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sábado, 23 de maio de 2026

Resenha do Livro: Para Além da Clínica - Prof. Renato Dias Martino

 


Autor: Renato Dias Martino

Ano de Publicação: 2011 (p. 2)

O livro "Para Além da Clínica" propõe uma jornada profunda e corajosa pelo funcionamento da mente humana (pp. 1, 10). O autor expande o pensamento psicanalítico para fora do consultório (p. 16). Ele atinge diretamente o cotidiano das nossas relações e escolhas (pp. 10-11).

Diferente de manuais técnicos acadêmicos, a obra utiliza uma linguagem simples e acessível (pp. 9-10). O requisito principal para esta leitura não é o intelecto, mas sim a coragem de olhar para si mesmo (pp. 9, 16).

💡 A Coragem de Pensar em um Mundo de Máquinas

  • Exigência moderna: O mundo contemporâneo cobra resultados concretos e produção padronizada (p. 12).
  • Mecanização humana: Acabamos agindo como máquinas e ignoramos nossa sensibilidade (p. 13).
  • A importância do pensar: Pensar nos liberta do automatismo e estimula a nossa criatividade (p. 13).
  • Adiar a ação: O pensamento cria um espaço interno para tolerar tensões antes de agir impulsivamente (pp. 18-19).

🔍 A Verdade como Alimento da Alma

O autor defende que, assim como o corpo precisa de comida, a alma se alimenta da verdade (p. 26).

  • Fuga da realidade: Para evitar o sofrimento, a mente muitas vezes nega ou esconde a verdade (pp. 27-28).
  • O papel da tolerância: Só conseguimos evoluir quando suportamos a dúvida e a frustração de buscar o real (pp. 28-29).
  • Vínculo com o outro: O verdadeiro aprendizado e o amor exigem o reconhecimento da realidade do outro (pp. 21, 23).

🧠 O Perigo de Ficar Preso ao Passado

Um dos pontos altos da obra aborda o uso da memória como um escudo defensivo (p. 43).

  • Repetição de padrões: Quem vive preso às memórias tende a enxergar o presente apenas como uma cópia do passado (pp. 41-42).
  • Bloqueio do novo: O apego ao que já é conhecido impede a pessoa de viver o "aqui e agora" (pp. 40, 42).
  • Espaço mental livre: A mente precisa estar desimpedida para que novos pensamentos possam circular livres (pp. 39-40).

🎯 Por que ler este livro?

"Para Além da Clínica" é um convite irrecusável para quem deseja quebrar ilusões e alcançar a maturidade emocional (pp. 27-28). É um verdadeiro utensílio auxiliador para quem busca compreender suas próprias dores e melhorar a qualidade de seus vínculos afetivos (pp. 10-11).







Prof. Renato Dias Martino

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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Quem é Prof. Renato Dias Martino

 

Prof. Renato Dias Martino é psicanalista, professor e escritor. Dedicado a prática da clínica há mais de duas décadas, no ensino da psicanálise e na produção de conhecimento sobre a escuta, o acolhimento e o sofrimento psíquico. É fundador e coordenador do GEPA – Grupo de Estudos Psicanálise do Acolhimento, espaço dedicado à formação, ao pensamento compartilhado e à produção teórica baseada na ética da escuta.

É autor de sete livros publicados, que atravessam temas como clínica, formação analítica, pensamento afetivo e sensibilidade poética. Sua obra é marcada por uma escrita que acolhe, uma teoria que escuta e uma prática que se sustenta na presença.

Além de suas obras autorais, coordena e organiza a coleção Psicanálise do Acolhimento, composta por quatro volumes que reúnem textos escritos pelos membros do GEPA. Esses livros refletem o compromisso com a construção coletiva do saber psicanalítico, valorizando o percurso singular de cada participante e fortalecendo a psicanálise como prática viva e compartilhada.



🧩 2011 – Para Além da Clínica

O primeiro livro anuncia já no título uma proposta de transbordamento. Ao propor uma escuta que ultrapassa os limites do consultório, o autor convida o leitor a perceber a psicanálise como ética da presença, como forma de habitar a vida com escuta aberta. Aqui começa a travessia: a clínica não como lugar, mas como postura.



🌱 2012 – Primeiros Passos Rumo à Psicanálise

Em sua escrita didática e sensível, o autor acolhe os que se aproximam da psicanálise com curiosidade e receio. Não há prescrição ou dogma, mas um gesto de abertura: o saber se faz caminho. O livro se dirige tanto a estudantes quanto a analistas experientes que desejam reencontrar o frescor do início.



💞 2013 – O Amor e a Expansão do Pensar

O amor, aqui, não é um objeto de análise — é operador do pensamento. O pensar se expande na relação, na escuta, no vínculo. Neste livro, o afeto é o solo fértil de onde o sujeito pode emergir. É também uma reflexão profunda sobre a função do analista: aquele que sustenta o pensar do outro, sem invadi-lo.



🧘 2015 – O Livro do Desapego

Mais do que uma renúncia, o desapego é aqui um ato ético. O livro propõe uma escuta leve, silenciosa, que não se apega ao saber nem ao controle. Com tom poético e filosófico, o autor convida a deixar ir, a abrir espaço — para o outro, para o novo, para o que não se pode nomear.



🫂 2018 – Acolhida em Psicoterapia

Obra central no percurso autoral, apresenta com maturidade a concepção de acolhimento como fundamento clínico. Não se trata de técnica, mas de uma ética da presença. O analista é aqui quem sustenta, com firmeza e suavidade, o sofrimento do outro — sem pressa de interpretar, sem o peso do saber, mas com a escuta plena de quem está sendo.



✍️ 2019 – Das Pequenas Poesias

Neste volume, a escuta se torna verso. O autor atravessa a linguagem da teoria para alcançar o indizível do afeto e da existência. São poemas que acolhem o silêncio, que escutam o que resta da sessão. Uma escrita que revela o analista não apenas como pensador, mas como presença sensível no mundo.



🧠 2025 – Pensando Melhor a Psicanálise – Do Saber ao Estar Sendo

Neste livro, o percurso encontra sua síntese. Trata-se de uma reflexão madura sobre a transição do acúmulo teórico para o viver analítico. O saber cede espaço ao estar. A escuta não se apoia mais naquilo que o analista sabe, mas naquilo que ele sustenta ao ser presença diante do outro. O título é claro: pensar melhor não é saber mais — é estar mais inteiro na escuta.



🧶 Síntese do Percurso

A obra do Prof. Renato Dias Martino desenha um trajeto singular dentro da psicanálise brasileira: da clínica à vida, da técnica ao afeto, do saber ao estar. A escrita nasce da escuta — e nela, o leitor encontra não apenas conceitos, mas também lugar.

É, antes de tudo, uma travessia ética. Cada livro é um passo na direção do outro — não como objeto de intervenção, mas como sujeito em formação. É uma escrita que acolhe, escuta e sustenta. Que não teme o silêncio. Que não se apressa. Que não pretende ensinar, mas estar junto.

Na confluência entre a psicanálise, o ensino e a sensibilidade poética, sua voz se firma como uma das mais singulares da psicanálise brasileira contemporânea.












Prof. Renato Dias Martino

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

DESDÉM: o filho da inveja

A ampliação da inteligência acontece para suprir uma série de funções na experiência do desenvolvimento da vida. A combinação do impulso natural de querer conhecer com os desafios do mundo promovem a aumento da inteligência. Nas crianças isso ocorre de maneira muito intensa. A inteligência vai se estruturando para dar conta do que aguça a criança em suas demandas.
Entanto, muitas vezes a inteligência desenvolvida pode se concentrar na função de observar imperfeições, reparar equívocos, revelar falhas e então angariar justificativas para criticar as realizações do outro. É quando um sujeito com grande habilidade intelectual faz uso desse recurso para atacar e desdenhar a realização alheia.
Isso confirma a tese de que a inteligência não garante o funcionamento saudável da mente e ainda, revela-se nesse contexto um sujeito incapaz de lidar com suas próprias frustrações, assim como suas limitações. Trata-se de alguém emocionalmente imaturo, que padece de um mal, e, portanto carece de cuidado.  
O sujeito que se coloca a desdenhar do outro denuncia com isso, sua própria inveja. Inveja que é,  antes de tudo, um sinal de desrespeito à própria capacidade de realização. O invejoso é um desrespeitoso de si mesmo. Duvidando de si mesmo, tende a menosprezar o outro.
O invejoso desdenha do outro na tentativa de apaziguar o desconforto gerado por se sentir inferior. O sujeito que funciona assim o faz por talvez nunca ter sido reconhecido em suas realizações, no andamento das fases fundamentais no desenvolvimento da infância. Por conta disso, agora se tornou um crítico obstinado, que insiste em julgar, recriminar e achar defeito em tudo e em todos. 
Incapaz de acreditar que possa conseguir o que deseja e, por outro lado, sendo muito pouco capaz de renunciar aquilo que realmente não é possível (enquanto o outro consegue), o que resta ao invejoso é, ou se apossar indevidamente disso, ou então desvalorizar o objeto de desejo. Quando definitivamente reconhece ser inviável se apossar do objeto desejado, isso passa a ser percebido como ruim, desinteressante, sem valor, pois é visto com maus olhos. “A inveja, por sua vez, pode conduzir a percepção de maneira alterada quando vê essa mesma realidade com maus olhos, olhos invejosos.”. (Martino, em O LIVRO DO DESAPEGO, 2015). 
Só o prejuízo do outro é motivo de alegria do sujeito invejoso. Para o invejoso, o mal-estar do outro causa seu bem-estar. Assim como escreve Melanie Klein (1882-1960) em sua obra INVEJA E GRATIDÃO: "O invejoso passa mal à vista da fruição. Sente-se à vontade apenas com o infortúnio dos outros." (Klein, 1957).
O filosofo Baruch de Espinoza (1632 — 1677) descreve a inveja como sendo “o ódio que afeta o homem de tal modo que ele se entristece com a felicidade de outrem e, ao contrário, se alegra com o mal de outrem.”. De tal modo, nada pode trazer satisfação ao invejoso que não seja o mal do outro. Isso, pois, por mais que imagine poder se apossar do objeto de desejo, aquilo que realmente deseja é ser o que outro é e não ter o que o outro tem.

“O sonho do invejoso é ocupar o lugar do outro, logo, o ambiente de rivalidade deve culminar na exclusão, ou do eu, ou do outro.” (Martino, em PARA ALÉM DA CLÍNICA, 2011).

O grande problema é que, quanto maior a estruturação do recurso defensivo de desvalorizar a realização do outro, a possibilidade de desenvolver a capacidade de realização do sujeito fica cada vez mais difícil. Instala-se o que coloquialmente chamamos de “zona de conforto”, onde se nivela a configuração num nível abaixo do que o sujeito julga ser capaz. Nada pode se destacar além daquilo que o invejoso é capaz. Do contrário, será intensamente atacado até que perca seu valor. Pelo menos na fantasia do invejoso. 
Na realidade, tratamentos aqui de um modelo de personalidade que normalmente é desenvolvida num ambiente empobrecido de tolerância, privado de reconhecimento e ausente de afeto sincero. O invejoso normalmente é alguém que viveu as fases fundamentais de seu desenvolvimento num ambientes em que a disputa sobrepõe o companheirismo e a autoconfiança é muito pouco, ou quase nada ampliada. Dessa forma, qualquer mínima manifestação de crescimento, ou evolução, deve ser alvo de ataques.

Na atmosfera onde impera a inveja, não há espaço para qualquer que seja a mostra de gratidão. Isso, pois gratidão pode ser confundida com inferioridade, já que revela reconhecimento da capacidade do outro. Contudo, para que se dissolva a predominância da inveja no funcionamento mental é necessário que se desenvolva a capacidade de reconhecimento na dimensão da gratidão. E, para que isso seja possível é indispensável à autoestima bem estruturada, onde o sujeito possa contar minimamente com certo nível de autoconfiança. 

KLEIN, M. (1957). INVEJA E GRATIDÃO. In: Obras Completas. Buenos Aires: Paidós-Hormé, 1974. tomo VI.
SPINOZA, B. (1999). ÉTICA. Trad. de Bernard Pautrat. Paris: Seuil. (Ed. bilíngue).
MARTINO, R. D. MARTINO, Renato Dias. PARA ALÉM DA CLÍNICA.1ª ed. São José do Rio Preto, São Paulo: Editora Inteligência 3, 2011.
______________.O LIVRO DO DESAPEGO - 1. ed. São José do Rio Preto, SP: Vitrine Literária Editora, 2015.





Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Alameda Franca n° 80, Jardim Rosena,
São José Do Rio Preto – SP
Fone: 17 991910375
prof.renatodiasmartino@gmail.com
http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com