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quinta-feira, 15 de março de 2012

A Lenda da Lula Tigre de Komodo

A Lenda da Lula Tigre de Komodo


Diz a lenda que certa vez, em Komodo, uma ilha localizada na Indonésia, existiu um pesquisador apaixonado por uma espécie incomum de molusco marinho denominado Lula Tigre. O animal recebera esse nome em decorrência da coloração do corpo desse invertebrado marinho, que seguia em delgadas rajadas de negro numa superfície de amarelo ouro fluorescente. Um belo animal da espécie dos cefalópodes, da qual o cientista apaixonara-se ao encontrar um exemplar num passeio que fizera certo dia, pela praia.


Desse dia por diante, passou a recolher todos os espécimes que conseguia pela praia e então pesquisar com afinco tudo sobre essa fascinante lula. Hábitos particulares, ciclos e período de vida, forma de reprodução e qualquer que fosse a informação relevante que enriquecesse o estudo do dedicado cientista apaixonado pela Lula Tigre de Komodo.

No entanto em meio aos seus dedicados estudos sobre esse magnifico animal marinho, foi surgindo uma triste constatação. Comparando os dados que recolhera na pesquisa sobre a lula, contatara que essa espécie marinha estaria em vias de extinção. O dedicado cientista percebeu e o fez com grande desgosto, que a severa vulnerabilidade, aliada a enorme dificuldade em se reproduzir, apontaria para um fim muito próximo dessa espécie tão bela de animal marinho. Assim como propunha a teoria da evolução de Darwin, o cientista constatava a triste verdade de que essa espécie de lula não havia conseguido adaptar-se às mudanças do ambiente em que vivia e sucumbiria em muito pouco tempo, numa total extinção.

Muito entristecido pelo possível fim do belo animal marinho do qual lhe despertara tanto encantamento e fizera desenvolver tanto apreço, o cientista foi diminuindo então, a pesquisa sobre a lula, até por completo desinteressar-se pelo projeto cientifico.


Todo o estudo do cientista havia sido muito bem elaborado e com grande precisão cientifica, no entanto, um fato foi preponderante para que a constatação da iminente extinção da Lula Tigre de Komodo ocorresse num mero engano. A disposição para recolher exemplares de estudo era extremamente limitada. O cientista limitava-se em recolher as lulas que chegavam até a praia. Com isso, capturava somente aquelas que já estavam enfraquecidas e exaustas chegavam à praia. Isso, quando o ambiente de sua plena saúde seria nas profundezas do mar, onde gozava de um desempenho formidável, de uma agilidade extraordinária e uma adaptabilidade sem igual no ambiente em que vivia. Nas profundezas, a Lula Tigre ainda apresentava uma eficiência reprodutiva excelente, o que fazia dessa espécie de molusco, uma criatura vitoriosa na natureza em constante transformação. A lula que chegava a praia, por sua vez, já se encontrava fraca e com a sua capacidade reprodutiva muito debilitada. O estudo do cientista, então estava sendo baseado em referencias extremamente limitadas da realidade, para chegar a qualquer que fosse a verdade.

Somos todos cientistas do mundo. Dedicados na pesquisa das verdades da vida. Insistindo em conhecer, ou prontos a desistir, tomando como verdade, certos dados limitados, que pudemos recolher da realidade.












Prof. Renato Dias Martino

domingo, 6 de março de 2011

As Mudanças de Esperança

Na lata de alumínio, debaixo da pia era onde se guardava o feijão. Ali morava Esperança. Ela não tinha nada de especial. Era igualzinha às outras. Mesmo tamanho, mesma espessura, mesma cor e muito provavelmente o mesmo sabor. Era uma sementinha de feijão comum, como todas as outras dentro daquele saco de cinco quilos. Todas juntinhas dentro da lata de alumínio debaixo da pia. Sentia-se muito segura por isso. Todos os dias de manhã, ela acordava e nem por um minuto mantinha qualquer duvida quanto a ser aceita pelas outras. Este sentimento brotava do fato de que era só olhar do lado e constatar como era idêntica a todas. Todas as sementinhas estavam seguras ali.

Certo dia, Esperança e mais algumas amigas idênticas a ela, caíram fora da lata. Por descuido da cozinheira no momento de pegar os grãos para seu cozido. Foram então varridas e jogadas no terreiro. Todas, exceto Esperança, caíram sobre uma superfície de cimento. Ela, por sua vez, caíra na terra fofa e bem adubada pelo esterco das galinhas do quintal.


Assim que caíram lá no fundo do terreiro, começou a chover. Um chuvisqueiro fresquinho e manso.


Você já deve ter imaginado o que aconteceu, não é? Diferente do que para suas amiguinhas, toda a condição propicia para acontecer a germinação calhara a ela. Então, Esperança começou a germinar. Foi estufando, estufando até rachar uma das laterais. As companheiras que assistiam tudo de cima da peça de cimento, assustaram-se. E disseram quase que numa só voz: Nossa! Por que faz assim? Você esta horrível! Se continuar vais se arrebentar.


E ela realmente se arrebentou. Foi inchando, inchando até que explodiu. Ficou disforme e certamente diferente das colegas que não tiravam os olhos dela. Esperança de sentiu horrivelmente excluída. Lembrou-se então da vida que vivia na lata e como se sentia feliz num grupo de total identificação. Mas, mesmo assim, Esperança, continuou ali. Talvez por intuir que seria sua chance para crescer.

De qualquer forma, todo esse processo foi acontecendo assistido por suas companheiras. Elas, expostas ao sol e sem proteção, ou chance de germinarem, pois não estavam em contato com a terra fofa, foram definhando e por fim apodreceram. Esperança por sua vez foi brotando, crescendo e logo se tornou um belo pé de feijão que gerou várias vagens cheias de outras sementinhas.

Na verdade todas as vezes que nos propomos crescer e expandir nossas capacidades, acabamos por assustar o outro, que na maioria das vezes não estará disposto, pelo menos naquele momento à mudança. Somos então julgados e inevitavelmente excluídos daquele grupo que não estava preparado para a transformação.


Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodiasmartino@hotmail.com
http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com /


Uma reflexão sobre nossas experiências emocionais em formato imaginário.
http://www.youtube.com/watch?v=NVH1ZMyNLts


sábado, 12 de fevereiro de 2011

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A QUEBRA DO NARCISISMO DE BOB




Bob nasceu em um canil da guarda municipal, sua mãe muito dedicada tivera uma complicação durante o seu parto e seus dois irmãos não resistiram, ele então ficou sendo filho único. Sua mãe era a mascote do canil e assim como Bob ela era da raça pinsher. Sim, Bob era um pinsher pequenino. Preto com a parte inferior do corpo marrom, como num dobermann; alias, neste canil havia muitos dobermanns e eram eles quem eram treinados para fazer a ronda pela cidade.
Logo cedo os dobermanns estavam a postos para seu treino diário e Bob ainda bem pequeno, lá estava para assistir o espetáculo matinal. Ele sonhava em crescer, ser treinado e sair dali junto com um guarda municipal para cuidar da cidade. No treinamento, os dobermanns pulavam arcos, passavam por túneis, buscavam bastões que os treinadores lançavam, mas, à parte que Bob mais gostava era o treino do ataque, onde o treinador vestia nos braços longas luvas protetoras para que os enormes dobermanns, um por um, mordessem o treinador em uma simulação de ataque ao inimigo. Bob delirava ao ver tudo aquilo, a força que aqueles grandes animais tinham e a violência que mordiam.


Quando voltava pra casa ele contava tudo para sua mãe, que ouvia atentamente seu relato detalhado que incluía seu sonho de se tornar um cão de guarda.


É, Bob achava que era um dobermann, alias ele não achava, ele tinha certeza disso, quando admirava sua imagem refletida num velho caco de espelho, lá no fundo do canil. Sua coloração era idêntica com a dos grandes dobermanns. Você deve estar perguntando: Mas e a mãe dele, também não era pequenininha?


A resposta é sim. Mas, você já notou quando agente ama a nossa mãe, como ela fica grande e poderosa? Um dado da realidade que passou despercebido por ele. Talvez seu sonho fosse maior que esse ‘pequeno’ detalhe no real. E de mais a mais, Bob constatava a grandeza dela quando sua mãe contava a ele que conhecera seu pai em uma de suas saídas para passear no parque e que nunca mais o vira. Contava a ele o quanto sofrera em seu parto e o quanto lutara para que ele estivesse vivo hoje.


O sonho de Bob incluía o objetivo de ser forte e poderoso até para cuidar de sua mãe. Sua mãe entendia tudo o que ocorria, mas com lagrimas nos olhos, não tinha coragem de revelar a verdade a Bob e desfazer todo o sonho que movia a vida daquele minúsculo cachorrinho. Ele pensava nisso vinte quatro horas por dia, até dormindo ele sonhava e se agitava no ninho, sonhando que treinava com os grandes dobermanns.
Por quantas vezes nós não somos um pouco como Bob, imaginando que nosso valor esta naquilo que o outro tem ou é? Imaginamos que para sermos felizes teríamos que ser de outra raça, outro sexo, outra cor, outra forma, que não a nossa.
Quanto ao Bob? Ele ficou sabendo da verdade. Sua mãe refletiu e chegou a conclusão de que ela seria a melhor pessoa para dizer a verdade e que acharia a melhor forma, lugar e momento para revelar a ele a realidade. Ele passou alguns dias muito triste e choramingando pelos cantos. Mas um belo dia descobriu o filho do proprietário do canil, que o adotou e fez dele sua mascote. Bob acabou vendo que talvez brincar, correr e se divertir com o garoto, seria bem melhor que se arriscar em rondas pela cidade e morder as pessoas.




Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17991910375 
renatodiasmartino@hotmail.com
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