quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

VÍNCULO DE ADULAÇÃO

 


A dificuldade de acreditar em si mesmo pode se desdobrar de inúmeras formas. Enquanto não está sendo capaz de confiar em si próprio, encontra-se vulnerável e aberto para várias formas tóxicas de vinculação. O amor próprio, quando em proporções muito baixas acaba por gerar manifestações nocivas nos vínculos. Aquele que não está sendo capaz de confiar em si mesmo tende a procurar falhas nos outros.
Por outro lado, pode se desenvolver no sujeito que não confia em si mesmo, uma disposição para o enaltecimento e bajulação. A adulação tem sempre um intuito de se conseguir um benefício oculto, ou mesmo explicito. Quando definitivamente não consegue o que se pretendia, o bajulador passa a atacar aquele que antes adulava.
Quem bajula espera um benefício especial e quando não obtém, passa a criticar. A base do vínculo de bajulação parece estar na incapacidade de acreditar em si mesmo.

A bajulação não é uma característica excepcionalmente do indivíduo, mas atua como ocupação da relação. A bajulação depende de duas ou mais pessoas dispostas a isso.

O ditado popular “quando um não quer dois não brigam”, corresponde a realidade. Depende da ação de pelo menos duas pessoas e não necessariamente de uma só. O bajulador, por não acreditar que possa ser amado sendo sincero, e o bajulado, se satisfaz com as bajulações por não acreditando que possa reunir em si, virtudes admiráveis. No entanto, por se tratar de um modelo de vinculo parasítico, tanto o bajulador (parasita) quanto o bajulado (hospedeiro) tem enorme prejuízo.
Assim como propõe Wilfred Bion (1897 - 1979): “Por parasítica”, quero representar uma relação na qual um objeto depende do outro para produzir um terceiro, que é destrutivo para todos os três.” (Bion, 1970)
Um fica obstruído de desenvolver o reconhecimento de si mesmo, pois imaginar que o outro é sempre melhor que ele, e o outro se contentando com elogios sobre atributos falsos, fica impedido de reconhecer suas reais características, para então desenvolve-las.

Bion, Wilfred R. Atenção e interpretação. Rio de Janeiro: Imago. (Originalmente publicado em 1970)





Prof. Renato Dias Martino

Psicoterapeuta e Escritor






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2 comentários:

Ricardo Pereira disse...

Uma reflexão sempre atual de relação tóxica,que afasta os envolvidos de encontrarem autenticidade.

Unknown disse...

Vínculos parasiticos nos impedem de evoluirmos, excelente reflexão professor Renato , muito grata por compartilhar conosco 🙏