sábado, 21 de junho de 2014

Grupo de Estudo



Grupo de Estudo

Uma visão introdutória dos conceitos psicanalíticos, num formato acessível ao leigo interessado no assunto. Oportunidade de reflexão para o estudante aspirante a psicoterapeuta. Não obstante o grupo se mostra útil para o psicanalista dedicado a prática clínica, em sua tarefa incessante de releituras da própria psicanálise.

Fone: 17-30113866
renatodmartino@ig.com.br

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Da ilusão como recurso fundamental

Em 2009 escrevi sobre os motivos que levariam o sujeito a buscar um processo de psicoterapia. Na ocasião propus reflexão à dedicação que se pode ter “a momentos onde a concretude das coisas simplesmente perde o valor”. Levanto a hipótese de que “a humanidade parece enfrentar um período da historia onde a infertilidade (para não dizer esterilidade) na produção do pensamento é algo preocupante”.

 Pretendo novamente trazer a baila tal cogitação. Cinco anos se passaram e a realidade nos mostra que a capacidade de pensar sem dúvida continua sendo certa habilidade muito deficitária no ser humano contemporâneo, que parece agir mais e pensar muito pouco. Sendo assim, a ilusão passa a ser muito mais frequente que a tomada de consciência da realidade.
O ser humano se vê engajado de criar expedientes que possam mantê-lo dentro das ilusões. Vem se especializando cada dia mais na tarefa de criar mecanismos que permitam mantê-lo iludido a maior parte do tempo possível. Na impossibilidade de vinculação saudável, existe então uma tentativa que aposta na substituição de um real suprimento de necessidades básicas por artifícios vazios de experiências realmente nutridoras e escassas de qualidade profícuas, que ofuscam e adiam esse imperativo de satisfação fundamental que ora está impedido de suprir-se.
Ilusões são sedutoras por serem prazerosas e sugerirem um afastamento dos desconfortos, no entanto são pobres e não estão a serviço da nutrição da mente.

Pressupondo-se de certa demanda básica a ser suprida e diante da impossibilidade no suprimento adequado, cria-se então certa ilusão substitutiva dessa necessidade. Foi o caminho da qual a psicanálise nos ensinou.




Bem, é necessário nos lembrarmos de que as ilusões são componentes do ciclo de desenvolvimento mental, entretanto permanecer demasiadamente dentro delas passa a se revelar um risco para o mesmo processo de desenvolvimento. A situação torna-se realmente danosa quando o sujeito aferra-se a isso de maneira tão dependente que fica obrigado a construir um sistema de justificativas racionais para que possa explicar sua permanência nos domínios dessa fantasia. Um subterfúgio por substituição de algo que na realidade nunca poderia ser substituído efetivamente, torna então do sujeito um prisioneiro. Quando uma criança chora por que perdeu a chupeta, sua angústia não diz respeito aquele pedaço de borracha, mas à aquilo que a angustiava antes de conhecer a chupeta.
Contudo, ainda que o exercício do pensar seja recurso fundamental para a expansão de uma mente saudável, proporcionando maior capacidade afetiva, o direito de conservar sua ignorância é reservado a cada ser humano. Até porque o que o leva manter-se ignorante de certa verdade, é o fato de não ter encontrado algo que valesse a pena, na realidade externa, com o outro.







Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodmartino@ig.com.br

http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Dicas de filmes - Pelos Olhos de Maisie (What Maisie Knew, 2012)



Filme baseado no belo romance que é uma das mais importantes obras de Henry James (1843  1916), publicado em 1897.
Esse belo filme retrata a história da bela garotinha de sete anos Maisie, interpretado por Onata Aprile, que em meio ao perturbador divórcio dos pais, tenta sobreviver. 
Henry James (1843  1916)
Por um lado sua mãe, Susanna (Julianne Moore), uma cantora de uma banda de rock, do outro seu pai, Beale (Steve Coogan), um influente negociador de obras de arte; cuidam de suas vidas particulares sem serem capazes de perceber o drama da menina. Entretanto, a menina acaba descobrindo um novo sentido para sua vida e para a palavra "família".

quarta-feira, 4 de junho de 2014

RELACIONAMENTOS COMPLICADOS

Entrevista por Elen Valereto, para a revista Bem-Estar veiculada ao jornal Diário da Região.

Elen Valereto - Quais características da personalidade podem tornar o “relacionamento a dois” mais complicado? 

Prof. Renato Dias Martino - Relacionamentos danosos são construídos por pessoas em condição imatura, ou mesmo que estejam enfraquecidas emocionalmente. Poderíamos aqui sugerir dois tipos básicos de personalidade que poderiam ser nocivas na tentativa de estabelecimento de um vínculo saudável; os que buscam dominar o outro, retirando certo benefício oculto dessa configuração afetiva e aqueles que se colocam com extrema dependência se beneficiando secretamente dessa amarração. Nessa conformação de relacionamento fica impedido o desenvolvimento das personalidades, que passam a ficar empobrecidas, não podendo existir, assim, expansão das partes, muito menos do vínculo.


Elen Valereto - Em quais situações a origem dessas características acaba sendo herdadas pelos pais? 

Prof. Renato Dias Martino - Os pais, ou aqueles que ocupam essa função são sempre os responsáveis por oferecerem modelos aos filhos. Dessa forma, se o modelo oferecido guardava falhas severas, existe uma grande chance de se estenderem como herança naquilo que constituirá a personalidade dos filhos.


Elen Valereto -  Que influência pais autoritários podem ter sobre seus filhos quando estes estiverem adultos? 

Prof. Renato Dias Martino - A influência da posição autoritária é sempre desastrosa na vida de uma criança. Poderíamos levantar a hipótese que isso poderia se dar de duas maneiras; através de uma formação reativa, transformando a criança num adulto inseguro e subserviente aos outros, ou então uma reprodução identificativa do autoritarismo dos pais, numa repetição fiel do modelo autoritário na vida adulta.


Elen Valereto -  Por que pessoas “difíceis de lidar” não aceitam argumentos de outros indivíduos, mesmo sabendo que são melhores que os seus? 

Prof. Renato Dias Martino - A capacidade de sentir-se ignorante é algo muito pouco desenvolvido no ser humano. É gerador de grande ansiedade e muitas vezes, por conta de sua intolerância, obriga o sujeito a criar uma falsa verdade, que o satisfaz, criando a falsa impressão do saber. Entretanto esse “pseudosaber” não poderá ser questionado e assim deverá ser mantido e resguardado pela arrogância.


Elen Valereto -  Essa necessidade de prevalecer a vontade ou opinião estão relacionadas à insegurança pessoal ou baixa autoestima? Ou significa certo medo de perder o 'poder'?

Prof. Renato Dias Martino - Penso que a arrogância sempre denuncia a insegurança. Aquele que está seguro não se envolve em debates infecundos. Na verdade nem um tipo de conhecimento pode estar na ordem da certeza absoluta e sendo assim, somos todos ignorantes em certa medida. Quando somos cientes de nossa própria ignorância a arrogância se dissolve, abrindo espaço para a capacidade de aprender com a experiência.





Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodmartino@ig.com.br

http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com 

domingo, 1 de junho de 2014