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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
PSICANÁLISE, FÍSICA QUÂNTICA E AS INCERTEZAS - Prof. Renato Dias Martino
Existem inúmeros fatores, dentro da ciência quântica, da física quântica, que concordam com a ciência psicanalítica. E aí, um nome extremamente importante dentro da física quântica é o Werner Heisenberg (1901 — 1976), que ele vai trazer a possibilidade de a gente perceber as coisas com um vértice do princípio da incerteza. Ele percebeu que, quando ele estudava uma partícula quântica. Ou seja, a menor partícula que se pode estudar, que se pode conhecer, ele precisava jogar um foco de luz nesta partícula, para que ele pudesse estudar. Sem luz não tem como você visualizar esta coisa, mas quando ele jogava esse foco de luz nessa partícula, a luz trabalha através de partículas de fóton, essas partículas ao baterem nesta partícula que se tentava ser estudada interferia na possibilidade de estudo. Não tinha como ter uma certeza daquilo, porque todas as vezes que se iluminava isso, isso sofria uma mudança. É claro que não só a partir disso, mas um estudo muito maior, que eu estou tentando sintetizar de uma maneira extremamente grosseira aqui, mas não se pode ter uma precisão de uma partícula quântica por conta da luminosidade que é necessária para estudar, e aí, na psicanálise, isso surge como uma dádiva, porque não é a função do psicanalista, jogar luz no material que o paciente traz.
A nossa função é justamente o contrário. Nós precisamos trazer a possibilidade de um foco de escuridão, nós precisamos apagar as luzes, para que o paciente possa se iluminar por si só. Não é função do analista iluminar alguma coisa, é função do psicanalista propicia é um ambiente de silêncio e de escuridão, para que o paciente possa iluminar-se por si só, iluminar as suas ideias. A luz não vem do analista, a luz vem do interior do paciente.
Assim como um físico quântico, o psicanalista precisa, sempre abrir sua atenção, incluindo a possibilidade da incerteza. O Wilfred Ruprecht Bion (1897 - 1979), vai chamar isso daí de “capacidade negativa”, da possibilidade de viver uma incerteza, ou de não se convencer com um saber antecipado. Estar sempre aberto a algo que possa surgir, algo que possa estar ali, que ainda não tenha sido notado.
O paciente chega na clínica sofrendo da certeza. Ele tem uma certeza e aquela certeza começa a conduzir a vida dele ao ponto de obstruir o fluxo na sua vida. Porque a vida incerta, porque a vida não tem uma saturação, porque a vida é transformação, porque a vida são possibilidades. Nos julgamos definidos, porém somos possibilidades.
A física quântica contribui dentro nessa perspectiva para as formulações psicanalíticas, quando a gente é capaz de tolerar a incerteza, nós desobstruímos o fluxo da vida e permitimos que as coisas comecem a acontecer a partir das possibilidades. Esta certeza, que o paciente chega trazendo é colocada lá pela Melanie Klein (1882 — 1960) como um mecanismo de defesa da posição esquizoparanóide, naquela posição em que o sujeito cinde a realidade em bom e ruim. Este mecanismo de defesa, é o mecanismo de defesa da onisciência. Então, ele já sabe tudo e a partir do processo psicanalítico, ele vai dissolvendo isso. Ele vai percebendo, porque ele não sabe nada, que ele é um grande ignorante, como todos nós somos, mas aí ele passa a ter consciência desta ignorância e isso é libertador.
Grande parte dos pacientes, sofrem justamente disso, de ter que saber. Nós vemos aí, sujeitos aí, propondo a física quântica como alguma coisa mágica, que faz com que você consiga tudo que você deseja, que é só você ficar pensando assim, ou assado, te dando ali tarefas ou exercício para que você... Não, a física quântica não é nada disso. Isso aí é um mau uso do que a gente chama de física quântica. Assim como nós temos inúmeros ditos psicanalistas, ou supostos psicanalistas usando a psicanálise no mesmo propósito, prometendo coisas ao outro, prometendo processos mágicos de conseguir o que o outro deseja.
Não, não é nada disso! Tanto a física, quanto a psicanálise tem um pressuposto muito claro de tolerar a dúvida, tolerar a incerteza, ser capaz de tolerar o desconforto da sua própria ignorância. É justamente isso, ser capaz de renunciar ao desejo do que você gostaria que fosse para que você possa reconhecer a realidade, assim como ela é, e não como você gostaria que ela fosse. O psicanalista lida com o inconsciente. Se existe um conceito, um termo que baliza, ou que, na realidade fundamenta toda psicanálise, este conceito é o inconsciente.
Se nós estamos falando de inconsciente, dentro da perspectiva psicoterapêutica, nós estamos falando de psicanálise. A descoberta do inconsciente foi a maior descoberta de Sigmund Freud (1856 - 1939), sem sombra de dúvida. Então, se o psicanalista lida com inconsciente, ele não pode lidar com o saber, porque o inconsciente não está disponível ao saber. Pode, na melhor hipótese, ser reconhecido, que diz respeito a admitir que existe e não saber sobre. Quando a gente está falando de psicanálise, quando a gente está falando de física quântica, quando a gente está falando de formulações religiosas, a gente está falando de ser capaz de tolerar a dúvida e não estar focado em um resultado pré-estabelecido.
De ser capaz de tolerar o fluxo incerto da vida e não buscar a realização de um desejo. Então, tanto o crente que está lá na igreja tentando buscar com aquela estada ali, com aquele contato que ele tem com Deus, um benefício com isso, conseguir o seu lugarzinho no céu. O quanto o paciente que busca psicanálise buscando conseguir aquilo que ele tanto quer, ou realização do seu desejo. Quando os cientistas, que começa a estudar, não por uma descoberta científica, mas confirmar aquilo que ele já sabia, que ele supostamente já sabia. Todos estão equivocados! Um sujeito que não tem uma filosofia nobre, ele vai usar essa psicanálise para um mau propósito.
Em todas as áreas, desde a medicina, passando pela psicanálise, passando pela ciência quântica, passando pela política, passando pela religião, passando por todas as os vértices aí, do conhecimento humano, nós temos esta configuração. Uma filosofia de péssima qualidade, conduz esse pensamento para o mal propósito.
Prof. Renato Dias Martino
sexta-feira, 26 de janeiro de 2024
Participação no Podcast Frequência Elevada - Prof. Renato Dias Martino
O QUE É PSICANÁLISE?
Uma definição legal da psicanálise é: Um recurso para se aprender a conviver com aquilo do qual não está de acordo com a minha expectativa. Então, muitas vezes, a gente se depara com a realidade e esta realidade não condiz com o meu desejo, então, a psicanálise é um recurso para que você possa aprender a lidar com esse desconforto que a realidade traz e que não coincide com aquilo que a gente gostaria que fosse.
ACEITAR
O aceitar ele é passivo. O aceitar, ele te leva para um lugar de comodidade, de comodismo, melhor dizendo. Então, talvez a gente pudesse usar a palavra respeitar, aprender a respeitar a realidade. Porque, aceitar a gente não vai aceitar e se a gente aceitar, a gente entrou num âmbito patológico. Todas as vezes que você aceita alguma coisa é porque você olha para aquilo e perdeu a esperança de qualquer transformação. Entendi! Olha só, eu não tinha pensado para esse lado. Por isso que eu tinha falado até “aceitar”. Realmente, quando a gente aceita algo está tudo certo. Aceito, então já... Pois é. Se acomoda e fica ali. Seria meio que ficar na zona de conforto. Pois é, é isso mesmo.
INCONSCIENTE
Quais são as principais os principais conceitos da teoria psicanalítica? Assim... A psicanálise foi criada pelo Freud, Sigmund Freud. Foi ele que criou, mesmo? Ele que criou, ele que elaborou esta psicoterapêutica que hoje a gente chama de psicanálise. Os conceitos, o conceito fundamental da psicanálise é o inconsciente, a parte inconsciente da mente, isso é o esteio da psicanálise. A psicanálise está estruturada nisso. Onde você encontrar e inconsciente, você tem um viés psicanalítico.
DIFÍCIL É ADMITIR
Se você me permitir só fazer uma introduçãozinha. Assim, a psicanálise ela criou um ranço vocabulário particular e que traz uma complexidade do leigo entender isso é extremamente nocivo. A psicanálise é algo que precisa ser acessível a qualquer um. Então, entender psicanálise não é difícil, o difícil é admitir aquilo que a psicanálise traz.
ID, EGO E SUPEREGO
Id, ego e superego. Tem como falar para gente, explicar melhor isso para gente? Como que a gente como que a gente consegue entender isso aí? Vou explicar para você rapidamente o que o Freud chamou de segunda tópica, que é o modelo estrutural da mente. A personalidade se estrutura a partir dessas três instâncias. O id é a parte animal do ser humano, é a parte indomada, é aquilo que vem puro como uma vontade, como um instinto de impulsionar o sujeito em direção a as coisas da vida. Básico. Quando age por impulso. Seria dentro desse id? Seria a força do id. O id é puramente fome, é necessidade sexual... O id é aquilo que está numa num limiar do corpo para o psíquico. O superego é uma instância que é censora. O superego é aquilo que traz o “não”. Estabelece um deveria ser e o ego é aquilo que eu “estou sendo”. O ego é isto que eu estou sendo. Agora, todas as vezes que eu falar de ego, eu estou falando para você de algo que é fluxo e constante construção. Id, vontades instintuais, superego, instância censora, que determina o que eu deveria ser e ego aquilo que eu estou sendo. O ego é aquilo que eu estou sendo e o superego é aquilo que eu deveria ser. Então, todas as vezes que eu não... Esse deveria seria o que eu gostaria de ser? O que eu gostaria, o que a sociedade... Quando a gente pensa assim: poxa eu gostaria de ser assim, eu gostaria de fazer tal coisa, mas não consigo fazer... Isso, isso, isso... Isso comandado pelo superego. É um “ideal de eu”. Todas as vezes que você não está confiando no seu ego, que é aquilo que você está sendo, o que vai te guiar é o seu “ideal de eu”. Quando eu estou confiando e quando eu estou reconhecendo e respeitando aquilo que eu estou sendo o espaço do superego na minha vida é muito pequeno. Se aquilo que eu estou sendo me basta aquilo que eu deveria ser não me importa tanto. Se a gente tem muita coisa que deveria ser seria ruim? Se você estabelece muito o que você deveria ser é porque você não está contente com aquilo que você está sendo.
FILOSOFIA
Tem um pouco de filosofia nisso. Ah! com certeza! O Bion que é um psicanalista contemporâneo que eu gosto muito, ele diz assim, que “a psicanálise é a praxes de uma certa filosofia”. A diferença da filosofia e da psicanálise é a aplicabilidade.
CONVECER
Quando a gente fala assim para alguém: “Ah! Você precisa, de repente, você passar por um psicólogo, um psiquiatra, a pessoa fala assim: ah! Eu não estou louco! Ah! eu não preciso disso!” Existe esse tipo de é um preconceito? Existe sim, existe sim, Marlon. Mas, assim ó: a psicanálise que eu acredito é aquela em que o sujeito vai espontaneamente. Que ele percebe que ele precisa e ele vai. Como que a gente consegue convencer uma pessoa de que isso não é ruim, pelo contrário... Se você precisa se você precisar convencer uma pessoa ela já ela não está pronta para isso. Não está preparada. Até porque, eu acredito que tentar convencer alguma a pessoa de alguma coisa é um desrespeito. Não é função da psicanálise convencer ninguém de nada. A psicanálise pode ajudar no tratamento de problemas emocionais e mentais? Recurso por excelência. A psicanálise pode ajudar muito, se o sujeito estiver disponível para isso. Ele precisa estar disponível. Se ele tiver disponível, a psicanálise é um recurso muito bom para isso. Talvez o melhor. Tenho vinte anos de prática da psicanálise e tem história belíssimas para te contar.
PSICÓLOGO, PSIQUIATRA E PSICANALISTA
Psic-logos = psicologia. Psique é a mente é o funcionamento do sujeito que não está no corpo físico. Eu tenho um corpo físico e eu tenho uma coisa além. Eu tenho uma instância além do corpo físico. Isso a gente vai chamar de psique. Logos é conhecimento. É aquele sujeito que é se propõe a conhecer sobre a psique. Este é o psicólogo. Psiquiatra é uma especialidade da medicina que se propõe a medicar um sujeito que tenha uma patologia mental. Ele vai trabalhar essencialmente, com medicamentos. Medicação. Apesar de que, se você me permitir um adendo aqui, hoje existe uma área da psiquiatria que se deslocou do tratamento de doentes mentais, de pessoas que têm problemas psíquicos e precisam de medicação, mas criou-se uma psiquiatria estética. Sabe o que é isso? Não faço ideia. A psiquiatria estética é aquela que se ocupa de recolocar focar o sujeito no convívio social. Então, se o sujeito por exemplo, apresenta algum funcionamento que destoa do que é socialmente aceito, ele começa a se medicar para se formatar novamente para esse convívio social. Na realidade, a gente está falando aqui de um sujeito que está sendo medicado para satisfazer o olhar social e aí a gente pode chamar esse remedinho que dão para ele de “fica quietinho pra gente gostar de você”. Está acontecendo muito em todas as instâncias, né? Não é? E aí, vamos falar da psicanálise. A psicanálise não é psicologia, a psicanálise não é psiquiatria, a psicanálise se presta a criar um ambiente saudável o suficiente para que o sujeito possa permitir que aquilo que esteja incomodando possa emergir para ser tratado para ser cuidado. E a psicanálise não busca saber, como um psicólogo. O psicólogo quer saber, o psicanalista não quer saber. Não é função do psicanalista saber sobre, mas é função do psicanalista “estar sendo” em relação. Uma coisa é o saber sobre você, outra coisa é estar sendo em relação a você. Quando eu estou sendo em relação a você, eu crio um ambiente emocional que propicia um crescimento, uma expansão, uma maturação. A gente precisa viver experiências juntos, experiências que possam propiciar reparação emocional. Estar ali, num ambiente emocional-afetivo sem julgamento, sem crítica, sem bajulação, sem tentativa de convencimento, ou sedução. Isso é terapêutico.
ÉDIPO
A gente falou você falou também aqui sobre o Freud e sobre o complexo de Édipo. Pode explicar um pouquinho para gente, o que é isso? À princípio, quando o Freud apresentou o complexo de Édipo, ele foi execrado pela classe médica, pela classe dos pensadores da época. Porque, ele trouxe assim: o filho quer se apossar da mãe e quer matar o pai. Essa é a história do Édipo. O Édipo foi um sujeito que matou o pai e casou-se com a mãe, na mitologia grega de Sófocles que é o autor do Édipo. Essa é a história e isso é vido por cada um de nós. O bebê quer ficar com a mãe só para ele. Tanto o menino, quanto a menina. Ele quer a mãe para ele. Só para ele. E quando o pai entra, o pai é um intruso e qualquer intruso que possa entrar ali, para estragar aquele paraíso que ele vive, entre ele e a mãe, vai ser, tem que ser exterminado. Não é? Aniquilado! Então, esta é a proposta inicial do Freud. Este é o complexo de Édipo do Freud. Mas, vai muito para além disso. Essa estruturação do Édipo, traz assim, um sujeito um objeto de desejo e um opositor a se conseguir esse objeto de desejo. O que que você faz quando você deseja muito uma coisa e tem alguma coisa que te impede de conseguir esta coisa? Você tenta tirar aquilo que está te atrapalhando. A nossa vida cotidiana é um grande complexo de Édipo.
RELACIONAMENTO TÓXICO
Como que seria esse relacionamento tóxico que você citou ali? O relacionamento tóxico, o Marlon, ele se configura sempre quando eu me relaciono com o outro, não como sendo outro, como sendo uma outra pessoa, que tem sua autonomia, que tem suas vontades, tem seus desejos, mas eu me relaciono com o outro, como se ele fosse uma extensão do meu desejo. Quando eu não consigo reconhecer o limite entre o eu e o outro. Quando esse limite não é reconhecido, não é respeitado e não há uma responsabilização, se instala uma relação tóxica. Vamos criar um casal aqui? Para gente resolver a situação desse casal, qual seriam os passos? Teria algum passo a passo, teria alguma coisa que eles podem fazer? É assim, para se resolver essa questão um desses dois precisa despertar para aquela situação nociva. Precisa haver um despertar do sujeito e esse despertar é de dentro para fora, não é de fora para dentro. Na psicanálise não acreditamos em qualquer intervenção que venha de fora. Tudo precisa vir de dentro. É por isso que eu disse, precisa ser um ambiente saudável o suficiente para que aquilo que está dentro, possa vir para fora. Essa pessoa precisa conseguir enxergar o que ela está fazendo isso. Cinco passos. Um, perceber que está acontecendo alguma coisa, dois, reconhecer que isso realmente está acontecendo. Perceber é uma coisa, reconhecer é admitir que realmente aquilo está acontecendo. Terceiro passo, aprender a respeitar isso, quarto passo, se responsabilizar por isso que está acontecendo. Quando o sujeito se responsabiliza, começa a transformação e a transformação vai se dar de uma maneira mais bem sucedida, por assim dizer, se ele estiver sendo auxiliado por alguém qualificado. No caso, um psicanalista.
ESCOLHAS
Decisão é quando você tem escolha. Você tem opções, atitude, o caminho é um só. Eu posso ficar parado, ou ir. Então, atitude é uma coisa, decisão é outra. Decisão, eu tinha opções, atitude não tem opção, eu só estou esperando o meu momento adequado para agir. Tomar coragem para vir fazer isso. Isso! Coragem! Essa palavra é magnífica. Cor-agem! “Cor” é coração e “agem” é ação. Agir pelo coração. Então, eu preciso estar preparado para agir com o coração e aí, não tem escolha. Que top! E aí, não tem escolha Marlon. E aí, é assim é capacidade, é desenvolvimento. Quanto mais maduro emocionalmente você fica, menos escolha você tem. Você vai e faz. Você vai e faz, porque você percebeu que aquele é o caminho. Eu gosto muito do vértice místico-religioso, das formulações religiosas. Porque, auxilia demais na prática da psicanálise. Deus nos dá o livre arbítrio. Deus nos dá a faculdade da escolha. Mas, para que que ele dá? Ele dá para que a gente possa viver experiências, para reconhecer que, na verdade é a vontade Dele que prevalece e não a tua. Desempenhando o seu livre arbítrio, você está iludido, você está envolvido com as questões materiais e mundanas. Quando você está de acordo com a realidade, você está no caminho Dele. Seja feita a Vossa vontade e não a minha. Isso te conduz para o caminho que é um só. O acordo com a realidade.
LUTO
Qual que é a importância do luto? Para o pessoal aqui, realmente saber. Fundamental! Vamos voltar no Complexo do de Édipo? Vamos! Então, assim óh! Um desdobramento saudável, a criança começa a perceber que a mamãe é do papai e não minha. Isso leva a criança a viver um luto. Todas as vezes que você reconhece e aprende a respeitar aquilo que você perdeu, você vive um luto. Quando a gente não respeita esse processo, a gente vai acumulando lutos não elaborados e é isso que leva o sujeito a cair naquilo que, contemporaneamente a gente chama de depressão.
DEPRESSÃO
Na psicanálise o que seria depressão? Depressão, na realidade, é todo o movimento de introjetar, interno. Quando você se deprime é porque você se entristeceu, porque você se desinteressou do mundo externo, por assim dizer. As coisas do mundo perdem a graça e você se volta para dentro. Isso é saudável. Você precisa viver isso. Cada vez que você vive uma frustração, é importante que você se retire do mundo externo para viver uma elaboração disso que você se desiludiu. Isso vai te levar à um acordo com a realidade. Mas o sujeito pode viver duas situações que vão levar ele a uma depressão patológica, que não é essa que eu estou te dizendo. A primeira é quando ele viveu com aquilo que foi perdido, uma relação nociva, que não tenha sido saudável, quando você viveu uma relação nociva com alguém e você perdeu este alguém, você cai numa depressão patológica. Porque, o que fica são lembranças ruins. A depressão, realmente, é ficar revivendo o passado. Isso mesmo! E aí, você cai nisso que o Freud vai chamar de melancolia. Mas tem uma outra forma de você cair, patologicamente, em depressão. Quando você é impedido de viver os lutos cotidianos da sua vida. Quando você foi perdendo coisas e você não pôde se retirar para viver o luto dessas coisas e teve que continuar trabalhando, continuar sorrindo, continuar fazendo as coisas que você tinha que fazer, porque existia uma demanda social que você precisava cumprir. Você vai acumulando esses lutos e uma hora você não aguenta mais e cai em depressão patológica.
ANSIEDADE
E ansiedade? Ansiedade é gerada por um “deveria ser”. Quando você estabelece alguma coisa que você tem que ser, que você deveria ser e você não está de acordo com aquilo que você está sendo. É aquilo que te cobra, que te exige de ser alguma coisa, de fazer alguma coisa, que muitas vezes não está no seu alcance. E onde tem cobrança, ou exigência não pode ter a saúde nos vínculos. Nem do eu com o outro, nem do eu com ele mesmo. Quando a gente não confia na gente mesmo, a gente abre essa brecha.
CONFIAR
Como que a gente consegue uma confiança na gente mesmo? Autoconfiança só pode se desenvolver a partir da confiança do outro. Quando alguém confia em mim eu consigo ter autoconfiança, é isso? Isso! O Marlon convidou o Professor Renato para o podcast, eu confiei no Marlon, a partir da minha estada aqui você passa a confiar mais em você. Cada um que você convida e confia em você, você vai ficando, cada vez mais autoconfiante. Não adianta vir falar que tem técnica. que tem autoajuda, livro disso, aquilo. Não existe! A autoconfiança é originada da confiança do outro. Não tem outro lugar. O que é confiança? Toda a palavra que tem o radical, no latim e tem “com” no prefixo, quer dizer “junto”. E fiança é fiar. Eu fio com você e você fia comigo. Confiança é vínculo, eu fio daqui e você fia daí. Eu acredito em você, você acredita em mim e isso faz com que a gente cresça.
EXPECTATIVA
Quando eu posto alguma coisa na rede social, eu não estou querendo um resultado, eu já estou postando o resultado. Então, isso é muito interessante. Quando você faz alguma coisa sem expectativa de resultado, o resultado vem. A expectativa é a mãe da frustração.
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Wilfed R. Bion
quinta-feira, 21 de setembro de 2023
INTEGRAÇÃO E ESCOLHAS - Prof. Renato Dias Martino
No início da vida do ser humano, a sua personalidade é naturalmente desintegrada. É a partir do acolhimento do outro que essa integração vai acontecendo. O Bion, por exemplo, propõe a ideia da função-alfa. A função-alfa, por si só, é um recurso de integração. A partir da possibilidade da mãe acolher o conteúdo do bebê e devolver para ele de uma maneira elaborada permite que este elemento que hora é devolvido possa se integrar aos outros elementos internos do bebê. Há a necessidade imperiosa da ação externa, de uma outra pessoa para que o sujeito possa se integrar. Sem a experiência com o outro, não há a possibilidade de integração. É necessário e fundamental que haja a experiência de vínculo com outro para que possa haver a possibilidade de integração da personalidade do sujeito.
DECISÃO E DESINTEGRAÇÃO
Todas as vezes que o sujeito decide, ele desintegra. Todas as vezes que há uma necessidade de decisão, há impreterivelmente uma desintegração. Quando o sujeito está integrado, ele não decide, ele simplesmente percebe reconhece e toma uma atitude, a partir disso que ele reconheceu. Não é o sujeito que decide, enquanto ele está de acordo com a realidade. Mas é a percepção e o reconhecimento dessa realidade que mostram para ele a atitude que precisa ser tomada. A própria palavra diz. Decisão! Então, cada vez que o sujeito decide, ele cinde a realidade e toma uma parte como todo, ou como certo.
ESCOLHAS
A escolha é uma ilusão. A escolha serve para um único objetivo, para que você possa aprender com a experiência, para que você possa se integrar, entrar num acordo com a realidade, para perceber que não existe escolha, seja no âmbito que for. Quando o sujeito está escolhendo, ele está iludido, ele não está de acordo com a realidade. Tem uma panela com água fervendo. Existe alguma coisa dentro da panela que você precisa pegar. Você pode escolher enfiar a mão e pegar aquilo que está dentro da panela com água fervendo. Existe essa escolha! Mas você vai queimar a sua mão, você vai se machucar, mas ainda assim eu vou lá, enfio a mão para pegar aquilo, então eu escolhi. Mas, se você tiver de acordo com a realidade, a realidade vai mostrar para você que aquilo é inadequado e que o prejuízo é claro. Existe uma consequência clara, quanto a aquilo. Então, cada vez que eu estou de acordo com a realidade o caminho é um só.
DESEJO E ESCOLHA
Para aquilo que realmente importa não existe escolha, e aí, você vai dizer: “Bom, então, para as futilidades existe escolha?” Não! Para as futilidades também não existe escolha, porque na realidade, cada coisa que você imagina que você escolheu, antes passou pelo seu inconsciente, ou pelo seu pré-consciente, pelas suas questões reprimidas e você acabou escolhendo por conta de alguma coisa que te antecedeu, que é questão do desejo. O sujeito, quando ele deseja alguma coisa, na verdade, aquele desejo não é dele. Aquele desejo está impregnado de uma série de experiências anteriores que fizeram com que ele quisesse aquilo. A pessoa deseja fazer sexo livre. Isso é um desejo da pessoa. Não, não é um desejo da pessoa! Este desejo está impregnado por um impedimento, por alguma coisa que ele viveu na infância dele, que o impediu de viver as experiências e hoje quando ele faz esse sexo livre ele se sente extremamente livre daquilo que foi reprimido lá atrás. Então, não tem a ver com o sexo livre, mas tem a ver com a possibilidade dele se libertar daquela repressão anterior que gerou uma revolta enorme e hoje ele transfere, ele substitui por esta compulsão sexual livre. Então, não tem a ver com desejo, não tem a ver com escolha. E por outro lado, existe uma outra questão quanto as escolhas. Também o sujeito, quando diz que escolheu, ele está fornecendo essa experiência ao seu “ideal de eu”, ao seu “deveria ser” para que depois seja cobrado e se sinta culpado por ter escolhido aquilo, quando na realidade, não existia outro caminho, aquilo foi o que ele deu conta de fazer e não foi o que ele escolheu, foi o que foi possível ser feito naquele momento. Então, ele não pode se culpar, mas deve na realidade, se responsabilizar por isso.
DESEJO E REPRESSÃO
Vamos pegar um outro exemplo. O sujeito que tem uma compulsão alimentar. Ele deseja comer demais. Na verdade, isso não é um desejo dele, isso na verdade, tem por trás, algo reprimido, uma carência muito grande, uma privação de afeto na sua infância, que hoje ele substitui pela alimentação compulsiva. Não existe ali um desejo genuíno. O desejo está sempre impregnado de experiências reprimidas do passado. Qualquer que seja esse desejo.
ESCOLHAS E ACORDO COM A REALIDADE
Eu escolhi a camiseta azul para colocar hoje. Não! Eu não escolhi essa camiseta azul. A realidade me levou para colocar essa camiseta azul. Seja a realidade da praticidade. Porque ela foi a primeira que estava ali no guarda-roupa e eu peguei, ou seja, por conta de um elemento que está fora da minha consciência, que esteja pré-consciente ou inconsciente, que me levou a pegar esta camisa. Mas de escolha consciente, não existe uma coisa muito pequena. Tudo que está num acordo com a verdade, com a realidade, segue um caminho único e só e quanto mais integrado que você esteja com a realidade, mais você está seguindo este caminho que é o único.
ESCOLHA INCONSCIENTE
O sujeito, na realidade, ele se aproxima do outro sem saber o porquê ele está se aproximando. Ele não tem consciência de porque ele está se ligando aquela pessoa, não foi por escolha e ele passa o resto da vida tentando argumentar e justificar o porquê que ele está com aquela pessoa, e não consegue. Existe escolha dentro da perspectiva da ilusão. Se você não tiver dentro da ilusão, você não tem escolha. A gente tem a ideia de que você conhece alguma coisa e passa a gostar daquela coisa que você conheceu. Na realidade, não é isso. Você gosta de alguma coisa e depois passa a vida inteira tentando entender.
ESCOLHA E ONIPOTÊNCIA
Dizer que você é capaz de escolher traz uma sensação de poder, traz uma sensação de onipotência, traz uma sensação de que você consegue tudo que você escolheu. Mas, na realidade, não existe nada que seja possível escolher. Tudo depende da capacidade de cada um. Tudo depende da oportunidade. Tudo depende de uma configuração muito maior, que está extremamente distante da escolha de cada um de nós. Então, ninguém escolhe amar, ninguém escolhe tratar o outro bem, ninguém escolhe a pessoa que se envolveu. Não há escolha. Tudo isso acontece por um sistema muito mais amplo, que não está dentro da perspectiva do desejo do sujeito. Isso vai acontecendo por conta desse sistema muito maior, por conta da configuração da realidade.
DO CONHECIMENTO À TRANSFORMAÇÃO
Quando a gente fala de conhecer, nós estamos falando de alguma coisa que precisa estar invariante. Ela precisa ser da mesma forma, para que eu possa ter o domínio do conhecimento quanto a isso. Quando a gente está falando do processo emocional-afetivo, nós estamos falando do “estar sendo”, de uma transformação constante. Então, não há possibilidade de conhecer. Então, conhecer a si mesmo, autoconhecimento é uma ilusão, porque nós “estamos sendo”. Aquilo que você conheceu hoje amanhã já não é mais igual o Bion diz assim: “O sujeito que começa uma frase, ele não é o mesmo depois que ele termina”. Então, o autoconhecimento é uma falácia, é uma mentira. O que você acha que você conhecia, dali cinco minutos não é mais aquilo que você acreditou que conheceu. Então, existe aí, a necessidade de perceber, reconhecer, que não é conhecer, reconhecer é admitir a existência, aprender a respeitar, para se responsabilizar por isso. E não há possibilidade de conhecimento, de saber, isso tudo é uma ilusão muito grande. Se a gente estiver falando da materialidade das coisas, do mundo concreto, isso faz um sentido muito grande, porque a gente está falando de coisas invariantes, que vão ficar daquela forma por um bom tempo. Então, um médico pode ter conhecimento do corpo físico, mas um psicanalista não pode ter conhecimento do funcionamento emocional-afetivo, porque é transformação.
O SABER NÃO GARANTE
Saber sobre uma realidade, não garante que você seja capaz de lidar com ela. E aí, ele passa a se cobrar: “Puxa vida! Agora que eu sei, eu não consigo fazer nada.” Saber as consequências das coisas, não faz com que você deixe de fazê-las. Se saber de alguma coisa te protegesse de algum mal, você ia pegar o maço de cigarro, ia ver que aquela foto horrível de uma pessoa doente e não iria fumar. Então, saber não garante nada. Saber o porquê não vem a água não diminui a sua sede.
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Wilfed R. Bion
domingo, 17 de setembro de 2023
INCONSCIENTE, PRÉ-CONSCIENTE E CONSCIENTE - Prof. Renato Dias Martino
Quando a gente fala de inconsciente, pré-consciente e consciente, a gente precisa falar sempre de cotas. A única coisa que é genuinamente inconsciente é um instinto. Isso é genuinamente inconsciente. Todos os outros elementos do funcionamento psíquico têm uma cota inconsciente, pré-consciente e consciente. Existem elementos que são mais inconscientes e outros menos inconscientes. Tudo isso que você chama de consciência, na realidade, tem uma cota sempre por trás, que não é muito bem consciente, por trás disso tem algo que é completamente inconsciente. E aí, se a gente tiver falando então, de um elemento que sugere um “ideal de eu”, por exemplo, um ideal preestabelecido, isso nunca é totalmente inconsciente. Tem uma parte inconsciente, mas grande parte disso é pré-consciente, na realidade, porque precisou de um modelo externo para que você pudesse estabelecer este ideal. E aí, já não posso mais chamar de inconsciente, porque tem um contato com o mundo externo, tem um contato com o outro, tem um contato com o ideal preestabelecido de perfeição.
CONSCIÊNCIA
O que que a gente chama de consciência? De uma maneira bem simples é assim: A ciência compartilhada = com + ciência. Eu sei de alguma coisa e eu consigo compartilhar isso que eu sei com o outro. Isso eu chamo de consciência. O que é diferente do acordo com a realidade. Porque o acordo que eu tenho com a realidade independe do saber. Mas a consciência está subordinada ao entendimento, ao conhecimento, já que é ciência. Consciência! Eu tenho algo que eu sei e eu consigo comunicar isso ao outro, compartilhar isso com o outro, logo tenho consciência disso. Agora, existe a pré-consciência. A pré-consciência é quando eu sei, mas eu não consigo compartilhar com o outro, então é pré-consciente. eu ainda não consigo compartilhar com o outro. Então, todos os elementos que estão ali, dentro da mente, tem uma parte consciente e pré-consciente, só aquilo que é da ordem dos instintos, daquilo que é muito profundo, daquilo que nunca teve contato com o mundo externo, que eu posso, genuinamente chamar de inconsciente.
RENÚNCIA
A renúncia vai acontecer quanto ao elemento do desejo, ao objeto de desejo. Se é objeto do desejo ele está pré-consciente, ou consciente, nunca inconsciente. Aquilo que está no inconsciente é vontade, é básico, é necessidade. E quanto a isso, eu não tenho como renunciar, eu posso adiar a satisfação, mas renunciar, não tem como. porque é necessidade básica. Agora, quanto ao desejo eu posso renunciar porque não é básico porque na realidade é um elemento substituto daquilo que era da vontade anteriormente.
PARADOXO DO INCONSCIENTE
Na realidade, não existe formas de acessar o inconsciente. O inconsciente pode vir a emergir e aí você tem acesso a ele, mas quando ele emergiu, ele já não é mais inconsciente. Quando ele emergiu ele já é pré-consciente, ou consciente. o inconsciente é fonte, é algo que brota. Para você ter acesso a algo que é inconsciente, ele já não pode ser o mais inconsciente, porque o seu acesso já retira dele o atributo de inconsciência, mas traz para ele, já é uma cota de consciência.
REPRIMIDO
Conforme o ambiente que o sujeito está configurado, está inserido, os elementos estão mais conscientes, ou menos consciente. Por conta da ameaça que o sujeito acaba reprimindo aquilo, ao ponto de ele perder a consciência disso. Mas aquilo não voltou a ser inconsciente, mas está ali numa esfera tão reprimida que o sujeito perde o acesso aquilo, mas que em um outro momento, num momento onde ele esteja inserido num ambiente um pouco menos ameaçador, aquilo ali vai emergir, mas com características conscientes, porque foi reprimido.
EMERGIR PELO ACOLHIMENTO
A psicanálise, sobretudo o modelo da psicanálise acolhedora, ou a psicanálise do acolhimento, propicia um ambiente saudável o suficiente para que os elementos que estejam mais profundos, inconscientes, ou pré-conscientes, possam emergir, por conta da ausência de ameaças, sejam elas de julgamento, de crítica, ou de bajulação e sedução. Ausência desses elementos nocivos, faz com que o aparelho emocional-afetivo se sinta liberado para que possa emergir elementos que estavam ali, ou reprimidos no pré-consciente, ou até elementos inconscientes, que possam começar a aparecer ali para ganhar um pouco mais de clareza.
CONSCIÊNCIA
O que que a gente chama de consciência? De uma maneira bem simples é assim: A ciência compartilhada = com + ciência. Eu sei de alguma coisa e eu consigo compartilhar isso que eu sei com o outro. Isso eu chamo de consciência. O que é diferente do acordo com a realidade. Porque o acordo que eu tenho com a realidade independe do saber. Mas a consciência está subordinada ao entendimento, ao conhecimento, já que é ciência. Consciência! Eu tenho algo que eu sei e eu consigo comunicar isso ao outro, compartilhar isso com o outro, logo tenho consciência disso. Agora, existe a pré-consciência. A pré-consciência é quando eu sei, mas eu não consigo compartilhar com o outro, então é pré-consciente. eu ainda não consigo compartilhar com o outro. Então, todos os elementos que estão ali, dentro da mente, tem uma parte consciente e pré-consciente, só aquilo que é da ordem dos instintos, daquilo que é muito profundo, daquilo que nunca teve contato com o mundo externo, que eu posso, genuinamente chamar de inconsciente.
RENÚNCIA
A renúncia vai acontecer quanto ao elemento do desejo, ao objeto de desejo. Se é objeto do desejo ele está pré-consciente, ou consciente, nunca inconsciente. Aquilo que está no inconsciente é vontade, é básico, é necessidade. E quanto a isso, eu não tenho como renunciar, eu posso adiar a satisfação, mas renunciar, não tem como. porque é necessidade básica. Agora, quanto ao desejo eu posso renunciar porque não é básico porque na realidade é um elemento substituto daquilo que era da vontade anteriormente.
PARADOXO DO INCONSCIENTE
Na realidade, não existe formas de acessar o inconsciente. O inconsciente pode vir a emergir e aí você tem acesso a ele, mas quando ele emergiu, ele já não é mais inconsciente. Quando ele emergiu ele já é pré-consciente, ou consciente. o inconsciente é fonte, é algo que brota. Para você ter acesso a algo que é inconsciente, ele já não pode ser o mais inconsciente, porque o seu acesso já retira dele o atributo de inconsciência, mas traz para ele, já é uma cota de consciência.
REPRIMIDO
Conforme o ambiente que o sujeito está configurado, está inserido, os elementos estão mais conscientes, ou menos consciente. Por conta da ameaça que o sujeito acaba reprimindo aquilo, ao ponto de ele perder a consciência disso. Mas aquilo não voltou a ser inconsciente, mas está ali numa esfera tão reprimida que o sujeito perde o acesso aquilo, mas que em um outro momento, num momento onde ele esteja inserido num ambiente um pouco menos ameaçador, aquilo ali vai emergir, mas com características conscientes, porque foi reprimido.
EMERGIR PELO ACOLHIMENTO
A psicanálise, sobretudo o modelo da psicanálise acolhedora, ou a psicanálise do acolhimento, propicia um ambiente saudável o suficiente para que os elementos que estejam mais profundos, inconscientes, ou pré-conscientes, possam emergir, por conta da ausência de ameaças, sejam elas de julgamento, de crítica, ou de bajulação e sedução. Ausência desses elementos nocivos, faz com que o aparelho emocional-afetivo se sinta liberado para que possa emergir elementos que estavam ali, ou reprimidos no pré-consciente, ou até elementos inconscientes, que possam começar a aparecer ali para ganhar um pouco mais de clareza.
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