sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Dicas de filmes - Bem Me Quer, Mal Me Quer

À la folie... pas du tout (Original)

Nesse belíssimo romance francês de 2002, dirigido por Laetitia Colombani, Audrey Tautou (a mesma de O Código Da Vinci e O Fabuloso Destino de Amélie Poulai) interpreta Angélique, uma artista plástica que envolve-se numa louca paixão por Loïc, um médico cardiologista casado, interpretado pelo ator Samuel Le Bihan. Desprezando todo o alerta de seus amigos, sobre vários fatos que evidenciam o contrário, ela prossegue imaginando que o médico corresponde ao seu amor. Entretanto, aquilo que parecia ser um simples desencontro amoroso acaba por se transformar numa arriscada obsessão.

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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Prof. Renato Dias Martino - Inveja e Gratidão



Prof. Renato Dias Martino - Inveja e Gratidão

A gratidão é uma evolução do sentimento de inveja.
A inveja por sua vez precisa evoluir para gratidão, eu só posso ser grato se um dia eu invejei. A ideia kleiniana é essa. 
Se eu nunca invejei eu não posso ser grato de nada.
Nós não estamos aqui falando de um autoerotismo, do narcisismo primário e ai um amor objetal? 
A inveja também segue o mesmo ciclo de evolução.
A inveja é a admiração sem capacidade. 
Então, eu admiro alguma coisa e ainda não sou capaz disso, ai eu me torno capaz disso e a partir dessa capacitação eu começo a ser grato a isso que um dia eu invejei. 
A inveja, ela está dentro da perspectiva do desejo que o bebê tem de proporcionar a ele próprio aquilo que a mãe proporciona. 
Ele sente que perto da mãe ele tem um 'negocio' gostoso que quando ela sai de perto ele deixa de ter. 
Ele não consegue imaginar como é que faz pra ele ter aquilo sem a mãe. E ai ele começa invejar isso, nela.


Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodiasmartino@hotmail.com
http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com 

sábado, 25 de janeiro de 2014

O Intelectualismo e as Reflexões Psicanalíticas

Tendo como hipótese o fato de que não é de fundamental importância a capacidade intelectual (do Latim intellectus, de intelligere - inteligir, entender, compreender), para a alcançar aquilo que é o objeto de interesse da psicanálise, a coragem (do Latim coraticum, derivado de cor, coração – agir com o coração) revela-se como condição principal para todo aquele que busque refletir sobre as dores da alma, ou o que quer que esteja sob o olhar dessa teoria do pensar. Na realidade a intelectualidade, quando ausente da coragem, impede a acolhida do novo. 
O esforço dessa tendência reflexiva parte do contato com o desconforto emocional que intensifica a criatividade no intuito de criar recursos que possam conter a “dor psíquica”, que sem um formato ou um nome, inunda o funcionamento mental de angustias e ansiedades. Fica claro assim, que para esse esforço é necessário muito mais coragem do que intelectualidade.
As teorias do pensar, como é o caso da psicanálise, enfrentam um grande desafio, que é o de oferecer ao leitor, em palavras relativamente simples, um instrumento que promova a reflexão e proporcione a expansão da capacidade do pensar. 
As publicações de trabalhos psicanalíticos, assim como de outras teorias do pensar, são, com frequência, elaboradas com uma linguagem extremamente complexa, geradora de inacessibilidade para o leitor que se arrisque nessa área do conhecimento humano. Uma prática pouco construtiva e que na realidade impede o processo de aprendizado, pois reforça a falsa ideia de que é necessária certa intelectualidade incomum para que se possa alcançar as reflexões psicanalíticas. 
Assim sendo, revela-se certa demanda de criação de algo que permita, através de uma linguagem compreensível, estimular um exercício mental, no intuito da criação de instrumentos acessíveis que sejam auxiliadores na tarefa do refletir a psicanálise, ou as experiências da mente humana. 
Quando tentamos colocar essa ordem de reflexões em palavras simples e inteligíveis, revela-se um fato interessante.  Quando articulamos as conceptualizações psicanalíticas com palavras de fácil compreensão, percebemos que grande parte delas, está no âmbito do já sabido e que na realidade, faz parte do que titulamos de óbvio.


“Em nenhum de meus trabalhos anteriores tive, tão forte quanto agora, a impressão de que o que estou descrevendo pertence ao conhecimento comum e de que estou desperdiçando papel e tinta, ao mesmo tempo em que usando o trabalho e o material do tipógrafo e do impressor para expor coisas que, na realidade, são evidentes por si mesmas.”  O Mal Estar na Civilização (1929/1930), Sigmund Freud (1856 - 1939)

Cogitar-se sobre algo que “está na cara”, contudo, por ser desconfortável, não se pode enxergar facilmente. O uso de articulações intelectualizadas e de difícil entendimento, muitas vezes se encontra nessa mesma perspectiva.
É importante, nessa altura da reflexão, lembrar que o pensamento psicanalítico vai muito além da prática clínica. Ele proporciona um instrumento para pensar o mundo e a nós mesmos, na busca pela experiência da quebra do narcisismo, na infindável tarefa do “conhecer-nos a nós mesmos”. Propondo uma forma de acolhimento especial para a transformação das ideias, na transformação dos pensamentos, logo, a transformação da qualidade dos vínculos. 

Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Prof. Renato Dias Martino - O Olhar de Freud, Klein e Bion sobre as relações humanas


O Freud trata da relação... O Freud coloca, destaca... A relação Sujeito-Pai. Relação do Sujeito com a figura Paterna.
A Melanie Klein traz a ideia de sujeito-mãe. Relação do Sujeito com a maternagem. 
E o Bion traz a ideia se sujeito enquanto pensamento. Antes do pai e da mãe.
O Freud estuda a relação do sujeito com o pai e as faltas que possam trazer o corte que o pai pode fazer.
A Melanie Klein já olha pra direção da maternagem.  Olha só: As falhas nessa maternagem.  E o Bion vai falar assim: Olha, as falhas no pensamento que antecedeu o pensador. 

Prof. Renato Dias Martino
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Dicas de filmes - Ensaio Sobre a Cegueira

“Ensaio sobre a cegueira” é um livro do autor português José Saramago, adaptado para os cinemas em 2008 pelo o diretor brasileiro Fernando Meirelles (o mesmo de “Cidade de Deus”).

No enredo apenas uma mulher (Julianne Moore), não é atingida por um surto de cegueira que lentamente se espalha por toda humanidade. Saramago confessa o conteúdo terrível da obra, da qual ele propõe ao leitor experimentar na leitura um sofrimento tão grande quanto o do autor ao escrever. O diretor consegue levar para a tela, grande parte do caráter brutal presente nas 300 páginas do livro, onde Saramago nos revela “que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.”
Fernando Meirelles e a atriz Julianne Moore
Reação de Saramago após ver o filme.


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domingo, 5 de janeiro de 2014

Desventura Inesperada

No desenvolvimento da criança, cada troca de ilusão pelo reconhecimento da realidade é também um teste para sua capacidade de suportar adversidades. Tarefa que pode ser menos penosa quando resguardada pelo amor dos pais, ou daqueles que estiverem dedicadamente desempenhando essa função. Um modelo que servirá para a vida toda permeando cada situação de enfrentamento de situações desagradáveis. A capacidade de enfrentar e superar adversidades é a base de um bom funcionamento mental. Tendo como condição o fato de que o restabelecimento deve ocorrer num processo lento, se estivermos falando de um procedimento saudável.
Sigmund Freud (1856 – 1939) escreve sobre essa experiência em seu texto Luto e Melancolia de 1917, onde observa que o sujeito que não é capaz de viver o processo do luto daquilo que foi perdido, cai então num estado de melancolia, onde o mundo perde a graça e ele então, não consegue ver motivos para continuar vivendo.
A desventura é por si só uma experiência de difícil superação e quando isso vem sem previsão, passa a ser muito mais complexa de se ultrapassar. 
Não existe uma receita previa ou qualquer que seja a medida preventiva para que isso não abale o curso da vida, entretanto o cultivo de relações saudáveis em vínculos profícuos, pode trazer o amparo necessário para geração da coragem necessária nessa experiência.
Através da genealogia da palavra coragem parece ficar claro o imperativo dessa expressão. Esse vocábulo é o resultado da junção de ‘cor’, que significa coração, mais ‘agem’ que alude a ação, literalmente articulamos o agir com o coração. Um coração empobrecido não é adequado para agir. Agir pelo coração é ser capaz de amar e a capacidade de suplantar a mudança inesperada só pode surgir do amor. 
Ao contrário disso, essa crise nunca poderá trazer alguma expansão mental e maturidade, que é o que se pode extrair de positivo de situações como essa. Nessa configuração só pode ser possível suplantar uma infortúnio severo que venha de forma abrupta, se o sujeito estiver nutrindo, de alguma forma, de amor. 
Na ausência dos vínculos afetivos saudáveis o sujeito, muito provavelmente ficará presos nesse espaço tempo do qual ocorrera a desventura, impossibilitado de seguir em frente, nas experiências da vida. Frente ao mal repentino, o autoacolhimento é fundamental. A saber, só aprenderemos a nos acolher através do acolhimento do outro.


Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
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