quarta-feira, 4 de junho de 2014

RELACIONAMENTOS COMPLICADOS

Entrevista por Elen Valereto, para a revista Bem-Estar veiculada ao jornal Diário da Região.

Elen Valereto - Quais características da personalidade podem tornar o “relacionamento a dois” mais complicado? 

Prof. Renato Dias Martino - Relacionamentos danosos são construídos por pessoas em condição imatura, ou mesmo que estejam enfraquecidas emocionalmente. Poderíamos aqui sugerir dois tipos básicos de personalidade que poderiam ser nocivas na tentativa de estabelecimento de um vínculo saudável; os que buscam dominar o outro, retirando certo benefício oculto dessa configuração afetiva e aqueles que se colocam com extrema dependência se beneficiando secretamente dessa amarração. Nessa conformação de relacionamento fica impedido o desenvolvimento das personalidades, que passam a ficar empobrecidas, não podendo existir, assim, expansão das partes, muito menos do vínculo.


Elen Valereto - Em quais situações a origem dessas características acaba sendo herdadas pelos pais? 

Prof. Renato Dias Martino - Os pais, ou aqueles que ocupam essa função são sempre os responsáveis por oferecerem modelos aos filhos. Dessa forma, se o modelo oferecido guardava falhas severas, existe uma grande chance de se estenderem como herança naquilo que constituirá a personalidade dos filhos.


Elen Valereto -  Que influência pais autoritários podem ter sobre seus filhos quando estes estiverem adultos? 

Prof. Renato Dias Martino - A influência da posição autoritária é sempre desastrosa na vida de uma criança. Poderíamos levantar a hipótese que isso poderia se dar de duas maneiras; através de uma formação reativa, transformando a criança num adulto inseguro e subserviente aos outros, ou então uma reprodução identificativa do autoritarismo dos pais, numa repetição fiel do modelo autoritário na vida adulta.


Elen Valereto -  Por que pessoas “difíceis de lidar” não aceitam argumentos de outros indivíduos, mesmo sabendo que são melhores que os seus? 

Prof. Renato Dias Martino - A capacidade de sentir-se ignorante é algo muito pouco desenvolvido no ser humano. É gerador de grande ansiedade e muitas vezes, por conta de sua intolerância, obriga o sujeito a criar uma falsa verdade, que o satisfaz, criando a falsa impressão do saber. Entretanto esse “pseudosaber” não poderá ser questionado e assim deverá ser mantido e resguardado pela arrogância.


Elen Valereto -  Essa necessidade de prevalecer a vontade ou opinião estão relacionadas à insegurança pessoal ou baixa autoestima? Ou significa certo medo de perder o 'poder'?

Prof. Renato Dias Martino - Penso que a arrogância sempre denuncia a insegurança. Aquele que está seguro não se envolve em debates infecundos. Na verdade nem um tipo de conhecimento pode estar na ordem da certeza absoluta e sendo assim, somos todos ignorantes em certa medida. Quando somos cientes de nossa própria ignorância a arrogância se dissolve, abrindo espaço para a capacidade de aprender com a experiência.





Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodmartino@ig.com.br

http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com 

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