segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Até onde se pode saber do amor


Arrisco-me, mais uma vez nessa tarefa aventurosa de dissertar sobre o amor. Assim como amiúde, agora também correndo o risco das duras críticas dos catedráticos e doutores com suas gravatas apertadas e suas gavetas lotadas de diplomas. Mais uma vez aqui, exposto aos olhares reprovadores dos grandes estudiosos da psicanálise, que, com o acumulo dos mais variados títulos, questionadores certamente estarão, sobre a validade, fidedignidade e até a utilidade desse texto, para a ciência ou mesmo para suas psicanálises.  Muito provavelmente, indagarão sobre eu estar sendo pretensioso ou mesmo piegas com essa proposta de cogitação. São inúmeras as ameaças para aquele que se arrisca nessa direção do pensar.

De qualquer maneira ainda mantenho minha proposta. Se bem que, o farei tendo como condição levar em conta o limite do que se pode saber sobre algo que está quase que em sua totalidade imerso no mundo desconhecido das emoções. Uma experiência que nasce extremamente ausente da razão e almejará por encontrar oportunidades suficientes para que possa evoluir em estágios mais nobres do pensar.

Sigmund Freud (1856-1939)
Ora, quem sabe a insistência de escrever sobre o amor seja sinal de certo legado que Sigmund Freud (1856-1939) deixara para cada seguidor, que carrega dentro de si a missão de tentar reconhecer o desconhecido. Seja la como for, tarefa difícil a de historiar sobre o amor. Talvez fosse mais auspiciosa a tentativa de levantar o que não pode ser chamado de amor.

Amor do eu, ou amor para o outro? Enquanto guiados pela psicanálise, falamos então de tendências à ligação e ao afastamento. Eros e Tânatos disputando a energia psíquica, naquilo que se tornou a Teoria da Libido de Freud (1920). Um lado facilita a união, pois deseja o outro, enquanto o outro lado dificulta, por privilegiar o eu. A mistura e articulação dessas tendências podem ser extremamente surpreendentes e perigosas na construção dos vínculos afetivos.

Pois bem, o que pode impedir a união e que não faz mais que dificultar que os parceiros avaliem o acordo da união de forma clara, não pode ser chamado de amor. Não pode ser denominado amor, pois está ausente da verdade e não é surpresa que o amor sem verdade configura-se apenas em paixão. Penso não ser prudente chamar de amor uma experiência que ocorre entre duas pessoas que não sejam capazes de certo distanciamento, para que se possa ter discernimento da realidade do eu e também de certa realidade do outro. Então, não seria absurdo propor que, o amor comporta ir para além dos cinco sentidos.

O tal “encantamento profundo” é um sentimento extremamente intenso, logo não pode propor a durabilidade, que é característica própria do amor. Não me parece adequado chamar de amor algo que não seja durável. Intenso é a paixão, e a paixão não é suficiente para manter um relacionamento durável. Enquanto a paixão é um sentimento intenso e repleto de convites sedutores de satisfação, o amor parece ser uma capacidade que deve se desenvolver dia a dia e sempre junto do outro. Enquanto um é rico em satisfação imediata e eficaz na tarefa de afastar desconfortos, o outro é muito nutritivo apesar de muito menos prazeroso e requer grande capacidade de tolerar desconfortos.

Aquele que está vivendo uma severa carência, e em consequência disso, conduz sua vida pelos medos e ilusões, não me parece se encontrar capacitado para amar. Alguém desnutrido na alma talvez não consiga escolher bem a que amar e dessa forma desvalorize sua própria capacidade. É necessário curar-se de certas feridas emocionais que impedem o sujeito de desempenhar a capacidade de amar. Emocionalmente fragilizado, buscará o outro apenas para suprir suas incapacidades e ainda ousará chamar isso de amor.

Ora, o que é preciso para oferecer durabilidade a um vínculo, além do amor? Não me parece absurdo que a resposta para essa pergunta seja, a “verdade”, ou a capacidade de tornar-se consciente da realidade do eu e do outro. Só assim podemos chamar adequadamente essa experiência de amor e assim, ela basta-se por si só.
Os riscos de não considerar a verdade como componente do vinculo é o da criação de certa relação perversa, onde um se aproveita da falha do outro para impedir seu desenvolvimento emocional, e assim, também impedindo o desenvolvimento do outro. Mas, dessa forma não me parece prudente, ou coerente, chamarmos essa experiência de amor.

Desenvolver a capacidade de tolerar a frustração que se encontra na experiência de tomada de consciência das próprias verdades, assim como das verdades do outro é fundamental para aquele que busca saúde em seus vínculos. A tolerância é assim, elemento fundamental no processo de  desenvolvimento das capacidades necessárias para se viver certa experiência próxima do que realmente poderíamos chamar de amor.

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Prof. Renato Dias Martino 
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Prof. Renato Dias Martino - Promessas de fim de ano -- Rede Vida



Prof. Renato Dias Martino Fala sobre as promessas de fim de ano na Rede Vida de Televisão, Jornal da
Prof. Renato Dias Martino 
Psicoterapeuta e Escritor
São José Do Rio Preto - SP
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renatodiasmartino@hotmail.com
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Dicas de Filmes - SHINE



Dirigido por Scott Hicks
Com Geoffrey Rush, Armin Mueller-Stahl, John Gielgud.
 
 SINOPSE
Shine é um filme magnífico, protagonizado por Geoffrey Rush. Mesmo que declaradamente transtornado em seu emocional, ele é um fantástico pianista e com um carisma impressionante que faz despertar a atenção e a simpatia de todos. Tendo sua vida permeada pela autoridade opressiva do pai que tinha o objetivo de torná-lo num grande pianista apesar do sua excessiva dominação. 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Pós Graduação - Educação, Humanização e Espiritualidade

Ministro a carga horária de 25 horas aulas - 5 sábados.
Perspectivas do funcionamento da estrutura familiar enquanto grupo emocional.
A espiritualidade dentro da dimensão do funcionamento psíquico.
A estruturação do grupo familiar em seus aspectos psíquicos a partir da teoria psicanalítica.
Percurso desde a teoria reunida por Freud, o misticismo de Jung até a espiritualidade retomada por Bion para a compreensão do aparelho psíquico.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Agressão à Criança


Hostilidade ao incapaz

Seja na tentativa do diagnóstico, ou mesmo em qualquer proposta que tenha o intuito de levantar possíveis consequências implicadas nas experiências emocionais, esse tipo de tarefa estará sempre enquadrada nas suposições e não passarão de hipóteses, já que essa dimensão das relações humanas guarda características muito particulares em cada caso.

Sendo assim, qualquer tentativa de exame de saúde da mente, deve, sem duvida, ser acompanhado de um olhar cuidadoso e dedicado do caso específico em suas particularidades. Tentativas de rotulação e generalização são especialmente prejudiciais e perigosas em se tratando da vida emocional. Dessa forma fica claro que, rotular as dores da alma é inútil sem o cuidado dedicado para com o sujeito que sofre e que a habilidade em diagnosticar uma patologia mental não garante a capacidade de acolhê-la.
Quando nos propomos a pensar nas consequências emocionais que possam acarretar para uma criança que tenha sido agredida por um adulto, inúmeras hipóteses podem ser levantadas e todas elas partem do pressuposto de que essa que foi agredida não possuía capacidade de se defender daquilo que a hostilizava.

Uma situação desse tipo caracteriza-se num trauma, um conjunto de perturbações causadas por um ferimento na mente e sendo assim tenderá buscar maneiras de “curar-se”. Buscará repetir-se até que encontre a chance de elaboração. Numa tentativa de levantar recursos defensivos para lidar com a agressão, a mente repete de alguma maneira a situação.

Poderíamos aqui levantar duas formas básicas de repetição da experiência traumática, pelo menos a priori. A situação pós-traumática pode seguir um curso onde a repetição aconteça de forma interna. Interna por se tratar de certa formação imaginativa sobre a experiência traumática. Uma imaginação persistente que encontrará grande dificuldade para dissolver-se no confronto com a realidade externa. A criança tenderá repetir essa imposição hostil da realidade fechando-se para as experiências da vida numa incapacidade de confiar no outro. Cada nova relação estará povoada de desconfianças nesse outro que sempre guardará uma suspeita (imaginária) de que cedo ou tarde, também o agredirá, de alguma forma.
 Essa tendência, dependendo do grau de evolução da maturidade emocional, pode manifestar-se desde uma timidez excessiva até modelos mais severos onde o sujeito se tornando uma “eterna vitima” das circunstâncias. Dessa maneira, segue construindo suas novas ligações afetivas sempre com a característica de ser realmente hostilizada pelo outro.
Por outro lado, a situação de agressão à criança pode seguir num segundo modelo de desfecho. A forma perversa ou externa de manifestação da repetição do trauma. O sujeito agredido pode desenvolver, de forma inversa ao primeiro modelo, características obsessivas de agressor. Da mesma forma que aquele que o agrediu fazia, já que muito provavelmente aquele que agride revelará em sua história de vida, experiências de ter sido agredido de alguma forma.
Prof. Renato Dias Martino 
Psicoterapeuta e Escritor
São José Do Rio Preto - SP
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