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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Quem é Prof. Renato Dias Martino

 

Prof. Renato Dias Martino é psicanalista, professor e escritor. Dedicado a prática da clínica há mais de duas décadas, no ensino da psicanálise e na produção de conhecimento sobre a escuta, o acolhimento e o sofrimento psíquico. É fundador e coordenador do GEPA – Grupo de Estudos Psicanálise do Acolhimento, espaço dedicado à formação, ao pensamento compartilhado e à produção teórica baseada na ética da escuta.

É autor de sete livros publicados, que atravessam temas como clínica, formação analítica, pensamento afetivo e sensibilidade poética. Sua obra é marcada por uma escrita que acolhe, uma teoria que escuta e uma prática que se sustenta na presença.

Além de suas obras autorais, coordena e organiza a coleção Psicanálise do Acolhimento, composta por quatro volumes que reúnem textos escritos pelos membros do GEPA. Esses livros refletem o compromisso com a construção coletiva do saber psicanalítico, valorizando o percurso singular de cada participante e fortalecendo a psicanálise como prática viva e compartilhada.



🧩 2011 – Para Além da Clínica

O primeiro livro anuncia já no título uma proposta de transbordamento. Ao propor uma escuta que ultrapassa os limites do consultório, o autor convida o leitor a perceber a psicanálise como ética da presença, como forma de habitar a vida com escuta aberta. Aqui começa a travessia: a clínica não como lugar, mas como postura.



🌱 2012 – Primeiros Passos Rumo à Psicanálise

Em sua escrita didática e sensível, o autor acolhe os que se aproximam da psicanálise com curiosidade e receio. Não há prescrição ou dogma, mas um gesto de abertura: o saber se faz caminho. O livro se dirige tanto a estudantes quanto a analistas experientes que desejam reencontrar o frescor do início.



💞 2013 – O Amor e a Expansão do Pensar

O amor, aqui, não é um objeto de análise — é operador do pensamento. O pensar se expande na relação, na escuta, no vínculo. Neste livro, o afeto é o solo fértil de onde o sujeito pode emergir. É também uma reflexão profunda sobre a função do analista: aquele que sustenta o pensar do outro, sem invadi-lo.



🧘 2015 – O Livro do Desapego

Mais do que uma renúncia, o desapego é aqui um ato ético. O livro propõe uma escuta leve, silenciosa, que não se apega ao saber nem ao controle. Com tom poético e filosófico, o autor convida a deixar ir, a abrir espaço — para o outro, para o novo, para o que não se pode nomear.



🫂 2018 – Acolhida em Psicoterapia

Obra central no percurso autoral, apresenta com maturidade a concepção de acolhimento como fundamento clínico. Não se trata de técnica, mas de uma ética da presença. O analista é aqui quem sustenta, com firmeza e suavidade, o sofrimento do outro — sem pressa de interpretar, sem o peso do saber, mas com a escuta plena de quem está sendo.



✍️ 2019 – Das Pequenas Poesias

Neste volume, a escuta se torna verso. O autor atravessa a linguagem da teoria para alcançar o indizível do afeto e da existência. São poemas que acolhem o silêncio, que escutam o que resta da sessão. Uma escrita que revela o analista não apenas como pensador, mas como presença sensível no mundo.



🧠 2025 – Pensando Melhor a Psicanálise – Do Saber ao Estar Sendo

Neste livro, o percurso encontra sua síntese. Trata-se de uma reflexão madura sobre a transição do acúmulo teórico para o viver analítico. O saber cede espaço ao estar. A escuta não se apoia mais naquilo que o analista sabe, mas naquilo que ele sustenta ao ser presença diante do outro. O título é claro: pensar melhor não é saber mais — é estar mais inteiro na escuta.



🧶 Síntese do Percurso

A obra do Prof. Renato Dias Martino desenha um trajeto singular dentro da psicanálise brasileira: da clínica à vida, da técnica ao afeto, do saber ao estar. A escrita nasce da escuta — e nela, o leitor encontra não apenas conceitos, mas também lugar.

É, antes de tudo, uma travessia ética. Cada livro é um passo na direção do outro — não como objeto de intervenção, mas como sujeito em formação. É uma escrita que acolhe, escuta e sustenta. Que não teme o silêncio. Que não se apressa. Que não pretende ensinar, mas estar junto.

Na confluência entre a psicanálise, o ensino e a sensibilidade poética, sua voz se firma como uma das mais singulares da psicanálise brasileira contemporânea.












Prof. Renato Dias Martino

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Ciclo de Cursos GEPA 2023



Ciclo de Cursos GEPA 2023 - Com vagas presenciais ou transmissão on-line.

Acesse o site e se inscreva. VAGAS LIMITADAS.

https://gepa.com.br/CicloDeCursos/

 

Neste mês: Renato Dias Martino e Ricardo Augusto Nunes

 

Investimento: R$ 25,00 (presencial ou online)

- Material disponibilizado em PDF.

- Certificado de horas.

- Contamos com a sua participação!

 

Prof. Renato Dias Martino

@prof.renatodiasmartino

 

http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com/

Conheça o GEPA: http://gepa.com.br/

Inscreva-se no canal: https://www.youtube.com/@prof.renatodiasmartino/videos

 

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quinta-feira, 11 de novembro de 2021

SOBRE COLHER OU ACOLHER


Dentro da psicanálise do acolhimento, existem alguns pressupostos fundamentais. Um deles é que os elementos carecem estar realmente prontos para serem acolhidos. Precisam brotar espontaneamente. Dessa forma, pensamentos que sejam desconfortáveis ou que sejam evitados pelo paciente, em que ele diga: “Isso eu não gosto de trazer, eu não gosto de lembrar...”, não devem ser tocados. São como fruto que não está pronto para ser colhido. Tentar colher (acolher) o que não está pronto para tal é um ato de violência. Insistir em mexer no que não está no tempo de ser tocado é ato de desrespeito. Na verdade, só gerará mais defesas, tornando o conteúdo cada vez mais inacessível. Se o paciente não trouxer o material de maneira espontânea, esse material não está pronto para ser trabalhado. Se ele, por acaso, sonhou com alguma coisa e esse sonho não puder ser recordado espontaneamente é porque estes elementos que foram esquecidos foram submetidos a uma censura, foram submetidos a defesas e não chegaram a serem acessíveis e se não chegaram até aqui é porque não estão prontos para serem acolhidos ou colhidos. A prática da psicanálise do acolhimento deve ser análoga à um terreno (continente) fértil, onde por trazer confiança, os elementos amadurecem em seu tempo e podem ser acolhidos de forma adequada.



Prof. Renato Dias Martino

Psicoterapeuta e Escritor






Alameda Franca n° 80, Jardim Rosena,

São José Do Rio Preto – SP

Fone: 17- 991910375

prof.renatodiasmartino@gmail.com

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sábado, 1 de agosto de 2020

DA REAL IMPORTÂNCIA DO SER HUMANO

São inumeráveis os questionamentos sobre nossa real significância frente ao universo. Existe uma grande incerteza sobre o que realmente o ser humano representa perante o mundo. Porém, por conta de certo narcisismo peculiar de nossa espécie, em todo decorrer da história da humanidade, o ser humano parece atribuir a si mesmo uma importância maior do que possa ter as outras espécies de criaturas na natureza.
Isso persiste até nos tempos atuais e não me parece ter sinais de mudança considerável por parte da maioria das pessoas. Mesmo depois da revelação de Charles Robert Darwin (1809 – 1882).
Sigmund Freud (1856 — 1939) em sua obra UMA DIFICULDADE NO CAMINHO DA PSICANÁLISE, propôs o que foram as quebras do narcisismo universal dos homens, que havia sofrido até então, três bruscos golpes através das pesquisas científicas.
Segundo Freud a proposta de Darwin veio como um golpe no narcisismo do homem que se encontra entre o golpe no âmbito cosmológico de Nicolau Copérnico (1473 — 1543), na destruição da ilusão narcisista sobre a suposta posição central da Terra no universo e o golpe de natureza psicológica, onde com a introdução da psicanálise, que deixou evidente o fato sobre o sujeito não ser livre e dono da suas próprias escolhas, já que o domínio do inconsciente é o que comanda as decisões. “O homem não é um ser diferente dos animais, ou superior a eles; ele próprio tem ascendência animal, relacionando-se mais estreitamente com algumas espécies, e mais distanciadamente com outras.” (Freud, 1917)
Essas evidências se mantém vivas ainda hoje, tanto no âmbito físico quanto nas características mentais, na comparação do homem com os outros animais.
Sendo assim, mesmo com grande resistência para a tomada de consciência, fica nítida a configuração onde o ser humano não é mais do que parte da natureza. Dessa forma, não se deve, com efeito, atribuir-se maior valor a si do que a qualquer outra criatura.
Mesmo que tenha desenvolvido ampla racionalidade e grande inteligência, que muitas vezes parece muito mais nociva do que benéfica, tanto para si mesmo quanto para a própria natureza, como um todo. Na realidade, o ser humano vem se revelando uma espécie de criatura muito danosa para a natureza já que na medida em que ganha espaço coloca em risco inúmeras espécies, assim como destrói ecos sistemas, isso incluindo sua própria espécie.
O ser humano não é capaz de reconhecer que depende da natureza e que o contrario não é verdade. A natureza padece do desejo humano. Em prol de realizar seus desejos o sujeito não hesita em destruir o fluxo natural da natureza. Com isso uma triste proposição se revela: a natureza agradece a ausência do humano.
Por mais que amiúde sejamos levados pelo nosso egoísmo a acreditar que somos especiais e que nosso desejo particular deva ser satisfeito, independente das conseqüências que isso possa causar no fluxo da natureza, muitas vezes em detrimento das outras criaturas, na verdade, não temos importância real de forma individual. Fazemos parte do todo e dessa forma, nossa real importância perante o universo só tem sentido quando integrados ao todo.
“Não escolhemos com total liberdade a partir de nossa consciência local, ou ego individual, mas a partir de uma consciência cósmica não local e não comum.” (Amit Goswmy, 2010). Nascemos e morremos no fluxo da natureza, sendo que cada ser humano isolado não tem relevância na configuração do universo. A importância frente ao cosmos começa quando passamos a fazer parte integrante do todo.   
“Bem, vemos o indivíduo nascer e morrer, mas o indivíduo é apenas um fenômeno; não existe senão pelo conhecimento submetido ao princípio de razão, que é o princípio de individuação: nesta ordem de ideias, certamente o indivíduo recebe a vida como um dom: oriundo do nada e despojado do seu dom pela morte, ao nada retorna.” (Schopenhauer, 1819)
O universo está em constante transformação, mudando de forma, se transfigurando. No mundo material, nada é permanente. Assim como nos ensina os Vedas, através da Trimurti (Brahma – que cria, Vishnu – que mantém e Shiva – que destrói), as coisas nascem crescem e desaparecem. Nós humanos somos uma ínfima parte de um fluxo do todo que se transmuta constantemente. Sendo assim, nascer e morrer são coisas que pertencem aos fenômenos, ou do campo da realidade material, que configura as criaturas individuais.
Somos seres de passagem na cesura do tempo. A partir duma única substancia nos configuramos, nos mantemos por algum tempo nessa configuração e então nos desconfiguramos. Isso para logo mais tarde nos reconfigurarmos numa nova forma. Esse é o fluxo natural da vida. Dentro da sabedoria budista no Dharma, uma das características da existência do universo é justamente a impermanência, onde tudo se manifesta num estado de eterno movimento de transmutação.
No entanto, normalmente o ser humano está mais ligado aos que chamados fenômenos condicionados que são transitórios. Ora, é justamente quando nos apegamos ao que é impermanente que é gerada as patologias com todas suas moléstias. Assim como nos orienta Wilfred Ruprecht Bion (1897 — 1979)
...E, usualmente, nem aquele que começou a dizer uma frase será o mesmo que irá termina-la. (Bion, 1978)
Cada um de nós se dispõe como que uma célula no corpo material de Deus, ou da natureza, como propõe Spinoza. No livro I da ÉTICA E NO TRATADO SOBRE A RELIGIÃO E O ESTADO, o filósofo holandês Baruch Spinoza (1632 — 1677) propõe sua concepção onde Deus e Natureza são a mesma coisa — Deus sive Natura (Deus ou Natureza).
Para Spinoza, espírito e matéria, são atributos da mesma substância. Nem um de nós é mais importante que o outro, assim como nenhuma célula ocupa papel mais importante do que a outra. Ainda que uma seja um neurônio componente do cérebro e a outra uma célula do tecido da sola do pé. Uma célula sozinha não tem a menor importância para o funcionamento do corpo como um todo. A importância de uma célula só se faz real quando integrada às outras células.
Em psicanálise, os elementos que permanecem cristalizados resistindo às transformações, são geradores de neurose. Essa ordem de elementos forma o que Freud, em seu trabalho A DINÂMICA DA TRANSFERÊNCIA, denominou de transferência. Elementos não elaborados, então, são projetados no outro, que a partir disso, passa a representar uma repetição reeditada de alguma relação vivida anteriormente pelo sujeito. Isso impede que se estabeleça um vínculo novo. Na prática clínica, o paciente atribui características de seu pai, mãe, irmãos, ao analista, como uma compulsão à repetição.
“Assim, a transferência, no tratamento analítico, invariavelmente nos aparece, desde o início, como a arma mais forte da resistência, e podemos concluir que a intensidade e persistência da transferência constituem efeito e expressão da resistência.” (Freud, 1912) A transferência é a tendência de acreditar que a pessoa nova que se conhece, de alguma forma é aquela da qual já havia conhecido antes. Isso obstrui a possibilidade de se estabelecer um vínculo real com a pessoa do analista.
“Sendo a transferência um fenômeno presente nas relações humanas, assim como no tratamento psicanalítico, o sujeito/paciente faz uso como um recurso defensivo para que o material impensado continue inacessível, remontando o passado não pelo recurso do pensamento, mas pela atuação – ação não pensada.” (Martino, 2018)
É evidente o aspecto nocivo e patológico dos elementos que se mantém enrijecidos resistindo às transformações. Característica própria da dimensão material na concretude das coisas. Sendo assim, aquele que se mantém tão somente ligado a essa dimensão está em desacordo com o próprio universo, que está em expansão, eternamente se transmutando. Isso tem implicação direta no apego que o humano tem à realidade sensorial. Apegamos-nos às ilusórias certezas na materialidade das coisas para aplacar a sensação desconfortável de nos percebermos sendo insignificantes. A tentativa de evitar o desconforto gerado pela percepção e o reconhecimento de nossa insignificância perante o mundo é o que nos faz acreditarmos que somos superiores. Por vezes nos vemos apegados ao dinheiro, aos bens materiais, aos títulos, imaginando que isso possa nos tornar mais importantes. Ora, isso nos faz arrogantes e nos afasta cada vez mais da realidade. A nobreza do ser humano não está naquilo que ele possa possuir ou acumular, mas na capacidade de humildemente conseguir viver com o necessário. Um ser humano revela sua grandeza na medida em que reconhece sua pequenez diante do universo.

Bion, W. R. TRANSFORMAÇÕES - do aprendizado ao crescimento (P. C. Sandler, trad.). Rio de Janeiro: Imago. 2004/1965. 
_________. CONVERSANDO COM BION, Rio de Janeiro, Imago, 1992/1978.
Freud. S. A DINÂMICA DA TRANSFERÊNCIA, Rio de Janeiro, Imago, 1912.
_________. UMA DIFICULDADE NO CAMINHO DA PSICANÁLISE, Rio de Janeiro, Imago, 1917.
Goswmy, A. O ATIVISTA QUANTICO: Princípios da física quântica para transformar o mundo e a nós mesmo - São Paulo. Editora Aleph, 2010.
Martino, D. M. ACOLHIDA EM PSICOTERAPIA – São José do Rio Preto. Vitrine Literária Editora, 2018.

Schopenhauer, A. O MUNDO COMO VONTADE E REPRESENTAÇÃO. Rio de Janeiro: Contraponto Editora, 2001/1819. (Tradução de M. F. Sá Correia).
_______________ O LIVRE ARBÍTRIO. São Paulo: Edições e publicações Brasil, 1950/1836. (Tradução de Lohengrin de Oliveira).
Spinoza. COLEÇÃO OS PENSADORES. São Paulo: Nova Cultural, 1997.
Venerável Mestre Hsing Yün, BUDISMO SIGNIFICADOS PROFUNDOS, Escrituras Editora, 2ª edição revisada e ampliada, São Paulo, dezembro de 2011.