segunda-feira, 18 de maio de 2026

REALIDADE E ILUSÃO - Prof. Renato Dias Martino

 

O acordo com a realidade é o que orienta a saúde emocional. O ato de se alcançar um acordo com a realidade está subordinado ao reconhecimento, a possibilidade de se respeitar isso que se reconheceu, para que haja a responsabilização sobre isso que se aprendeu a respeitar. No acordo com a realidade, é imperiosa a capacidade de renunciar às ilusões. Ainda assim, me parece impraticável a vida sem ilusões. Ilusões são prazerosas e nos afastam dos desconfortos implicados no reconhecimento da realidade. Viver subordinado às ilusões é nocivo, mas uma vida de desconfortos constantes é tão danosa quanto. Não há como viver bem num desconforto constante.

Portanto, por mais que pareça contradição, me parece que alguma ilusão seja útil, até mesmo para possibilitar a manutenção do acordo com a realidade. Como é difícil a vida daquele que não consegue mais se iludir!

Tratamos do que está entre a verdade explícita e a preservação do funcionamento emocional. A vida sem alguma ilusão pode se tornar intolerável. A lucidez é desconfortável e frustrante; o Véu de Maya, por vezes, parece proporcionar certa proteção. Assim como a máscara de um profissional que solda metais o protege da radiação, muitas vezes a ilusão pode proteger na realização do trabalho.

Uma vez que o sujeito tenha sido forçado a encarar a realidade de maneira veemente, pode vir a perder boa parte da habilidade de se iludir. Uma vez perdida essa habilidade, não há como se “reiludir”. Como circula na gíria contemporânea: não tem como “desver”. Ainda assim, existe um recurso que fica entre a ilusão e a realidade. Falo da esperança que possa orientar a caminhada. A esperança não está no âmbito do real, porém se encontra dentro do possível.

 





Prof. Renato Dias Martino

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