Muitas vezes podemos confundir compaixão com o sentimento de pena, no entanto, estamos tratando de elementos distintos. Aquele que sente pena se coloca em um lugar superior ao daquele que é supostamente digno de dó. Com isso, pode-se gerar mais humilhação e criar um sentimento de inferioridade no outro, já que destaca a adversidade ou a fragilidade. Já a compaixão reconhece que todos somos vulneráveis em alguma medida e de alguma forma.
A
palavra compaixão tem origem no latim compassio, de compati (“junto”, mais
pati, “sofrer”), ou ainda do grego, pathe (“sentimento”). A incapacidade de
compaixão é uma das piores características que um ser humano pode vir a ter. E
isso, na melhor das hipóteses, pode se tornar um terreno fértil para o
desenvolvimento do sentimento de pena. A inaptidão para a compaixão revela o
que há de mais cruel num sujeito. Na verdade, tudo aquilo que constitui o
funcionamento emocional e se desdobra nas relações afetivas parte da qualidade
da relação que se tem consigo mesmo. Quem não tem compaixão por si mesmo,
tratando-se com grosseria e até com hostilidade, perde o essencial, e isso se
estende à relação com o outro.
A
compaixão é um elemento da psicanálise, dentro da perspectiva do acolhimento.
Aquele que procura atendimento em psicanálise é denominado paciente, e o é
justamente pelo mesmo significado etimológico. Sendo que no latim pati é
“sofrer” e no grego pathe é “sentimento”, paciente é o sujeito do sofrimento ou
do sentimento. Porém, o analista precisa estar funcionando emocionalmente de
forma saudável, acolhendo a si mesmo, tendo compaixão consigo mesmo; senão, o
que vai acontecer é uma confusão. O analista pode se confundir (com-fundir) com
o paciente na sua dor. Ainda assim, essa confusão não acontece somente no
âmbito da dupla analítica, mas na vida cotidiana ocorre amiúde.
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