sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O mito do Pãe



No modelo atual de família, o que se percebe é um forma onde a dedicação mutua está visivelmente ausente. Famílias que podem contar com um cuidador dedicado são raras. As formas de cuidado partem sempre de certo modelo primário chamado maternagem e essa função materna é imprescindível para a saúde mental. Isso porque enquanto seres humanos, aprendemos a pensar a partir da relação com a mãe. Isso se ela estiver sendo suficientemente boa, como coloca D. Winnicott (1896-1971), importante psicanalista e pediatra inglês. A palavra ‘suficiente’ traz a conotação da metade do caminho em meio ao maravilhoso e o desprezível. O modelo sugerido por Winnicott, não é da mãe exageradamente cuidadosa, que acaba por não permitir que o bebê se desenvolva, mas também não é de alguém desleixado no cuidado com aquele que olha.

D. Winnicott (1896-1971)
 A relação materna é o primeiro contato com o mundo e dela partirão todas os modelos de percepções do que é real. Essa relação é o primeiro contato com aquilo que existe além do ‘eu’ no mundo. Nessa configuração, a forma como se pode pensar o mundo é desenvolvida a partir de uma boa experiência com aquela que ocupa a função de mãe. No entanto, apesar de entender que a função materna tem sua importância independente de quem se dedica a sua prática, penso que a mãe que desejou e gerou essa criança, ainda é a figura mais adequada para essa tarefa árdua de se dedicar á maternagem. Quero dizer com isso que, dificilmente alguma pessoa se dedicará como mãe para cuidar de alguém que não pode desejar, assim como deve acontecer na gestação. Sem a mãe, esse bebê contará então com a caridade de um ser humano disposto a dura tarefa de ser mãe, mesmo sem ter escolhido isso.


Quando, como Winnicott, proponho aqui um desempenho suficientemente dedicado no que me refiro ser a tarefa da maternagem, penso em um modelo onde exista um pai, que se encontre presente em sua tão dolorosa (tanto quanto à de ser mãe) experiência na função paterna. O desempenho dedicado na função paterna inclui a capacidade de suportar todo sentimento de inveja que se origina da atenção da mãe, que se desloca dele, para chegada do filho. A tolerância a ataques de impulsos primitivos que certamente acontece na chegada de uma nova vida será determinante para a saúde do vínculo familiar.


A importância desse vínculo me parece indiscutível, entretanto se torna mais clara ainda quando constatamos que aquele que pode ser fruto do relacionamento de um casal que se ama, dessa mesma forma se adequa, com maior habilidade ao mundo e logo descobre sua função natural. Esse sujeito, sem duvida tem vantagens no que diz respeito a ser humano e desempenha com maior interação a troca afetiva com o mundo.


Apesar disso, em geral a história do pai atual é de alguém ausente. Trata-se daquele que até gostaria de estar lá, mas que não pode por causa das obrigações profissionais, ou por qualquer outra ‘razão maior’ do que o desempenhar de sua função paterna. Ou até mesmo, ausente porque, ainda que fisicamente presente, reserva certa ausência emocional severa. De uma forma ou de outra, incapaz de suportar o exercício de sua função de pai, que não é nada fácil. A incapacidade na ocupação do lugar adequado na concepção do ambiente familiar fez surgir um personagem novo nessa complexa estrutura grupal que chamamos de família.


A denominação “pãe” é ao mesmo tempo, intrigante e perigosa. Uma palavra criada em épocas contemporâneas e que reflete muito sobre o curso do desenvolvimento emocional do ser humano, para além do sujeito. O pãe, nome usado para descrever um sujeito que ocupa duas funções ao mesmo tempo se torna cada dia mais comum. Pai e mãe. O pãe sugere a onipotência (extremamente prejudicial como modelo de ser humano), um super herói sem definição sexual ou de gênero, que na verdade não existe, pois deixa de viver sua própria vida em função do outro.



É muito comum se ouvir mulheres que optaram por ‘produções independentes’, ou seja, a expressão coloquial querendo referir-se a experiência de se ter um filho sem a participação de um homem. No entanto, a fora essa situação que acontece por uma escolha visivelmente narcisista, não é a proposta aqui a de criticar um modelo que em grande parte acontece sem que se escolha. Mas o intuito do texto é o de cogitarmos a ideia de que criar um filho é tarefa para uma dupla (mais especificamente uma mulher e um homem), nunca de um só. A psicanálise nos ensinou com muita clareza que existem mecanismos psíquicos e experiências emocionais extremamente importantes para o desenvolvimento da personalidade, que só podem ser vividas no triângulo formado por Mãe, Pai e Filho. Quero propor que a função de cuidar do que se criou em dois, continua sendo um papel de uma dupla, assim como foi no momento da concepção.


Qual a possível saída, então? Arrisco uma resposta bem curta. Bem mais curta na definição do que na prática. “O pensamento”. A família que pôde ter sido pensada já é algo que vingou. A mulher que pode brincar de ser mãe quando era menina e que desejou isso, cria um espaço interno que comportará essa função de forma harmônica, na vida adulta. Da mesma maneira, o homem que aprendeu a amar, amará sua mulher e os frutos da união com ela. Cuidará de sua função como se cuida de si mesmo e será certamente um bom pai. É só a partir de certo espaço criado que permita o desempenho do conhecer e ser a si mesmo que abre-se espaço para conhecer e aceitar o outro. Conhecer-se a si mesmo não é pensar apenas em si, mas pensar-se em relação ao outro. Dessa forma depende diretamente da capacidade de amar . É a partir do cuidado que se tem consigo mesmo, que se desenvolve a capacidade do cuidado para com o outro.

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Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor

Fone: 17-30113866
renatodmartino@ig.com.br
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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Amarga vingança - Prof. Renato Dias Martino

Amarga vingança
Francine Moreno

Lézio Júnior/Editoria de Arte
   Em março do ano passado, Jimmy Wales, fundador da enciclopédia on-line Wikipedia, dispensou a namorada, a canadense Rachel Marsden, por meio da internet. O que ele não aguardava é que a vingança dela viria também pela rede, com a venda das roupas dele pelo site de leilões on-line eBay. Com pouco menos de cinco dias para o término do leilão, a camiseta, com duas manchas brancas, já havia recebido lance de US$ 15 mil. Em matéria de vingança, Rachel Marsden se saiu muito bem. Como muitos dizem sua vingança foi comida friamente. Mas nem sempre é assim. A publicitária Laura (nome fictício), de 34 anos, está aí para provar. Após uma traição do namorado, foi à casa do rapaz enquanto a faxineira estava lá. Abriu os armários e queimou toda a coleção de camisetas de time de futebol do infiel, que dormia em cama alheia há seis meses, em uma fogueira no quintal. Aliviada e com uma alegria imensa foi para casa. Entretanto, em alguns meses percebeu a encrenca em que havia se metido.

Além de ganhar um processo e pagar todas as despesas da reforma do quintal, sente até hoje, dois anos após, vergonha e remorso. “Hoje entendo a frase de Carmem Sylva, que diz que a vingança é doce, entretanto à abelha custa-lhe a vida”, revela Laura.

Querer dar o troco é normal e pesquisas já comprovaram que traz prazer mesmo, entretanto, dura apenas um dia. “A vingança é uma ação gerada na ausência de tolerância, logo, aquele que é movido por esse recurso primário vive num funcionamento impensado, agindo por impulso. Sendo assim, convive sempre com um sentimento persecutório, na iminência das consequências dessa vingança”, afirma o professor e psicoterapeuta Renato Dias Martino. Quem se vinga tem dificuldade de compreender a outra parte. Às vezes nem enxerga que ela mesmo pode ter contribuído para a situação. De acordo com Prof. Martino, o processo do pensamento é justamente a entrada do outro nas implicações do desejo do eu. “Na verdade, o vingativo carrega um objeto a ser vingado dentro de si mesmo. Quando a vingança pode ser submetida ao pensamento o que se percebe é que sempre está fundada em equívocos.”
 Uma explicação psicológica para que a vingança corra nas veias de algumas pessoas, é que ela é um recurso primitivo usado pelo aparelho psíquico com o intuito de livrar-se de sentimentos indesejados, como humilhação, injustiça e susto. Um desejo de dominar a situação, segundo Sigmund Freud (1856 - 1939). O pai da psicanálise, ilustra em seu “Além do Princípio de Prazer (1920)”, uma situação de vingança. Ele descreve o sentimento da criança quando tem sua garganta examinada pela primeira vez. O médico abre sua garganta com um palito de madeira e olha lá dentro. Freud observa que esse tipo de ‘assustadora experiência’ será tema das próximas brincadeiras, com o coleguinha ou irmãozinho mais novo. “Na impossibilidade de vingar-se do agente da humilhação, escolhe um substituto. São todos sentimentos que em um modo mais aprimorado de funcionamento, são tolerados e posteriormente transformados em pensamento”, afirma Professor Martino. E nesta consequência estão constantemente experimentando e criando dentro de si sentimentos pobres de conteúdo, que com certeza a prejudicam muito mais que seu alvo de vingança.

 Extravase a sua fúria com nobreza

Para o psicólogo e psicoterapeuta Prof. Renato Dias Martino, o método para acabar com a vontade de punir aquele que te machucou requer dois elementos primordiais em forma de capacidades. Capacidade de conter sentimentos indesejáveis e a capacidade de reconhecimento dos próprios limites. “Por se tratarem de capacidades, estamos falando de algo a se desenvolver. Uma busca lenta e exaustiva, mas a única a nos colocar realmente inseridos no mundo.”
Diferente do que as avós aconselhavam, a indiferença não é uma forma de acertar as contas sem partir para atitudes extremas. O certo é que nada seja ignorado, pois em algum lugar dentro de nós isso tomará espaço e crescerá, mais cedo ou mais tarde uma situação inacabada atrapalha mais que ajuda. O melhor é resolver as questões à medida que se apresentam, mas com inteligência emocional.


Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodiasmartino@hotmail.com
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O SENTIDO DA TOLERÂNCIA E O MECANISMO DE INVEJA por Prof Renato Dias Martino (narração e vídeo)

Reflexão sobre os processos psíquicos que conduzem nossas experiências emocionais.
(narração e vídeo)
http://www.youtube.com/watch?v=SUFm81FMBLs

Texto: http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com/2010/02/tolerancia.html
Prof° Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Musico


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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

CINEMA E PSICANÁLISE: SPIDER - DESAFIE SUA MENTE E A TEORIA KLEINIANA.

OBJETIVO: PROMOVER A REFLEXÃO ATRAVÉS DA EXIBIÇÃO E ANALISE DE FILME PELO VÉRTICE PSICANALÍTICO DE MELANE KLEIN.
PÚBLICO ALVO: ALUNOS DE PSICOLOGIA E À COMUNIDADE EM GERAL.
Coordenação professor:  RENATO DIAS MARTINO
Data: 19 DE FEVEREIRO DE 2011
Horário: DAS 14:00 ÀS 17:00 HORAS 
Local: UNILAGO
Valor: Gratuito
Vagas limitadas
FICHA DE INSCRIÇÃO: http://www.unilago.com.br/extensao/info/inscricao/?Curso=341


Prof. Renato Dias Martino

Psicoterapeuta e Músico

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