sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Encontro Filosófico

Encontro Filosófico
Memória, Desejo e compreensão
Dificuldades na construção e manutenção dos vínculos
Uma oportunidade de reflexão sobre os fatores que dificultam o estabelecimento, assim como a sustentação dos vínculos afetivos. As defesas usadas nas experiências emocionais presentes na prática clínica da psicanálise, mas que frequentemente revelam-se nas relações cotidianas.

Dias 26 de outubro às 14:00  no Anfiteatro do Hospital Ielar
Rua Luiz Antonio da Silveira, n° 1728, Boa Vista
Investimento 10,00 – Em Prol do Hospital Ielar
Inscrições pelo Fone – 40091200
Certificação de horas
Coordenação
Prof. Renato Dias Martino

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A capacidade de amar determina o bom funcionamento da mente

Matéria de Francine Moreno para o Jornal Diário da Região - São José do Rio Preto, 19 de Setembro, 2013

Você liga o rádio e está tocando uma canção romântica. Vai à livraria e se perde diante de tantos títulos com temática amorosa. Acessa as redes sociais e lê diversas declarações de amor. Nos cinemas, semanalmente, estreiam filmes com histórias açucaradas. O “bombardeio” reforçando a importância do amor vem de todos os lados. 

Renato Dias Martino, psicoterapeuta e escritor, de Rio Preto, acredita que o amor não pode ser um tema discutido e vivido apenas por romancistas, poetas e filósofos. Tanto que lança amanhã um livro sobre o tema e outras questões. “O amor e a expansão do pensar: Das perspectivas dos vínculos no desenvolvimento da capacidade reflexiva”, editado pela Vitrine Literária, será apresentado nesta sexta-feira, às 19h30, no saguão da Biblioteca Municipal. 

Autor também de “Para Além da Clínica” e “Primeiros Passos Rumo à Psicanálise”, lançados respectivamente em 2011 e 2012, Martino afirma com base no seu novo livro que o amor é visto como sendo da ordem das capacidades e não como um sentimento. “A proposta do livro na realidade é de um ponto de partida para uma reflexão e não uma tentativa de definição de uma experiência tão nobre.” 
Para Martino, a capacidade de amar é fundamental para várias questões, especialmente para o bom desempenho da aparelho psíquico. 

“O Eros (o Cupido, em Roma) é aquele que liga e foi esse mito grego que Freud se utilizou para ilustrar o amor na psicanálise. A vida se faz através das ligações que resultarão na expansão. Sem Eros não há ligação, logo não há expansão afetiva.” O psicoterapeuta e escritor diz que a capacidade de amar é desenvolvida na infância. 

“Não nascemos sabendo amar. Só aprendemos amar se formos bem orientados nessa tarefa. Na infância é quando estamos mais abertos a aprender tudo, inclusive amar. Depois de adulto, temos maior dificuldade em aprender”, diz. Martino afirma que o amor mostra-se importante e imprescindível também na expansão do exercício do pensar. “A capacidade de unir-se ao outro é uma necessidade biológica, pois satisfaz algo de instintual e altamente vinculado ao funcionamento biológico, assim como é dessa união que depende a proliferação da espécie. Existe uma extensão para além do corpo físico, e é disso que trata o livro.” 


Arte: Lezio Junior
Livro lança olhar psicanalítico 

O livro “O amor e a expansão do pensar: Das perspectivas dos vínculos no desenvolvimento da capacidade reflexiva”, segundo Renato Dias Martino, é uma extensão da realização psicanalítica que ele trabalha e possibilita uma série de recursos. “Isso busca de alguma forma se transformar em linguagem, escrita, falada e vivida. Para que minha verdade seja real, ela deve passar pelo olhar do outro e o livro busca essa confirmação.” 

A obra, de acordo com Martino, é uma continuação dos dois primeiros livros. “Para Além da Clínica”, pela Inteligência Editora 3, aborda, de forma acessível, questões relativas à psicoterapia, dos últimos avanços a temas como espiritualidade. Já “Primeiros Passos Rumo à Psicanálise” foi inspirado no conteúdo desenvolvido por ele em sala de aula e percorre um caminho introdutório, com breve biografia de Sigmund Freud, e também aspectos relacionados aos primórdios da criação de sua teoria. 

“O amor e a expansão do pensar” tem 90 páginas e prefácio assinado por Paulo Rezende, jornalista, escritor e editor do novo livro. A capa, vermelha, tem relação com o tema abordado. “Acredito ser um reflexo do conteúdo”, afirma. 

Serviço 

O amor e a expansão do pensar: das perspectivas dos vínculos no desenvolvimento da capacidade reflexiva (Vitrine Literária, 90 págs., R$ 30). Lançamento amanhã, às 19h30, na Biblioteca Municipal. Informações pelo (17) 3202-2316

http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Divirtase/Comportamento/152950,,A+capacidade+de+amar+determina+o+bom+funcionamento+da+mente.aspx 


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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

DO DESMAME NOSSO DE CADA DIA

A experiência da frustração, por não poder “ter” o seio é um dos pontos altos no processo que conduz o ser humano à dura tarefa de se libertar da exclusiva relação com o amor materno (ou daquele que ocupa o lugar de cuidador). Essa experiência dolorosa de desligamento, quando vivida de uma forma serena, pode servir como modelo útil pela vida toda. E também é o que definirá grande parte dos padrões de funcionamento mental que se pode adotar durante a vida, isso enquanto forma de relacionar-se com as pessoas e as coisas do mundo, sobretudo aquelas que nos são ligadas mais profundamente.


“Quando vem a época do desmame, a mãe se entristece refletindo que ela e o filho terão de se separar; que o infante, no princípio sob o seu coração e depois embalado ao seio, nunca mais estará tão próximo dela. E juntos sofrerão esta curta pena. Venturoso aquele que manteve o filho tão próximo de seu coração e não teve outro motivo de desventura!” Soren Aabye Kierkegaard (1813-1855), Temor e Tremor, 1843

Kierkegaard , filósofo dinamarquês, sob o pseudônimo de Johannes de Silento, descreve brilhantemente em sua obra, publicada em 1843, sobre essa dolorosa experiência que aqui proponho cogitação. Tentemos ser, também aqui, serenos nas tentativas de refletir. Podemos pensar em um curso natural onde a saúde mental e o desenvolvimento emocional são presentes, cada experiência dolorosa vivida desde o início da vida do bebê, nessa série de encontros com a frustração, o forçará a busca de experiências no mundo externo. Experiências num lugar que fica além do eu, numa esfera de relacionamento mais ampla do que aquela, antes vivida.
Agora o bebê, movido por Eros, é impulsionado em direção a relações com o mundo que existe além da relação íntima mãe-bebê, onde o eu e o outro têm limites tão tênues que já não servem de referências seguras no tocante à discriminação da realidade. Tarefa difícil, já que falamos de uma separação daqueles, que um dia, estiveram fisicamente “grudados”.
Para o bebê, a perspectiva parte de quem realmente viveu “dentro” do outro e dali foi tirado. Ele dependeu do outro para respirar, se alimentar, na verdade dependeu “dela” para existir. E, ainda, se não foi “dela” (mãe) que dependeu, foi de alguém que ocupou esse lugar, falamos aqui muito mais da função, do que de quem a ocupa. Para a mãe é separar-se daquele que é, efetivamente, algo que saiu de seu interior, e agora se afasta buscando o mundo externo.
Em alguns momentos, tratar desse tema parece “chover no molhado” como diz o ditado popular, ou seja, falarmos dos óbvios da vida. Não obstante, isso talvez ganhe um sentido, se percebermos o quanto a civilização anda nos forçando a desvalorizar nossas experiências emocionais, quem sabe, a troco de uma vida mais prática e mecânica e supostamente sem sustos. Esquecemos a dolorosa e penosa tarefa que enfrentamos no caminho que percorremos rumo à maturidade emocional.
A elaboração de recursos para se desligar de modelos de vínculo onde o que rege a relação é a fantasia da exclusividade. Isso, de uma forma afetiva ou mais livre possível de ressentimentos. Da saúde mental depende a capacidade para esse tipo de experiência e, concomitantemente, é desse tipo de ensaio que se mantém a mente saudável. Certo tipo de relação, tão profundamente ligada como a que descrevo, é sempre tendente a confusões. Confusão entre aquilo que “é” o outro e aquilo que se “imagina ser” o outro. Conflitos não elaborados, que se originam dessa relação buscarão, naturalmente, uma nova chance de serem novamente vividos e, assim, abrindo uma nova oportunidade de apreensão e vinculação com real. Mas conflitos dessa ordem são especialmente delicados quando se foi arremessado de encontro à própria realidade, sem que se pudesse viver um desligamento “suave’ da relação primária. Cria-se um ambiente de desordem emocional inundado de ódio pela experiência do contato com o real, dificultando ou interrompendo o encontro afetivo com aquilo que vem de fora, ou seja, com aquilo que é do não / eu. A situação passa a ser de fundamental importância já que esse encontro é o que permite o desenvolvimento da função do pensamento. É o que nutre de recursos o aparelho mental e aprimora o funcionamento mental. É com o encontro com o não / eu que se tem a chance de “realizar o pensamento”, aquilo que vem depois da imaginação.
Sem esse encontro, a ideia ainda existe, contudo, simplesmente no imaginário, na fantasia e não conta com o outro para que se mantenha real. Isso, nos mundos, externo e interno. Algo caótico que procura se organizar e, com certeza, conta com o outro para isso. Certa dependência afetiva que, novamente se pronunciam para o mundo, com a ajuda de Eros.

O desmame é algo penoso não só para o bebê, mas, sem dúvidas para a mãe (na realidade bem mais difícil para ela). Porém, a única forma de criar espaço para si é libertando-se do (o) outro. Aos poucos a mãe perceberá que não se pode trabalhar enquanto se tem alguém no colo, e esse modelo que proponho aqui pretende transcender o nível concreto ou perceptível pelos sentidos, onde cada quilo que o bebê ganha é também um sinal de que se inicia o tempo de andar com suas próprias pernas.
Quero propor que a capacidade de pensar é algo que se encontra numa esfera que guarda certa individualidade e que, quando alguém pensa pelo outro normalmente o faz em detrimento de si mesmo. Certo tipo de fantasia de onipotência que possa ter uma mãe referente a possuir um seio inesgotável, pode estar sacrificando uma parte importante de sua saúde e também impedindo que o outro (filho, marido) descubra sua função e desenvolva suas capacidades para exercê-la, sobretudo a capacidade de pensar em si mesmo, ou pensar por si mesmo. Capacidades que só podem surgir através do desmame. Aquela que nunca se sentiu realmente desejada como mulher, pode encontrar na maternidade uma chance disso e talvez se perder aí. Quando olhar para os olhos do bebê durante a mamada perceberá a experiência magnífica de receber alguém que realmente a deseja e necessita dela para viver. É como um ópio propondo o vício de ser mãe.
Assim, em alguns casos ocorre o risco de odiar e lutar contra tudo que aparecer e perceber no filho, que possa capacitá-lo para algo mais do que ser simplesmente filho. Ocorrendo até mesmo na articulação de sabotagens quanto ao processo de desmame. Movida por inseguranças, ela cria um movimento em prol de impedir que o outro aprenda a viver independente dela.
Atacando qualquer outro tipo de vínculo que não o de ser mãe, sob a imaginação (construída antes da maternidade) de que, de outra forma, nunca será reconhecida em seu valor. Ela, a mãe, faz de tudo para o outro e, se nutre da dependência desenvolvendo uma sensação de poder. 
Crescer sem um bom desenvolvimento desses vínculos, cria no outro, que se aproveita dessa situação prazerosa, uma impressão de um ser impotente e dependente em suas realizações. Entretanto, a obstrução do amadurecimento emocional e afetivo, é um processo doloroso, e pode, muitas vezes, ser recoberto pela tarefa de ser mãe. Pode se desenvolver uma forma perversa de vínculo com si próprio e, logo, com o outro.

“Quando vem a época do desmame, a mãe enegrece o seio, pois manter o seu atrativo será maléfico ao filho que o deve deixar. Desse modo ele crê que a mãe mudou, ainda que o coração dela continue firme e o olhar seja da mesma ternura e do mesmo amor. Venturoso aquele que não precise recorrer a meios ainda mais terríveis para o desmame de seu filho!” Kierkegaard, Temor e Tremor, 1843, pp.27, 32

A questão toma proporções importantes quando se percebe que escolhas afetivas de um adulto estarão o tempo todo permeadas destes impulsos conflituosos enraizados na origem da vida. Na realidade, não existe escolha, estamos sempre, dentro da proporção de cotas subordinados a isso. O que nos faz escolher alguém para nos ligar está intimamente associado com fatos arcaicos na gênese do desenvolvimento emocional, e que hoje, nos aparece como paixão. Aquele modelo de relação do qual não se sabe muito bem por que se sente tão fascinado pelo outro. No entanto e, mesmo assim, sente-se extremamente atraído. São impulsos infantis que, hoje, mascarados pela moral e normas sociais, tentam ganhar lugar na personalidade de cada um de nós.
Lembro-me de um paciente em análise, frustrado por uma separação e tentando me dizer, muito bravo, sobre esses tipos de escolhas inconscientes, xinga seu cupido de cego.
A fase da amamentação, talvez seja o símbolo maior, do período onde se esteve totalmente dependente do outro. Se for isso um fato, a fase que se sucede e tem o desmame como divisor de águas sugere o medo, a insegurança e a incerteza que caminham lado a lado com a independência.
Enquanto adultos, tendemos a pensar que isso tudo, é algo muito simples e que a própria natureza da criança irá se encarregar de mostrar o melhor caminho. Entretanto, a dificuldade que se encontra no adulto em reconhecer a real dor presente nos entraves afetivos da criança está diretamente ligada à incapacidade de ter aprendido em sua vida, com a própria experiência infantil. Cada experiência malsucedida na vida emocional infantil está velada na história do adulto como um código de silencioso esquecimento. Isso, tanto dele para com ele mesmo, quanto daquele que esteve (está) com ele no momento da experiência.
O desmame, assim como cada percepção da realidade de que a mãe não é “sua”, ou que seu amor não é exclusivo, é uma encruzilhada no caminho deste pequenino ser que chegou há pouco tempo, nesse mundo. Ele irá experimenta sentimentos como raiva, inveja, ciúmes, que são gerados a partir da experiência da perda, daquilo que se vai. Uma sequência de perdas consecutivas que irão gradualmente forçando o eu a se responsabilizar-se de suas próprias "escolhas".
Podemos, então, a partir deste modelo, perceber que, na verdade, passamos nossa vida toda tentando (ou evitando) nos desmamar de substitutos do seio original.

Capítulo do livro: MARTINO, Renato Dias. Para Além da Clínica - 1. ed. São José do RioPreto, São Paulo: Editora Inteligência 3, 2011.





Prof. Renato Dias Martino 
Psicoterapeuta e Escritor
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sábado, 14 de setembro de 2013

Prof Renato Dias Martino -- 'Eu sou' é uma posse



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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Você no controle da vida dos outros

Daniela Fenti para o Diário da Região - São José do Rio Preto, 11 de Setembro, 2013


Certo dia, você volta para casa em um horário diferente e o vizinho logo espia pela janela para saber porque chegou tão tarde. Você vai trabalhar com uma blusa nova e um colega cochicha com o outro sobre suas “extravagâncias” financeiras. Você se permite comer um doce e a prima que malha todo dia olha torto para suas gordurinhas abdominais. 

Quem nunca passou por alguma situação parecida com essas que atire a primeira pedra. Se a própria presidente da República, Dilma Rousseff, tem traçado estratégias nacionais para combater o monitoramento de espiões norte-americanos... Mas, afinal, por que a vida dos outros provoca tanta curiosidade? Segundo Renato Dias Martino, psicoterapeuta, escritor e professor de Rio Preto, esse tipo de comportamento é definido pela psicanálise como um mecanismo de defesa chamado “projeção”. 

Ele explica que pensamentos, desejos, sentimentos e emoções inaceitáveis ou indesejados são atribuídos a outras pessoas, fazendo com que a mente não os reconheça.“Existe uma frase do Freud que diz o seguinte: ‘Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo’. Isso significa que quando olhamos muito para alguém, algo não vai bem conosco”, explica. 

Para Martino, quanto mais as experiências desagradáveis são elaboradas internamente, mais maduros os indivíduos se tornam e menor o risco de projetarem esse tipo de experiência no próximo. Embora a preocupação com a vida do outro não seja um fenômeno social recente, o assunto se tornou um dos “queridinhos” das redes sociais, como o Facebook e o Instagram - onde, naturalmente, existe uma superexposição pessoal. 

A tecnologia oferece ferramentas para que as informações circulem cada vez mais rapidamente e em lugares mais distantes. Mas a culpa não é dela. É comum que os perfis sejam vasculhados de um lado e algumas indiretas sejam publicadas do outro, a fim de reprimir as atitudes dos amigos virtuais muito xeretas. Martino explica, no entanto, que as indiretas só servem para que se criem ainda mais mecanismos de defesa. 

Outro erro comum é achar que “dizer umas verdades” de qualquer maneira vai resolver o conflito. Dependendo das palavras e da entonação escolhidas, é possível piorar - ainda mais - o relacionamento.“Kant dizia que a verdade sem amor é crueldade. Quando alguém projeta em nós suas incapacidades, devemos devolvê-las de forma carinhosa”, ensina Martino. 


Ainda vale citar que, mesmo que alguém esteja rodeado de pessoas que costumam observar e julgar seus passos, só haverá prejuízos se esse alguém permitir. “Precisamos estabelecer limites, senão um completo estranho pode começar a ditar regras em sua casa. Tem gente que se faz de boazinha por medo de ser rejeitada e permite tudo”, orienta Fonseca.’

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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Cerimônia de Lançamento do Livro - O Amar e o Pensar: Das Perspectivas dos Vínculos no Desenvolvimento da Capacidade Reflexiva

O amor, que durante séculos foi um tema reservado somente aos romancistas, poetas e filósofos, a partir de Sigmund Freud passou a ser um objeto de estudo das teorias do pensar.

Também na ciência, presentemente admite-se que a capacidade de amar - que se desenvolve, sobretudo, nas mais tenras fases da infância - é fundamental no bom desempenho do aparelho psíquico.

O tema dessa obra mostra-se, de forma essencial, não só na perspectiva da saúde biológica, mas é fator de base e organizador emocional, logo imprescindível na expansão do exercício do pensar.

Serviço:
Lançamento do livro - O amor e a Expansão do Pensar: 
Das perspectivas dos vínculos no desenvolvimento da capacidade reflexiva

Autor: Renato Dias Martino
Editora: Vitrine Literária
Nº de páginas: 90
Data: 20 de setembro de 2013
Horário: 19:30
Local: Biblioteca Municipal de São José do Rio Preto
Contato: 17 30113866

domingo, 25 de agosto de 2013

Dicas de filmes - De Porta em Porta

Bill Porter (William H. Macy) é um carismático sujeito que apesar da paralisia cerebral, por conta de uma falha médica em seu parto, tem grande apoio de sua mãe e consegue um emprego de vendedor na empresa de produtos domésticos Watkins Company, em Portland, Oregon, 1955. Depois de ser descriminado pelas pessoas que se julgavam normais, faz sua primeira venda para Gladys Sullivan (Kathy Baker), uma alcoolista que vivia sozinha. A partir daí, ele não parou mais e por mais de 40 anos, peregrinou 16 quilômetros por dia em suas vendas. Para auxiliá-lo nesta trajetória, encontra Shelly Soomky Brady (Kyra Sedgwick) sua secretária. Uma História emocionante baseada em fatos reais.




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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

SOBRE A FUNÇÃO DO PAI

Não acredito que exista uma receita que ensine como ser um bom pai, entretanto, não existe dúvida que é preponderante no desempenho da função paterna grande capacidade de tolerância. Se estivermos falando de experiências emocionais, a definição de limites, sempre enriquecida de carinho é a principal característica dessa função e é exatamente por isso que sua presença se faz tão importante. É através das vivencias com o pai que o sujeito tem chance de desenvolver seus próprios limites sem agredir a si mesmo.
O estabelecimento de limites é característica central da presença emocional paterna. É do pai a função de dizer “não”, por exemplo, quando a mãe faz isso é sempre em nome do pai: “Espera só seu pai chegar!”, entretanto essa definição deve contar com uma boa dose de afeto. A ausência do afeto nessa experiência resulta na criação de um funcionamento cruel com ele mesmo. Formam-se limites preestabelecidos para si próprio, através de mecanismos rígidos de imposição de regras. Isso é gerador de uma série de conflitos psicológicos, podendo até, em alguns casos, se manifestar fisicamente. Em casos extremos o sujeito pode romper com esse modelo e de forma inversa se entregar a formas subversivas, desregradas e sem limites, como o resultado de uma revolta às leis impostas sem afeto.
Ora, não deve ser motivo de surpresa afirmar que o perfil da figura paterna e também da presença materna, sofreram algumas alterações nas últimas décadas. No estudo da psicanálise aprendemos que o ser humano tem duas formas de funcionar mentalmente; uma delas com características egoístas ou narcisistas, que usa normalmente para se defender; e outra forma que, quando mais confiante de si, se dispõe a ligar-se e dedicar-se ao outro. Essas duas formas de funcionar disputam lugar na personalidade do sujeito, contudo, encontram convites sedutores na constituição de uma sociedade consumista. Esses convites têm forçado o sujeito a funcionar muito mais de forma narcisista e isso compromete diretamente as funções básicas, como é o caso da materna e também a paterna. 
A vivencia no desempenho da psicanálise clínica, assim como o exercício da docência no ambiente de ensino, revela que na verdade a realidade que vivemos hoje existe muito pouco espaço para essas funções básicas, pois, são raros os lares que podem contar com a presença da mãe, as crianças são criadas pelas avós ou por babás. A presença paterna, então, é mais rara ainda.
Uma criança é gerada no encontro entre duas pessoas, e só através desse encontro de realidades é que será garantida certa saúde emocional. A privação da experiência dessa incidência de realidades, porém, resulta na formação de sérios conflitos que, sem duvida comprometerão essa criança na forma de se relacionar com ela própria e assim, também com o outro.
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

SE TORNAR DESNECESSÁRIO

A proposta de tornar-se desnecessário para o outro merece aqui um olhar atento. Logo de inicio essa reflexão já deve causar algum desconforto, se não for pensada com muito cuidado pode facilmente ser confundida com certo movimento de desprezo, falta de cuidado, ou de ausência afetiva. No entanto, a proposta aqui é a de abrirmos um espaço para reavaliarmos a qualidade dos vínculos estabelecidos na ordem emocional. 
A situação da imaturidade emocional-afetiva, ou mesmo a ocasião de certa fragilidade nessa ordem de funcionamento, pode induzir a uma visão de descrédito quanto à capacidade de amar e isso, sem dúvida pode levar o sujeito a travar vínculos menos saudáveis e de menor qualidade afetiva. Entretanto, através de que elemento poderia manter-se um vínculo que não contasse com afeto? Pois bem, se o vínculo não pode contar com o amor, para que se mantenha ligado pode cultivar então certa condição de dependência, que na verdade é natural no início dos relacinamntos que podem via a desenvolver o amor. Ainda assim, na ocasião da obstrução no processo de maturação-emocional afetiva, a dependência pode via a ser um elemento que mantém pessoas ligadas por muito tempo, se não pela vida toda.

O vínculo de dependência está compreendido na ordem das alienações. Quando cristalizado, pode via atrazer a ilusão prazerosa da resposta, traz a sensação de garantia e saciedade que desmotivam o sujeito de questionar. A certeza é sedutora e envolve o sujeito num micro mundo de impossibilidades. Relações que se mantém obstruidas nessa ordem e não conseguem evoluir alem disso, são limitadas de tal forma que não podem abranger características como a de consideração com o outro, ou respeito mutuo. O outro passa a existir somente para satisfazer e sendo assim não pode ser chamado de outro. A introdução do respeito na experiência do vínculo é o que pode possibilitar a reflexão, prejudicial aos estados cristalizados na dependência. A reflexão coloca em xeque a situação de dependência e propicia a expansão para um modelo mais maduro. 
Ainda assim, o modelo de vínculo da dependência é inevitável e se dispõem como condição imprescindível para que haja a evolução em modelos mais bem elaborados e que possam contar com a capacidade afetiva. De início o bebê não é capaz de amar. Não pode retribuir o amor dedicado da mãe, ele simplesmente é dependente dela e necessita dela para viver. Só aos poucos e sendo irrigado de muito afeto, ele passa a desenvolver a capacidade de retribuir esse amor. 
Dediquemo-nos agora a refletir um pouco sobre necessidade. Aquilo que está na ordem das necessidades básicas, funda um vínculo de dependência. Depende-se daquilo e isso passa a configurar-se assim, como um ponto inquestionável. Não se encontrando nos domínios de nossas escolhas, distante de qualquer questionamento.  A palavra necessidade tem sua origem no Latim NECESSITAS, “compulsão, necessidade de atenção”, de NECESSE, “inevitável, indispensável”, originalmente denotando “sem volta”, composto por NEC, “não” e CEDERE, que quer dizer “recuar, ceder”. 
Assim como do oxigênio somos dependentes e se não inalarmos o suficiente desse elemento do ar, morreremos. Por conta desse modelo de relação, não cabe nessa experiência o gostar ou não gostar, simplesmente se necessita disso. Assim também o bebê não ama a mãe, simplesmente necessita dela e a partir disso pode aprender, ou não a amá-la.
Quando aplicamos esse modelo na perspectiva emocional fica claro que, o estabelecimento de vínculos saudáveis é o que pode trazer recursos para esse desapego das satisfações sensoriais. Sendo assim, abrem-se as possibilidades de ligações, onde aquilo que une o eu ao outro não se encontra simplesmente, ou tão somente no nível da satisfação da necessidade. Se tornar desnecessário é uma chance de permitir que o outro estabeleça um amor verdadeiro e para isso essa experiência deve se encontrar para além do modelo primitivo de vínculo da dependência. 
Quando nos propomos a reconhecer as experiências emocionais-afetivas, percebemos que, para que uma mente possa funcionar bem e de maneira saudável, é fundamental que seja irrigada e muito bem nutrida por vínculos afetivos de qualidade. As relações afetivas saudáveis abrem a possibilidade de reconhecimento da verdade do mundo, da realidade tanto do eu quanto do outro, propiciando um acordo com a realidade. A partir dessa experiência o sujeito se vê mais capacitado para conviver com a dúvida e os questionamentos que são à base da consciência da realidade. Esse pressuposto aqui postulado é necessário para que possamos prosseguir no intuito reflexivo desse texto. Isso equivale dizer que sem essa premissa de que o afeto é fundamental para o bom funcionamento mental, todo o ensaio perde o sentido.
A ação de maternagem suficientemente boa é aquela em que a mãe, gradativamente, vai se fazendo desnecessária conforme o desenvolvimento da criança. Diante da missão realizada e tendo a maturidade do filho como sinal do resultado disso, agora a mãe e o pai, devem iniciar um doloroso processo de tornarem-se dispensáveis. Sendo então desnecessários, poderão agora desfrutar do verdadeiro amor, livre de dependências. O amor quando nutrido da verdade, liberta.
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