terça-feira, 22 de setembro de 2026

MATURIDADE, DÚVIDA E ILUSÃO - Prof. Renato Dias Martino

Quando funcionamos bem no âmbito emocional, torna-se possível exercer plenamente a função afetiva na relação com o outro. Tolerar desconfortos é a base de um bom funcionamento emocional. Desenvolvemos a capacidade de tolerância a partir de um vínculo bem-sucedido com o outro, e a possibilidade de estabelecer e manter um vínculo saudável depende dessa mesma capacidade. O bom funcionamento emocional favorece o desenvolvimento da maturidade nessa esfera, onde certezas são impraticáveis. Quanto mais desenvolvida for essa maturidade, maior será nossa capacidade de reconhecer, respeitar e nos responsabilizarmos por nossa ignorância em relação à realidade.
A maturidade emocional manifesta-se na capacidade de tolerar a dúvida; a estupidez, na insistência em certezas. A ignorância é uma condição inerente a cada um de nós; a estupidez é a recusa em admiti-la. Não se pode exigir que alguém reconheça a realidade, nem censurar quem ainda se alimenta de ilusões. Quanto ao reconhecimento da realidade, não há escolha: ou se está sendo capaz, ou não. A saber, essa capacidade é transitória, depende do momento, das condições emocionais internas ou ainda das condições do ambiente emocional e afetivo.
Logo, a expressão “estar sendo capaz” é mais adequada do que a afirmação “ser capaz”. Cada um compreende apenas o que lhe é útil. Não há como se libertar de uma prisão que não se reconhece como tal. A transformação verdadeira brota do íntimo, quando a vida mescla dor e cuidado.
Quando as ilusões se desfazem e a insegurança emerge, o acolhimento do outro torna-se o sopro essencial para que o sujeito renasça. 










Prof. Renato Dias Martino





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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

CUIDADO E AFETO - Prof. Renato Dias Martino

Hoje só se cuida do outro mediante lucro. A humanidade adoeceu e deixou de se responsabilizar pelas crianças e pelos idosos; o cuidado deixou de ser manifestação de afeto. Em grande parte dos casos, é necessária a imposição da lei para obrigar alguém a cuidar dos vulneráveis. Aquele que não se dedicou adequadamente aos filhos na infância, muito provavelmente, não receberá cuidados deles na velhice. Gera-se, assim, um círculo vicioso que sinaliza um futuro sombrio. Esse colapso no núcleo familiar transferirá um peso insustentável ao Estado, e o mercado privado fatalmente irá lucrar sobre a dignidade humana.