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quarta-feira, 20 de março de 2024

EVOLUÇÃO DA RAÇA HUMANA - Prof. Renato Dias Martino


Não acredito que a humanidade esteja evoluindo. A tendência de uma raça que prolifera descontroladamente como é o caso do ser humano, é o rebaixamento da qualidade do indivíduo. Os bebês teriam que ser mais bem cuidados pelos seus pais e não é isso que está acontecendo. Seres humanos sendo colocados no mundo sem o menor cuidado, sem a menor dedicação para evolução. Então, não é possível que uma raça possa evoluir sem que seja cuidada adequadamente. Pelo contrário, a gente vai despejando seres humanos sem o menor cuidado e esses seres humanos vão trazendo uma configuração nociva para própria sociedade e para própria espécie em si.

QUALIDADE DO SER HUMANO

Na forma que vai se desconstruindo o modelo da família, vão se introduzindo ideias nocivas de ideologias e coisas parecidas. Que vão trazendo a impossibilidade do sujeito se tornar um pouco mais contido um pouco mais pacífico, um pouco mais tolerante dos desconfortos. Parece que a gente vai assistindo uma formação de um sujeito, de um humano revoltado, de um humano violento, hostil, porque ele vai sendo abandonado em instituições, em creches muito cedo, ele vai sendo colocado aos cuidados de terceiros muito cedo. Então, ele vai se tornando um sujeito cada vez mais distante da realidade e vai ficando cada vez mais incapaz de criar uma relação afetiva com a realidade, porque ele é abandonado muito cedo distante da realidade e isso vai dificultando que ele possa se tornar um animal mais pacífico, mais calmo mais tolerante. Pelo contrário, ele vai se tornando um sujeito agressivo, reclamão, ativista. Ao avesso daquele que pôde contar, por exemplo, com uma estruturação de uma família tranquila, com uma mãe que pudesse cuidar dele dedicadamente, com um pai que pudesse resguardar esse lar de maneira pacífica, de maneira afetiva, carinhosa. Essa sociedade que vai sendo configurada dessa forma desestruturante. A desvalorização da figura paterna, da função paterna. A desvalorização até, dos cuidados maternos, como se não tivesse importância que qualquer outra pessoa pudesse estar com essa criança nos primeiros anos de vida.



quinta-feira, 4 de agosto de 2022

DAS FUNÇÕES BÁSICAS AOS MOVIMENTOS IDEOLÓGICOS

 


A estruturação da personalidade acontece nos primeiros anos da vida. Está diretamente subordinada ao cumprimento bem sucedido da função materna, que a saber, só pode ocorrer quando resguardada pela função paterna suficientemente bem cumprida. Falhas no cumprimento bem sucedido dessas funções básicas têm inúmeros desdobramentos, sendo que na grande maioria dos casos acarretam consequências perturbadoras, turbulentas e inclusive indeléveis.

A privação da função materna pode vir a gerar formações neuróticas com desdobramentos, tanto em conversões no corpo, nas doenças psicossomáticas, quanto na obstrução de ligações e manutenção de vínculos saudáveis. Quando essa privação ocorre numa idade muito precoce, pode vir a ter implicações ainda mais graves, num modelo psicótico e até mesmo autista. No que se refere à falha da função paterna, as consequências estão diretamente ligadas a dificuldade no reconhecimento dos limites, gerando tendências à delinquência, violência e hostilidade, tanto para consigo mesmo, quanto para com o outro. A falha no cumprimento suficiente da função paterna na vida da criança, ainda pode se desdobrar em incapacidades na autonomia financeira, na autoconfiança, assim como conflitos na orientação sexual do adulto.

Outra forma de manifestação dos desdobramentos das falhas no cumprimento suficiente das funções básicas, são percebidas nos movimentos sociais de cunho ideológico, assim como proposto pelo filósofo francês Destutt de Tracy (1754 – 1836). Ou ainda como propõe Karl Marx (1818 – 1883), em seu livro A IDEOLOGIA ALEMÃ, de 1846. Para Marx, a ideologia é uma falsa consciência da realidade, que oculta a realidade. Certa percepção da realidade que toma uma parte como se fosse a totalidade.

Um discurso que dissimula a realidade, mostrando apenas aparências, ocultando a essência, já que são construídas através de percepções sensoriais do mundo externo. Ações coletivas que adotam preceitos que segregam os seres humanos em classes, separando-os por cor, raça, sexo e por aí a fora.

Movimentos sociais ideológicos são originados das dificuldades na elaboração de complexos emocionais e afetivos no âmbito pessoal. Essa dificuldade no desenvolvimento emocional tem um reflexo direto na forma como esse sujeito vê o mundo e reconhece a realidade. Aquele que tenha vivido uma grande privação e ainda assim, tenha sobrevivido, mas não tenha conseguido elaborar essa falta, pode criar a convicção de que ninguém mais no mundo precisa daquilo que lhe faltou. Quando inúmeros indivíduos que compactuam com esse tipo de ideias se unem com outros surge os movimentos sociais ideológicos.

Dificuldades que não tenham sido bem elaboradas no âmbito privado acabam por transbordarem no âmbito público. Uma grande dependência do governo e dos poderes públicos, pode se estabelecer como uma tentativa de compensar uma falha na nutrição primitiva, no vínculo com a mãe, assim como problemas com a polícia, ou mesmo com a justiça, podem derivarem de falha no reconhecimento dos limites, que é fator da função paterna. O que um dia foi o medo infantil da rejeição da mãe e depois do pai, hoje se tornou o medo da rejeição social.

Nesse domínio, esforços são efetuados numa tentativa infecunda de mudar o mundo, mas na realidade, não está sendo capaz de tolerar algo que está dentro de si mesmo. Enquanto uns procuram mudar o mundo, outros buscam aprender com o mundo, como se tornar alguém melhor.






EAGLETON, Terry. Ideologia. São Paulo: Unesp, 1997.

VINCENT, Andrew. Ideologias políticas modernas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.






Prof. Renato Dias Martino

Psicoterapeuta e Escritor




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São José Do Rio Preto – SP

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