sábado, 25 de dezembro de 2010

Uso abusivo do álcool

Uso abusivo do álcool
Renato Dias Martino

Gostaria de pedir um espaço na atenção do meu caro leitor para colocar algumas palavras sobre aquela que julgo ser a droga mais poderosa da atualidade. Chamo a assim, pois é diferente de drogas como a cocaína, da qual é necessário que o sujeito se arrisque e vá até o traficante para consegui-la. É diferente também das drogas farmacológicas que dependem de uma receita médica, quando não, exige que se burle a lei para se obter e assim usar as de “tarja preta”.
Falo aqui de certa droga que é vendida indiscriminadamente (muitas vezes para menores de idade) em qualquer esquina (custando centavos a dose) e o pior, de enorme acessibilidade nas prateleiras dos super mercados. Escrevo aqui sobre a droga que sorrateira e silenciosamente ajuda a destruir as personalidades, as relações entre pessoas, famílias, sem contar na promoção de acidentes catastróficos e isso tudo com o aval da sociedade e da lei. Essa droga é a mesma que patrocina os principais programas de TV e enriquece os cofres públicos (assim como o cigarro) com arrecadação de impostos.
Contudo, minhas palavras vêm, sem duvida, acompanhadas da consciência de que o mal não se encontra no álcool, que por si só não tem vontade própria e existe na civilização há tanto tempo quanto o homem. Parece-me que o mal está no desequilíbrio daquele que faz uso compulsivo e assim abusivo dessa poderosa droga.
Estamos aqui cogitando sobre mais um dos instrumentos que vem sendo eleito para dar conta de certa compulsão, hoje muito comum.
A frase estampada nas propagandas: “se beber não dirija” (em minha opinião visivelmente ineficaz), não se enquadra só no ato de dirigir um carro, mas, dirigir-se ao outro, dirigir-se ao mundo, dirigir a própria vida. O mal não está na bebida, mas em sua acessibilidade e a forma como vem sendo utilizada. O problema está naquele que conduz sua vida sob o efeito do álcool e assim dificilmente produzirá algo bom.
Na realidade a proposta aqui está menos focada naquele sujeito do qual o uso do álcool é representado como uma patologia de dependência, mas ao sujeito comum que está longe de admitir o perigo existente na forma como faz uso da bebida alcoólica.
Falo aqui de algo que é prazeroso apenas para aquele que bebe e isso, muitas vezes, à custa do desprazer do outro. Na realidade, onde existe um sujeito usando o álcool de forma abusiva, sempre existirá “no mínimo” mais alguém sofrendo.
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Prof. Renato Dias Martino
Psicoterapeuta e Escritor
Fone: 17-30113866

Um comentário:

Raphaella Grego disse...

Perfeito.Objetivo e de grande reflexão.