
Um termo que há muito pouco tempo era desconhecido da população. Muitas edições de dicionários da língua portuguesa sequer trazem essa expressão. Só nos últimos tempos é que nos vemos esbarrando nessa palavra com certa freqüência. Na verdade estamos sendo inundados por uma enxurrada de pedófilos que são despejados dentro de nossos lares todos os dias pelos meios de comunicação. Esse texto não pretende ser simplesmente parte desse fluxo, muitas vezes desordenado e repetitivo. Cheio de ódio (com razão) que muitas vezes impede uma visão mais realista e em troca seguimos um caminho onde a vingança é o objetivo.
Apesar disso, a proposta aqui é pensarmos mais atentamente no que é pedofilia e avaliarmos se algo pode ser transformado a respeito da idéia que se tem sobre o aumento considerável de incidência de casos dessa ordem. Abrindo assim novas possibilidades de focar o assunto e talvez percebermos melhor onde realmente se encontra a emergência.
Bem, ao que me parece, os casos de pedofilia têm sempre alguns aspectos que pela coincidência se tornam invariantes de caso para caso.
E é justamente daí que partiremos. Quero dizer que existem sempre características em comum aos casos de pedofilia divulgados pela mídia. Talvez nesse ponto esteja um sinal daquilo que tem que ser cuidado mais atidamente. Dificuldade de punir as pessoas envolvidas na rede, sobretudo as que fazem parte de dois grupos em particular. Em primeiro lugar os mais abastados financeiramente e em segundo, aqueles que na realidade deveriam estar cuidando da criança. Falo de casos onde a própria mãe é quem leva o filho para as mãos do ‘lobo’.

Na realidade o que se percebe é que a ânsia por punir o agressor acaba por desfocar a real origem do problema. Até onde pude verificar em minha breve pesquisa, quase que a totalidade dos casos traz o aspecto ‘desestrutura familiar’ como invariante. Falo que existe no histórico de vida de cada criança abusada, enorme incapacidade de contenção familiar. Lares sem qualquer condição de gerar um bom funcionamento emocional, que é o que vai permitir uma possibilidade de reconhecimento da realidade e de mundo.


Na família é onde conseguiremos os modelos que nos guiarão por nossa vida a fora. Quando o lar é um ambiente tranquilo e acolhedor, o risco de se cair no colo do ‘lobo’ fica sempre menor . Se isso procede como verdade, e se o intuito é realmente ir de encontro com o real problema, o foco principal é na família. Reestruturação dessa instituição chamada família, que em minha avaliação, passa por um momento sem precedentes. Ao se renunciar um modelo tido como antiquado, ou atrasado, entrou-se num processo de severa degradação.
Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
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