terça-feira, 12 de dezembro de 2017

SOBRE OS ELOGIOS

A busca pelo olhar aprovador do outro é fator constitucional no desenvolvimento mental. Assim que a criança começa a perceber que existe alguém além dele, no mundo e que além disso, ela depende exclusivamente desse alguém (normalmente a mãe), implementa todo seu esforço em nome de ser aprovado por esse alguém. Nessa época da vida, ser desejado pelo outro garante sua existência. A pesquisa psicanalítica nos ensinou que a insuficiência do olhar reconhecedor nas terras etapas do desenvolvimento emocional, pode acarretar em severas consequências. Os resultados dessa ordem de escassez vão desde a formação de um sujeito egoísta, até sérios danos na estrutura da personalidade.
O elogio é o grande símbolo do olhar aprovador do outro. Quando se é elogiado tem-se a sensação de que se está pleno em suas realizações, como se sentisse estando no “caminho certo”. A palavra elogio tem origem grega no EULOGIA e significa “falar bem de”. No entanto, falar bem de alguém não significa necessariamente que seja verdadeiro o bem que se fala. O elogio pode ser e na realidade, na maioria das vezes o é, usado para enaltecer alguém com intuito de obter um benefício com isso. Um invejoso, por exemplo, pode encher o invejado de elogios para com isso, usufruir daquilo que é invejado. Alguém que se sinta culpado por algum motivo também pode usar elogios como tentativa sedutora para ser perdoado. O ato de elogiar quase sempre está relacionado a aspectos superficiais.
Quando o falar bem é verdadeiro, não é simplesmente um elogio, mas caracteriza-se num reconhecimento. Este sim é fundamental para a saúde emocional, nutre a mente e dá vida às relações. “O elogio, por sua vez, é o falso reconhecimento. Um alimento que, apesar de ser extremamente prazeroso, é extremamente pobre em nutrientes da manutenção da auto-estima.”. (Martino, 2013).  Diz respeito não só às virtudes, mas observa também aquilo que possa não ser muito adequado.
“O que tento chamar aqui de reconhecimento está na ordem da capacidade de percepção da realidade dos fatos, independente do que se deseja que a realidade seja.” (Martino, 2013). Parece-me que aquele que bajula com elogios, está fazendo justamente por não conseguir reconhecer.
O grande dano do elogio, é que está na ordem das idealizações e sendo assim, enche a relação de expectativa. Dessa maneira, quando o que se espera não for cumprido o elogio corre um grande risco de se transformar rapidamente em crítica.








MARTINO, Renato Dias. O amor e a expansão do pensar: das perspectivas dos vínculos no desenvolvimento da capacidade reflexiva, 1. ed. São José do Rio Preto, SP: Vitrine Literária Editora, 2013.










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