Vale a pena insistir em conviver com quem não compartilha dos mesmos valores?
Quando insistimos em conviver com quem não compartilha dos nossos valores, amiúde somos obrigados a arcar com as consequências daquilo que não aprovamos, comprometendo nossa reputação e paz de espírito. Acontece um desgaste invisível ao tentar moldar a si mesmo para caber em ambientes ou relações onde a base ética e emocional se revela incompatível.
Essa obrigatoriedade da convivência sem afinidade sufoca. Passamos a policiar palavras, esconder sentimentos e viver em um estado de alerta constante para evitar conflitos, o que gera uma fadiga emocional crônica.
Na prática clínica da psicanálise isso fica evidente. Para que possa se estabelecer um vínculo de acolhimento, é imprescindível que antes tenha havido afinidade emocional. A saber: acolher não é aceitar, já que o aceitar é passivo e sugere que se desistiu de refletir sobre o que se aceitou. Já o acolhimento é dinâmico, um constante exercício de reflexão para a expansão.
Por conta disso, um ambiente de concórdia (com = juntos + cordes = coração) é fundamental. A diferença entre aceitar (engolir o outro de forma passiva) e acolher (processar a diferença mantendo a própria identidade) mostra que, sem um ambiente de concórdia — de corações que batem juntos —, não há como propiciar um espaço de crescimento mútuo.
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