eu arrumo alguém para culpar. Eu estou angustiado e a culpa é dela. A pulsão de morte estava aqui dentro. A pulsão de morte estava fazendo eu me dividir. Eros liga, tatos desliga. E simboliza, tânatos diaboliza. Então, quando eu sinto esta desintegração interna, isso cria dentro de mim um desconforto tremendo. O medicamento psiquiátrico faz com que o sujeito dê uma volta em falso, literalmente. O que que configura uma volta bem-sucedida na espiral? Aprender com a experiência. Eu aprendi com a experiência. Eu vivi uma experiência completa. E no final desse ciclo eu aprendi alguma coisa. Eu já não sou mais o mesmo. E o medicamento não ensina nada. Você não aprende tomando o Rivotril. Ele te anestesia. Comfortably Numb é a música do Pink Floyd que chama. É verdade. Confortavelmente entorpecido. É isso. Ninguém aprende assim. Quem aprende assim? Você aprende pelo desconforto. Tudo. Droga, álcool, compulsões. Nós estamos condenando isso aqui. Não, não, não, não, não, não. De jeito nenhum. Por quê? Porque aquele, naquele momento o sujeito precisa daquela muleta, então ele vai usar aquilo, tudo bem, cada um tem a sua. Se você tira a muleta, o sujeito cai e não consegue continuar andando. Então vamos usar a muleta, principalmente se ele está em análise, principalmente se ele está caminhando. Criticar a muleta do outro é muito bacana, não é? Mas é esquizoparanóide. O remédio não ensina nada, o álcool não ensina nada, a compulsão por jogos, o tigrinho não ensina nada. Então, para que a volta seja bem-sucedida, ela precisa culminar ou desdobrar-se em aprendizado. Aprendizado teórico, aprendizado do conhecimento, não. Aprendizado emocional e afetivo. Emocional interno, afetivo, vinculação com o outro. A posição depressiva, quando o sujeito não tem a capacidade de tolerar a culpa, pode ser um motivo ideação suicida, porque eu sou culpado, eu não dou conta de me sentir culpado, então vou tirar minha vida como punição desta culpa. Não só suicídio, autossabotagem em qualquer nível. me julgo, me sinto culpado, me condeno e agora passo a me autopunir. E assim como o tribunal, eu posso tanto prisão perpétua como pena capital aí, como a pena de morte. Alguns mecanismos mantém o sujeito na esquizoparanóide, ou seja, no ponto superior. Quais mecanismos? Eu tenho um desencadeamento, costumo dizer. O primeiro é a cisão. Esquizo não é cisão? Esquizo é cisão. Então o primeiro mecanismo de defesa é a cisão. Divide o mundo em dois, em bom e mau, em certo e errado. Negação é porque assim, ó, tem uma parte ali, divide em duas, uma parte não é minha. E normalmente a parte boa é minha, a parte ruim é do outro. Então essa parte ruim não é minha. E aí, se é do outro, tem mais um mecanismo. O próximo mecanismo, projeção, cisão, negação, projeção. Quando eu projeto a coisa ruim no outro, aí eu me sinto o santo, o anjo de candura. O outro que é o pedófilo, o outro que é o perverso, o outro que é o maconheiro, o outro que é o bêbado, o outro que é o louco. E aí, se é tudo outro, eu me sinto purificado. Aí existe uma idealização. Eu começo me auto-idealizar. E a idealização é tanto para o bom quanto para o mau. Eu me auto-idealizo como o cara purificado na frente da televisão vendo o Datena chamar o pedófilo de monstro. Eu sou o bom, ele é o ruim. Vamos dar uma cadeirada nele. E a partir daí um novo mecanismo que se divide em dois, onipotência e onisciência. Porque tudo isso aqui é ilusão, é mentira. Foi eu que criei tudo isso aqui. E se eu criei tudo isso, eu posso qualquer coisa e eu sei qualquer coisa. Eu controlo tudo isso aqui, foi eu que criei. E aí, abafamento das emoções. Vamos abafar todas as emoções que isso aqui possa tá gerando. E aí se consolida a posição esquizoparanóide. Quando o sujeito chega em análise, ele chega com uma demanda quase que unânime quando o paciente chega. Qual que é? Eu quero, eu preciso desabafar, não é isso? Quando ele começa a desabafar, ele começa a quebrar este ciclo de mecanismos de defesa. O último mecanismo não era o abafamento das emoções. Quando ele começa a desabafar, ele começa a desfazer o quê? Onipotência e onisciência são os primeiros. Porque ele começa a partir do seu desabafo no diálogo com o analista, perceber que ele não pode tudo, perceber que ele não sabe tudo. Eu não falei aquilo porque se eu falasse eu sei que ele ia fazer não sei o quê. Oi, você sabe? Mas como você sabe? Não, porque ele sempre fez. Não, pera aí. Ele sempre fez, mas isso não te dá o a faculdade de saber que agora ele vai fazer igual. E aí quando ele começa a ver que ele não sabe tudo e que ele não pode tudo, a idealização começa a se desfazer. Quando a idealização começa a desfazer, a projeção retorna. Quando a projeção retorna, a negação deixa de fazer sentido. Quando a negação deixa de fazer sentido, pum, integra, desfez-se o ciclo dos mecanismos de defesa que mantinham a posição do esquizoparanóide. Aí ele cai na depressiva. Aí ele começa a sentir culpado. Nossa, caramba, velho. Fui eu. Então, aí se ele puder contar com o acolhimento do outro junto com o outro, aos pouquinhos ele vai elaborando esta culpa e vai se capacitando para se responsabilizar por isso. Várias espirais vão formando uma grande espiral, que é a espiral da vida. Não existe volta em falso se o sujeito estiver se dedicando ao seu trabalho analítico. Por mais que pareça que o sujeito está repetindo, por mais que pareça que ele está fazendo a mesma coisa, existe uma mudança, por mais sutil que possa parecer, por mais irrisória que seja, existe ali uma transformação. Se o sujeito está se dedicando ao trabalho de análise, só ao trabalho de análise, não, se dedicando aos vínculos afetivos saudáveis. E o trabalho de análise é um lugar favorecido para tal. Cada volta da espiral que traz a possibilidade da ampliação da rede de vínculos saudáveis faz com que o sujeito tenha coragem de se afastar de vínculos. tóxicos de vínculos que possam ser nocivos. afastar fisicamente não. Muitas vezes eu não posso. Muitas vezes eu trabalho com o cara tóxico ali. Muitas vezes o cara tóxico é consanguíneo, mora na mesma casa, mas é um afastamento emocional, é um afastamento afetivo. Ele pode ter as mesmas falas, ele pode ter o mesmo comportamento, mas está se transformando o funcionamento. A mudança de comportamento não quer dizer mudança de funcionamento. E a mudança de funcionamento não está subordinada à mudança de comportamento. Você pode mudar o seu comportamento, teu funcionamento continuar o mesmo e você pode mudar o seu funcionamento e o seu comportamento continua o mesmo. Muitas vezes o meu funcionamento emocional é um funcionamento de vitimismo, por exemplo. E o meu comportamento é um comportamento vitimista. Eu posso ter mudado o meu funcionamento vitimista. Eu começo a perceber, eu começo a reconhecer que eu não sou vítima, mas eu ainda estou configurado num vínculo que me faz me comportar como vítima. Por quê? porque o outro está implicado neste comportamento. Eu não tenho como mudar de hoje para amanhã, porque existe ali um contrato social de comportamento e mudar aquele comportamento drasticamente vai afetar todo um sistema. Então, prudentemente eu continuo me comportando como vítima, mas eu já não funciono mais como vítima. Eu já não estou mais projetando na pessoa. Eu já percebi que eu não sou vítima de ninguém. eu já me responsabilizei, mas o outro continua funcionando do mesmo jeito. Prudentemente eu continuo funcionando daquele jeito, porque existe um sistema social que me obriga a me comportar daquela forma, mas funcionando de maneira diferente, eu começo a configurar uma nova estratégia afetiva e logo, logo eu vou me afastar daquele campo que me obriga a continuar funcionando daquele jeito. Mudança de comportamento não garante a mudança de funcionamento. A mudança de funcionamento impreterivelmente vai se desdobrar na mudança de comportamento. Uma volta bem-sucedida da espiral implica em mudança de funcionamento, por mais que o comportamento não tenha mudado. Então o sujeito ainda está fazendo do mesmo jeito, mas ele já não está funcionando mais daquele jeito. Cada ciclo bem-sucedido da espiral implica em aprender com a experiência, implica em vínculo afetivo saudável, implica em transformação ou mudança de funcionamento que não tem a ver com mudança de comportamento. A volta da espiral completa num ciclo pressupõe reconhecer, aprender a respeitar e se responsabilizar. os três Rs. Se eu reconheci, eu vou aprender a respeitar isto que eu admiti que existe. Reconhecer não é conhecer, é admitir que existe, admitir que acontece. E a partir desse admitir que acontece, eu aprendo a respeitar isso que acontece. Depois que eu aprendi a respeitar, eu me responsabilizo por isso. E o ciclo, cada volta da espiral provoca aquilo que o Bion chama de mudança catastrófica. deu uma volta na espiral, nunca mais vai ser igual. Não existe retrocesso nos processos emocionais e afetivos. Não tem volta. A espiral é progressiva. Não existe regresso. Por quê? Porque a espiral, as voltas da espiral, o funcionamento espiralado é um funcionamento de maturação. Cada volta bem-sucedida da espiral resulta em maturidade e não existe “desamadurecer”. Ah, mas o paciente um comportamento regressivo. Pois é, foi o comportamento, não foi o funcionamento. Ele precisou se comportar dessa forma. Isso não quer dizer que ele não está funcionando de outro jeito. Ele pode ter manifestar um comportamento infantilizado, por exemplo, que foi o que ele conseguiu fazer naquele momento. Isso não quer dizer que ele está funcionando assim ainda. E até nessa perspectiva também, professor, eh vivendo em sociedade, né? A sociedade nos obriga muitas vezes a desintegrar, né, a se defender. E há uma diferença entre ali você estar sendo falso e você está sendo um falso consciente justamente para você precisar se defender, porque não tem outra alternativa. Cai, nós precisamos ser falsos em sociedade. É necessário. Não tem, por que a sociedade é uma falsidade. Pois é. Vínculos sociais são constituídos em falsidade. O que você onde você manifesta a verdade é num vínculo afetivo que é diferente no social. No vínculo afetivo você manifesta a verdade. No vínculo social não seja besta de ser verdadeiro, porque você vai se danar. Se quando se manifesta isso no processo psicoterapêutico, abriu uma possibilidade de evolução. Como é que essa possibilidade de evolução? É conseguir que aquela experiência evolua, não que eu seja capaz de me responsabilizar por aquela parte que nunca evoluiu. Não tem como evoluir uma parte que ficou fixado. Ficou fixado, ficou fixado, acabou, cicatrizou e eu vou a partir de então reconhecer que eu tenho essa fixação, aprender a me respeitar por essa fixação e me responsabilizar por essa fixação. Pois é, eu tenho essa parte infantilizada mesmo que não cresceu e agora eu vou aprender a a cuidar daquela parte, me responsabilizar por essa parte e adequar essa parte, proteger essa parte para que essa parte não influencie na minha vida e no fluxo da minha do meu desenvolvimento. Não esgotei o assunto. Tem muita coisa mais para falar sobre isso. Mas a espiral continua. A espiral continua. Parte dois a parte 23, né?

 









Prof. Renato Dias Martino