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sábado, 23 de maio de 2026

Resenha do Livro: Primeiros Passos Rumo à Psicanálise - Prof. Renato Dias Martino

 

Autor: Renato Dias Martino

Ano de Publicação: 2012 (Primeiros ... p. 1)

O livro "Primeiros Passos Rumo à Psicanálise" funciona como uma chave mestra para a introdução ao pensamento de Sigmund Freud (Primeiros ... p. 7). Dedicado especialmente aos estudantes e iniciantes na área (Primeiros ... p. 3), o autor une conceitos teóricos densos a uma linguagem aberta e direta (Primeiros ... p. 7). A obra mapeia o espaço mental humano, servindo como um guia indispensável de edificação e autoconhecimento (Primeiros ... pp. 8, 11).

💡 Desmistificando Freud: O Início e o Método

  • Evolução do conceito: A psicanálise contemporânea se transformou desde as ideias primitivas de Freud, mas suas bases fundamentais continuam idênticas (Primeiros ... p. 11).
  • A quebra do narcisismo: O autor revisita as três grandes feridas narcísicas da humanidade (Copérnico, Darwin e a própria Psicanálise), mostrando que o homem não é dono absoluto de sua própria vontade (Primeiros ... p. 15).
  • O fim da hipnose: O livro reconta o rompimento de Freud com os antigos métodos catárticos de Joseph Breuer e o surgimento da técnica da associação livre (Primeiros ... pp. 17, 20).
  • Conteúdo manifesto x latente: Uma distinção clara de como a mente expressa os conflitos entre o que é verbalizado conscientemente e o que está oculto (Primeiros ... p. 21).

🔍 O Mapeamento da Mente (A Primeira Tópica)

O livro explora minuciosamente as três instâncias que dividem e organizam a mente no modelo topográfico de Freud (Primeiros ... p. 30):

  • O Inconsciente (Ics): A base geral do psiquismo (Primeiros ... p. 31). Não possui noção de tempo ou espaço e é regido puramente pelo princípio do prazer (Primeiros ... pp. 31-32). É de onde brotam as pulsões e as fantasias (Primeiros ... pp. 28, 31).
  • O Pré-Consciente (Pcs): A região transicional onde começa o processo secundário e o princípio da realidade (Primeiros ... pp. 37-38). Aqui ocorre a junção das representações de coisas com as palavras (Primeiros ... p. 41).
  • O Consciente (Cs): A menor camada e a periferia do aparelho psíquico (Primeiros ... p. 42). Funciona como um protetor sensorial voltado para o mundo externo, sem reter registros duráveis (Primeiros ... p. 43).

🧠 A Dinâmica Psíquica: Desejos e Repressões

  • Conceito de Libido: A energia psíquica e sexual motora das nossas ligações com o mundo interno e externo (Primeiros ... p. 25).
  • Eros e Thanatos: O eterno embate dialético entre as pulsões de vida (ligação e amor) e as pulsões de morte (desvinculação, repetição e estabilidade) (Primeiros ... pp. 25-26).
  • O papel do reprimido: Como memórias dolorosas, frustrações e desejos rejeitados pela censura interna são empurrados para o inconsciente e geram a compulsão à repetição ou os sintomas neuróticos (Primeiros ... pp. 33-34).

🤝 A Expansão Psicanalítica

Além de focar em Freud, a obra contextualiza a continuidade e expansão do pensamento analítico por meio de outras grandes mentes que divergiram ou somaram à teoria original (Primeiros ... p. 21):

  • Carl G. Jung: A introdução dos conceitos arquetípicos e do inconsciente coletivo (Primeiros ... p. 22).
  • Melanie Klein: O pioneirismo na análise de crianças (ludoterapia), os conceitos de identificação projetiva e a importância dos símbolos na formação do ego (Primeiros ... p. 23).

🎯 Por que ler este livro?

"Primeiros Passos Rumo à Psicanálise" é um mergulho profundo e lúdico nos mistérios da mente humana (Primeiros ... p. 7). Ele traduz com maestria as abstrações da metapsicologia (Primeiros ... pp. 11-12), sendo a leitura ideal para quem deseja compreender a origem de suas neuroses, a interpretação dos sonhos e os caminhos inconstantes do amor (Primeiros ... p. 8).







Prof. Renato Dias Martino

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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Quem é Prof. Renato Dias Martino

 

Prof. Renato Dias Martino é psicanalista, professor e escritor. Dedicado a prática da clínica há mais de duas décadas, no ensino da psicanálise e na produção de conhecimento sobre a escuta, o acolhimento e o sofrimento psíquico. É fundador e coordenador do GEPA – Grupo de Estudos Psicanálise do Acolhimento, espaço dedicado à formação, ao pensamento compartilhado e à produção teórica baseada na ética da escuta.

É autor de sete livros publicados, que atravessam temas como clínica, formação analítica, pensamento afetivo e sensibilidade poética. Sua obra é marcada por uma escrita que acolhe, uma teoria que escuta e uma prática que se sustenta na presença.

Além de suas obras autorais, coordena e organiza a coleção Psicanálise do Acolhimento, composta por quatro volumes que reúnem textos escritos pelos membros do GEPA. Esses livros refletem o compromisso com a construção coletiva do saber psicanalítico, valorizando o percurso singular de cada participante e fortalecendo a psicanálise como prática viva e compartilhada.



🧩 2011 – Para Além da Clínica

O primeiro livro anuncia já no título uma proposta de transbordamento. Ao propor uma escuta que ultrapassa os limites do consultório, o autor convida o leitor a perceber a psicanálise como ética da presença, como forma de habitar a vida com escuta aberta. Aqui começa a travessia: a clínica não como lugar, mas como postura.



🌱 2012 – Primeiros Passos Rumo à Psicanálise

Em sua escrita didática e sensível, o autor acolhe os que se aproximam da psicanálise com curiosidade e receio. Não há prescrição ou dogma, mas um gesto de abertura: o saber se faz caminho. O livro se dirige tanto a estudantes quanto a analistas experientes que desejam reencontrar o frescor do início.



💞 2013 – O Amor e a Expansão do Pensar

O amor, aqui, não é um objeto de análise — é operador do pensamento. O pensar se expande na relação, na escuta, no vínculo. Neste livro, o afeto é o solo fértil de onde o sujeito pode emergir. É também uma reflexão profunda sobre a função do analista: aquele que sustenta o pensar do outro, sem invadi-lo.



🧘 2015 – O Livro do Desapego

Mais do que uma renúncia, o desapego é aqui um ato ético. O livro propõe uma escuta leve, silenciosa, que não se apega ao saber nem ao controle. Com tom poético e filosófico, o autor convida a deixar ir, a abrir espaço — para o outro, para o novo, para o que não se pode nomear.



🫂 2018 – Acolhida em Psicoterapia

Obra central no percurso autoral, apresenta com maturidade a concepção de acolhimento como fundamento clínico. Não se trata de técnica, mas de uma ética da presença. O analista é aqui quem sustenta, com firmeza e suavidade, o sofrimento do outro — sem pressa de interpretar, sem o peso do saber, mas com a escuta plena de quem está sendo.



✍️ 2019 – Das Pequenas Poesias

Neste volume, a escuta se torna verso. O autor atravessa a linguagem da teoria para alcançar o indizível do afeto e da existência. São poemas que acolhem o silêncio, que escutam o que resta da sessão. Uma escrita que revela o analista não apenas como pensador, mas como presença sensível no mundo.



🧠 2025 – Pensando Melhor a Psicanálise – Do Saber ao Estar Sendo

Neste livro, o percurso encontra sua síntese. Trata-se de uma reflexão madura sobre a transição do acúmulo teórico para o viver analítico. O saber cede espaço ao estar. A escuta não se apoia mais naquilo que o analista sabe, mas naquilo que ele sustenta ao ser presença diante do outro. O título é claro: pensar melhor não é saber mais — é estar mais inteiro na escuta.



🧶 Síntese do Percurso

A obra do Prof. Renato Dias Martino desenha um trajeto singular dentro da psicanálise brasileira: da clínica à vida, da técnica ao afeto, do saber ao estar. A escrita nasce da escuta — e nela, o leitor encontra não apenas conceitos, mas também lugar.

É, antes de tudo, uma travessia ética. Cada livro é um passo na direção do outro — não como objeto de intervenção, mas como sujeito em formação. É uma escrita que acolhe, escuta e sustenta. Que não teme o silêncio. Que não se apressa. Que não pretende ensinar, mas estar junto.

Na confluência entre a psicanálise, o ensino e a sensibilidade poética, sua voz se firma como uma das mais singulares da psicanálise brasileira contemporânea.












Prof. Renato Dias Martino

quarta-feira, 3 de junho de 2020

CUIDAR DE SI, CUIDAR DO OUTRO


O que leva alguém a acreditar no real poder de escolha do ser humano tem grande influência na crença de que já nascemos capacitados para inúmeras atitudes. Acreditar que todos conseguem desenvolver as mesmas capacidades, independente das condições em que vivem, isenta o sujeito de se responsabilizar por cada ato da humanidade. É um atalho tão facilitador quanto superficial o de acreditar que aquele que não “vê” a realidade e vive a se envolver nas ilusões, o faz por que escolheu esse modo de viver.
Esse é um grande impasse entre a realidade e a justiça dos homens. Quando, num tribunal, um sujeito é condenado por algum crime que tenha cometido, isso ocorre sem que se considere a história de sua vida, onde não houvera configuração necessária para que houvesse chance de vir a agir diferente do que tenha feito. Já que, o que é possível fazer é tão somente retirar o suposto criminoso do convívio social, para evitar que cometa mais crimes. No entanto, não é possível fornecer ao condenado, condições que permitam que consiga realmente desenvolver suas capacidades. Justamente o que lhe faltou e o que o levou se tornar alguém incapaz de fazer diferente do que fez.
A capacidade de amar é um bom exemplo de um elemento que não é inato do ser humano. Ainda que exista a possibilidade de desenvolvê-la, essa capacidade carece fundamentalmente de modelos para que isso ocorra. Não se aprende a amar por meio de orientações pedagógicas, métodos didáticos ou de doutrinação, mas através de experiências vividas junto de alguém que nos ama. No princípio da vida, a dependência é a configuração do vínculo simbiótico entre mãe e bebê. Lentamente a criança vai aprendendo amar através do amor que a mãe dedica a ela. Sendo assim, poderíamos afirmar que o amor nasce da dependência e vai se desenvolvendo e expandindo.
Num primeiro momento a criança aprende a amar a si mesma pelo amor da mãe e também do pai. Essa experiência inicial parte do que em seu texto SOBRE O NARCISISMO: UMA INTRODUÇÃO, Sigmund Freud (1856 – 1939) chamou de narcisismo primário. Na lenda grega Narciso era um belo jovem que se apaixonara por sua imagem refletida no rio. A criança sente que ela é a coisa mais importante na vida dos pais e essa importância passa a ser internalizada pela própria criança, que passa a ter-se como o que há de mais importante para si mesma. A partir daí, devagar, passa a se qualificar para retribuir esse amor aos pais. Num primeiro momento retribui o amor que recebeu e que foi a base do amor próprio, e posteriormente passa a se qualificar a expandir esse amor a outras pessoas.
Portanto, alguém não pode ser capaz de amar outra pessoa sem antes ter aprendido a amar a si mesmo. O amor que possa vir a ser dedicado ao outro é sempre uma extensão da consideração que se tenha por si próprio. Portanto, a auto-estima sempre deve fundamentar a qualidade dos vínculos. A capacidade de amar o outro tem um pressuposto no amor próprio, entretanto, só pode ser capaz de amar a si mesmo aquele que foi um dia amado pelo outro.
A dedicação de cuidado é um fator da capacidade de amar e sendo assim também é aprendida por meio de modelos. O amor nasce na disposição ao cuidado e se propaga através dessa dedicação. A criança vai aprendendo a cuidar de si mesma a partir do cuidado zeloso dos pais dedicados a ela. Dessa maneira vai aprendendo a cuidar de si mesma, nos moldes de como foi cuidada. Do mesmo modo, esse cuidado dedicado será estendido ao outro. Isso inclui a dedicação ao cuidado dos próprios pais, quando em situação onde eles não estiverem sendo capazes de cuidar bem de si mesmos. Cuida bem do outro aquele que cuida bem de si mesmo.
Nessa altura do texto, o leitor pode estar se perguntando: quer dizer que quem não foi amado na infância não terá mais a chance de desenvolver a capacidade de amar a si mesmo e em consequência disso, ao outro? A resposta é simples, contudo, não tão simples é conseguir a configuração necessária para que seja possível o desenvolvimento da capacidade de amar e de cuidar, num adulto que não tenha sido cuidado e amado suficientemente em sua infância. Naturalmente que existirão outras oportunidades de se encontrar fontes afetivas na vida adulta, no entanto é evidente que a chance é bem menor para aquele que não conseguiu isso no seio do lar, em sua infância.
Um processo de psicoterapia, quando bem sucedido pode ser um bom ambiente para que isso possa acontecer. Para isso é necessário um encontro entre um paciente que esteja realmente disposto a se dedicar a esse doloroso processo e um psicoterapeuta que esteja realmente preparado para tanto.

Freud. S. SOBRE O NARCISISMO: UMA INTRODUÇÃO (1914)









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