quinta-feira, 29 de março de 2012

O esforço e a conquista

Não existe dúvida no fato de que o esforço é condição imprescindível para qualquer que seja a conquista. A própria origem semântica da palavra ‘conquista’, está no latim e é justamente referente a conseguir com esforço. De outra forma isso que se consegue não pode levar o nome de conquista e menos ainda, ser tratada como tal. Aquilo que se conquista tem a característica da valorização, pois é em si, uma extensão do eu. Como a realização, também aquilo que foi conquistado passa a ser parte do eu que se mistura com aquilo que é do mundo.

Entretanto, a capacidade da conquista é certa característica que carece da expansão do pensamento e conseguir perceber a necessidade, assim como ser capaz de valorizar a mesma, fica subordinada a maturidade emocional. Só uma mente madura pode perceber o valor dessa experiência. Se não, ter que se esforçar para conquistar, para assim obter algo desejado, acaba por se transformar num sentimento de menosprezo perante aquele que já conquistou.
Uma criança pequena tem muita dificuldade em ter de se esforçar para conseguir algo e pode ver nessa necessidade de esforço, um sinal de que ela não é amada. Da mesma forma, no adulto emocionalmente imaturo, essa particularidade estará presente, imaginando que deveria conseguir o que deseja pelo destino que generosamente e sem esforço, vem e o agracia.
O maior esforço na busca pela conquista está justamente nas experiências internas. Se esforçar para apaziguar atritos com parte menos amadurecidas de si mesmo sempre foi o maior desafio do ser humano. Logo, o maior obstáculo frente a conquistas é o próprio eu, que muitas vezes é bem capaz de promover certas auto-sabotagens em meio aos seus planos e dificultar seu próprio caminho.



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Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodiasmartino@hotmail.com
http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com

terça-feira, 27 de março de 2012

Prof. Renato Dias Martino fala sobre o reconhecimento no conhece-te a ti mesmo

Prof. Renato Dias Martino fala sobre o reconhecimento no conhece-te a ti mesmo



Prof. Renato Dias Martino
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quarta-feira, 21 de março de 2012

“Esquecer mágoas faz bem ao corpo e à alma”, contribuição do Prof. Renato Dias Martino na matéria de Elen Valereto para o Jornal Diário da Região.

Lezio Junior
“Esquecer mágoas faz bem ao corpo e à alma”, contribuição do Prof. Renato Dias Martino na matéria de Elen Valereto para o Jornal Diário da Região.


Quem nunca se sentiu ferido por alguém que gosta? A ferida, de tão profunda, não conseguiu cicatrizar. Ficou ali, machucando ao longo de dias, meses e anos. Esse sentimento, conhecido como mágoa, afeta milhares de pessoas, causando dor e rancor. De acordo com a psicoterapeuta, master e trainer em Programação Neurolinguística, Dalva Almeida, a mágoa é uma doença, pois causa dor na alma e no corpo devido à tortura interior que tira a paz e até o sono. “A mágoa não nos deixa esquecer o passado e faz com que não consigamos viver bem o presente. Uma pesquisa feita com dezenas de vítimas de problemas cardíacos revelou que 80% dessas pessoas eram rancorosas”, afirma.

O professor e psicoterapeuta Renato Dias Martino concorda. Para ele, vários problemas de saúde são estimulados por dificuldades psicológicas.“Não é novidade que inúmeras enfermidades físicas se originam de um ressentimento. Aquilo que é ressentido constantemente na mente tende a criar um representante no corpo, para ser cultivado de forma inconsciente como símbolo dessa mágoa. ”Além de se manifestar fisicamente, a mágoa pode dificultar os relacionamentos, pois incapacita o amor, paralisa a sequência da vida e deixa cada vez mais forte o ressentimento.
O perdão pode tornar-se cada vez mais difícil, principalmente pela lembrança do mal sofrido, que sempre vem à tona provocando sensação de sufoco e mal-estar intermináveis. Reviver por meio de sentimentos o que já se passou - mas não foi resolvido - é o que mantém vivas e presas no coração todas as mágoas. “E com o ferimento sempre exposto, a pessoa se mantém presa ao passado. A raiz dos transtornos mentais, como as neuroses, está justamente no desejo que ficou no passado”, afirma Martino. Viver remoendo mágoas passadas é dar abertura também para a raiva e ao posto de vítima. É transformar-se em prisioneiro de si mesmo.
A busca pela conquista da paz interior e pela cura da mágoa que corrói a alma deve ser incessante. Após a decisão de mandar a mágoa para bem longe, os próximos passos a serem dados estão relacionamentos ao cultivo de bons sentimentos. “O cultivo de elementos afetivos e de conhecimentos claros da realidade é o fundamento do modelo de vínculo, capaz de desintoxicar uma mente envenenada de ideias destrutivas e emperrada nas mágoas. Daí por diante, consciente das limitações e fragilidades, é muito interessante se afastar de qualquer que seja a ligação que possa sugerir decepções drásticas”, destaca Professor Martino.


Para o profissional, a mágoa é uma forma de funcionamento mental que encontra com frequência seus “colaboradores”. Por isso, para estar liberada das mágoas, é importante estar atento a quem provocou feridas. “Manter-se ligado a alguém assim é manter-se exposto a novas mágoas”, diz.

Matéria na integra: http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Divirtase/Comportamento/88688,,Esquecer+magoas+faz+bem+ao+corpo+e+a+alma+.aspx

Prof. Renato Dias Martino
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quinta-feira, 15 de março de 2012

A Lenda da Lula Tigre de Komodo

A Lenda da Lula Tigre de Komodo


Diz a lenda que certa vez, em Komodo, uma ilha localizada na Indonésia, existiu um pesquisador apaixonado por uma espécie incomum de molusco marinho denominado Lula Tigre. O animal recebera esse nome em decorrência da coloração do corpo desse invertebrado marinho, que seguia em delgadas rajadas de negro numa superfície de amarelo ouro fluorescente. Um belo animal da espécie dos cefalópodes, da qual o cientista apaixonara-se ao encontrar um exemplar num passeio que fizera certo dia, pela praia.


Desse dia por diante, passou a recolher todos os espécimes que conseguia pela praia e então pesquisar com afinco tudo sobre essa fascinante lula. Hábitos particulares, ciclos e período de vida, forma de reprodução e qualquer que fosse a informação relevante que enriquecesse o estudo do dedicado cientista apaixonado pela Lula Tigre de Komodo.

No entanto em meio aos seus dedicados estudos sobre esse magnifico animal marinho, foi surgindo uma triste constatação. Comparando os dados que recolhera na pesquisa sobre a lula, contatara que essa espécie marinha estaria em vias de extinção. O dedicado cientista percebeu e o fez com grande desgosto, que a severa vulnerabilidade, aliada a enorme dificuldade em se reproduzir, apontaria para um fim muito próximo dessa espécie tão bela de animal marinho. Assim como propunha a teoria da evolução de Darwin, o cientista constatava a triste verdade de que essa espécie de lula não havia conseguido adaptar-se às mudanças do ambiente em que vivia e sucumbiria em muito pouco tempo, numa total extinção.

Muito entristecido pelo possível fim do belo animal marinho do qual lhe despertara tanto encantamento e fizera desenvolver tanto apreço, o cientista foi diminuindo então, a pesquisa sobre a lula, até por completo desinteressar-se pelo projeto cientifico.


Todo o estudo do cientista havia sido muito bem elaborado e com grande precisão cientifica, no entanto, um fato foi preponderante para que a constatação da iminente extinção da Lula Tigre de Komodo ocorresse num mero engano. A disposição para recolher exemplares de estudo era extremamente limitada. O cientista limitava-se em recolher as lulas que chegavam até a praia. Com isso, capturava somente aquelas que já estavam enfraquecidas e exaustas chegavam à praia. Isso, quando o ambiente de sua plena saúde seria nas profundezas do mar, onde gozava de um desempenho formidável, de uma agilidade extraordinária e uma adaptabilidade sem igual no ambiente em que vivia. Nas profundezas, a Lula Tigre ainda apresentava uma eficiência reprodutiva excelente, o que fazia dessa espécie de molusco, uma criatura vitoriosa na natureza em constante transformação. A lula que chegava a praia, por sua vez, já se encontrava fraca e com a sua capacidade reprodutiva muito debilitada. O estudo do cientista, então estava sendo baseado em referencias extremamente limitadas da realidade, para chegar a qualquer que fosse a verdade.

Somos todos cientistas do mundo. Dedicados na pesquisa das verdades da vida. Insistindo em conhecer, ou prontos a desistir, tomando como verdade, certos dados limitados, que pudemos recolher da realidade.












Prof. Renato Dias Martino

sábado, 10 de março de 2012

Encontro Filosófico - SOMOS TÃO EDUCADOS QUE PERDEMOS O RESPEITO

Encontro Filosófico -
SOMOS TÃO EDUCADOS QUE PERDEMOS O RESPEITO
Coordenação Prof. RENATO DIAS MARTINO
Dia 28 DE Abril DE 2012, às 14:00
Na UNILAGO – São José do Rio Preto
Inscrições gratuitas: http://www.unilago.com.br/extensao/info/?Curso=534
Vagas limitadas.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

SOBRE O CARISMA

A proposta de refletir sobre conceitos inerentes ao funcionamento da mente é tarefa incessante e não existe dúvida de que demanda de manutenção constante. Não trata-se de certa pesquisa que busca um conhecimento por si só, mas o desenvolvimento de recursos de reflexão fluida e inexaurível.

Não seria diferente então, no caso da pesquisa sobre o conceito de carisma. Nos deparamos aí com uma capacidade extremamente almejada dentre as demais. Não é motivo de surpresa alguma, pelo menos para aquele que estuda a psicanálise, que o desejo de ser desejado é o anseio original do ser humano e que perdura como maior de todas as cobiças na vida mental do sujeito. O carisma indica justamente o desejo do outro em sua aceitação e aprovação. O carismático é, sem dúvida, um sujeito desejável e o que define sua condição carismática é justamente a aceitação do outro.
Como não seria diferente, aqui também a genealogia do termo pode nos mostrar alguns aspectos, revelando questões confusas dentro do exame do funcionamento mental (o que reflete em nosso comportamento) e isso implica impreterivelmente, em nossas uniões afetuosas. A palavra “carisma” tem origem tanto no latim quanto no grego e em ambos os radicais, guarda os significados de graça, meiguice, bondade... 
Todas essas características são sinais claros de transcendência da mente. São aspectos presentes na maturidade emocional daquele que se encontra num estágio superior de expansão da consciência que transcende no ser. Essas características são pressupostos da capacidade de acolhimento, são aspectos daquele que é capaz de proporcionar e manter vínculos saudáveis, logo,“enchem os olhos” do outro, que imediatamente dispõe sua atenção.
Com isso, a possibilidade de conseguir o que se deseja (que a priori parte do “ser desejado”) é realmente mais provável. Apesar disso, quando alcançou esse estágio de evolução do pensar, o sujeito deve também ter desenvolvido certo grau avançado de humildade. Esse nível adiantado da simplicidade faz com que seu desejo encontre-se em uma perspectiva também modesta. E é muito interessante perceber que é justamente nesse ponto do desenvolvimento mental que o sujeito é capaz de abrir mão de grande cota do desejo de ser aprovado e desejado pelo outro.
O carisma pode perfeitamente se encontrar na ordem das características inatas de um sujeito, penso que realmente certas pessoas nascem com certo dom do carisma. Muito provavelmente pelo fato de que o pensamento que antecedeu esse pensador já pressupunha tal capacidade. Ora, no entanto, não posso concordar que em um ambiente pobre de modelos carismáticos alguém possa desenvolver essa capacidade. Isso por que quando falamos de capacidades, sempre estaremos subordinados a possibilidade do desenvolvimento. Uma capacidade nunca nasce pronta, mas necessita ser acolhida e estimulada, para que se desenvolva. A capacidade é inerente a expansão constante e nunca é definida como algo estaticamente adquirido.


O carisma não pode ser confundido com popularidade, já que essa ultima não garante a qualidade. O carisma diz respeito ao reconhecimento do si mesmo, que também é exercício incessante. O carisma não pode ser algo que se persiga, isso pois não está configurado num objetivo, mas é o resultado da maturidade da alma, é sinal da evolução mental. O verdadeiro carisma é certa qualidade daquele que busca respeitar-se a si mesmo e assim atrai olhares externos daquele que também busca ser respeitado. Só poderá ser agradável, ou desejável ao outro aquele que se tornou alguém agradável a si mesmo e se tornou capaz de reconhecer-se em suas reais capacidades.




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sábado, 18 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A comunicação e o eu desconhecido


Quando nos propomos publicar algo, por mais descritiva que possa ser essa publicação, ainda assim revelamos algo particularmente nosso, nisso que comunicamos. Isso acontece independe do tipo de meio de comunicação utilizado. Mesmo sendo um simples ato de contar um fato ocorrido a alguém, isso já se caracteriza numa publicação. Uma publicação é sempre uma ação que torna algo de conhecimento público. Isso, mesmo que esse público já tenha certa consciência desse fato. Ainda assim, cada um que conta a mesma história, coloca nela aspectos particulares e assim, diferentes daquilo que já é sabido. Isso está de acordo como o que nos propõe o dito popular “cada conto aumenta um ponto”.
Estes aspectos que não partem da realidade dos fatos, mas do desejo (ou ainda, de um medo) daquele que publica, surgem nas publicações sem que o próprio sujeito da publicação tenha consciência. O fato é que, muitas vezes aquilo que de nós é incluído na publicação, é justamente o que não pudemos pensar melhor e se assim for, não foi possível também, nos responsabilizar por isso. Quero dizer que, quando não somos capazes de conhecer e nos responsabilizar por certos aspectos de nossa personalidade, isso pode aparecer, sem que percebamos, em nossas publicações. Sem que seja percebido, isso escapa-nos e então, revela-se naquilo que comunicamos ao outro, ou seja, naquilo que tornamos publico.


Estaremos diante de um tema de grande importância se pudermos compreender que, vivendo socialmente agrupados, nós publicamos o tempo todo. Temos que nos comunicar para viver. Seja através de meios bem limitados como um simples “bate papo” com um colega, ou ainda, em escala extremamente ampliada, como é o caso das redes sociais digitais, na internet. O fato é que, por vezes nos comunicamos; falando ou agindo de certa maneira que logo depois nos questionarmos o porquê fizemos isso, sem chegarmos à conclusão alguma que nos possa justificar tal fato.


São aspectos da nossa personalidade dos quais por algum motivo, não fomos capazes de reconhecer como nosso. Talvez por estarem vinculados a sentimentos desagradáveis, como medo, vergonha e humilhação. Ao identificarmos certos sentimentos desagradáveis automaticamente evitamos pensar sobre eles, imaginado talvez, que dessa forma deixarão de existir. Contudo, um sentimento não deixara de existir por ser ignorado.
Ele simplesmente será negado em nossa consciência e surgirá em alguma publicação sem nossa permissão, em alguma tentativa de comunicarmos algo. Ainda assim, são características de nossa personalidade, mas que evitamos conhecê-lo e assumi-lo como parte do que somos. Muito provavelmente por que isso nos custaria reconhecer algo que desaprovamos em nós mesmos. Agora, renegado e reprimido isso então, nos surge de maneira indireta em algo que publicamos.


Partindo dessa idéia, fica claro o fato de que, quanto mais consciente de nós mesmos pudermos nos tornar, menos aspectos impensados de nós mesmos estarão por entre as informações que publicamos.


Prof. Renato Dias Martino
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