O
acordo com a realidade é o que orienta a saúde emocional. O ato de se alcançar
um acordo com a realidade está subordinado ao reconhecimento, a possibilidade
de se respeitar isso que se reconheceu, para que haja a responsabilização sobre
isso que se aprendeu a respeitar. No acordo com a realidade, é imperiosa a
capacidade de renunciar às ilusões. Ainda assim, me parece impraticável a vida
sem ilusões. Ilusões são prazerosas e nos afastam dos desconfortos implicados
no reconhecimento da realidade. Viver subordinado às ilusões é nocivo, mas uma
vida de desconfortos constantes é tão danosa quanto. Não há como viver bem num
desconforto constante.
Portanto,
por mais que pareça contradição, me parece que alguma ilusão seja útil, até
mesmo para possibilitar a manutenção do acordo com a realidade. Como é difícil
a vida daquele que não consegue mais se iludir!
Tratamos
do que está entre a verdade explícita e a preservação do funcionamento
emocional. A vida sem alguma ilusão pode se tornar intolerável. A lucidez é
desconfortável e frustrante; o Véu de Maya, por vezes, parece proporcionar
certa proteção. Assim como a máscara de um profissional que solda metais o
protege da radiação, muitas vezes a ilusão pode proteger na realização do
trabalho.
Uma
vez que o sujeito tenha sido forçado a encarar a realidade de maneira veemente,
pode vir a perder boa parte da habilidade de se iludir. Uma vez perdida essa
habilidade, não há como se “reiludir”. Como circula na gíria contemporânea: não
tem como “desver”. Ainda assim, existe um recurso que fica entre a ilusão e a
realidade. Falo da esperança que possa orientar a caminhada. A esperança não
está no âmbito do real, porém se encontra dentro do possível.
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