Estamos
vivendo na era dos contrassensos. Onde os que reconhecem a verdade precisam se
calar para não ofender os iludidos. Influenciadores medíocres acumulam
seguidores em suas redes sociais, ganhando notoriedade às custas da
incapacidade dos outros e enchendo os bolsos de dinheiro.
Pelo
menos no Brasil, onde posso ter maior acesso aos acontecimentos, me parece que
estamos vivendo um momento de contradição na civilização. Enquanto pessoas
honestas precisaram se exilar em outros países e outras estão presas
injustamente por expressar sua opinião, ministros da mais alta corte judicial
estão envolvidos em escândalos que reúnem valores astronômicos, juntamente com
banqueiros corruptos. Assistimos um esquema de cobranças não autorizadas feitas
em aposentadorias e pensões com um prejuízo bilionário a beneficiários do
Instituto Nacional do Seguro Social.
Vemos
uma enxurrada de treinadores coachs prometendo enriquecimento através de uma
suposta física quântica. Psicólogos com promessas de resultado psicoterapêutico
em semanas, para danos emocionais que ocorreram, muitas vezes, por uma vida
toda. Psicodiagnósticos sendo criados para catalogar tudo aquilo que não se tem
tolerado nas pessoas. Médicos administrando medicamentos psiquiátricos de
grande potencial para causarem dependência, depois de minutos de conversa, sem
qualquer exame laboratorial, de imagem ou de procedimento.
Vivemos
um período em que nunca se viram tantos asilos para idosos, que hoje ganharam
um novo nome tentando amenizar o peso da experiência, denominando-se então
“casa de repouso”; e, por outro lado, vemos um crescimento exponencial de
creches, que recebem hoje o nome de escolinha infantil. O jornal patrocinado
por uma importante marca de cervejas noticia o sujeito com sinais de embriaguez
que invadiu a calçada com o carro e matou uma família toda.
Nunca
tivemos tantos ateus e agnósticos e, por outro lado, nunca se viram tantos
supostos entendidos de teologia tentando provar a existência de Deus que, na
realidade, está na dimensão do mistério e carece de fé. Assistimos a filósofos
de “boutique” com enorme audiência que se dispõem a serem garotos-propaganda de
grandes bancos.
Assistimos
a supostos revolucionários defendendo ditadores. Parece existir uma ideologia
vigente que promove o caos e a desordem da civilização. No âmbito da
sexualidade, promove-se a liberdade sexual nas mais variadas formas, que
desrespeitam o fluxo natural da vida. Para viabilizar essa conduta,
reivindica-se então a legalização do aborto. Prega-se que, através de
intervenções cirúrgicas e administração de hormônios, seja possível provocar
mudança no sexo biológico. Defende-se essa aplicação em crianças numa idade
muito precoce. Essa filosofia infiltrou-se nos meios de comunicação de massa e
busca controlá-los para a maior disseminação das suas propostas.
Tenta
dividir a população em grupos antagônicos e polarizados num clima de desacordo,
o que estimula a desordem. Divide-se o povo em classes opostas, provocando o
ódio e a discórdia entre elas, assim enfraquecendo a população. Na política,
qualquer opositor que se destaque passa a ser censurado o mais breve possível.
Corrompe-se a juventude que esteja emocionalmente vulnerável com ideologias
nocivas. Vemos o governo subornar os mais desfavorecidos com programas sociais.
Determinam
o desarmamento da população para que não possa se defender. Vemos corrompida a
religião internamente, infiltrando-se em seus espaços com propostas
revolucionárias. Compram-se canais de informação e notícias para propagar
aquilo que favoreça o regime. Com isso, fazem propaganda do governo
incessantemente e privam o espectador das informações sobre possíveis
corrupções ou qualquer suspeita sobre os poderosos. Coloca-se em dúvida regras
atuais, moralidade e ética. Combate-se a tradição da família em seu modelo
natural. Promove-se a ocupação de propriedades privadas e tentam controlar
meios de produção.
Vivemos
numa geração carente de referências afetivas e, com isso, vulnerável
emocionalmente. Sem poder contar com as funções materna e paterna bem
cumpridas, o sujeito contemporâneo padece de desorientação emocional.
Emocionalmente vulnerável, está facilmente manipulável pelos ditos
influenciadores nas redes sociais. Incapaz de confiar em si mesmo, passa a ser
suscetível a se tornar mais um na luta por qualquer ideologia de algum
líder. bem estruturadas não precisam do governo; porém, famílias
desestruturadas tendem a ser dependentes e, com isso, mais controláveis pelo
governo. Famílias desestruturadas geram indivíduos desestruturados que
configuram uma sociedade desestruturada.
Homens
fragilizados e imaturos emocionalmente, incapazes de cumprir a função paterna.
Assistimos, com isso, à destruição e à extinção da família. Torna-se, então,
terreno propício para a produção e o consumo de filmes, desenhos animados e
propagandas que ridicularizam a posição masculina e a necessidade da função
paterna, na melhor das hipóteses relegando o pai a uma figura decorativa dentro
da própria casa. Propõe-se, ainda, um falso empoderamento para a mulher, que se
desdobra em jornadas de 12 horas de trabalho por dia para um chefe que não se
importa com ela e que muitas vezes a abusa. Aquela que era rainha acaba por
abandonar o trono. Portanto, temos o pai sem autoridade e destituído da sua
função, a mãe esgotada que não consegue cumprir a sua e o filho que não é
criado pelos pais, mas devidamente programado pelo sistema.
Isso
propicia uma configuração onde as pessoas vão tomando forma de uma cômoda
igualdade doutrinada. O sujeito se acomoda num sistema onde não precisa — e na
verdade está proibido — de pensar por si mesmo, repetindo ideias
inquestionáveis propostas por líderes que detêm o poder em todas as esferas.
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