domingo, 1 de maio de 2011

BAIXAR OU NÃO A GUARDA?

BAIXAR OU NÃO A GUARDA?

Muitas pessoas têm medo da intimidade. Especialistas explicam que certa dose de “receio” é até bem-vinda, mas não deve travar as relações, principalmente quando se percebe haver um campo de confiança começando a ser cultivado.

(Matéria de Gisele Bortoleto, publicada na Revista Bem Estar de 1° de maio de 2011.)

Escreveu certa vez a psicoterapeuta e notável escritora norte-americana Virginia Satir (1916-1988): “Creio que a melhor dádiva que concebo receber de alguém é: ser vista, ser ouvida, ser compreendida, ser reconhecida. A maior dádiva que posso oferecer é: ver, ou vir, compreender e reconhecer outro ser humano. Quando isso acontece, sinto que houve contato entre nós”. Passamos nossa vida procurando um melhor amigo, um colega de trabalho de confiança, um irmão com quem possamos trocar confidências, uma alma gêmea. Buscamos a intimidade, talvez a forma mais rica de relacionamento entre as pessoas, mas, por outro lado, também talvez a mais temida.
Mas por que isso acontece? O escritor, poeta e filósofo Suryavan Solar diz no livo “O Caminho do Amante Como se Relacionar Sem Se Perder no Apego” (Ed. Gran Sol) que entrar em um estado de intimida de com o outro é expor o coração, baixar a guarda, deixando de lado qualquer tipo de defesa ou restrição e permitir-se totalmente vulnerável. Na opinião de Solar, temos medo da intimidade com alguém porque o outro recorda o estranho que vive dentro de nós e que não temos nem ideia de quem é. Um desconhecido que, por séculos, habitou nosso interior e que não nos atrevemos a vê-lo de frente. “O outro se converte em espelho, no desconhecido, a ponto de observar se pela primeira vez, e isso o apavora”, afirma. Para ele, permitir-se viver uma experiência de intimidade com o outro é um momento que se grava no coração. É um grande encontro de amantes. “A intimidade surge quando a chama do amante e do amado se encontram, se integram e fundem-se por um instante, quase até converter-se em uma só, avivando o fogo interno e acendendo a plenitude e o êxtase”, diz. Já não existem defesas, proteções, nem dúvidas. Só esse pequeno instante, eterno e puro.

O psicoterapeuta Renato Dias Martino diz que a intimidade é o nome que se dá ao modelo mais próximo de vínculo entre o “eu” e o “outro”. Uma forma extremamente privada de relação entre duas pessoas. É na intimidade que cria-se o ambiente propício para revelar-se o verdadeiro “eu”. Aquele “eu” primitivo e que normalmente não expomos de forma aberta. “E não o fazemos justamente porque essa parte da personalidade é desprovida de defesas. É o que temos de mais frágil em nós”, explica Professor Martino. Como numa cebola, onde as cascas secas (falso “eu”) escondem e, ao mesmo tempo, defendem o miolo tenro: na intimidade, retiramos nossas cascas e expomos aquilo que jaz no nosso interior.

De certa forma, podemos pensar que o medo da intimidade é um indicativo importante. Certo sinal sugerindo defesas para proteger algo que (pelo menos ainda) não é capaz de viver em contato com o mundo externo ou em contato com o outro. O outro que guarda sempre a ameaça da não aceitação daquilo que se revela na intimidade.
Professor Martino lembra que uma cota de medo da intimidade é sempre muito útil e bem-vinda para o bom funcionamento mental. “Parece-me que a intimidade é algo que deve ser construída muito lentamente e de forma natural”, diz. O vínculo de intimidade só pode ser saudável se contar com certa dose de confiança, de outra forma, o risco de se machucar e é algo muito provável.


Prof. Renato Dias Martino

Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866
renatodiasmartino@hotmail.com
http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com

5 comentários:

Carla Lopes disse...

Sua alma fala diretamente conosco, com a intimidade de quem há séculos habita corações e interpreta ruídos.

carelusca disse...

Querido prof, Adorei, realmente vc fala diretamente de uma forma inesplicavel...
Sempre encontro respostas em suas postagens elas são sabias reais e nos fazem muitas fezes enchergar aquilo que não vemos diante de nos mesmo !!!

sumoreira1 disse...

concordo k com pessoas k confiamos sentimos mais livre em contar algo masi profundo, mais vejo até tirando de mim tbem, k muitas vezes nao somos intimos com certas pessoas k até achamos confiaveis...mais o medo de nao ser aceito nos cria muitas defesas...gostei do tema...fala muito mais...acredito k ainda tem muitas pessoas buskando respostas em relaçao a isso.

Prof. Renato Dias Martino disse...

Muito obrigado pelos comentário. Beijo grande!

marlene disse...

o medo da entrega faz o amor ficar camuflado, gerando grandes frustrações a si mesmo e a seu parceiro