quinta-feira, 28 de maio de 2026

ERA DA CONTRADIÇÃO - Prof. Renato Dias Martino


Estamos vivendo na era dos contrassensos. Onde os que reconhecem a verdade precisam se calar para não ofender os iludidos. Influenciadores medíocres acumulam seguidores em suas redes sociais, ganhando notoriedade às custas da incapacidade dos outros e enchendo os bolsos de dinheiro.

Pelo menos no Brasil, onde posso ter maior acesso aos acontecimentos, me parece que estamos vivendo um momento de contradição na civilização. Enquanto pessoas honestas precisaram se exilar em outros países e outras estão presas injustamente por expressar sua opinião, ministros da mais alta corte judicial estão envolvidos em escândalos que reúnem valores astronômicos, juntamente com banqueiros corruptos. Assistimos um esquema de cobranças não autorizadas feitas em aposentadorias e pensões com um prejuízo bilionário a beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social.

Vemos uma enxurrada de treinadores coachs prometendo enriquecimento através de uma suposta física quântica. Psicólogos com promessas de resultado psicoterapêutico em semanas, para danos emocionais que ocorreram, muitas vezes, por uma vida toda. Psicodiagnósticos sendo criados para catalogar tudo aquilo que não se tem tolerado nas pessoas. Médicos administrando medicamentos psiquiátricos de grande potencial para causarem dependência, depois de minutos de conversa, sem qualquer exame laboratorial, de imagem ou de procedimento.

Vivemos um período em que nunca se viram tantos asilos para idosos, que hoje ganharam um novo nome tentando amenizar o peso da experiência, denominando-se então “casa de repouso”; e, por outro lado, vemos um crescimento exponencial de creches, que recebem hoje o nome de escolinha infantil. O jornal patrocinado por uma importante marca de cervejas noticia o sujeito com sinais de embriaguez que invadiu a calçada com o carro e matou uma família toda.

Nunca tivemos tantos ateus e agnósticos e, por outro lado, nunca se viram tantos supostos entendidos de teologia tentando provar a existência de Deus que, na realidade, está na dimensão do mistério e carece de fé. Assistimos a filósofos de “boutique” com enorme audiência que se dispõem a serem garotos-propaganda de grandes bancos.

Assistimos a supostos revolucionários defendendo ditadores. Parece existir uma ideologia vigente que promove o caos e a desordem da civilização. No âmbito da sexualidade, promove-se a liberdade sexual nas mais variadas formas, que desrespeitam o fluxo natural da vida. Para viabilizar essa conduta, reivindica-se então a legalização do aborto. Prega-se que, através de intervenções cirúrgicas e administração de hormônios, seja possível provocar mudança no sexo biológico. Defende-se essa aplicação em crianças numa idade muito precoce. Essa filosofia infiltrou-se nos meios de comunicação de massa e busca controlá-los para a maior disseminação das suas propostas.

Tenta dividir a população em grupos antagônicos e polarizados num clima de desacordo, o que estimula a desordem. Divide-se o povo em classes opostas, provocando o ódio e a discórdia entre elas, assim enfraquecendo a população. Na política, qualquer opositor que se destaque passa a ser censurado o mais breve possível. Corrompe-se a juventude que esteja emocionalmente vulnerável com ideologias nocivas. Vemos o governo subornar os mais desfavorecidos com programas sociais.

Determinam o desarmamento da população para que não possa se defender. Vemos corrompida a religião internamente, infiltrando-se em seus espaços com propostas revolucionárias. Compram-se canais de informação e notícias para propagar aquilo que favoreça o regime. Com isso, fazem propaganda do governo incessantemente e privam o espectador das informações sobre possíveis corrupções ou qualquer suspeita sobre os poderosos. Coloca-se em dúvida regras atuais, moralidade e ética. Combate-se a tradição da família em seu modelo natural. Promove-se a ocupação de propriedades privadas e tentam controlar meios de produção.

Vivemos numa geração carente de referências afetivas e, com isso, vulnerável emocionalmente. Sem poder contar com as funções materna e paterna bem cumpridas, o sujeito contemporâneo padece de desorientação emocional. Emocionalmente vulnerável, está facilmente manipulável pelos ditos influenciadores nas redes sociais. Incapaz de confiar em si mesmo, passa a ser suscetível a se tornar mais um na luta por qualquer ideologia de algum líder.  bem estruturadas não precisam do governo; porém, famílias desestruturadas tendem a ser dependentes e, com isso, mais controláveis pelo governo. Famílias desestruturadas geram indivíduos desestruturados que configuram uma sociedade desestruturada.

Homens fragilizados e imaturos emocionalmente, incapazes de cumprir a função paterna. Assistimos, com isso, à destruição e à extinção da família. Torna-se, então, terreno propício para a produção e o consumo de filmes, desenhos animados e propagandas que ridicularizam a posição masculina e a necessidade da função paterna, na melhor das hipóteses relegando o pai a uma figura decorativa dentro da própria casa. Propõe-se, ainda, um falso empoderamento para a mulher, que se desdobra em jornadas de 12 horas de trabalho por dia para um chefe que não se importa com ela e que muitas vezes a abusa. Aquela que era rainha acaba por abandonar o trono. Portanto, temos o pai sem autoridade e destituído da sua função, a mãe esgotada que não consegue cumprir a sua e o filho que não é criado pelos pais, mas devidamente programado pelo sistema.

Isso propicia uma configuração onde as pessoas vão tomando forma de uma cômoda igualdade doutrinada. O sujeito se acomoda num sistema onde não precisa — e na verdade está proibido — de pensar por si mesmo, repetindo ideias inquestionáveis propostas por líderes que detêm o poder em todas as esferas.








Prof. Renato Dias Martino












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