quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

MÁGOA: Quanto ao que guardamos no peito

Não é com frequência que o sujeito se propõe a pensar sobre suas mágoas. Em geral prefere conservá-las como entraves de ideias. Como que uma “bagunça no pensamento”, gerada por um conflito interno que consequentemente emerge na ação, em alguma tentativa de livrar-se de um sentimento muito desagradável. As magoas sempre estão vinculadas a sentimentos como, os de vergonha, de humilhação, exclusão... Dessa forma a proposta de pensar sobre ideias relativas a mágoa é sempre evitada até as ultimas consequências.


Alguém magoado é alguém impedido de amar. A Ma-agoa é a “água maldosa” que insiste em represar-se no coração, enfraquecendo a capacidade de amar. Afetivamente represada, a mente não permite o fluxo tranquilo da vida. Guardar mágoas é insistir num ressentimento e um re-sentimento é sentir novamente algo que já passou, mas que magoou. Cultivar mágoas é não permitir que a ferida cicatrize. E com o ferimento sempre exposto, mantem-se preso ao passado, impossibilitado de viver o hoje. A raiz dos transtornos mentais como as neuroses, está justamente no desejo que ficou no passado. Um desejo frustrado que se transformou numa magoa e que é, então, ressentida constantemente.


Quando analisamos cuidadosamente aquilo que mantém as mágoas, percebemos um interessante fator invariante. Encontramos ai, um fator sedimentado no passado e por assim ser, distante da realidade que só pode ser confirmada no hoje. Como sabemos o registro do passado é função da memória, logo, pode ser lembrada ou esquecida conforme o desconforto que possa trazer. Tratamos então de um dado distante da realidade e inerente a produções da ordem fantasiosa da imaginação.



Pelo menos para aquele que tem o mínimo discernimento do funcionamento básico da mente, não é novidade que inúmeras enfermidades físicas têm sua origem em um ressentimento. E ainda nessa direção do pensamento, outras moléstias que possam não ter origem psicológica, podem perfeitamente serem utilizadas a serviço da mágoa, como “troféu” para culpabilizar aquele de quem se guarda mágoa.
Aquilo que é ressentido constantemente na mente, tende a criar um representante no corpo, onde pode ser então de forma mórbida, cultivado inconscientemente, como símbolo dessa mágoa.


Aquele que cultiva a mágoa tem um benefício em se manter dessa forma e só se mantem por esse benefício. Na realidade aquele que se mantém magoado com alguém, está depositando no outro uma frustração que na verdade, não é capaz de suportar dentro de si mesmo. Aquele que não se acha capaz de amar e dar sustentação para esse amor, pode ver na mágoa um modo de manter-se unido ao outro num vínculo mantido pela culpa e garantir com isso que não será abandonado.


Contudo não escolhemos ficar ou não magoados. Simplesmente vivemos certas experiências com o outro e com nós mesmos, que podem nos deixar marcas em forma de mágoa. Aquilo que na saúde da alma, deveria ser representado por laço afetivo, na perspectiva da mágoa torna-se um nó de ressentimento. Assim, a esperança de desatar o nó da magoa não pode manter-se apoiada em exercícios que possam ser feitos sozinho, isso por tratar-se de aspectos da mente.


A ajuda “desatadora de nós” deve estar no vínculo saudável e para que haja vínculo necessitamos necessariamente do outro. Claro que existe ai a necessidade de que seja um “outro” capaz de criar e manter um vínculo que guardem características benéficas, também.


Parece claro então, que aquilo que liberta o nó da mágoa está no pensamento da realidade. Também não é novidade dentro da perspectiva dos “estudos do pensar” que existem experiências que só se tornam possíveis junto do outro e pensar é uma delas. O pensar só se realiza tendo o outro como referencia, caso contrario sem parâmetros, se induz a ideia pra onde se deseja, ou ainda evita-se ver o que realmente acontece. Então, existe ai a necessidade da introdução do outro, mesmo que seja o outro já internalizado no eu. Aquele que pensa sozinho, não pode estar pensando, no máximo imagina.


Cultivar bons vínculos é o que cura aquela alma que se encontra carente da verdade. Verdade que só se pode ser reconhecida no contato com a realidade.
Então, se é através do vínculo saudável que se desfaz a mágoa, é prudente estar atento com aquele que supostamente possa ter provocado a decepção, ou que pelo menos, não se conseguiu estabelecer tal vínculo. Talvez por que esse suposto provocador de mágoas pode guardar características referentes às fraquezas, ou fragilidades daquele que se magoou. Dessa forma, manter-se ligado a alguém assim é manter-se exposto a novas mágoas.

O cultivo do afeto, aliado ao conhecimento claro da realidade, formam o fundamento do modelo de vínculo capaz de desintoxicar uma mente envenenada de ideias destrutivas e emperrada nas mágoas, mas por se tratar de um vínculo, nunca se faz sozinho. Dai por diante, consciente das limitações e fragilidades, é muito interessante se afastar de qualquer que seja a ligação que possam sugerir decepções drásticas. Tarefa difícil, pois, a mágoa é uma forma de funcionamento mental que encontra com frequência, convites de colaboradores no mundo.
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Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodiasmartino@hotmail.com
http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com.br

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Dicas de Filmes - "Melancolia"

Do polemico cineasta dinamarquês Lars von Trier, com Kirsten Dunst, Kiefer Sutherland e Charlotte Gainsbourg. Uma jovem mergulha em depressão enquanto sua irmã é um exemplo de vida. Com a iminência de destruição do mundo, a situação toma outra configuração.



Filme excelente!

Link para informações sobre a obra: http://epocasaopaulo.globo.com/cultura/tristeza-nao-tem-fim-em-melancolia-filme-de-lars-von-trier/


Prof. Renato Dias Martino
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Dicas de Filmes - "Não me Abandone Jamais"

Ruth (Keira Knightley), Tommy (Andrew Garfield) e Kathy (Carey Mulligan) cresceram num internato repleto de disciplinas rigorosas nas questões da alimentação e na manutenção do corpo saudável. Criados, praticamente, sem contato com o mundo exterior na misteriosa escola, os três sempre foram muito unidos, mas uma revelação surpreendente sobre doação de órgãos e o objetivo de suas vidas pode mudar o rumo da história. Ainda mais pelo clima de romance entre Ruth (Keira) e Tommy (Andrew) incomodar cada vez mais Kathy (Carey). Apesar de muito desconfortante, uma excelente oportunidade de reflexão sobre a existência humana e a forma como nos relacionamos.
Título original: Never Let Me Go
Lançamento: 2010 (Reino Unido, Estados Unidos)
Direção: Mark Romanek
Atores: Carey Mulligan, Andrew Garfield, Keira Knightley, Charlotte Rampling.
Duração: 103 min
Gênero: Ficção
Prof. Renato Dias Martino
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Música serve de refúgio, diz psicoterapeuta.

Música serve de refúgio, diz psicoterapeuta.
Matéria de Janaina de Paula no jornal Bom Dia, São José do Rio Preto.


Para o psicoterapeuta Renato Dias Martino, em muitos casos, as músicas como a de Michel Teló “grudam na cabeça” porque servem de refúgio para as pessoas esquecerem dos problemas do dia-a-dia.

A música “Ai, se eu te pego”,
do cantor sertanejo Michel Teló
virou febre mundial.
Na maioria das vezes, isso acontece com músicas que têm frases repetitivas. Frases de fácil memorização ocupam a mente, principalmente, nos momentos de tristeza. Quanto mais limitado for o recurso para lidar com a tristeza, mais a música fará sentido naquele momento”, disse o psicoterapeuta.

Matéria de Janaina de Paula, na integra - janaina@bomdiariopreto.com.br  no jornal Bom Dia: http://www.redebomdia.com.br/noticia/detalhe/8827/Rio%20Preto%20cai%20na%20onda%20musical%20de%20Michel%20Telo

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