quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Nada de estresse

Lézio Júnior -
Editoria de Arte


Festas de final de ano, férias dos filhos, balanço profissional e início de projetos são, sem dúvida, causas de estresse. Tenha calma, o final do ano não chegou para desanimar, é hora de agradecer o ano que termina.






Nada de estresse
 Francine Moreno

Agora é para valer. O final do ano chegou. O calendário não mente. Além de um balanço do desempenho físico e psicológico e de metas alcançadas, os familiares já esperam algum tipo de confraternização. É também a temporada de presentes e viagens. Gastos e mais gastos. Um verdadeiro teste de resistência emocional e física. Mas para que os eventos atinjam os seus objetivos e os familiares sintam-se satisfeitos é importante ter jeito e não deixar que os gastos financeiros e excesso de tarefas estraguem seu final de ano. Não se torne uma quase bula dos efeitos colaterais do estresse e da ansiedade, que além de dores musculares, nas articulações e na cabeça, causam úlceras e gastrites, complicações neurológicas e em casos extremos, infarto ou derrame. Tudo decorrente da pressão gerada pela maratona de preocupações.

“O estresse é a causa de grande parte das doenças, já que é um processo que parte de um conflito emocional e na medida em que não encontra possibilidade de elaboração por meio do pensamento (psicoterapias), acaba por se instalar no físico, como doença orgânica”, afirma o professor e psicoterapeuta Renato Dias Martino.

O estresse, conjunto de sinais apresentados no nível psicológico e posteriormente físico, apontando um esgotamento de energia, é resultado de uma série de atividades mentais nocivas, basicamente um funcionamento mental onde a energia é voltada contra si mesmo, resultando assim numa espécie de represamento.

“O exercício da reflexão, ou seja, do pensamento, é a única forma do escoamento que o fluir da energia mental necessita. Contudo, ultimamente a prática do exercício do aparelho de pensar está em desuso e isso acarreta saturação dos órgãos dos sentidos”, complementa Prof. Martino.

Certos tempos de crise, alguns níveis de ansiedade, assim como o estresse saudável são necessários para a produção de idéias, trabalhos, projetos. Esses sintomas só passam a ser considerados exagerados quando atingem a falta de controle, levando o indivíduo a uma quebra significativa de estabilidade emocional e física. Ansiedade excessiva gera medos excessivos, crenças distorcidas, batimento cardíaco acelerado, desconforto emocional e físico, leva a pessoa a tomar as decisões mais inadequadas seguidas de arrependimento e frustrações. “Se pensarmos que isso já é um grau de estresse palpável, podemos dizer que a ansiedade é irmã do estresse”, afirma a psicóloga Renata Montenegro, especialista em estresse pelo Centro Psicológico de Controle do Stress.Mudar hábitos de pensar e agir que sejam disfuncionais, acorrentados a crenças improdutivas e humanamente impossíveis de serem concretizadas é uma oportunidade de crescimento interior, com isso, ganho na qualidade de vida e um final de ano mais prazeroso. “O crescimento interior é algo contínuo, que inclui mudanças recorrentes, empatia, pensamentos racionais, afeto aplicado e, principalmente, conhecimento e manuseamento emocional equilibrado”, afirma Renata Montenegro.

Prof. Renato Dias Martino acrescenta que a capacidade de pensar faz toda a diferença. Quando essa capacidade fica comprometida todo funcionamento, seja psicológico, biológico ou social, se vê comprometido. Quando o pensar não proporciona um funcionamento eficaz na elaboração dos conflitos emocionais, o indivíduo é impelido à ação. Professor Renato Dias Martino coloca que : “No entanto, não é possível agir o tempo todo e então surge a ansiedade do estresse. Até por que, nem mesmo é prudente esse tipo de comportamento, a não ser no caso da ação que tivera a chance de ser pensada.”

Para evitar problemas maiores, Renata Montenegro adota uma tática simples: o estresse tem cura se for tratado por profissionais competentes e sérios, que sabem exatamente como retirar esse estresse excessivo especificamente. “Assim sua qualidade de vida é restabelecida, bem como a ausência dos sintomas físicos.” Educação social pode afetar qualidade de vida. Um estudo realizado pela Isma-BR (International Stress Management Association) em 2006 com 678 pessoas, com idades entre 25 e 55 anos, economicamente ativas, resultou em 60% dos entrevistados afirmando serem estressados pelo excesso de tarefas no trabalho. A pesquisa também apontou que 25% dos entrevistados acreditam que os gastos adicionais com presentes e festas aumentam seu nível de estresse. “A cada ano, há uma forte tendência em adiantarmos o final do ano. Logo no início do segundo semestre, já percebemos nas lojas uma pressão de consumo para as festas. O poder aquisitivo aumentou, as pessoas compram mais e se endividam mais”, afirma a presidente do Isma-BR, Ana Maria Rossi. Neste mote, Ivan C. Z. Maraschin, diretor do Centro Natural para o Alívio da Dor e Estresse Crônico, afirma que muitas pessoas, por condição genética ou formação familiar e educacional sabem lidar muito mal com os golpes e mudanças que a vida possa oferecer. Pessoas sem tempo para si mesmas, para se divertir, curtir os amigos, meditar, brincar com seus filhos, representam o resultado de uma sociedade em decadência em termos de valores humanos. “É a sociedade inteira que precisa ser curada, e não somente indivíduos que carregam o fardo de um sistema social altamente estressante, baseado na competição, classe social e no sucesso.” Para o especialista, se as bases em que foram construídas a nossa sociedade estão erradas, a possibilidade de termos indivíduos sadios decaiu muito, como é a visão do psiquiatra espanhol Vicente Garrido, que aborda a psicopatização de toda nossa sociedade mundial, que perdeu os valores humanos essenciais e produz cada vez mais indivíduos frios, calculistas e competitivos. “Acredito que o ser humano é essencialmente bom, o problema do estresse está exatamente na maneira de como os indivíduos desta sociedade estão sendo educados. Infelizmente, não é de uma forma humanitária.”
 
Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodiasmartino@hotmail.com
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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Famílias despedaçadas




Orlandeli/Editoria de Arte
Participação na matéria de Francine Moreno, no jornal Diário da Região.


Saiba por que a alienação parental, ou seja, quando o pai ou mãe joga sujo com o filho para afastá-lo do ex-parceiro, causa tantos danos ao desenvolvimento da criança.


Famílias despedaçadas


Francine Moreno


“De pai saí como um mero parente distante”. A declaração melancólica e o sentimento de descontentamento de Luís (nome fictício), 34 anos, foi dada quando se viu privado da convivência dos filhos pelo tribunal de sua ex-companheira Lucia (nome fictício), de 30 anos. Após doze anos de relação estável morando em Rio Preto, o casal se separou e a ex-esposa, que ficou com a guarda dos filhos, Daniela, de 10 anos, Lucas, de seis, e Letícia, de três anos, mudou-se para Goiânia. Entretanto, o direito de Luis, de viver separado apenas de sua ex-cônjuge, mas não dos filhos, não foi aceita por Lucia. A ex-mulher inventou inúmeras histórias contra o ex-marido e programou seus filhos para que depois da separação, eles odiassem o pai. Resultado: dez anos longe dos pequenos.


A história de Luís e sua família é tão grave quanto antiga e habitual. É comum encontrar pai ou mãe que dificulta o contato da criança com o ex-parceiro, fala mal, conta mentiras ou até estimula que a criança sofreu violência para afastá-lo do ex-cônjuge. E as principais conseqüências? O filho permanece anos afastado do pai ou da mãe, tempo suficiente para que os vínculos sejam partidos. A expressão alienação parental, criada em 1985, nos Estados Unidos, pelo psicanalista Richard Gardner, explica a pratica.


É uma velha conhecida da psicanálise e revela como o mal impede o desenvolvimento das relações. “Uma prisão que, repleta de culpas, chantagens, impede o crescimento pessoal, afetando diretamente a formação e o desenvolvimento da própria personalidade”, afirma o psicólogo e psicoterapeuta Prof. Renato Dias Martino. Entretanto, o equilíbrio emocional da criança, é esquecido por aquele que mente e calunia o ex-parceiro. Quando há falsa acusação, esses erros comportamentais, seja do pai ou da mãe, surtem uma porcentagem alta de interferência no desenvolvimento da criança. “Quando se pensa em jogo baixo, envolvendo fatores emocionais, isso inevitavelmente nos remete à construção de vínculos perversos entre pessoas”, afirma Prof. Martino.


Na avaliação dessa situação, é importante pensar como pode ter sido a construção e em que estágio de desenvolvimento pode se encontrar a capacidade de viver relações reais. “Assim, o caso de Luís expõe que quando uma das partes se sente injustiçada, de alguma forma, pode se utilizar de recursos baixos como esse, justamente para aliviar a sensação de estar sendo lesada. Na medida em que se é capaz de estabelecer vínculos mais sadios com o mundo, abre-se mão por meio de certa tolerância, da urgência de se livrar de sentimentos indesejados e se estabelece assim, o que poderíamos descrever como vínculos reais.” Mas então como descobrir os indícios que está sofrendo da alienação parental? A psicóloga Maria de Lourdes Prado cita três casos: quando o pai ou mãe não encontra os filhos em casa no dia de visita, a criança não atende seus telefonemas e quando o filho muda seu comportamento na presença do ex-parceiro.
No âmbito psicológico, para remendar os laços partidos, um pai ou mãe deve se inundar de afeto e sinceridade para que o filho não sofra com a atitude do ex-parceiro. “A verdade é sempre o bálsamo benigno para qualquer que seja a questão psicológica. A verdade é o alimento da alma, e sem ela a alma definha. Um ambiente cheio de amor e verdade é o único meio seguro para lidar com questões sérias como essa”, afirma Prof. Martino.


Quando constatada tal condição, o lesado também pode recorrer a profissionais especializados neste tipo de problema como mediadores, psicólogos de família, além de pessoal da área jurídica (família/mediação) e outros, devidamente preparados e com métodos e técnicas que podem facilitar este processo que vive o casal. “Tal assessoria pode economizar dinheiro, e o mais importante, desgastes e estresse no relacionamento, com conseqüências desfavoráveis principalmente para os filhos”, afirma o psicólogo da Famerp, Nelson Iguimar Valério.Sinceridade pode salvar as relaçõesA sinceridade é algo muito interessante, pois transcende a racionalidade. Já a mentira, como o próprio ditado diz, tem perna curta. Então, o pai ou mãe que manipula afastar o ex-parceiro dos filhos pode “estar cavando seu próprio túmulo”, como um outro ditado diz.
Com o tempo as crianças crescem e começam a entender o que ocorre ao redor delas. De acordo com o psicólogo e psicoterapeuta Prof. Renato Dias Martino, quando isso acontece é um ótimo sinal. Uma notícia de que houve um reconhecimento da violência psicológica e inicia-se aí uma luta no sentido da renúncia do vinculo perverso. Entretanto, infelizmente, na maioria dos casos a dependência se instala de uma forma tão simbiótica que dificulta certa tomada de consciência da situação e a submissão afetiva é remontada de forma patológica por muitos anos. “A dissolução do vínculo primário é naturalmente a tarefa mais pesada e dolorosa das transformações emocionais e com o agravante da manipulação; libertar-se disso torna-se um verdadeiro ato heróico para consigo mesmo.” Por outro lado, professor Martino afirma que nunca é tarde para se propor uma vinculação regida pela sinceridade. Nenhum mal resiste à tentativa da introdução da verdade, quando é feita com afeto. “O quanto antes a proposta da verdade surgir, tanto antes a transformação do vínculo acontecerá.”


Cuidados O ideal quando um casal com filhos decide se separar é que haja respeito, responsabilidade, diálogo e principalmente manutenção dos limites aos filhos de maneira conjunta. “Os casais em processo de separação devem buscar ajuda para que possam se orientar melhor. É uma nova realidade que precisará se desenvolver, para que todos possam se reposicionar e seguir em frente, minimizando desgastes”, afirma a psicóloga Irene Araújo Corrêa.

Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodiasmartino@hotmail.com
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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Quem é Narciso

Quem é Narciso
Por Renato Dias Martino


A parte narcisista da mente é um bom exemplo de idéias que perduram no tempo, assim como substancia do existir.
Reflexões sobre o mito de todos nós.
Narciso (1594-1596),  por Caravaggio


È curioso como algumas idéias perduram no tempo e assim como substancia do existir, ainda hoje se mostram tão atuais. Mais interessante ainda são aquelas que além de perdurarem, ainda evoluem, sugerindo até certo misticismo como conotação de ‘previsão do futuro’ daquele que propõe pensarmos sobre essa ideia. Pensamentos que encontram espaço para expansão em áreas como cultura ou mesmo no conhecimento cientifico. São exemplos de pensamentos que em sua história, encontram pensadores propostos à transcendência da idéia inicial e através de discussão e certas atenções cuidadosas puderam proporcionar evolução de tal pensamento. É o caso de Narciso (em grego Νάρκισσος) na mitologia grega, famoso por ser um rapaz extremamente belo tanto quanto orgulhoso. O mito de Narciso é uma bela e triste tragédia escrita a muitos anos, reescrita inúmeras vezes e ainda hoje se mantém extremamente viva nos servindo de modelo especial na proposta de simbolização, criação de sentido e conhecimento das vicissitudes da alma humana. Algumas versões do seu mito sobreviveram como a de Ovídeo, em Metamorfoses, escrita em torno do ano 14, e a de Pausânias, no Guia para a Grécia (9.31.7). A saga desse mito é muito triste e realmente tocante á aquele que se propõe conhecê-la. Conta o mito que sendo filho de um ato de violência do deus-rio Cefiso á ninfa Lirípe, Narciso tem do vidente Tirésias a previsão de que teria vida longa, desde que jamais contemplasse a própria imagem, ou seja, que não conhecesse a si mesmo. Destino particularmente complicado para aquele que se vive na Grecia, onde a lei fundamental é ‘conheça te a ti mesmo’.Em 1914 Sigmund Freud (1856-1939) publica “Sobre o Narcisismo Uma Introdução”, usando do mito de Narciso como modelo no estudo do aparelho psíquico. Freud apoiado em alguns pensadores, chama de narcisismo, a fase do desenvolvimento mental onde se inicia o reconhecimento daquilo que existe além do eu, nessa etapa com a condição de que seja um espelho. Mais que uma fase do desenvolvimento, um estado de ampliação do pensamento, que na medida em que encontra conflitos severos em seu inicio se instalam como funcionamento mental. Narcisismo está para a mente também como uma defesa, um recolhimento em direção ao mundo interno, que ocorre (ou deveria ocorrer) diante da perda de algo importante, no mundo externo. Um processo que Freud, mais tarde, em 1917, descreve ocorrendo ante a situação de forma saudável no luto e de maneira patológica na melancolia. Na patologia, o sujeito que sente a falta no mundo externo, é incapaz de se colocar direcionado para o mundo interno sem ali se perder. Assim como o mito que ao deparar-se com sua imagem refletida no rio, ali permanece como que apaixonado por si mesmo. Nesse mesmo local morre e onde está seu corpo cresce uma flor venenosa. A cogitação se encontra na inteiração das duas direções que o amor pode tomar, a saber; para o eu ou para o outro.
Há um Narciso em cada um de nós, e que só poderá ser salvo do destino do mito se, através da busca do conhecimento do “EU” ou a busca daquilo que C. G. Jung (1875-1961) chamou de individuação, nos propusemos nos libertarmos do modelo que depende exclusivamente do outro para reconhecermos coisas que na realidade estão dentro de nós mesmos. Tarefa que é freqüentemente adiada com o auxilio da tecnologia e outros recursos que revela um sujeito encapsulado hermeticamente sem chance de troca num encontro com o outro, mas perdido dentro de si mesmo. No obstáculo de olhar pra si mesmo, fica-se justamente distante do outro real, vendo ali um pedaço evitável de si mesmo. Como se disséssemos: ‘O outro só existe na medida em que desejo que exista’.
A dificuldade de contato com o mundo interno e em conseqüência com a realidade que existe no externo propõe obstáculos que surgem em nome da conservação da posição narcisista de cada um de nós. Como sair deste cárcere narcísico? No exercício e aprimoramento da maior peculiaridade do animal humano; a habilidade de pensar. Isso diz respeito a passar de estagio primário de guiarmos pelo reflexo de nós mesmos e refletirmos (como coloca brilhantemente o psicanalista Wilfred Ruprecht Bion (1897 - 1979) em direção a verdade e a vida. Experiência que, em cada esquina nos propõe um novo desafio, nos desequilibrando e nos tirando a certeza onipotente do narcisismo. O mito de Narciso que na Grécia era encenado nos teatros de arena. Num exercício de profundo pensamento proporcionava certa catarse, ou seja, um movimento interno naquele que assistia. Hoje está exposto no jornal da tarde, revelando não apenas o mito que perdurou, mas também a incapacidade de pensarmos sobre ele. Cada um de nós, seres humanos, que sem poder ter tido chance e um ambiente seguro para pensar certas paixões e ódios, sentimos o impulso guiar-nos até a ação, como única alternativa.

Prof. Renato Dias Martino

Psicoterapeuta e Escritor
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Medo de compromisso (Matéria publicada no Jornal O Diário da Região)

Orlandeli/Editoria de Arte
Atualmente, é muito fácil encontrar pessoas em nosso convívio com aversão a dividir o mesmo teto ou juntar as escovas de dentes com um parceiro que queira tirar sua liberdade por mais de um fim de semana.







Gene e ambiente contribuem para medo de compromisso
Francine Moreno

Atualmente, é muito fácil encontrar pessoas em nosso convívio com aversão a dividir o mesmo teto ou juntar as escovas de dentes com um parceiro que queira tirar sua liberdade por mais de um fim de semana. O mais difícil é entender porque homens e mulheres escolhem a “solterice” como padrão de vida. Entretanto, o que pouco se imaginava foi comprovado por cientistas suecos do Instituto Karolinska. Eles constataram que alterações nos genes responsáveis pelo conjunto de laços emocionais predispõem tal comportamento. A explicação para a repugnância à vida a dois, de acordo com o geneticista Autran Junior, é que a monogamia sempre foi um fator fundamental para o desenvolvimento do comportamento social no cérebro e está influenciada por um hormônio denominado de AVP (Neuropeptide Arginine Vasopressin). Alterações do gene em seu local de produção dentro da célula ou mutações em seu gene localizado no DNA responsável pela síntese deste hormônio, causam alterações no comportamento afetivo. “Hoje, sabe-se que indivíduos portadores de mutações no gene AVP1A apresentam alterações nas concentrações do hormônio AVP e também no comportamento monogâmico.” Entretanto, Autran Junior diz que por mais que a genética apresente um grande avanço na tentativa de compreensão do comportamento humano, homens e mulheres são uma associação entre o genótipo (as características genéticas herdadas e suas respectivas mutações) e o fenótipo (características ambientais, culturais e sociais) que também moldam e modificam comportamento. Se a resposta à monogamia é uma estreita relação entre a biologia e a relação com o meio ambiente, é preciso entender a fobia em si. Encarada como característica puramente masculina, a fobia de compromisso hoje não se restringe apenas aos homens. As mulheres também sofrem e é cada vez mais freqüente.

A psicóloga Ana Monachesi, especialista em terapia e orientação sexual pela Famerp, afirma que no trabalho clínico, depara-se diariamente com este tipo de queixa tanto no público feminino quanto masculino. “As mulheres, entretanto, apresentam muito mais culpa, pois são alvo de um pensamento que percebe a mulher como frágil, que sempre busca relacionamentos para ter sucesso.”A psicologia explica que todo tipo de fobia é, em sua essência, um medo persistente, excessivo e incontrolável que causa sofrimento e prejudica de alguma forma. Nas fobias de compromisso ou relacionamento isto ocorre na relação afetivo-emocional com outra pessoa e acaba por causar grande sofrimento, já que a nossa sociedade valoriza os relacionamentos, e é por este motivo que os candidatos políticos sempre enfatizam seu tempo de casamento e bom convívio familiar.

O professor e psicoterapeuta Prof. Renato Dias Martino explica que um dos meios para explicar o medo de se relacionar afetivamente é a interessante divisão que faz entre o fator interno (impulsos, imaginações e fantasias) e o externo (o outro, objeto de desejo), pois é exatamente no vínculo que se pode criar entre um e outro que se instala certo medo de ligar-se. A barreira surge quando não se teve uma boa experiência primaria. “É imprescindível um modelo internalizado de relações de compromisso, para que se possa oferecer esse tipo de vínculo ao mundo externo.” Entendendo o comportamento, algumas atitudes podem fazer com que o medo se transforme em interesse pelo outro e é uma forma de fortalecer vínculos.
“Por se tratar de uma fobia, é muito difícil alguém conseguir êxito sozinho, pois não existe pílula que faça as pessoas renovarem o interesse pelo outro, mas é possível trabalhar para aumentar a intimidade e favorecer a troca afetivo-emocional das pessoas envolvidas”, diz Ana.
Relacionamento com fóbicos exige empenho
O investimento feito nos relacionamentos nunca é perfeito, e se relacionar com alguém fóbico é ainda mais difícil. Então será que vale a pena investir nesta relação? A psicóloga Ana Monachesi explica que antes de tudo, o interessado deve estar ciente do que acontece com pessoas que ficam encravadas em homens e mulheres com fobia de compromisso. “Lidar com o difícil, o penoso e frustrante.” A psicóloga explica que algumas pessoas têm uma capacidade maior para lidar com tais complicações relacionais e conseguem completude ao lado de alguém que tem tanta dificuldade em se relacionar. “Não existe parâmetro, apenas bom senso de perceber até onde se pode chegar sem se machucar com a situação”, completa.

Professor Renato Dias Martino explica que pessoas que aceitam se relacionar e persistem em relações desse modelo, muito provavelmente, apresentam também um medo análogo, contudo com o benefício de que o outro é que carrega o rótulo do fóbico. E assim, ninguém se encontra.
O sinal de um fóbico de relacionamento é que realmente apresenta essa qualidade de fobia, normalmente escolhe uma vida solitária e dificilmente se relaciona de forma mais próxima com os outros.
É também interessante saber que se a relação com um fóbico de compromisso já foi concretizada, ou seja, se existiu casamento, uma grande parte dessa fobia já se diluiu. Contudo, o casamento tanto pode surgir como protótipo de novas e consecutivas mudanças na direção de relacionar-se com o mundo, como um motivo de regressão, onde o próprio casamento se transforma em um novo esconderijo para se afastar do mundo.
Para evitar e desvendar o comportamento nas pessoas, Prof. Martino afirma que aquele que realmente está à procura de relações compromissadas dificilmente persiste em uma experiência com alguém que tem medo desse modelo de vínculo. Para compreender e ultrapassar os problemas relacionados com a fobia do compromisso, o medo da intimidade e a valorização individual, o psicólogo alerta que reconhecer o medo que se tem de relacionar-se compromissadamente é o primeiro passo. “Quando se tem medo da intimidade com os próprios desejos e medos, dificilmente se é capaz de intimidades com o outro. A valorização da individualidade vem exatamente da capacidade de se relacionar com o outro.”


Prof. Renato Dias Martino

Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

MEU OU TEU

MEU OU TEU
Renato Dias Martino
ENCONTRA EM MIM O QUE DE BELO TENS
ODEIA EM MIM O QUE DE RUIM POSSUI
ADORA O MEU, POIS, PARECE TEU
EXIGE DE MIM O QUE EU NUNCA FUI

DEVOLVO A TI A COERENTE COR
CONTRASTANDO ASSIM, DESPERTANDO ENTÃO...
A QUÍMICA QUE TRAZ A TONA A DOR
DE NÃO SABERMOS SE ESTAMOS LÁ
OU NÃO.

SÓ SOU BOM O BASTANTE,
SE O QUE TE FALTA EU TROUXE
MESMO QUE ME SENTIU
SÓ POR UM INSTANTE
E QUANDO VÊ QUE NÃO É
O QUE PENSOU QUE FOSSE
DECIDE QUE NÃO
SOU BOM O BASTANTE.--



Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta
Fone: 17-30113866

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Aqui e agora

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Aqui e agora
Renato Dias Martino

Posso não ser o que você vê,
Pois, não me lembro de nada.
Porém, estou junto a você.
Mesmo que a palavra não seja falada.

Ouço-te a cada palavra
Mas, não espero nada de você.
Estou pronto para tudo ou nada
Nas coisas que você não vê.

Mesmo te ouvindo atento
Não te asseguro que entendi
Não julgo seu comportamento
Pois, posso ver hoje o que antes não vi.

Não digo para ir embora.
Fique se quiser!
Mostro-te aqui e agora
Que estaremos juntos se vier.

sábado, 9 de agosto de 2008

Parede fria


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Parede fria
Renato Dias Martino 2006


Não sou eu quem fala;
é a morte que mexe meus lábios.
Não são palavras o que ouves de mim
Oh! Guardião dos gênios e dos sábios
Porque me vejo sofrendo assim?

Prefiro sofrer aqui, bem calado
Não quero mais noticias de tu nem de mim
O meu reino de luz esta acabado.
Fostes embora e em minha paz pusestes fim

Assustado acordo mais cedo
Triste, com fome e com sede
Amargo, doido e com medo
Atado, tolhido no desejo
Choro sozinho em segredo
de cara com a fria parede

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Realiza

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Realiza

Renato Dias Martino 01/08/2008

Nasceu tosco, bem grosseiro, quase bruto
Mesmo assim simples frágil e vulnerável
Azedo como quando é verde o fruto
Mas, com um gosto cativante e adorável

Logo cedo percebeu o que não pode
Mesmo assim não desistiu de caminhar
Sem certeza de vitoria na chegada
Persistiu nessa loucura que é sonhar

Já bem tarde no relógio é que achava
O ambiente mais propicio pra estar
Quando tudo em silencio se acalmava
Praticava o exercício de sonhar

E da mesma forma que assim sonhava
Solitário e sem deixar ninguém saber
Pôde aos poucos sem urgência e com cuidado
Para o mundo esse sonho oferecer


Renato Dias Martino
Psicólogo e Psicoterapeuta


Fone: 17-30113866
renatodmartino@ig.com.br

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Dominação é mobilizada por insegurança e cultura



Orlandeli/Editoria de Arte


De acordo com o psicoterapeuta professor Renato Dias Martino, o desconforto é o indicativo de que algo está errado. Notícias de que esse modelo perverso de vínculo não está sendo tolerado e algumas idéias necessitam submetidas a questionamento e serem passadas pelo crivo do pensamento é um indicativo de que as pessoas envolvidas estão sentindo-se lesadas em alguma área emocional que busca desenvolver. 

“O desenvolvimento deve estar sendo impedido pelo vínculo perverso. O caminho talvez seja assim, perceber como é que se forma esse ambiente e propor algum movimento contrário”. Prof. Martino diz que a morte é filha do desleixo. As relações morrem e muitas vezes são conduzidas mortas por anos a fio.

“A mudança está em cada um de nós e muito menos na própria civilização. Ao cuidarmos da semente que plantamos ao estabelecermos um relacionamento está incluído esse tipo de manutenção”. Para explicar porque algumas pessoas se deixam levar pela manipulação e controle, Prof. Martino diz que isso é um sinal de despreparo para vida e incapacidade de se responsabilizar pelo próprio caminho. “É como se ao se perceber sendo uma péssima companhia para si mesmo, aceitasse esse tipo de companhia para o convívio”.