domingo, 20 de janeiro de 2013

A Tarefa de Construir um Amor Verdadeiro


Sendo o amor uma necessidade psíquica, sem o exercício dessa ordem de vínculos uma mente não pode se desenvolver. No entanto, apesar de o amor ser fundamental para o desenvolvimento saudável da mente, amar alguém não pode coincidir com depender desse alguém, pois se assim for estamos falando de um modelo de funcionamento primitivo do amor infantil. Logo, poderíamos afirmar que se a proposta aqui é uma visão saudável e amadurecida das experiências emocionais então a necessidade real deve estar representada na ação de amar e não concentrada no objeto amado. 
Se isso é fato, então aquele que teve a oportunidade de se preparar para essa experiência, deve ter maio chance de ser bem sucedido em sua realização. Quero sugerir que a possibilidade que uma criança possa ter de viver experiências amorosas dentro do âmbito familiar (lugar seguro) é de fundamental importância no que diz respeito às experiências futuras, que serão vividas no ambiente para além dessa esfera de convívio. 
Parece ser muito improvável que possamos encontrar um amor verdadeiro sem que venhamos cultivando esse sonho, de forma cuidadosa anteriormente. Isso por que, parece ser fundamental que exista a preparação interna de um espaço para receber o outro, antes mesmo de o outro efetivamente chegar.

Não me parece possível encontrar um amor se estivermos pré-ocupados de mais com outras demandas. Enquanto pré-enchidos de “coisas” passa a ser improvável que o amor encontre lugar em nossa vida.

Entretanto, só desejar um amor não garante a capacidade de dar manutenção para um vínculo dessa espécie. Muitas vezes, o sujeito pode passar muito tempo voltado para a conquista material e só se dar conta da necessidade de encontrar um amor verdadeiro e durável, em ocasiões isoladas. Dessa forma, passa a entender o amor também como uma aquisição material, da qual ele encontrará um dia, e o possuirá como um bem adquirido. Mas apesar disso, ainda estamos falamos de algo na dimensão do construir. E construir junto do outro; passo a passo. 
Parece claro então que, só aprontar um ambiente interno que possa acolher esse amor, também não deve ser o suficiente. Há ainda que se desenvolva certa faculdade que permita reconhecer no outro, ao mesmo tempo, a disponibilidade para se dedicar ao amor. Reconhecer no outro, capacidades votadas para o cultivo dessa ordem tão nobre das experiências emocionais. Perceber no outro, assim como no eu, se existe um projeto de vida onde a expectativa inclua dividir o tesouro de sua existência com outro alguém. Se nele existe um terreno fértil para um vínculo saudável. Se existe nesse outro, que se encontrou, a tolerância para enfrentar as dificuldades na tarefa de se construir um amor verdadeiro e se isso faz realmente parte dos seus projetos. 
Em um primeiro olhar pode parecer que essas características referentes à capacidade de amar no outro, estejam extremamente ocultas, entretanto o que dificulta realmente essa percepção está muito mais na incapacidade de perceber e reconhecer a realidade, por conta do comodismo em se manter sob a influência de ilusões que proporcionam sentimentos prazerosos. Porém, conforme o sujeito capacita-se em tolerar frustrações e assim se qualifica na tarefa do reconhecimento da realidade, essas características no outro, ficam muito evidentes.

Além do mais, é muito importante que se possa ser capaz de desistir desse outro se as tentativas de reconhecimento dessas capacidades nele forem estéreis. Isso, pois, ser capaz de amar o outro é sempre precedido pela capacidade de amar a si mesmo. Insistir em amar aquele que não tem essa capacidade, enfraquece o eu, pois desvaloriza o amor próprio. A tarefa de construir um amor verdadeiro não é de forma alguma uma empreitada simples ou fácil.

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Prof. Renato Dias Martino 
Psicoterapeuta e Escritor
São José Do Rio Preto - SP
Fone: 17-30113866 
renatodiasmartino@hotmail.com
http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com

4 comentários:

Rogério Xis Nhoato disse...

Sensacional! Devemos nos preparar mesmo e as frustrações acontecem. Vai saber, uns encontram e outros permanecem na eterna procura! Fato...

renata Freitas disse...

Perfeita explanação do prof. Renato! !! Parabéns prof! !!!

PSICANALISE NO DIADIA disse...

"Ser capaz de amar o outro e sempre precedido da capacidade de amar a si mesmo", esta deveria ser a regra baisica para todo relacionamento.

PSICANALISE NO DIADIA disse...

"Ser capaz de amar o outro e sempre precedido da capacidade de amar a si mesmo", esta deveria ser a regra baisica para todo relacionamento.