segunda-feira, 23 de julho de 2018
Prof. Renato Dias Martino fala sobre Inveja no SBT Interior
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domingo, 1 de julho de 2018
ALZHEIMER: Cuidando dos cuidadores
Há algum tempo me propus a escrever sobre as experiências vividas pelo paciente acometido pelo Mal de Alzheimer assim como as possíveis situações experimentadas por sua família. No presente ensaio gostaria de dissertar um pouco sobre o cuidado necessário para com aquele que cuida de pacientes assim diagnosticados.
Uma mãe devotada deve naturalmente renunciar de si mesma quando dedicada aos cuidados de seu bebê. Inúmeras possibilidades devem ser renunciadas temporariamente, sendo que algumas definitivamente, por conta da chegada do bebê.
Pensadores da psicanálise como Melanie Klein, Wilfred Bion e Donald Winnicott, buscaram inspiração no modelo de maternagem para a estruturação da prática clínica da psicanálise.
Também cabe a aquele que cuida de idosos, essa mesma inspiração, já que o envelhecimento é uma etapa do desenvolvimento da vida onde o sujeito apresenta um gradual processo que o torna cada dia mais frágil, levando-o a uma condição semelhante aquela vivida na primeira infância.
O idoso, assim como o bebê, carece de atenções peculiares, no que se refere à alimentação, à higiene, assim como na proteção.
O idoso deve gradativamente resgatar configurações peculiares do verdadeiro eu, que é desprovido das defesas próprias da parte falsa do eu, desenvolvida para a vida social.
Dessa maneira revive uma forma primitiva de funcionamento físico e emocional. “O ego primitivo sendo frágil, lábil e variante em sua integração, depende da mãe para proporcionar noções de contenção, como as de amparo, constância e equilíbrio.” (Martino, em PRIMEIROS PASSOS RUMO À PSICANÁLISE, 2012).
Da mesma forma, o cuidador dedicado do idoso deve cumprir semelhante função.
Revela-se então a necessidade de abdicação de desejos e adiamento de vontades, enquanto cuida desse que se vê incapaz de cuidar de si mesmo, parcial ou mesmo totalmente. Outra característica que se assemelha com a do bebê é o medo da solidão. “O medo do abandono é vivido pelo bebê como sensação de destruição iminente, já que o bebê só sobrevive através da mãe.” (Martino, 2012). Por mais que esteja cercado de pessoas, naturalmente o idoso padece com intensidade com a ansiedade da solidão.
O cuidador dedicado, impreterivelmente será contagiado por esse medo, assim como por outras formas de ansiedades, que são experimentadas pelo idoso dependente. Assim como na maternagem e na prática psicoterapêutica, também o cuidador de idosos naturalmente experimenta uma enorme carga de estresse gerado pela grande exigência desse exercício.
No caso do idoso acometido pelo Mal de Alzheimer essa carga é ampliada, pois a dependência emocional que se instala é muito grande. Por conta disso, se faz necessário certo procedimento de cuidados especiais, sobre tudo no âmbito emocional, com o sujeito que ora se coloca na função de cuidador de pacientes nessa situação.
Diferente da mãe com seu bebê e do analista com seu paciente, que mesmo sendo no tempo próprio de cada um, devem experimentar de um progresso no que se refere ao que se pode perceber de maneira sensorial, o cuidador de idosos viverá uma difícil experiência onde dia a dia seu paciente deve apresentar maiores dificuldades. Quando se trata do paciente com Alzheimer a situação é mais difícil ainda, pois até na questão emocional-afetiva existe uma degradação. Sendo assim, até a troca afetiva fica comprometida. Por isso o cuidador deve estar muito bem nutrido de afeto que possa vir de outra via.
“É de extrema importância que, ao se arris¬car nesse abismo chamado bebê, a mãe conte com um alguém (marido/pai) que mantenha a mão seguramente dada. De outra forma existirá sempre um grande risco de se perder nesse abismo. (Martino, 2012). Da mesma maneira, o cuidador de idosos, sobre tudo do paciente com Alzheimer deve contar com um vínculo saudavelmente nutridor. Para ser capaz de cuidar do outro é imprescindível que esteja cuidando de si.
É inegável que o cuidado com a saúde física é fundamental, mas, se concordarmos que a auto-estima só pode ser nutrida a partir da estima do outro, então a manutenção de vínculos saudáveis é fator preponderante. Um sujeito que descuide de sua saúde mental, coloca em risco todas as outras dimensões de sua vida.
Prof. Renato Dias Martino
Fone: 17-991910375
prof.renatodiasmartino@gmail.com
http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com.br/
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Uma mãe devotada deve naturalmente renunciar de si mesma quando dedicada aos cuidados de seu bebê. Inúmeras possibilidades devem ser renunciadas temporariamente, sendo que algumas definitivamente, por conta da chegada do bebê.
Pensadores da psicanálise como Melanie Klein, Wilfred Bion e Donald Winnicott, buscaram inspiração no modelo de maternagem para a estruturação da prática clínica da psicanálise.
Também cabe a aquele que cuida de idosos, essa mesma inspiração, já que o envelhecimento é uma etapa do desenvolvimento da vida onde o sujeito apresenta um gradual processo que o torna cada dia mais frágil, levando-o a uma condição semelhante aquela vivida na primeira infância.
O idoso, assim como o bebê, carece de atenções peculiares, no que se refere à alimentação, à higiene, assim como na proteção.
O idoso deve gradativamente resgatar configurações peculiares do verdadeiro eu, que é desprovido das defesas próprias da parte falsa do eu, desenvolvida para a vida social.
Dessa maneira revive uma forma primitiva de funcionamento físico e emocional. “O ego primitivo sendo frágil, lábil e variante em sua integração, depende da mãe para proporcionar noções de contenção, como as de amparo, constância e equilíbrio.” (Martino, em PRIMEIROS PASSOS RUMO À PSICANÁLISE, 2012).
Da mesma forma, o cuidador dedicado do idoso deve cumprir semelhante função.
Revela-se então a necessidade de abdicação de desejos e adiamento de vontades, enquanto cuida desse que se vê incapaz de cuidar de si mesmo, parcial ou mesmo totalmente. Outra característica que se assemelha com a do bebê é o medo da solidão. “O medo do abandono é vivido pelo bebê como sensação de destruição iminente, já que o bebê só sobrevive através da mãe.” (Martino, 2012). Por mais que esteja cercado de pessoas, naturalmente o idoso padece com intensidade com a ansiedade da solidão.
O cuidador dedicado, impreterivelmente será contagiado por esse medo, assim como por outras formas de ansiedades, que são experimentadas pelo idoso dependente. Assim como na maternagem e na prática psicoterapêutica, também o cuidador de idosos naturalmente experimenta uma enorme carga de estresse gerado pela grande exigência desse exercício.
No caso do idoso acometido pelo Mal de Alzheimer essa carga é ampliada, pois a dependência emocional que se instala é muito grande. Por conta disso, se faz necessário certo procedimento de cuidados especiais, sobre tudo no âmbito emocional, com o sujeito que ora se coloca na função de cuidador de pacientes nessa situação.
Diferente da mãe com seu bebê e do analista com seu paciente, que mesmo sendo no tempo próprio de cada um, devem experimentar de um progresso no que se refere ao que se pode perceber de maneira sensorial, o cuidador de idosos viverá uma difícil experiência onde dia a dia seu paciente deve apresentar maiores dificuldades. Quando se trata do paciente com Alzheimer a situação é mais difícil ainda, pois até na questão emocional-afetiva existe uma degradação. Sendo assim, até a troca afetiva fica comprometida. Por isso o cuidador deve estar muito bem nutrido de afeto que possa vir de outra via.
“É de extrema importância que, ao se arris¬car nesse abismo chamado bebê, a mãe conte com um alguém (marido/pai) que mantenha a mão seguramente dada. De outra forma existirá sempre um grande risco de se perder nesse abismo. (Martino, 2012). Da mesma maneira, o cuidador de idosos, sobre tudo do paciente com Alzheimer deve contar com um vínculo saudavelmente nutridor. Para ser capaz de cuidar do outro é imprescindível que esteja cuidando de si.
É inegável que o cuidado com a saúde física é fundamental, mas, se concordarmos que a auto-estima só pode ser nutrida a partir da estima do outro, então a manutenção de vínculos saudáveis é fator preponderante. Um sujeito que descuide de sua saúde mental, coloca em risco todas as outras dimensões de sua vida.
Prof. Renato Dias Martino
Fone: 17-991910375
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domingo, 3 de junho de 2018
CONHECIMENTO E MATURIDADE
Os temas referentes à
distância que existe entre o “ter” e o “ser”, ou de forma mais expansiva, do
que se pode “ter” e aquilo que se está “sendo”, é recorrente nas reflexões mais
nobres do pensar. Nessa mesma dimensão também o saber está incluso, na medida
em que aquele que sabe, passa a “ter” o conhecimento, e sendo assim, também se
distancia do “ser”, ou do que se está sendo. Se aquilo que é possível se obter
não pode garantir o que se está sendo, o saber também não deve atender essa
demanda.
Na configuração atual
da sociedade a idealização da formação no curso superior tornou-se paradigma.
Para que o sujeito receba olhares aprovadores da sociedade é impreterível que
tenha ele concluído um curso superior de estudo, para que possa com isso
ostentar um título de bacharel ou coisa parecida, em alguma das áreas
oferecidas pelas universidades disponíveis. Assim, o sujeito deve cursar e
cumprir certos critérios para que com isso seja reconhecido socialmente.
O título adquirido pelo
saber é muito bem visto socialmente, por outro lado, aquele que não conseguiu
ou não se interessa por isso, acaba por receber olhares duvidosos ou mesmo
reprovadores da sociedade. Por mais que sua prática profissional seja de grande
importância, ou ainda, por mais que sua habilidade profissional seja refinada,
permitindo o exercício de sua profissão com excelência, mesmo assim, sem o
diploma de curso superior, o reconhecimento social guardará restrições no
reconhecimento.
Slogans como “a
educação é a base de tudo”, ou ainda como Nelson Mandela mencionou em 2003, no
lançamento da rede Mindset: “A educação é a arma mais poderosa que você pode
usar para mudar o mundo”, são cada vez mais reverenciadas. No entanto, o
conhecimento para o imaturo emocional tem efeitos adversos. O conhecimento, num
sujeito imaturo pode ser na melhor das hipóteses inútil, quando não, pode se
tornar uma arma perigosa, voltando-se contra ele próprio, assim como ameaçando
os outros.
A saber, a maturidade
emocional é desenvolvida através de experiências emocionais bem sucedidas e a
fonte nobre por excelência dessa ordem de experiências brota na família bem
estruturada. Família onde as funções maternas e paternas estejam sendo
cumpridas suficientemente bem. Nesse modelo de ambiente é que o sujeito aprende
a estimar a si mesmo, respeitar suas limitações e ganha com isso autoconfiança
para que então possa aplicar essas capacidades no vínculo com o outro. Esse é
um modelo de aprendizado desenvolvido no seio do lar. Não depende do
conhecimento intelectual e está distante da educação, que normalmente é
desenvolvida na escola. Que tipo de conhecimento pode ser útil ou saudável em
um sujeito que não ama a si mesmo, não se respeita e com isso não tem
autoconfiança?
O “saber sobre”, no
desenvolvimento intelectual não garante a maturidade emocional que se refere ao
desenvolvimento do verdadeiro eu, na habilidade de respeitar e cuidar de si
mesmo, assim como do outro, manifestada na capacidade de amar. Um imaturo que
se dedique muito aos estudos tornar-se-á um imaturo muito inteligente. Isso
fica evidente quando se vê crianças que mal sabem higienizarem-se sozinhas, mas
que têm capacidade intelectual tão desenvolvida ao ponto de conseguirem invadir
e hackear importantes redes de computadores.
A maturidade emocional pode abrir
caminho para que se desenvolva um conhecimento intelectual de forma saudável,
mas a intelectualidade não pode garantir maturidade emocional. Se o
conhecimento adquirido através da educação, no desenvolvimento intelectual,
garantisse a maturidade, não teríamos corruptos e até psicopatas com um grau de
intelectualidade muito alto, conseguindo títulos de mestres e doutores.
Assim,
pronuncia-se uma experiência perigosa quando a arma poderosa que pode mobilizar
o mundo, da qual Mandela se referiu, cai nas mãos de um sujeito imaturo.
Portanto, a afirmação de que a salvação do futuro está na escola deve ser
cuidadosamente repensada.
MANDELA, N. Lighting your way to a better future.
Planetarium. University of the Witwatersrand, Johannesburg, South Africa. 16th
July 2003.
Fone: 17- 991910375
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